Friday, February 29, 2008

The world only has 300 people. And they all love good food.

A coisa é meio enrolada, mas vejam se vocês conseguem acompanhar: fomos jantar no West Village, no Lima's Taste, no dia 16/02. Top choice para comida peruana em NYC.

Éramos 5 para jantar. Entendam: a Mariana mora comigo aqui em NYC. Ela é da Bolívia. Um amigo dela, o Carlos, veio visitar. Ele mora no Texas, mas ele é peruano, de Lima. Ele acabou de voltar do Brasil , onde esteve a trabalho. O Respectivo, apesar de americano, nasceu em Lima. E também foi jantar com a gente, é claro. Mas as coincidências não acabaram! A Camila, irmã da Mariana (obviamente também boliviana) também foi jantar com a gente. Ela estuda música aqui em NYC. Antes de fazer faculdade, ela fez high school em Interlochen, que fica há poucos minutos de Traverse City onde o respectivo sempre morou e onde ele fez high school, no Michigan. E ela está indo para o Brasil no mês que vem.

Enfim, pessoas de mil mundos diferentes mas que, por conta de o mundo ter apenas 300 personagens principais, tinham bilhões de coisas em comum, conforme fomos descobrindo durante o resto da noite. Mas o que importa mesmo é que essa foi minha primeira experiência com ceviche. Não sei se gostei tanto. Lembrou muito o pickled herring que eu comi em excesso na Alemanha (nos idos de 2005). O pisco sour estava bom. O anticucho (yes, cow heart!) foi melhor do que eu esperava, apesar de estar mal-passado demais para o meu gosto. E teve sobremesa, é claro: Suspiro (dulche de leche with meringue topping). Sim, a noite acabou em food coma.

Perilla (or how I met Harold Dieterle)


Vocês se lembram daquele programa, "Top Chef", que passava no Bravo Channel?
Eu lembro. Lembro bem, aliás. Quem ganhou a primeira temporada foi o hottie aí ao lado: Harold Dieterle. Mas isso foi há uns dois anos. Em maio de 2007, ele abriu um restaurante no West Village, Perilla. Top choice de NYC.
Domingo passado, fomos comemorar o aniversário do Respectivo lá. Um detalhe importante é que o Respectivo é alérgico a glúten, o que sempre torna nossas idas a restaurantes no mínimo interessantes (com aquele quê de aventura envolvendo food poisoning e brain damage).

Depois de atazanarmos a garçonete fazendo mil perguntas sobre os ingredientes de cada um dos pratos, ela pede licença para ir à cozinha verificar o que contém farinha de trigo e tal. Na volta, ela traz com ela - tah, dah!! - Harold Dieterle, o próprio!, para conversar com a gente e brainstorm quais dos pratos do menu não contém glúten ou quais ele poderia fazer sem glúten, substituindo algum ingrediente especialmente para nós. Ele se sentou na mesa conosco para decidirmos.

O lance do gluten-free foi realmente útil, for once!

Na hora da sobremesa, nem precisamos perguntar nada, a garçonete trouxe os menus e já avisou logo o que o Harold sugeria para a gente: ele fez um cheesecake sem a massa e tudo. E serviram com velinhas. Happy birthday and a very wow-ful meal!

The Office, daH-ling!

Uma boliviana, uma brasileira e um peruano em um apartamento no Bronx. Novamente, não é piada.

Essa foi há pouco tempo, 15 de fevereiro passado. Mais uma sexta-feira congelante em Gotham City. Enquanto rolava um pôquer jesuíta (!!) em algum lugar do Bronx, eu me enclausurava no meu tédio vespertino/noturno.

Logo que cheguei em casa, fiz meu jantar e abri uma garrafa de vinho (um Cab barato qualquer, Trader Joe's, acho). Logo, a Mariana chegou com a gripe brutal que ela tinha e o amigo dela do Peru. Companhia para o vinho. Eba!

Depois de decidirmos onde íamos comer ceviche e tomar pisco sour no dia seguinte, decidimos que tínhamos que arrumar o que fazer para vencer o tédio. Era sexta-feira, afinal! Mas o ânimo não era tanto. Resolvemos "invadir" o quarto da Cara (que estava na Pensylvannia, acho) para pegar um DVD. Todos os filmes eram meio deprê, mas... espera! Tem "The Office - the complete 1st season"! E viva!

Vamos para o meu quarto, nos instalamos e aperto play no DVD. Segue o diálogo:

Mariana: Oh, I didn't know "The Office" was produced by BBC.
eu: Me either. Well, I guess it is. Interesting.
todos: ...

Começamos a ver o primeiro episódio.

Mariana: Wait, these aren't the original people...?!
eu: hmm? Yeah. I dunno.
Carlos: That's weird. Who's that guy?

No finalzinho do primeiro episódio, depois de passados uns 20 minutos...

Carlos: Why do they all have British accents?
eu: hmmm...
Mariana: What?
Carlos: That's British English.
eu: Yeah. Damn sure it is. But why?
Mariana: Oh, wait! Is this the British "The Office"?
eu: Oh, yeah! Totally. That explains why it was produced by BBC. And why the actors are different. And why they have British accent!
Mariana: I don't think it's funny...
Carlos: I'm not sure I understand British humor.
eu: Easy. Let's turn on the subtitles.

Dois episódios depois:

todos: Ah! Much better!

Sim, não tínhamos notado (o que seria bastante óbvio, se tivéssemos pretado a mínima atenção à caixa do DVD) que se tratava da proto-versão do "The Office". Que é brit e, consequentemente, muito mais engraçado. Com legendas.

Putting my foot in my mouth

Por influências externas (certo, J? - o copyright é seu, I know) tomei por hábito chamar a República Federativa das Bananas (aka Brasil) de Congo. A coisa pegou. Virou piada interna.

Há algumas semanas, estávamos - um grupo de filósofos chatos - no Jolly Tinker, na Webster Ave. matando tempo num sábado à noite congelante. Eis que surge o assunto de como são as escolas no Brasil e tal. Para manter o nível piada-interna, o Respectivo (i.e., o complemento XY da minha genética XX) engata o assunto:

- But how is the whole school system in "Congo" again?

Uma das mocinhas (uma das únicas outras componentes XX do departamento de filosofia aqui) imediatamente olha fixamente para nós, com cara de espanto.

Explico: ela, parte da elite conservadora norte-americana e praticamente o cúmulo de o que é ser WASP passou a maior parte da infância no Congo! Não na República das Bananas; no Congo de verdade. Aquele da África e tal. E acho que ela não gostou nada da referência pejorativa. Tentamos explicar a piada interna, o que, como qualquer explicação de piada, só piora as coisas. Era a única forma de preencher o silêncio constrangedor do momento, é verdade, mas não ajudou.

Eu faço piada com meu próprio país e o povo fica achando que eu sou a preconceituosa! Acho que até hoje ela me não engoliu a história e acha que há alguma piada maior por trás. Esse povo WASP... Vai entender...

A transsexual born in Cuba, an American catholic guy and an atheist Brazilian girl go to the synagogue...

Não, isso não é o início de uma piada. Isso é minha vida.

Outubro de 2007, durante uma festinha, eu estava conversando com um amigo trans e ele mencionou que costumava ir à gay shul em Chelsea. E, para variar, sempre na minha atitude poliano-alinesca, respondo, na hora:

- Wow! That's awesome! Can I come one day?

And the date was set. Eu iria com ele à sinagoga para o shabbat gay na sexta-feira seguinte. Sei lá como, mas consegui incluir mais uma vítima na piada da minha vida: um "inocente" garotinho católico que também ficou curioso com a idéia.

Nos encontramos no Lincoln Center e fomos a um diner em Chelsea, antes do serviço começar. Comi bacon, óbvio. Com queijo. Só para ser bem kosher.

Chegamos na gay shul: era uma igreja! "Como assim uma igreja, Das?", perguntei, sinceramente puzzled.

- Well, you know how rents in the City are really expensive and all, so they share the space. Since the church doesn't usually use the space on Friday nights, they sublet for the synagogue...
- Cool!

Mais legal ainda! Adorei! Coloquei a kippah, apesar da resistência inicial ("mas isso é coisa de menino..."). O serviço foi legal. Quase todo em yiddish e com mais músicas que a maioria das sinagogas. Não preciso dizer, claro, que havia uma rabina ao invés de um rabino.

O mais surpreendente foi ver que a maioria das pessoas attending o serviço não eram gays: eram casais hétero, aparentemente pais e/ou avós de gays, dykes a trans que iam lá por simpatia pela causa. Bem legal mesmo.

Resultado da noite: minha curiosidade saciada, un transsexual feliz por ter nos apresentado a um mundo alternativo (e que ficou lá até mais tarde para o mourner's kaddish) e um garoto católico traumatizado.

Ah, e se alguém quiser mais info.

Sex & the City, Part 1: Shoes and the cable guy

Setembro de 2007, no limite da minha sanidade, este apartamento precisava de TV a cabo e internet.

Até então, estávamos "roubando" o wireless do apartamento de baixo, mas nada de downloads, porque o sinal nunca era forte o suficiente. Além disso, vocês sabem o que é a vida com 4 (4!!!) canais de TV na América? - Não é vida, isso mesmo.

Depois de uma longa espera de 3 intermináveis dias úteis, o cable guy da Optimum aparece. De manhã cedinho, é claro. E, obviamente, era eu quem estava in charge de deixá-lo entrar e guiar as tais instalações.

Eis que depois de acordar o prédio todo, descobrimos que o sistema de fiação do prédio é uma piada. Metade dos cabos necessários para o trabalho passam por dentros dos closets!!! Vai entender.

O cara vem ao meu quarto e começa a fuçar meu closet, em busca da fiação que deveria estar em algum lugar. Todas as minhas roommates mais o cable guy no meu quarto e eis que ele observa:

- Oh, my God, girl! That's a lot of shoes! That's actually too many shoes! Why do you need that many shoes! That's, like, more than 10 pairs or something.

A atenção das minhas roommates recentes se volta diretamente para a parte da coleção que eu consegui encaixar nos espaços da mala:

- Wow! That's definitely a lot of shoes...

E foi assim que, apesar da minha enorme crise de consciência por eu só poder ter trazido 12 pares de sapato, eu virei a shoe legend da Fordham University. Parece que o momento alto do final de semana das pessoas aqui é quando eu saio da minha caverna do sábado à noite para enfrentar a vida em Gotham. Rola toda uma expectativa:

- What pair is she gonna wear tonight?
- I hope it's the yellow one.
- I like the red boots better...

Não preciso dizer, obviamente, que, desde que cheguei aqui, já comprei mais alguns pares.

A TV a cabo e a internet? Ah, deram certo, sim. Mal assisto a televisão, mas internet faz falta mesmo. Dá até pra comprar sapatos online...

Thursday, February 28, 2008

Bronx People, Part 2: attempted mugging (or how a puma attack saved my life)

Na semana seguinte ao ataque do puma descrito no outro post (abaixo), estava eu, para variar, esperando o BX 12 (dessa vez para voltar para casa) ao lado da estação Fordham da linha 4 do metrô.

Era final de tarde e eu estava carregando mil sacolas do Trader Joe's (viva a vida orgânica!), depois de passar mais de uma hora na porcaria do 4 para ir da Union Sq. até a Fordham Rd. Estava um calor brutal, porque ainda era outubro e o outono tinha acabado de começar. Ou seja, eu, no auge do mau-humor esperando o raio do ônibus.

Eis que um sujeito (Bronx person, of course) me aborda:

- Want a MetroCard? 3 dollar. [sic]
- Na.
- 3 dollar, MetroCard.
- Na, buddy, thanks. I got one.
- I need a 3 dollar.
- I don't got 3 dollars.
- Well, you betta gimme 3 dollar.
- What? Hell, no! I ain't got no money on me.
- Will you gimme 3 dollar or I'll have to fight you?

Que fique claro que eu não queria a porcaria do MetroCard, realmente não tinha dinheiro e, mesmo se tivesse, não ia dar porcaria nenhuma pro cara! Do alto da minha esperteza nesses momentos (igual a quando tentei atropelar o trombadinha que tentou roubar meu celular na Consolação), tomei a atitude Alinesca mais óbvia. Coloquei minhas sacolas no chão com toda a fúria, estendi os braços mostrando as cicatrizes do ataque do puma e respondi:

- You wanna fight? So, you betta put up a good one, cause, as you can't see, I ain't afraid of no fight!
- Uh? What? Er... Holy shit, miss! Never mind...

E o sujeito saiu andando, para tentar vender a droga do MetroCard pra outro trouxa. Life ain't easy in the Boogie Down...

Puma attack!

Início de outubro, madrugada de sexta-feira para sábado, umas 4h00 da manhã, essa alma inteligente resolve pegar o metrô de volta para casa, na 59th com a 3rd (ou algum lugar por ali). Não foi a decisão mais esperta do mundo àquela hora, mas eu resolvi "brave it out".

Descendo a escada rolante, logo no primeiro degrau, o salto do meu sapato (sei lá se o esquerdo ou o direito) "enganchou" na barra da minha calça jeans (com uns 7cm providencialmente dobrados, por pura preguiça de mandar ajustar). O resultado é que eu acabei descendo a escada rolante "all the way" de peixinho. E viva!
No auge da minha consciência de que a queda viria e que seria surreal, estendi os braços para tentar me segurar. Só que - tah-dah! - os degraus da escada rolante têm aqueles "dentinhos", que vocês podem ver na foto ao lado. O resultado da minha audaciosa manobra foi que eu rasguei os braços (sim, os dois) dos pulsos até o início do braço (aka sovaco).

Quando cheguei em casa, tive que tomar um banho de água oxigenada (que eu, como uma boa desastrada, sempre tenho ao alcance), porque eu estava basicamente coberta em sangue. Uma delícia.

Quando me olhei no espelho, com hematomas e arranhões partout, eu parecia um misto de violência doméstica com ataque de puma.

No dia seguinte foi o show do Arcade Fire (com abertura do LCD Soundsystem, Les Savy Fav, Wild Light e Blonde Redhead). A minha empolgação em dançar (dado que todo o lado direito do meu corpo doía loucamente) era digna da Dária, apesar de eu estar, realmente, super animada.

Mas as contusões me salvaram de uma boa encrenca na semana seguinte...

Pork on my Eggos


Se alguém precisar da referência, é disso que eu estou falando, só pra esclarecer.

Agora imagine: você acorda com aquela fome. Está nevando lá fora. Você só quer tomar um chá e comer um waffle com maple syrup. Aí, você abre o freezer, pega a caixa de Eggos e descobre que há carne de porco MOÍDA e CRUA por toda parte.

Delícia, né?! Igual a morar em NYC. You never know what you're gonna get - and chances are, it's SARS.

Bronx People, Part 1: New Covenant - Prophecy Edition


Outro dia, ainda em janeiro, estava eu esperando o BX 12 na Fordham Plaza (eu, a única pessoa branca - caucasiana, pra ser politicamente correta - no local, como de costume) para ir fazer minhas unhas no Upper East Side (o que é sempre uma aventura, mas isso é todo um outro capítulo). Eis que, logo ao lado da entrada do Metro-North sou abordada por uma "Bronx person".

O cara está com uma mochila. Olha para os lados, hesita um pouco e resolve falar comigo. Eu, plantada no ponto de ônibus com meus fones de ouvido e com minha "Bronx face" (aka cara de "não-fale-comigo"). Ele primeiro me entrega um folhetinho de uma dessas "seitas", "cultos" ou whatever que rolam por aqui, à la Testemunhas de Jeová. Logo inicia a conversa:

- Hey, are you jewish?
- What? Na...
- You speak jewish?
- Speak jewi...? Huh? Oh, na.
- Want a book? Lemme give you a book.
- Na, thanks. I don't even have a place to put it...
- Here, have a book.
- But I can't carry it nowhere...
- Here, just put it in your purse. It's a big one, you can fit it in.
- Aight, thanks buddy. Ugh!

Sim, minha bolsa era grande o suficiente, mas eu não queria o raio do livro. E, para eu recusar um livro, o negócio tinha que ser sério. Lá vai:

"Hebrew-English New Covenant - Prophecy Edition". Sim, foi este o livro que carreguei all the way down para o UES and depois all the way up back to the boogie down.

Se alguém se interessar por profecias bíblicas em versão bilíngue traduzidas ao hebraico moderno, é só dar um toque.

Minha vida na "América" é:

refined sugar-free, dairy-free, preservative-free e quase gluten-free.

Para compensar, vivo de: chá verde, flaxseed oil, vitamina A, melatonina, proteína de soja, mais chá verde, niacina, tiamina, riboflavina, biotina, ácido fólico, mais chá verde, frango orgânico, aveia e bacon de mentira.

Para animar, às vezes eu me dou de presente bacon de verdade. Mas não junto com meus Eggos.

Início, parte final.

Tá, achei que fosse ficar mais fácil postar updates randômicos aqui que repetir as mesmas histórias bizarras de NYC para 28764289374 pessoas.

Não tenho disciplina para a web 2.0, portanto, esse provavelmente será o início do meu fracasso online.
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