Wednesday, April 30, 2008

Barely Asian at the beefcake horizon

No melting pot da vida acadêmica nova-iorquina, a gente aprende muita coisa bizarra. Às vezes mais do que a gente quer saber, às vezes só uma questão de culture shock.

Uma das minhas roommates, a Doris, é chinesa. Além de chinesa, ela tem uma personalidade um tanto... bem, "peculiar", o que me vem me dando uma coleção incalculável de histórias surreais, que algum dia eu vou contar aqui. Ou compilar e publicar - em um livro de verdade. É sério isso.

Para começar: Doris, obviamente, não é o nome dela de verdade. Em chinês, ela se chama Yingyu Mao. Mas por que Doris, então?
Isso me intrigou por um bom tempo. Até que, em fevereiro, depois de me remoer por uns 5 meses, resolvi perguntar. A resposta foi menos engraçada que assustadora: ela não escolheu esse nome! Fato é que, quando os chineses vão estudar inglês, os professores atribuem nomes "ocidentais" aos alunos (!!!). Mas os alunos não escolhem. São os professores que ditam como você vai ser chamado. Assim, a esmo.

Já viu professor ter tanta autoridade assim, em algum lugar? Se professor fizer isso aqui na América, vai preso. Por muito menos, aliás. É, essa coisa semi-pseudo-quasi-comunista que a China vive é um negócio bem estranho mesmo. Só sei que, se algum dia for fazer aula de chinês e o professor tentar me dar um nome, vou protestar! Já refleti a respeito, e só aceito um nome à la China: Donna Chang!

Tuesday, April 29, 2008

In between days


Conseguir ingressos para qualquer coisa aqui em NY é sempre um trabalho hercúleo. Isso porque, apesar da oferta gigantesca de entretenimento para todos os gostos e (quase) todos os bolsos, essa é uma cidade com uma área muito pequena e muita, MUITA gente. Acrescente a essa gente de NY um quantidade quase infinita de turistas que ficam enlouquecidos com as luzes da Broadway. Eu ainda insisto que, se eles apagassem a Broadway por míseras 24 horas, o planeta Terra perduraria por mais uns 200 anos, no mínimo. A Broadway é o maior exemplo de desperdício idiota de energia. Mas isso não vem ao caso agora...

Voltemos aos fatos. Comentei outro dia que fui assistir a uma apresentação do Kids in the Hall, ao vivo e alguns anos mais velhos. Mas foi meio que uma game-time decision, porque o plano inicial era só ir ao cinema. Fato é que naquela sexta-feira não tinha nenhum filme aparentemente bom em cartaz, nem nos cinemas alternativos (pois é, isso acontece ATÉ em NY). Daí, bateu aquela de "por que não Kids in the Hall, então?"

Mas NY não é uma cidade que permite game-time decisions. Ou melhor, até permite, mas só se você gosta de correr riscos. Como, às vezes, eu gosto de fingir que não sou tão control freak, me dou a esses riscos. Eis a descrição do shady business para comprar os ingressos, que mencionei no outro post:

Primeiro passo: dar um Google e ver que site está vendendo ingressos para o dia do espetáculo (alguns sites só vendem com antecedência). Encontro um site: http://tickets.newyorkcity.com/

Segundo passo: fazer a compra online. Simples. Pois é. Mas não rola. Porque o lance do site é todo meio estranho, não dá pra saber qual o valor das taxas de conveniência etc. No entanto, há um telefone.

Terceiro passo: telefonar. Por telefone, a coisa não é muito melhor. A mocinha me diz o valor de várias taxas de conveniência, mas não sabe se todas serão cobradas. Isso porque há uma taxa de entrega do ingresso, mas o ingresso não será entregue. Tenho que retirar em um escritório.

- Em um escritório? Ou no próprio teatro?
- Não, em algum escritório.
- E onde é esse escritório? É perto do teatro, ao menos?
- Não sei. Eu só tenho acesso a essa informação depois que você confirmar a compra dos ingressos...
- WHAT THE FUCK?

Nesse momento, olho o relógio. São 17h30. A apresentação é às 20h. O trem do Bronx até Manhattan leva uns 20 minutos, mas não sai a toda hora. E ainda temos que jantar e passar em algum lugar (New-fucking-Jersey? Queens?) para buscar os tais ingressos. Hummm...

Como as minhas opções são, basicamente, arriscar e sair correndo ou arriscar passar mais uma sexta-feira de tédio no Bronx, começo a ditar o número do meu cartão de crédito.

- Ótimo. A compra está feita. 2 ingressos para o Kids in the Hall, esta noite, no Nokia Theater, ás 20h.
- Ah, e quais os assentos? Onde ficam?
- Hum, não sei... aqui não diz. Só diz que são "XX", mas não sei o que isso quer dizer. [eu pensando: "XX", que que é?, são os assentos do Hugh Hefner, por acaso?!?!?!?]
- Genial! Bem, ok. E onde pego os ingressos?
- Então, sua compra está sendo processada. Em mais ou menos 5 minutos, você vai receber um e-mail com um número de telefone. Você liga para esse telefone, que aí eles vão te passar o endereço de onde você deve ir para pegar os ingressos.
- Hein?

Quarto passo: PÂNICO. O que que é isso? Vou buscar meus ingressos com um agente da CIA?!? Preciso de um codinome. Droga!

Quinto passo: checar meu e-mail. Ligo para o tal número. É uma outra central, Select-A-Ticket. Eles me dão o endereço de um escritório chamado Americana, que fica na W 45th St. Pertinho do teatro, menos mal.

Sexto passo: correria. Passar em casa (a "operação" foi realizada da casa do Respectivo, logo depois que saí da minha aula), largar meus livros, cadernos e tranqueiras, trocar de roupa, e correr para pegar o trem. Ok. Já são 17:55. Não dá tempo de pegar o trem das 18h06. Vai ter que ser o das 18h38. Isso significa que chegaremos à Grand Central (na E 42nd St) às 19h00 em ponto. Aí, a gente corre para a W 45th St, pega os ingressos (em um escritório meio podre, em um predinho bizarro), procura um lugar pra jantar (um lugar BEM genérico), come (engole a comida) e chega no teatro às 20h00 (em ponto! Score!!!). O lugar onde sentamos, como eu disse antes, era excelente, by the way.


Pois é: aí está a diferença entre NY e SP. Aqui, por incrível que pareça, deu tempo.

Monday, April 28, 2008

Flood

"He could change every detail, but he couldn't change her."

"Because he was in love with her!" I said. "Because, to him, she was the only thing that was real."

The things I want to say get stuck in my mouth.

I opened my mouth but nothing came out. It took seven languages to make me; it would be nice if I could have spoken just one. But I couldn't, so he leaned down and kissed me.

A thought crossed his face in a language I could not understand.

Lonely people are always up in the middle of the night.

Once Misha told me there was no word in Russian for privacy.


From Nicole Krauss' The History of Love.

Tigermilk


Conforme prometido, mais um detalhe infame da minha cozinha.

Sunday, April 27, 2008

Wonder milky bitch

Leite - mais uma crônica da minha vida não-comunal (descomunal?).

Os americanos tem essa obsessão com leite. Acho que as mensagens subliminares da campanha "Got Milk?" foram muito fortes. Criaram bezerros endoutrinados que consomem litros e litros de leite diariamente e continuam sofrendo de osteoporose (Hello? Alguém se esqueceu de que, apesar do leite, tem LITROS de flúor na água que vocês bebem e, se o ensino de química fosse obrigatório nas high schools até um mini Bos taurus saberia que a fluoretação da água é uma das grandes responsáveis pelos problemas de desnutrição e osteoporose ultimamente??).

Fato é que, como vocês podem ver na foto acima, tem mais caixas de leite que pessoas aqui no meu apartamento: cream, 2%, 1%, skim etc.
Sem querer ofender minhas roommates, eu deixo a lactose para as vacas. O meu, obviamente, é o leite de soja orgânico light.

Ironicamente, acabei de me lembrar que, de fato, nós temos uma foto da campanha Got Milk? colada na parede da cozinha! É um mix de David Beckham com Colombo. Se você não entendeu o porquê da combinação, não pergunte para mim. A tal foto já estava lá quando eu me mudei. E eu é que não ouso tentar tirar ela de lá, afinal, se o pessoal do Got Milk? estiver certo (e a química, errada) minhas roommates têm ossos beeem mais fortes que os meus. E eu pretendo manter meus dentes no lugar, sem arrumar encrenca.

Saturday, April 26, 2008

Until the writing hand hurts

It could be my epitaph. LEO GURSKY: HE TRIED TO MAKE SENSE.
That, in a nutshell, was the end of my preoccupation with death. Not that I stopped fearing it. I just stopped thinking about it.

From Nicole Krauss' The History of Love.

Friday, April 25, 2008

I feel stupid but I think I been catching on; I feel ugly but I know I still turn you on

pânico + dieta + academia + Academia + conferência + conferência + conferência + palestra + trabalho + comida + (comida) + dieta + Ibuprofeno + chá + chá + chá + livros + fotocópias + Dialene 4 + música + computador + computador + computador + pânico + biblioteca + professor + padre + documentos + padre + matrícula + alergias + quintas-feiras à noite + terças-feiras à tarde + prazo... Prazo! (Ibuprofeno!)

Por sorte, muita gente que parecia estar desaparecida à la padre com balões resolveu dar notícias. O fator "+gente" colabora bastante pra confusão aí de cima. Thanks.

Thursday, April 24, 2008

The gardenhead knows my name


Finalmente voltei ao Jardim Botânico, desde o episódio "salto alto no mato". Desta vez usei chinelos. Talvez não a melhor opção, porque a caminhada até lá não é exatamente muito curta e chinelos não são lá muito confortáveis (ainda me sinto melhor se salto). Da próxima vez, vou ter que ir de tênis, mesmo.

O interessante foi a conversa que eu tive com a minha mãe a respeito da minha ida ao Jardim Botânico e a minha intenção de comprar uma annual membership. Via Skype:

Mamãe: Vc soube ou leu s/ terremoto aqui em SP? Foi no mar a 200km da costa de Santos,
10km profundidade mas foi sentido em várias cidades do estado, inclusive aqui na
capital.

Eu: é. eu soube. mas foi forte aí?

Mamãe: Eu não senti nada, mas na região sul, Paulista, pessoas sentiram. A Mônica disse que sentiu.

Eu: defina "sentiu"... tipo, quebrou alguma coisa e tal, ou o povo só sentiu um chacoalhãozinho? (a notícia da semana, pra mim, ainda foi o padre voador à la Ulysses Guimarães)

Mamãe: Sentiu um balanço. Em algum lugar, não lembro onde, acho que no interior - Sorocaba -, uma casa teve rachaduras grandes.

Eu: hum...

Mamãe: E o Pe. continua desaparecido. Me lembrou o último epsódio do Men in Trees quando o Patrick resolveu voar e fez exatamente o que o tal padre fez. Amarrou vários balões em um cadeira e saiu voando. Tenho que assistir hoje para ver o resultado.

Eu: excelente. vou ao jardim botânico hoje á tarde. estou pensando em comprar uma membership...

Mamãe: Eu sei, seu sei. Vc está trabalhando mas lembrei disto. Membership, what for?

Eu: anual. é 75 dólares. mas, se comprar dual membership é 100 (50 pra cada) vou ver se alguém quer. porque, olha: quero ir a 2 exposições lá esse mês: uma do Darwin (com palestras e tal) e outra de esculturas do Henry Moore. Cada uma custa 20 dólares. por 75 (ou 50) eu posso ir a todas as exposições e ainda ter acesso livre durante um ano.

Mamãe: Ah bom. Agora entendi. Vc não é muito de mato, então não estava entendendo.

Eu: não é mato. é jardim. e lá é bom pra ler. por isso é que vou lá hoje à tarde. tem bancos e tal. e sombra.

Mamãe: Eu sei mas sempre tem bugs. OK. Entendi, ar puro. Não esquece de respirar fundo.

Eu: é... porque o ar aqui do Bronx é bem limpinho... e nem tem muitas bugs lá, não... acho que eles jogaram Napalm antes de fazer o jardim botânico.

Mamãe: Mas as plantinhas filtram a poluição.

Eu: filtram nada!!! isso aí é mentira... que nem quando falam que leite faz bem. lenda urbana.

Mamãe: Tá bom, tá bom. Mas pelo menos o visual deve ser legal.


...etc. Atente para o "vc não é muito de mato" e "mas sempre tem bugs". Quem me conhece - e conhece o humor peculiar da minha mãe - vai entender que esse diálogo foi equivalente às conversas que eu tenho com as vozes dentro da minha própria cabeça. E, não, eu não sou esquizofrênica.


(Preciso de um novo par de tênis...)
(Ah, e essa foto aí eu tirei lá, hoje mesmo.)

The trouble with thinking

So many words get lost. They leave the mouth and lose their courage, wandering aimlessly until they are swept into the gutter like dead leaves.

The physical distance between two people using a string was often small; sometimes the smaller the distance, the greater the need for the string.

Sometimes no length of string is long enough to say the thing that needs to be said. In such cases all the string can do, in whatever its form, is conduct a person's silence.

When he read a book he gave himself entirely to commas and semicolons, to the space after the period and before the capital letter of the next sentence.

There's no match for the silence of God.

After all: who doesn't want to make a spectacle of his loneliness?

From Nicole Krauss' The History of Love.

Wednesday, April 23, 2008

Buy it, use it, break it, fix it, trash it, change it, mail - upgrade it, charge it, point it, zoom it, press it, snap it, work it, quick!

Em novembro de 2005 2006, comprei meu primeiro (e único, so far) laptop, aqui nos EUA mesmo, quando ainda era mais uma turista com meu bom B2, e não ainda uma resident alien "premiada" com um F1. Na época, não tinha a menor idéia do que estava fazendo, mas até que não fiz uma má escolha, considerando todos os fatores que influenciaram a minha decisão. Tem horas que eu odeio meu Toshibinha, mas eu o aceito, mesmo ele não sendo tão caucasiano quanto eu.

Mas tudo isso para dizer que essa coisa de vir para os EUA foi um grande leap of faith tecnológico para mim. Primeiro porque tive que aprender a sobreviver e me virar sem ter aqueles mil nerds de plantão pra eu ligar quando "não sei por quê, mas, de repente, os ícones na minha tela ficaram todos gigantescos! Meu Deus será que é vírus? Vou ter que formatar a placa mãe??"

Além disso, trabalhando há quase 6 meses no RETC (lembrando que RETC é: regional educational technology center), tive que assimilar algumas coisas. Isso além de ainda ter me oferecido (por coerção ou por arbítrio, pouco importa) para fazer a publicidade dos eventos da Fordham Philosophical Society, implicando trabalhar exaustivamente com templates de pôsteres, flyers e programas de conferência.

A história culminou no dia 23 de abril de 2008, aka hoje - feriado no Rio de Janeiro, by the way. Terra do povo que nunca trabalha. Pois aqui, trabalhei das 8h30 às 15h30, sendo que passei a maior parte do tempo ajudando em um treinamento de parent coordinators, em um projeto vinculado ao NYC Department of Education, como de costume. De manhã cedo, foi uma geral de como usar o Excel para fazer sua vida mais feliz (e não um inferno, que é a sensação que a gente tem quando começa a usá-lo - o que eu, felizmente, já sabia fazer antes de vir pra cá). Depois, o lance foi o Open Office: Calc, Writer e Impress. À tarde foi a vez do Microsoft Publisher. E eu lá, firme e forte ensinando o pessoalzinho a colar fotinho de print screen em slide, fazer newsletter... Maravilha!

Tudo isso foi indo, indo e, sem perceber, meu certificado de nerd me foi encaminhado. Não pelo correio, mas pela web 2.0, é claro. Ou por um link wiki. Vai que resolvem mudar minha classificação para "dork", no lugar de "nerd". É, é bom deixar em wiki...

(a única coisa que não mudou é que, mesmo com tudo isso, eu continuo sem entender o humor do Dilbert.)

The flying priest and the earthquake

É cada vez mais engraçado observar o Congo de tão longe.

Informações coletadas ultimamente via Twitter (fontes anônimas, porque ainda tenho o mínimo senso de discreção e deliberadamente editei citações):


Hoje os padres fazem megashows e até voam. Incrível. 01:15 PM April 21, 2008
Chuva em São Paulo. 08:16 PM April 21, 2008
Inundações no Itaim Paulista. 05:48 PM April 22, 2008
Terremoto em SPO? about 22 hours ago
Paulista chacoalhou about 22 hours ago
#terremotosp O terremoto foi de 5.2 graus na escala Richter, no Oceano Atlântico, a 270 kms de São Paulo. about 22 hours ago
#terremotosp - Segundo a CBN, alguns bairros do Rio também sentiram o tremor... about 22 hours ago
#terremotosp - Segundo a CBN, não há risco de tsunami. "E se tivesse ,já teria ocorrido". about 21 hours ago O Padre voador, quem mais? Aquele que caiu no mar, voando em balões de festa. about 1 hour ago

Pois é. A diferença entre um país dito sério e o Congo é que por aqui tem terroristas voando em aviões e causando tumulto quando eles resolvem brincar de derrubar prédios. Mas é tão mais engraçado ver uma versão Vaticânica da Mary Poppins dar uma de Ulysses Guimarães enquanto todo mundo acha chique vestir aquela cara de quem lê a Gazeta Mercantil diariamente, se concentrar naquela memória reprimida e comentar o que estava fazendo enquanto sentia tudo tremer, "ainda sem saber que era terremoto". Toma um gole de Lambrusco e acha que é sobrevivente.

Bom, brasileiro tem sempre essa coisa de ver o "lado bom" (o que quer que isso seja) das coisas. A minha versão do lado bom desse circo de padre e terremoto é que as pessoas aparentemente pararm de falar na droga do "caso Isabella". À PQP com o caso Isabella! E o Fome Zero, a quantas anda?

Tuesday, April 22, 2008

My father's tent

It's one of those unforgettable moments that happen as a child, when you discover that all along the world has been betraying you.

The man who couldn't escape gravity.

If I had a Russian accent everything would be different.

... the one about how he wore a little astronaut on his lapel and carried in his pockets the letters of a woman who left him for another.

... because sometimes being polite is worse than being not-polite.

Feelings are not as old as time.

For a while, new feelings were being invented all the time. Desire was born early, as was regret. When stubbornness was felt for the first time, it started a chain reaction, creating the feeling of resentment on the one hand, and alienation and loneliness on the other.

Contrary to logic, the feeling of surprise wasn't born immediately. It only came after people had enough time to get used to things as they were. And when enough time had passed, and someone felt the first feeling of surprise, someone, somewhere else felt the first pain of nostalgia.

... sometimes people felt things and, because there were no words for them, they went unmentioned.

(Then again, the oldest feeling in the world might simply have been confusion.)

They wanted to feel more, feel deeper, despite how much it sometimes hurt. People became addicted to feeling.

From Nicole Krauss' The History of Love.

Monday, April 21, 2008

A joy forever

Ach, listen! It hit me how good it is to be alive. Alive! And I wanted to tell you. Do you understand what I'm saying? I'm saying life is a thing of beauty, Bruno. A thing of beauty and a joy forever.
There was a pause.
Sure, whatever you say Leo. Life is a beauty.
And a joy forever, I said.
All right, Bruno said. And a joy.
I waited.
Forever.
I was about to hang up when Bruno said, Leo?
Yes?
Did you mean human life?

He slid a piece of paper under the door. It said: LIFE IS BUTIFUL. I pushed it back out. He pushed it back in. I pushed it out, he pushed it in. Out, in, out, in. I stared at it. LIFE IS BUTIFUL. I thought, Perhaps it is. Perhaps that is the word for life. I heard Bruno breathing on the other side of the door. I found a pencil. I scrawled: AND A JOKE FOREVER.

A single rip is harder to bear than a hundred rips.

But I'm not made of glass.

I thought it would be strange to live in the world without her in it.

Many things I did not say. Example. I waited so long. Other example. And were you happy?

Grammar of my life: as a rule of thumb, wherever there appears a plural, correct for singular.

What would be less plain than seeing?

"You got a little happier and a little sadder." "Meaning they cancel each other out, leaving me exactly the same." "Not at all. The fact that you got a little happier today doesn't change the fact that you also became a little sadder. Every day you become a little more of both, which means that right now, at this exact moment, you're the happiest and the saddest you've ever been in your whole life."

"Because nothing makes me happier and nothing makes me sadder than you."

From Nicole Krauss' The History of Love.

You're a strange apparition in this land of grammar schools and gala days

There was an Old Man in a boat,
Who said, 'I'm afloat, I'm afloat!'
When they said, 'No! you ain't!'
He was ready to faint,
That unhappy Old Man in a boat.

Pelamordedeus, alguém reconheça que este limerick aí acima é do Edward Lear. E, que alguém saiba quem foi Edward Lear! As crianças (e os adultos) aqui na América parecem não ter a menor idéia. Minha teoria: ou eles tiveram uma infância muito estranha (e sem graça) ou isso (e não Freud) explica as associações estranhas que eu faço na minha cabeça por excesso de "Book of Nonsense" na vida..

Se alguém tiver alguma idéia de o que isso aí acima se trata, por favor, manifeste-se. Pelo bem da minha sanidade (?) mental.

Sunday, April 20, 2008

Forgive me

It is not known that Litvinoff's favorite flower was the peony. That his favorite form of punctuation was the question mark. That he had terrible dreams and could only fall asleep, if he could fall asleep at all, with a glass of warm milk. That he often imagined his own death. That he thought the woman who loved him was wrong to.

During the Age of Silence, people communicated more, not less.

No distinction was made between the gestures of of language and the gestures of life. The labor of building a house, say, or preparing a meal was no less an expression than making the sign for I love you or I feel serious. When a hand was used to shield one's face when frightened by a loud noise something was being said, and when fingers were used to pick up what someone else had dropped something was being said; and even when hands were at rest, that, too, was saying something.

There were times when a finger might be lifted to scratch a nose, and if casual eye contact was made with one's lover just then, the lover might accidentally take it to be the gesture, not at all dissimilar, for Now I realize I was wrong to love you. These mistakes were heartbreaking. And yet, because people knew how easily they could happen, because they didn't go around with the illusion that they understood perfectly the things other people said, they were used to interrupting each other to ask if they'd understood correctly. Sometimes, these misunderstandings were even desirable, since they gave people a reason to say, Forgive me, I was only scratching my nose. Of course I know I've always been right to love you. Because of the frequency of those mistakes, over time the gestire for asking forgiveness evolved into the simplest form. Just to open your palm was to say: Forgive me.

If at large gatherings or parties, or around people with whom you feel distant, your hands sometimes hang awkwardly at the ends of your arms - if you find yourself at a loss for what to do with them, overcome with sadness that comes when you realize the foreignness of your own body - it's because your hands remember a time when the division between mind and body, brain and heart, what's inside and what's outside, was so much less.

From Nicole Krauss' The History of Love.


They say a watched pot won't ever boil

A gente toma bastante chá aqui no meu apartamento. O que vocês podem notar, já que somos cinco e temos quatro chaleiras (!!). A minha é a maior (lado direito da foto, no fundo), claro. Nem Freud explica minha megalomania. Se bem que neste caso, ela tem nome: liquidação.

Mas esse é só mais um indício de que a coisa de communal life e tal não é muito a nossa aqui neste apto. Cada um com seus problemas; cada uma com sua chaleira. Sharing is not really my cup of tea...

Saturday, April 19, 2008

What exactly do you do for an encore? (Cause this is hardcore.)

Ain't it good / Ain't it right / That you are with me / Here tonight / The music playin' / Our bodies swayin' in time (In time, in time, in time) / Touching you / So warm and tender / Lord, I feel such a sweet surrender / Beautiful is the dream that makes you mine / Rock me gently /Rock me slowly / Take it easy / Don't you know / That I have never been loved like this before / Baby baby / Rock me gently / Rock me slowly / Take it easy / Don't you know / That I have never been loved like this before / Oh my darlin' / Oh my baby / You got the moves that drive me crazy / And on your face / I see a trace of love (Of love, of love, of love)

Ontem à noite meu mancebo quebrou. Ele tinha três pés. Um foi pro saco. Vou consertar amanhã. Preciso de cola de madeira. Se ele tivesse, originalmente, quatro pés, continuaria em pé, mesmo com um quebrado. Mas talvez ficasse bambo com os quatro no lugar. Enfim, isso tudo para dizer que tem várias coisas minhas no chão. Contra minha vontade. Ainda estou contemplando o lado bom da história, que inclui a especulação sobre a quantidade de pés necessária para um bom equilíbrio. Tem gente que leva as coisas para o lado pessoal...

Brain candy (or having an average weekend with shadowy men on a shadowy planet)


A internet, apesar de fomentar a aparição de muita coisa podre por aí (não vou nem comentar...) tem lá sua vantagens. Na quinta-feira, fiquei sabendo, através do RazorB, que o Kids in the Hall tinha voltado. Achando que era algum desses boatos de internet, dei um Google (dado que este é o Grande Critério para o estabelecimento de verdades universais). Um dos primeiros resultados que aparece é "Kids In the Hall tickets, dates. Official Ticketmaster site." TOUR?? Como assim, tour?! Cliquei para ver se eles viriam para NY (vai que...) e... tah-dah! Eles estariam aqui este fim de semana, no Nokia Theater.

Ficou aquele problema da escolha (já que ambos estariam aqui este fim de semana, competindo por atenção em Midtown): Papa Ratzinger ou Kids in the Hall?

Sexta-feira de tédio no Bronx. E o Papa só daria o ar de sua peculiar graça alemã no sábado, anyway. O Respectivo e eu decidimos, portanto, pelo Kids in the Hall (tá, foi meio no-brainer, obviamente. Mas, para 2 estudantes de filosofia, um no-brainer demora umas boas duas horas...). Conseguir ingressos baratos foi meio burocrático. Não foi difícil, mas foi um lance meio shady, que envolveu passar em um escritório em um predinho na W 45th para pegar os ingressos logo antes de irmos para o Nokia Theater.

Funcionou. E os ingressos eram ótimos. Nem eram lá no fundão, apesar de terem custado metade do preço normal. Quase duas horas de apresentação, com alguns skits clássicos: Gavin, Headcrusher, e - claro!! - Chicken Lady.

Entre Bento XVI e phone sex with Chicken Lady, a Chicken Lady está ganhando, por conta de sua (ligeiramente) maior proximidade com o humor non-sense do Monty Python. Mas ainda não vi o Papa ao vivo. Pode ser que eu mude de opinião. Afinal, ele usa sapatos Prada e ficaria bem bonitinho cantando "Always look on the bright side of life".

Thursday, April 17, 2008

Teenage wasteland


Terça-feira passada, 08/04/2008, o Sir Anthony Kenny veio dar uma palestra aqui na Fordham University. Eu, obviamente membro do fã-clube dele (professor emérito em Oxford etc.), fui assistir. O tema era "Just wars, unjust wars, holy wars."
Não vou entrar em detalhes, mas, resumindo, ele analisou o conceito de guerras e guerrilhas partindo da interpretação de Francisco Suárez.
O interessante - e o que valeu a minha ida ao Flom Auditorium - foi ouvir a seguinte frase dele: "I was one of the million people marching in London trying to convince Tony Blair not to wage war against Iraq." Nos idos do início da nova guerra de Iraque, Sir Anthony Kenny já era septuagenário.
Me pergunto o que Marilena estava fazendo naquela época...

Monday, April 14, 2008

A Sunday smile


Ontem, fui ao Modern Food Center (que parece até nome de lugar sério, mas é só mais uma grocery store meia-boca do Bronx) para comprar as coisas básicas para minha subsistência: bagels, tofutti (que, para quem não sabe, é a versão cream cheese do tofu), laranjas, salada, cenoura e leite de soja. Eis que em um momento de fúria incontrolável por proteínas do mal e gorduras trans, eu resolvo ir até a geladeira dos sorvetes.
Contemplei comprar daqueles sanduíches de sorvete: biscoito Oreo e recheio de sorvete de menta. Mas pensei melhor e achei que um pote que reúne gordura trans, açúcar refinado e laticínio é muita transgressão para minha cabeça anti-colesterol e a favor de uma pele mais sadia. Já ia indo embora, com aquele olhar triste de consciência limpa quando dei de cara com ele, tão gostoso e livre de culpa: Häagen Dazs Limited Edition - Green Tea!
Lembrei, na hora, dos outros sorvetes de chá verde que tinha tomado, uma vez no Hane Sushi, e outra no Haiku. Comprei, é claro. Made my day. FYI, Häagen Dazs não tem gordura vegetal hidrogenada. E chá verde faz bem, certo? Será que isso justifica tomar o pote inteiro de uma só vez? Hmmm...

Sunday, April 13, 2008

My mother's sadness

We denied whole rooms, years, weathers.

"I! HAVE! NOT! BEEN! UNHAPPY! MY WHOLE! LIFE!" "But you're only seven," I said.

My mother asked what he saw. "The same thing I always see," he said. "Which is?" "A blur," he said. "Then why do it?" she asked. "In case my eyes ever heal," he said. "So I'll know what I've been looking at."

I know there is a moral to this story, but I don't know what it is.

My father was not a famous russian writer.

... I always wanted to say, but never said: Love me less.

Everything is remade as reason.

I thought that the pages on the floor were words she would never be able to use again, and I tried to tape them back in where they belonged, out of fear that one day she would be left silent.

One thing I am never going to do when I grow up is fall in love, drop out of college, learn to subsist on water and air, have a species named after me, and ruin my life.

A hundred things can change your life; a letter is one.

If it weren't for her, there would never have been an empty space, or the need to fill it.

And so she always returns, no matter how often she leaves or how far she goes, appearing soudlessly behind him and covering his eyes with her hands, spoiling for him anyone who could ever come after her.

Her kiss was a question he wanted to spend his whole life answering.

... this man believed - and had believed for as long as he could remember - that part of him was made of glass. He imagined a wrong move in which he fell and shattered in front of her. he pulled away, even though he didn't want to. He smiled at Alma's feet, hoping she'd understand. They talked for hours.

... and then he almost didn't say the two sentences he'd been meaning to say for years: Part of me is made of glass, and also, I love you.

Later, much later, he found that he was unable to relieve himself of two regrets: one, that when she leaned back he saw in the lamplight that the necklace he made had scratched her throat, and, two, that in the most important moment of his life he had chosen the wrong sentence.

From The History of Love, by Nicole Krauss.

Monday, April 7, 2008

Bronx Cinderella

Sabe quando você acorda domingo de manhã (de manhã??) e se dá conta de que o pé direito do seu mais novo par de sapatos BCBG não está no seu quarto junto do pé esquerdo? Aí, você vai até a sala e percebe que ele também não está lá. Aí, a escada e o hall de entrada do prédio são os últimos recursos...

Então, isso é "just another night in New York City". Das boas, é claro.

Sábado passado, 05/04/2008. Aniversário da Erin. Primeira parada, o apartamento dela em Murray Hill (na E 38th com a 3rd), para encontrarmos todo mundo. De lá, uma parada rápida para uma strawberry margarita no El Rio Grande. Às 23h vamos jantar. Destino: Stanton Social, super trendy place no Lower East Side (by the way, eles tinham um gluten-free menu!). Algumas das coisas que eu comi lá (os pratos são estilo "tapas", porções pequenas, tipo de boteco, para compartilhar): baby spinach salad, beef carpaccio, yellowfin tuna sashimi, butternut suqash & sweet potato ravioli, French onion soup dumplings, potato & goat cheese pierogies, braised short rib soft tacos, red snapper tacos, e social mac & cheese. Como estávamos em oito, deu para pedir bastante coisa diferente e experimentar de tudo um pouco. Tudo excelente!

Perto da 1h00 da manhã, terminamos o jantar com warm doughnuts com velinha de aniversário para a Erin e partimos para a continuação da noite, quase just around the corner, no mezanino VIP do Fat Baby.

Claro que noites assim só acontecem quando o e-mail da pessoa mais low profile do grupo termina em @jpmorgan.com, mas valem a pena. Como a vida de grad student não está fácil, deixamos os investment bankers para trás às 4h00 e pegamos um táxi de volta para o mundo real.

Ah, e a Cinderella-wannabe aqui encontrou o BCBG que ficou temporariamente desaparecido, só para constar.

Thursday, April 3, 2008

Hell's Kitchen part 1: the sink


Quando vim pra cá e descobri que ia ter 4 roommates, na hora me bateu aquele pensamento digno da pessoa obsessivo-compulsiva, filha única e control freak que eu sou: como vou conseguir compartilhar meu espaço com 4 desconhecidas??
7 meses depois, aqui vai um briefing de como sobrevivi: minhas 4 roommates são quase tão obnoxious quanto eu. Essa coisa pseudo-hippie de roomates que vivem felizes em um dorm de faculdade é coisa de filme. Aqui, o negócio é vida real (e meio sitcom surreal, na verdade). Fato é que a gente não compartilha. We just happen to live in the same apartment.

Dá pra ver bem isso na cozinha. Vamos por partes:

A pia

Tem 5 detergentes na pia, porque cada uma usa um tipo. Além disso, há ainda um hand sanitizer (obviamente meu, porque "há germes - GERMES, ugh! - por toda parte em NYC"), e um hand soap, de alguma das meninas. Para completar a situação de overcrowdedness da pia, temos umas 6 esponjas. Cada uma de nós tem a sua, claro. O total é de seis porque eu - sempre eu... - tenho duas: uma normal e uma heavy duty, afinal, tem grude que demanda maior esforço braçal.

Pode parecer psicose essa coisa de "cada um ter o seu", mas reflita comigo: você compartilharia sua escova de dentes com estranhos? A lógica é a mesma: se você usa pratos e panelas para coisas (i.e., comidas, bebidas etc.) que vão parar, eventualmente, dentro de você, por que compartilhar o material que você usa para garantir a limpeza delas? É uma simples equação de higiene, que talvez só faça sentido na minha cabeça de germ-free-wannabe, mas eu sou feliz assim (ha!). Especialmente sabendo que uma das minhas roomates é chinesa e, consequentemente (tão vez não necessariamente, mas definitivamente consequentemente - e viva os advérbios!) os kit detergente+esponja dela foi raramente usado...

Tuesday, April 1, 2008

She wore high-heeled shoes while the rest wore flat soles.

Janeiro/2008. Eu em minha costumeira visita ao Sakura Nail & Spa. Ainda fazia aquele frio congelante e eu estava usando meu uniforme de janeiro em NYC: suéter, casaco 7/8, skinny jeans e bota sem salto.

Andando do metrô na 86th com a Lex. até a 2nd Ave. entre a 88th e a 89th, notei que aquele par de botas não seria o companheiro ideal para o resto do meu dia - elas estavam me machucando horrivelmente -, especialmente porque depois de fazer as unhas ainda teria que ir all the way downtown até a Union Square para resolver pendências da vida e dar uma passada no Trader Joe's para comprar meus suprimentos orgânicos de sobrevivência básica.

É, aquelas botas iriam me matar até lá. Saí da manicure decidida a entrar na primeira loja que eu visse e comprar o primeiro par de sapatos que servisse no meu pé e não me machucasse, no matter what.

Dei sorte: atravessando a rua, na primeira loja em que eu entro, o primeiro par que eu vejo é lindo! Scarpins. Salto 9. Parecem de boa qualidade. Vamos ver os detalhes na sola: leather (so far, so good); made in Spain (sapatos europeus nos EUA são raros... ótimo!); Stuart Weitzman. OH MY GOD! STUART WEITZMAN! (ele é quase o Manolo Blahnik!!)

"PRECISO destes sapatos" foi a primeira coisa que me passou pela cabeça. Só faltou ver o tamanho. 7. Por pouco! Geralmente calço 6 1/2 aqui (equivalente ao 35 no Brasil), mas tinha que experimentar assim mesmo... Perfeito! (porque os Stuart Weitzman têm a fôrma pequena). Comprei, óbvio.

Acho que sou das poucas pessoas do mundo que troca botas sem salto por scarpins de salto 9 pelo conforto. Não ainda não me acostumei com flats.
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