Friday, December 4, 2009

Sie hat was vermisst (or: schöne Grüsse aus Amerika)


Pela frequência dos posts ultimamente, pode parecer que não. Mas prometo que é verdade. Para muitos que lêem isso aqui (leia-se, portanto "euch" no lugar de "dich").

Friday, October 30, 2009

When there's nothing else to burn, you set yourself on fire

Esse blog estava em coma. O que o faria ressucitar? Meu verao ocupado, viajado, atribulado? Meu novo emprego, atribuladissimo? O show do Snow Patrol, que foi bom de doer? Minha espetacular viagem ao Mexico, no dia seguinte? Ter ido ao New Yorker Festival e participado da sessao com o George Saunders e o Gary Shteyngart? Nao. Nenhum desses teve forca suficiente. Faltava alguma coisa (porque eu me alimento de alegria estetica).

Ontem de manha, fui buscar um pacote no correio (meu carteiro e' uma pessoa do mal e raramente entrega pacotes). Abri, olhei para o livro recem-lancado, recem-chegado e li. Li sem parar. E resolvi ressucitar o blog, mesmo sem acento, de um computador que nao e' o meu pessoal, so' para reproduzir uma passagem:

[conversa de avo' com neto sobre como ela sobreviveu ao Holocausto fugindo dos nazistas - e quase morreu de fome, se alimentando ate' de lixo]

"The worst it got was near the end. A lot of people died right at the end, and I didn't know if I could make it another day. A farmer, a Russian, God bless him, he saw my condition, and he went into his house and came out with a piece of meat for me."

"He saved your life."

"I didn't eat it."

"You didn't eat it?"

"It was pork. I wouldn't eat pork."

"Why?"

"What do you mean why?"

"What, because it wasn't kosher?"

"Of course."

"But not even to save your life?"

"If nothing matters, there's nothing to save."


E'. Tem livros que envergonham todo o resto da literatura (e ressuciatm blogs). Leiam Eating Animals, de Jonathan Safran Foer - agora!

Sunday, May 24, 2009

Just a ride


Do postsecret, mais uma nota à la #prontofalei.

Sunday, May 10, 2009

I love to move in here

Ontem foi dia de mudança. Já estava com tudo encaixotado e o Respectivo já tinha ligado pro caminhãzinho de mudança e agendado tudo. A primeira parada seria sábado, 09 de maio de 2009, às 14h, na casa de um amigo filipino e uma amiga sérvia que, por estarem indo embora dos EUA nos venderam montões de móveis.

É, só que nossa mudança foi no Bronx, ou seja, tinha que rolar alguma coisa de muito bizarra no meio.

Às 14h, chegamos lá na casa deles. Nada de caminhão de mudança. O Respectivo liga pro cara. O cara avisa que vai atrasar uma meia hora. Beleza, então vamos ir trazendo os móveis para o térreo, porque aí, quando o caminhão chegar, é só enfiar tudo dentro.

E descemos três andares (três!) de escada (escada!! - e, pior, daquelas escadinhas estreitinhas) carregando sofá, cômoda, cadeira, luminária, microondas, mesinha, banquinho e por aí vai. O sofá (futon) quase não passou pela escada. Tragédia.

Bom, e lá estávamos nós, às 15h, com tudo na calçada (sim, na rua!). E nada do cara da mudança. O Respectivo telefona DE NOVO. O cara diz que não vai poder ir (!!), mas que vai mandar outro cara no lugar. Era para a gente esperar mais uma meia hora. E aí, é claro, começa a armar chuva - e a gente com os móveis no meio da rua. (Oi, Murphy, há quanto tempo...!)

Para agilizar as coisas, enquanto o Respectivo vigia aqueles móveis, eu vou ao meu apartamento, que ficava há dois quarteirões de lá, e já começo a descer as minhas coisas. Mais caixas e caixas (e alguns móveis pequenos) - mas aí era só um andar.

Sorte é que a chuva estava só armada. Não caiu. Porque os caras chegaram para fazer a mudança às 16h, ou seja, duas horas depois do horário combinado! E a mudança tinha que acabar no máximo até as 17h, porque tínhamos um potencial sub-locatário que ia visitar o apartamento às 17h. E viva!

Terceira parada, a casa do Respectivo - e aí entra cama, estante, escrivaninha etc.

Chegamos no apartamento novo lá pelas 18h. A sorte é que o tal sub-locatário ligou avisando que ia atrasar um pouco. Abro a porta do apartamento e dou de cara com 2 caras estendidos no meio da cozinha. Um com a cara enfiada debaixo da pia, e outro com a cara enfiada dentro da máquina de lavar louça. É porque no dia anterior eu tinha reparado que tinha alguma coisa no encanamento que não estava rolando, e liguei pra reclamar. E é lógico que os caras iam estar lá naquela hora, junto com os caras da mudança. E, porque desgraça pouca é bobagem, no meio dessa confusão chega o sublocatário com mais dois amigos, para ver se ia ficar ou não com o apartamento durante o verão (já que o Respectivo e eu iríamos passar 3 meses fora).

O processo de mudança acabou lá pelas 20h. Até o Respectivo e eu tirarmos as coisas de sobrevivência básica de algumas caixas e jantarmos, a coisa se esticou até as 22h30. E o detalhe, no dia seguinte às 7h da manhã, mamãe e titia estariam batendo à porta, recém-chegadas do aeroporto. Maravilha!

Mas como estudantes pobres sempre têm algum consolo, pelo menos, com a confusão toda, batemos boca com o cara da mudança e pagamos bem menos que o combinado. E, a essas alturas da economia americana, qualquer "cincão" é dinheiro.

Friday, May 8, 2009

Apartment story (or, two out of three ain't bad)

Estava chegando a época de fazer mudança. Um saco. Mas o lance todo é que não dava mais para ficar morando no apartamento onde eu estava, com mais 4 meninas - e sempre alguma potencialmente louca, tipo a roommate from hell. Estava na hora de gente grande ter apartamento de gente grande, com sala e cozinha de verdade, tal. Especialmente agora, que eu teria um emprego de verdade.

Os problemas eram: eu precisava arrumar um(a) roommate (porque não queria pagar bilhões de dólares de aluguel, internet, TV a cabo etc. sozinha), e precisava arrumar um apartamento.

O problema de arrumar alguém pra dividir o apartamento comigo foi até que facilmente solucionado: não tinha ninguém randômico gostável/suportável que estivesse à procura de uma roommate, mas aí, o Respectivo descobriu que a rooommate dele queria ficar com o apartamento em que eles moravam todo para ela, ou seja, ele também estava precisando arrumar um roommate. Depois de muitas noites mal-dormidas de reflexões existenciais, chegamos à conclusão do óbvio: vamos ser roommates.

Entendam: a idéia não era morarmos juntos, simplesmente; era sermos roommates, ok? É, porque eu ainda tenho boundaries na vida.

Com isso em mente, fomos procurar apartamentos. De dois quartos, é claro. No começo, foi só tragédia: um apartamento mais acabado e com mais cara de ratoeira que o outro. E, está certo que é o Bronx, mas eu ainda tenho standards. Os que eram decentes, eram carésimos. Depois de uma semana de busca, nada.

Mas aí, eu me lembrei da Carrie Bradshaw dizendo que em NY, você está sempre procurando um emprego, um apartamento ou um namorado. Como eu não tive grandes dificuldades para arrumar o emprego nem o namorado, não era o apartamento que ia me derrubar!

Logo, logo: bingo! Achamos o apartamento ideal. Não vou ficar bragging, porque eu sei que tem gente que só lê isso aqui para depois ir ao terreiro e fazer macumba (não adianta, porque na minha casa tem muito sal grosso, tá?!), mas o lugar é legal. E bem melhor que meu apartamento antigo, que era bem decente.

Depois de algumas burocracias (documentos, extratos bancários e afins), assinamos, no dia 1o. de maio, o contrato de aluguel.

Ou seja, aquela história de que "in New York, you can have a great job, a great apartment and a great companion, but not all three" pode até ser verdade, mas não para mim. Ha!

Thursday, May 7, 2009

She can't sleep no more (or, not the swine flu)

E aí que acordei às 5h51 da manhã e não peguei mais no sono. Naquele estado meio sonolento, meio psicótico de quem não dormiu muito - aquele estado em que você é capaz de conversar com pessoas com a mesma clareza de um mendigo que andou fumando crack - comecei a pensar se as buscas no google pela gripe do porco iriam dirigir mais pessoas ao meu blog. "Pork on my Eggos", tal, sacou?

É, só que vamos voltar um pouquinho a história (mesmo porque eu me recuso a comentar essas coisas triviais e que não giram em torno do meu próprio umbigo, como a gripe do porco): eu acordei às 5h51 da manhã!

Aí, vocês perguntam: coloquei o despertador pra tocar? (Não!) Então, por que raios você acordou tão cedo? Ou por que não voltou a dormir?

Pois é, das mazelas de se morar em NY... Entendam: quando vim morar aqui, abandonei 2 hábitos terríveis: comer três refeições ao dia e dormir. Vejam: não é que abandonei o hábito de dormir 8 horas por dia (acho que desde, sei lá, o colegial - que, na minha época ainda se chamava colegial - não durmo 8 horas por dia); simplesmente abandonei o hábito de dormir. Altogether.

Não é coisa de filme: há sirenes e barulhos improváveis partout - e o tempo todo - em NY, não importa o borough. Além disso, há a luz. A luz! A janela do meu quarto está na direção leste, ou seja, de manhã cedo, é uma claridade infernal (apesar da persiana) e, à noitinha, completa escuridão. Bom, numas. Completa escuridão até que seria bom à noite. Só que é claro que tem um poste que parece um daqueles holofotes do Anhembi exatamente ao lado da minha janela. E eu tenho uns vizinhos cuja versão de "festa no apê" é "festa na varanda". A varanda, no caso, fica imediatamente embaixo da minha janela. E eles cantam. Bêbados que cantam, saca? Bêbados que cantam são os equivalentes metropolitanos do fênomeno urbano comum conhecido como "gatos em processo de cópula"

Enfim, tudo isso para dizer que eu não ligo pra gripe do porco. Eu só queria dormir um pouquinho...

Wednesday, April 29, 2009

The Road (or, first to know)

E aí, parece que o lance do Respectivo com o pre-screening do filme (The Road) rolou. O lance era na terça-feira (ontem), às 19h30. Como nenhum de nós dois tinha que assitir a aulas nem dar aulas, chegamos lá às 18h30, como recomendado.

A fila para entrar no cinema estava dobrando a esquina e indo atéééé o fundo, da Broadway até a Columbus Ave. Na fila, os organizadores nos deram um formulários pra preencher, como nome e alguns dados pessoais. Aí, logo deixaram a galera entrar.

No início, um pessoal da equipe de produção veio explicar o que ia rolar. Iríamos assistir a uma versão pré-produção do filme - ainda não completamente editada, sem os efeitos sonoros e de iluminação completos - e depois responderíamos a um questionário a partir do qual eles ainda poderiam fazer algumas mudanças no filme. Ou seja, a versão que estreiará no cinema daqui a uns 6 meses será um tanto diferente da que ia rolar ali.

Ok, vambora.

Olha, eu gostei MUITO do filme, viu? Não curto filmes apocalípticos (e The Road é, definitivamente, apocalíptico), e não sou a fã número um do Cormac McCarthy (ok, eu li No Country for Old Men, e tal, mas foi meio doloroso. Não é meu tipo de literatura...), mas o filme é bom. Muito bom.

Quando assisti a No Country for Old Men no ano passado e, mesmo sem ter visto muitos outros filmes no cinema naquele ano, disse que era, sem sombra de dúvida, o filme de 2008, o pessoal não levou fé; me achou exagerada. Agora, como coloquei a mão no fogo por No Country..., faço o mesmo com The Road, se não mais: como filme de futuro apocalíptico, dá um pau em Matrix e outros que foram louvados ao mesmo status. Podem falar que é o próximo Blade Runner, mas não é. Porque The Road inaugura um novo estilo. A questão não é se The Road é o novo Blade Runner. A questão é: qual vai ser o próximo The Road?

O filme só estréia nos EUA em outubro, e no Congo (banana-land) em dezembro. Vejam. No dia em que estreiar.

(Preenchemos a pesquisa no final do filme, tal. Foi interessante. Agora vou ter que ler o livro. E ver o filme de novo, em outubro.)