Monday, March 31, 2008

The last words on Earth

Life demanded a new language.

You, especially you, who might have found the words for it all.

I wanted to describe the world, because to live in an undescribed world was too lonely.

When I got up again, I'd shed the only part of me that had ever thought I'd find words for even the smallest bit of life.

The pancreas I reserve for being struck by all that's been lost.

Sometimes I imagine my own autopsy. Disappointment in myself: right kidney. Disappointment of others in me: left kidney. Personal failures: kishkes.

The pain of forgetting: spine. The pain of remembering: spine.

Loneliness: there is no organ that can take it all.

Once upon a time there was a boy who loved a girl, and her laughter was a question he wanted to spend his whole life answering.

When will you learn that there isn't a word for everything?

So this is how death takes you. Naked in an abandoned warehouse.

I never was a man of great ambition. I cried too easily. I didn't have a head for science. Words often failed me. While others prayed I only moved my lips.

... one thing about angels is that they can't swim.

LAUGHING & CRYING & WRITING & WAITING

WORDS FOR EVERYTHING

("For those who taught me the opposite of disappearing" is my label for quotes from Nicole Krauss' "The History of Love")

Saturday, March 29, 2008

“Work is the refuge of people who have nothing better to do”

Sim, Oscar Wilde estava certo. Mas como eu, de fato, não tenho nada melhor para fazer (nada melhor E que seja remunerado, quero dizer), me resta ir trabalhar toda segunda-feira das 10h. às 17h. Nada mal, considerando que eu não preciso acordar mega cedo e minha caminhada até o escritório nunca leva mais que 3 minutos.

Tenho até uma janela, com uma vista incrível: o White Castle da East Fordham Road!


Agora o que todos estão curiosos para saber: o que eu faço no trabalho. Bom, a rotina varia entre nada e muita, muita coisa (tendendo para o nada na maior parte do tempo): apertar o buzzer para permitir que as pessoas subam para o escritório, atender telefone, passar fax, receber correpondência, cancelar catálogos, arquivar papéis, jogar toneladas de papel no lixo, organizar as salas de conferência para quando tem palestras, confirmar inscrições de workshops, organizar eventos para o NY Department of Education, fazer cópias, separar clipes por tamanho, transportar arquivos e laptops de um andar para o outro, fazer eventuais upgrades em alguns dos 200 laptops, fazer pesquisas altamente randômicas na internet (por exemplo: companhias de táxi no Bronx), preparar tabelas no Excel, emitir recibos pelo QuickBooks, manter contato com diretores de todas as escolas públicas e/ou católicas do Bronx, fazer dublagem para vídeos (webcasts) da FINRA, revisar textos, e, essencialmente, bater papo com as outras 3 pessoas que trabalham comigo.


Pois é, crianças, estudem bastante, terminem a faculdade, façam uma pós-graduação, porque aí um dia vocês vão poder alegar experiência suficiente para contar tachinhas e separá-las por cor e tamanho. On the bright side: paga melhor que o White Castle across the street e eu não termino o meu dia com minha roupa cheirando a slyders.

Thursday, March 27, 2008

The Adventures of a Resident Alien

Depois que o centro de Professional Development (RETC) da faculdade confirmou que queria me contratar, tinha que ir atrás da documentação para efetivar meu pagamento (a parte mais importante da história, afterall). Se os franceses inventaram a burocracia e o Brasil a incrementou, os EUA foram responsáveis por torná-la um bêco sem saída, especialmente quando você é imigrante e tem o maldito status de "resident alien".

Depois de falar com o diretor do RETC, a responsável pelo RH da faculdade, o contador da faculdade e o diretor do Office of International Students, finalmente consegui coletar todos os documentos e assinaturas para poder ir à Social Security Administration, para poder tirar meu social security card, a versão americana do CPF.

Na semana seguinte, vou logo cedo à Social Security Administration do Bronx. Vou logo às 10h da manhã, porque já tinha ouvido dizer que as filas eram mega longas e ia demorar hoooras etc. E começa a jornada ao inferno: pego o BX 9 para ir até a Jerome Ave com a 195th St, perto da estação Kingsbridge da linha 4 do metrô. Chegando lá, peguei o elevador até o segundo andar, porque esse seria meu primeiro SS# (o primeiro andar era só pra quem ia tirar segunda via).

Chegando ao segundo andar, qual não é minha surpresa ao ver que há uma fila de umas 30 pessoas. Todas, obviamente, latinas, o que significa que daquelas 30, apenas umas 10 estava ali por conta do SS#. As outras estavam lá só para ocupar espaço (já que o lugar é minúsculo) e fazer barulho com grunhidos em um espanhol porto-riquenho maldito. Sem contar que todos tinham seus 5 rebentos (cada) a tiracolo.

Ainda mais irritante era o fato de as pessoas demorarem horrores nos guichês porque elas não estavam com a documentação em ordem, ou porque eram ilegais ou porque não entenderam as intruções de como preencher os formulários, porque não falam inglês. Para completar, os chicanos claramente não entendem o conceito de espaço vital e o maldito sujeito que estava atrás de mim na fila estava invadindo o limite do meu anger management. Depois de algumas bufadas e bolsadas ao longo de duas horas, ele resolveu adicionar uns 2 centímetros à distância que estava de mim. Ainda não foi suficiente e eu continuei irritada até ser chamada ao guichê e ver terminada minha agonia.

Em um prazo de três semanas, receberia meu social security card pelo correio. Tudo isso, entendam, não para eu poder receber meu salário. Eu poderia recebê-lo de qualquer forma. A burocracia toda é, na verdade, para eu poder pagar meus impostos (especialmente imposto de renda) ao governo americano. Ou seja, a fila é para pagar imposto, sim. Bem-vindos à América!

Wednesday, March 26, 2008

Work it harder, make it better, do it faster, makes us stronger, more than ever, hour after, our work is never over.

02 de novembro de 2007: eu já estava ficando meio irritada porque tinha milhões de coisas para fazer e o pessoal aí no Brasil de folga, por conta do feriado de finados. Eis que recebo um e-mail com um anúncio de emprego que parecia interessante (considerando que eu já estava aqui em NY dois meses vivendo estritamente da mesada do papai e da mamãe):

Office: Fordham University RETC: Center for Professional Development
Hours: between 6 – 8 per week, Flexible/ varied depending on office events. Usually between 9am and 7 pm Monday – Friday, occasional Saturday mornings possible.

Responsibilities: Office Tasks – photocopying, filing, answering phones, faxing; computer tasks- data entry, word processing, on-line research; Special Events- set up rooms, assist with workshop registration.

The qualified candidate should possess: strong organizational skills, a thorough working knowledge of Microsoft Word and Excel, the skills and motivation to work independently and solve problems, a professional demeanor appropriate to a business office, strong interpersonal and telephone skills, the ability to follow directions.

Office work for dummies, certo? Porém, dado que eu só posso trabalhar legalmente na faculdade e até 20 horas semanais, por que não? Telefonei e pedi mais informações. Eles marcaram a entrevista.

Levei meu CV e conversei com (fui entrevistada por) as 3 pessoas que trabalham no escritório. Foi difícil explicar porque alguém que fala 8 línguas e tem superior completo, a caminho de um M.A. e (hopefully) PhD queria tanto digitar, passar faxes e atender o telefone, mas depois de eu explicar toda a situação ("Really, this is the only job I seem to be able to take right now and I'm really looking forward to faxing stuff and answering phones. I mean, I have to buy groceries and do laundry just as much as anyone else - with or without a graduate degree, right?").

Acho que eles acharam minha honestidade engraçada: me ligaram alguns dias depois para saber se eu ainda estava interessada na vaga (mas é claro!). E foi assim que eu virei uma separadora de clips com superior completo.

A tempo, esse é o site do RETC.
Meu nome aparece na sessão "Contact Us".

Tuesday, March 25, 2008

The luck of the Irish


17 de março, St. Patrick's Day. Morando em NY, o esperado era que eu fosse colocar minhas 15 camadas de roupas verdes (para suportar os -5ºC daqui), assistir à parada e ir à algum dos 20483 pubs de Manhattan tomar algumas Guinness. Porém, por conta da Páscoa ter coincidido com o início da primavera, a sorte dos irlandeses me trouxe 12 dias de folga. E um convite para passar parte deles longe do frio nova-iorquino e ir para a Flórida.

Passei o St. Patty's em Sarasota, de vestido de verão verde-azulado (sinceramente, roupa verde? St. Patty definitivamente não lia a Vogue) e sandálias, na praia, num bar chamado O'Leary's, na companhia dos O'Leary (não os donos do bar, by the way).

Esse foi o menos tradicional dos St. Patty's que eu já passei: não tomei Guinness nem comi corned beef com coleslaw. Isso porque apesar do nome, o O'Leary's é um tiki bar (um tiki bar é um bar que geralmente segue temas da polinésia e serve drinks exóticos). Para salvar essa alma irlandesa que habita meu corpo luso-libanês, tomei um gole de Bushmills. Já tinha esquecido o quanto whisky (especialmente irlandês) era bom.

For the record, comi um sanduíche de garoupa e tomei uma Yuengling Ale. Muito bons, mas nada Irish. Irish mesmo, só minha sorte de estar a milhas de NY e longe de estar congelando como estavam os participantes da parada por aqui.

Monday, March 24, 2008

The pain of being a hopeless unbeliever


Spring Break & Páscoa/2008, só para contextualizar. Flórida. 25ºC.
12 dias de folga. Tirei 10 dias de férias de NYC e fui para a Flórida em busca de um clima mais humanamente suportável. Com sucesso, thank God. Falando nele...

Páscoa, certo? Até aí, tudo bem. Páscoa = chocolate. E viva!

É, mas não aqui. E não quando fui convidada a ir à Flórida por americanos descendentes de poloneses e irlandeses. Nesse contexto, a Páscoa significou 3 idas à igreja em 10 dias (excedendo média anual da minha existência atéia): sábado uma semana antes da Páscoa, fomos à celebração do domingo de Ramos (sim, foi no sábado, don't ask), depois novamente na sexta-feira da Paixão e no domingo de Páscoa.

Não teria sido nada tão digno de nota se as missas na Flórida não fossem tão... peculiares. Imaginem: 200 velhinhos (de 70 anos pra mais) na igreja. Por mais que a missa seja curta, a comunhão leva pelo menos 40 minutos. É claro: imaginem 200 pessoas com mobilidade limitada levantando e indo até lá na frente pra tomar a hóstia e um gole de vinho.

A missa em si é melhor que no Brasil, sem blá blá blá político ou homilias bizarras. O negócio é bem by the book, mesmo. É até bonito e tal (apesar de as igrejas terem aquela arquitetura estranha da Flórida, com paredes pintadas de cores que lembram a fauna local - sim, flamingos!). O Pai Nosso aqui é mais longo, é claro, porque contém aquela última frase, "For thine is the kingdom, and the power, and the glory, for ever and ever", mas isso não é suficiente para prolongar consideravelmente a ritualística. It just adds character, como uns dizem por aí.

Só que no momento em que você acha que está acabando, porque finalmente chegou o momento da comunhão, você olha e vê aquele velhinho de 93 anos arrastando os pés para ir próximo do altar. E, ao lado dele, tem mais uns 120, no mesmo estilo. Nessas horas, o tempo parece correr na mesma velocidade dos velhinhos... (ainda bem que as igrejas aqui têm ar-condicionado!)

Sunday, March 9, 2008

"I am a deeply superficial person"

Dessas coisas que só acontecem em NYC. Ou comigo, talvez.

Novembro de 2007, eu na E 42nd, bem na porta da Grand Central, ao lado da Kenneth Cole esperando para encontrar um conhecido turco que mora no Brooklyn. Ele me manda um sms avisando que vai se atrasar um pouco por causa do metrô. Normal em NYC.

Depois de encontrar com ele para um café rápido, tinha que voltar e ir direto para a aula, então, estava carregando meus cadernos, livros, estojo etc. na minha bolsa do Andy Warhol, da lojinha do MoMA.

Eis que um carinha (random person) que estava subindo a 42nd em direção ao West Side passa por mim, olha, pára e volta:

- Hey, do you really like Andy Warhol?
- Well, yeah, but how -?
- Your purse.
- Oh, yeah. I forgot...
- Do you know of that exhibit they're having downtown?
- Not really. What exhibit?
- I'm not sure, really. I just walked past it the other day. It's something that has to do with Andy Warhol and it's supposed to be quite interesting from what I've heard. You might wanna check it out...
- Where's that at again?
- Not sure, somewhere downtown, Chelsea or Soho. You can probably easily google it though. But do check it out!
- I will, ok. Wow, thanks a lot!
- Sure. Have a good day!
- Same to you, buddy. Thanks!

Desnecessário dizer que eu nunca tive tempo de procurar e muito menos ir à tal exposição, mas foi um momento gentil - e, portanto, raro - em NYC. Tem vários turistas que vêm para cá e se surpreendem com o quanto os nova-iorquinos são gentis. Pois eu não caio mais nessa. Se vocês querem a verdade, here it is: as pessoas gentis que tomam atitudes como a desse mocinho são pessoas (como eu e meus amigos do Mid-West) que não são originalmente daqui e que odeiam a atitude ríspida dos nova-iorquinos e querem fazer algo para compensar. Ironicamente, somos nós que fazemos a boa-fama dos nova-iorquinos...

Saturday, March 8, 2008

"The Understudy", part 2 (the good nail job)

Depois do desastre com a primeira manicure, no Upper West Side, fiquei sem fazer as unhas por uns 3 meses. Ugh!

Mas não me parecia possível não haver em toda NYC um único nail designer decente, com um gel que não fosse tão horrível quanto o que eles contumam usar por aqui. Alguns minutos no citysearch e eu descobri um Nail Spa que tinha um sistema de gel que é ultra-popular no Japão, CalGel. (sim, eu sei que isso soou como "X faz sucesso no Japão", mas era minha única alternativa naquele momento). Ligo para o tal salão para marcar um horário e confirmar o endereço.

A experiência já começou melhor que a outra. Esse Nail Spa (Sakura Nail Spa) fica no Upper East Side (na 2nd Ave., entre a 88th e a 89th), bem ao lado do Elaine's (aquele restaurante italiano mega-famoso e metido a besta).

Chegando lá, vi que era um spa bem pequeno. E eu era a única não-oriental lá, entre nail designers e clientes. Logo que sentei numa cadeira com uma daquelas almofadinhas japonesas e comecei a folhear a Vogue (o que logo desisti de fazer, porque se tratava da Vogue japonesa e eu não estava interessada em só "olhar as figuras" da direita para a esquerda), a minha nail designer, Lili (ela tem um nome real, em japonês, mas eu não faço a menor idéia de qual é), me trouxe uma xícara de chá verde.

Ela fala inglês. Não muito bem, mas ela conseguiu me explicar o que era o CalGel, como funcionava, quanto custava e entendeu o que eu queria fazer com minhas unhas (incluindo tamanho, cor etc). Ufa! Antes de sair, fui ao banheiro e, depois de lavar as mãos, usei uma das toalhinas de algodão orgânico que eles têm e um dos hidratantes de romã. Now we're talking!

Uma hora e meia e uns 50 dólares depois, saí de lá uma pessoa mais feliz. E com unhas em recuperação (porque elas continuavam em estado deplorável desde a última manicure).

Já voltei várias vezes (vou a cada 3 ou 4 semanas), e sempre faço as unhas com a Lili. Ela me leva chá verde e doces japoneses (daqueles de feijão) quando eu vou lá. É porque ela também trabalha em uma loja de produtos japoneses no Queens (0nde ela mora). E, enquanto eu estava aqui no frio e chuva de NY no início de fevereiro, sem saber se iria poder, de fato, ir para algum lugar durante Spring Break/Páscoa, a Lili passava uma semana de férias nos Poconos, esquiando... Ela também me contou que costuma ir ao Japão uma vez por ano, visitar a família etc.

Acho que encontrei minha versão nipo-nova-iorquina do Ralf.

Thursday, March 6, 2008

"I will not eat oysters. I want my food dead - not sick, not wounded - dead."

Concordo com o Woody Allen: a comida estar morta é, de fato, imprescindível. E que ela não seja tirada de dentro de conchinhas era outro pré-requisito para mim. Era.

Mais um breakthrough culinário: como eu aprendi a gostar de scallops (vieiras). Sim, aquela coisinha que vem do mar. Essa foi graças ao Tom Colicchio (por sinal, um dos jurados do Top Chef, programa cuja primeira temporada o Harold Dieterle - que eu conheci e narrei aí em algum lugar na sessão "foodies" - ganhou), um dos melhores chefs da "América".

Foi no ultra-top Craftbar , na Broadway com a East 20th (Gramercy), final de janeiro, acho. Fomos (o Respectivo e eu) com o Jim e a Erin. No bar, antes de sentarmos à mesa (porque aqui em NYC eles sempre atrasam o serviço, mesmo com reservas feitas com meses de antecedência), a bebida mais sensacional que eu tomei em NYC (e, talvez, na vida): ginger martini. Sério, melhor até que a craftbar margarita (de grapefruit). Espetacular.

No jantar de verdade, nem lembro o que pedimos de entrada, mas era algo muito bom. Se não me engano foi Warm Pecorino Fondue with Acacia Honey, Hazelnuts and Pepperoncini e Cod Brandade with Picholine Olives. Prato principal, pedi algum prato de bacalhau. A Erin pediu o hanger steak que ela adora e os homens pediram Dayboat Scallops with Salsify and Marinated Mushrooms. Apesar de relutar em experimentar os tais scallops por conta da minha rejeição a todas as coisas que saem do mar dentro de conchas e tal, a reação de todos na mesa foi tão anormalmente transtornante (no bom sentido) que eu dei o braço a torcer...

Tá, confesso que foi uma das coisas mais gostosas que comi por aqui. Tanto que resolvi comer scallops novamente depois, no Perilla (do Harold). Igualmente bons. E até experimentei os scallops que vieram na mariscada que pedimos no Ipanema algumas semanas depois.

Mas voltando ao menu do Craftbar, a sobremesa foi igualmente loucamente espetacular: Brown Sugar Cake with Roasted Pineapple and Maple Cardamom Ice Cream. De morrer.

Muitos - muitos! - cifrões depois, saímos de lá com um dos melhores comas alimentares da vida! E eu, novamente, a caminho de me tornar um ser humano irreconhecível quando voltar ao Brasil. Mas juro que nunca vou comer ostras. Porque elas não estão mortas e este é um princípio inviolável da minha pequena (e ainda minimamente sã) existência.

Tuesday, March 4, 2008

It's the great pumpkin, Charlie Brown!


Acho que todo mundo sabe o quanto eu odeio abóbora! Odeio. Ponto. Nada me faz comer abóbora. E abóbora é "pumpkin", certo? Errado. Mais uma ilusão em que os professores de inglês fazem seus alunos acreditar.

Pois aqui na América existem zilhões de tipos de squash, frutos da família Cucurbitaceae, da qual a nossa abóbora é apenas a pontinha do iceberg. A esta mesma família pertencem os summer squashes (abobrinha e similares, dos quais eu gosto!) e os winter squashes (butternut squash - maior bom! - e a tal abóbora, horrível).

Para esclarecer: a abóbora que eu odeio é a Cucurbita maxima, que é a espécie de "abóbora" consumida no Brasil e que, aqui, não é chamada de pumpkin, mas de buttercup squash. Na França, ela é chamada potiron ("pumpkin", na França, é "citrouille") . O que aqui é chamado de pumpkin (e traduzido genéricamente como "abóbora") é a Cucurbita pepo ou a Cucurbita mixta.

Aí, vocês vão argumentar "potato-potahto", certo? Não. Porque tudo isso foi um prelúdio para eu dizer que tomei sopa de abóbora. E gostei. A Cara fez a famosa receita dela no Thanksgiving. Com pimenta, muita pimenta. Na foto, ela orgulhosa de ter ajudado no meu breakthrough de aversão aos winter squashes. O momento teve que ser registrado, porque todo mundo aqui sabia que eu estava morrendo de medo dessa época de outubro-novembro, quando a América ia começar a ser dominada por esse frutos do mal.

A tempo: a sopa era "pumpkin soup" e não "buttercup squash soup". Continuo não gostando dessa "abóbora" (gerimum?) daí do Brasil.

Monday, March 3, 2008

Pork on my Eggos (or how I exercise my OCD)

A tempo, o agradecimento à Cara pelo título do blog, meio que:

A história da carne de porco crua por toda parte no freezer é real. E depois de muitas tentativas frustradas de fazer com que minha roommate chinesa entendesse que carne crua em cima de outros alimentos resulta em contaminação e minhas subsequentes reclamações de que os meus waffles estavam contaminados, a Cara faz a seguinte observação:

- You always mention the pork being on your Eggos. That's so funny. Cause they're, like, all over the place.
- Yeah, but the rest of the things I have in the freezer are gonna be cooked and the bacteria will die and all. But not my Eggos. I mean, I just put my Eggos in the Toast-R-Oven for, like 5 minutes. And that's not enough to kill bacteria, you know. That's why I'm concerned about the Eggos!
- You know what? You should write a book and call it "Pork on my Eggos", that's what.

Pois é. Enquanto o livro não vem, fica o blog. E o crédito pela idéia para a Cara.

Sunday, March 2, 2008

Kings (or why I wore heels to the Botanical Gardens)

Um domingo aí, lá pelas 2h30 da tarde, eu em casa, de pijama, lendo, fazendo hora para ir ao mercado comprar as coisas para o jantar que ia rolar aqui à noite. Telefone. Eu achando que é engano, como sempre... (sei lá, tenho essa mania, aqui)

- Hello?
- Hey, what's happening?
- Huh?
- I said "what's happening?"
- Oh. Not much. How ya doin'?
- Aight, just checking on you after the whole party last night. I felt really bad about those Jello shots. Did I get you sick or something? Are you alright?
- Oh, I'm fine. Just fine... I'm not that weak. Besides, they weren't that strong anyways. I just don't like Jello. And the sugar is what actually makes me sick, but...
- Yeah, I know. That's why I'm asking. Shouldn't have made you do the Jello shots...
- Well, you shoudn't have, but I guess it's a bit too late for that now, right?
- Ooh, I'm sorry... Really...
- Hah. No, no worries. Just kiddin'. I wouldn't have done 'em if I didn't wanna. It was ok. 'Bout you? Hangover or something?
- Na. Well, kinda, yeah. But it's all gone now.
- My bad. See, now I have to say I'm sorry. I guess you shouldn't sit next to me playing Kings next time. I can take a good amount AND put up a good challenge.
- I know, I was impressed, I'm really surprised you don't have a hangover. But, no, I can handle that too, so it's aight. And we made 'em all drink.
- Yeah, I know. Poor Chris. But that was fun to watch.
- Oh, yeah. And pretty much everyone else.
- Yeah.
- Yeah.
- Hmm.
- And... whatcha up to, like, now?
- Not much. Just reading stuff for class and all.
- I was thinking... er, it's really nice out. Do you... wanna go for a walk?
- Er... yeah... a walk. Yeah, sure. Why not? I mean, I kinda had to run to the store to grab a few things for a dinner thing we're having in the apartment tonight, but I guess the girls can take care of that. I just have to be back by 5 or something, tops, to do the whole cooking-slash-baking thing and all.
- Oh, no problem, we'll be back by then. Should I swing on by in, like, 5 minutes or something?
- Uhm... Yeah. Ok.
- Aight. See you in a bit.
- Sorry?
- I said "see you in a bit."
- Ok, ok. Alrighty. See ya. Bye.
- Aighty, bye.

5 minutos. Droga! Roupa, roupa, roupa... sapato. Putz, que sapato? Escovar os dentes. Nem escovei os dentes depois do almoço ainda! Pentear o cabelo. Hum, não vai dar tempo, acho. E não ia fazer diferença, mesmo. Lentes! Droga, estou de óculos ainda! Bolsa, bolsa, bolsa... ah, será que preciso de bolsa? Melhor, né? Carteira, telefone, chave e tal. Vixe! E preciso avisar às meninas que não vou ao mercado com elas. Protetor solar... ah, não. Deixa. Nem precisa. Roupa, roupa, roupa. Será que está frio lá fora? Ah, deixa. Vou com essa, mesmo. Chave. Chave, chave... Cadê minha chave? Será que meu celular tem bateria suficiente? Como se eu fosse conseguir carregá-lo agora, em 3 minutos! Hum, essa blusa não combina com esse sapato. Vou mudar de sapato... Ugh! ODEIO só ter 12 pares de sapato!! Vou ter que mudar de blusa! Blusa, blusa...

É, eu demorei uns 12 minutos. E, na única vez em que fui ao Jardim Botânico, estava usando salto.

Be my savior and I'll be your downfall (or how Thales fell into a well while stargazing)

Os planos para o sábado (ontem) à noite estavam dentro do padrão mensal (sim, somos habitués do local): jantar no Ipanema, restaurante brasileiro na West 46th. A feijoada é bem razoável e a caipirinha é ótima (melhor que a do Via Brasil - principal motivo de nosa preferência pelo Ipanema).

Fiz reserva para 4: eu, o Respectivo, a melhor amiga dele e o marido dela, que é brasileiro (carioca, fluminense). Depois de feijoada, camarão no côco, picanha, guaraná, cerveja Brahma e caipirinha, hora de voltar para casa e aproveitar o food coma. De volta à Grand Central, eles vão para o Brooklyn de metrô e nós pegamos o Metro-North de volta para o Bronx. Na tela dos horários dizia que o trem das 21h25 iria para North White Plains, com primeira parada em Melrose. Ou seja, era um trem local. Nada demais.

Pegamos o trem e aproveitamos o food coma para sermos filósofos chatos e discutirmos agnosticismo (tudo isso porque eu moro com uma bióloga que acredita em criacionismo!!). A coisa vai longe. Eu não acredito em deus. Ele acredita. Mas o agnosticismo ainda me parece não se encaixar na questão religiosa, porque é um ponto de vista epistemológico e não de crença. Mas enfim.

No auge da discussão, em uma das paradas, quando o letreiro do trem indicava "Tremont", chega o controller. "Tickets, please?" Nós já tínhamos entregado os bilhetes para ele. Espanto.

- Where are you guys going?
- Fordham.
- We just passed Fordham. This is the Botanical Gardens.
- Shit!
- Go to White Plains and change back there. [detalhe: ir até White Plains prolongaria a viagem em pelo menos uma hora!! Com food coma, no way!]
- But the sign says "Tremont"... Fordham should be next...
- Or you can get off here and walk. It's not that far.

De fato, não é longe. A parada "Botanical Gardens" fica do outro lado do campus, perto to Tinker, para onde eu já fui a pé várias vezes. Mas estava frio... E por que é que o raio do letreiro estava indicando a parada errada? Não adiantava reclamar: isso aqui é NYC. Saltamos do trem e pegamos um gypsy. O que só prolongou a viagem em uns 10 minutos. Chegamos aqui perto das 22h., o que foi bom, dado que eu tinha acordado às 4 da manhã (pura insônia, vai entender) e estava em um estado meio "zombified".

De qualquer forma, às 23h30, apesar de ainda achar que o agnosticismo é uma grande bobagem, eu já tinha sido convencida da existência de deus.

Saturday, March 1, 2008

The Understudy (or my attempt to get a decent nail job)

Tem um episódio do Seinfeld ("The Understudy", 1995) em que a Elaine vai fazer as unhas e todas as manicures do salão falam coreano, o que faz com que ela entre na paranóia de que as manicures estão conspirando contra ela. Não é à toa que Seinfeld talvez seja a representação mais precisa da vida nova-iorquina.

No final de setembro, resolvi ir à um salão para retocar meu nail design. Não, não é manicure. É um lance com gel, que eu fazia no Brasil com o Ralf (meu sensacional - e carésimo - nail designer alemão) no Artisalus. Não é frescura à la Sex & the City: não entrego minhas unhas a qualquer um!

Decido ir a um salão (que descobri pelo citysearch ou algo assim) no Upper West Side: Avanti Nail Spa. Grande, bonito e tal. Porém... todas as manicures (não vou qualificá-las como nail designers, porque seria um insulto ao Ralf) eram coreanas. E só falavam coreano entre si. Aí, você se pergunta: mas elas falavam inglês com as clientes, certo? Errado. Elas não falam com as clientes, porque elas não falam inglês.

Maravilha. Não consegui explicar que tipo de gel eu queria. Não consegui explicar de que tamanho minhas unhas deveriam ficar e não conseguiexplicar qual cor de esmalte eu queria. Acima de tudo, não sabia quanto aquilo tudo ia custar! Eu preferiria ter passado minha tarde enfiando grampos de cabelo (daqueles de metal) na tomada. Seria menos estressante.

O resultado da brincadeira: depois de duas horas e meia, unhas com um formato altamente bizarro, decididamente longas demais e "café" ao invés de vermelhas. Não foi tão caro quanto eu imaginava que seria, pelo menos.

A única coisa curiosa: a coreana que ficava na recepção e intermediava a comunicação das escravas-mudas com as imperialistas caucasianas que entravam e saíam com seus Manolos foi a única pessoa que deu o palpite certo sobre meu nome. Assim que eu cheguei:

- Hi, I have an appointment at 3pm...
- Your name?
- Aline.
- Hmm... Let me see... Oh, here. Aline, ay?
- Hum-hum.
- Are you Irish?

Close enough, Mrs. Korea. Seria muito far-fetched você acertar que eu era brasileira. Mas meu nome é, sim, celta (i.e. Irish), o que nem os "irlandeses" por aqui sabiam (eles ainda se atrapalham com todas as vogais bem pronunciadas). Good guess.
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