Tuesday, April 29, 2008

In between days


Conseguir ingressos para qualquer coisa aqui em NY é sempre um trabalho hercúleo. Isso porque, apesar da oferta gigantesca de entretenimento para todos os gostos e (quase) todos os bolsos, essa é uma cidade com uma área muito pequena e muita, MUITA gente. Acrescente a essa gente de NY um quantidade quase infinita de turistas que ficam enlouquecidos com as luzes da Broadway. Eu ainda insisto que, se eles apagassem a Broadway por míseras 24 horas, o planeta Terra perduraria por mais uns 200 anos, no mínimo. A Broadway é o maior exemplo de desperdício idiota de energia. Mas isso não vem ao caso agora...

Voltemos aos fatos. Comentei outro dia que fui assistir a uma apresentação do Kids in the Hall, ao vivo e alguns anos mais velhos. Mas foi meio que uma game-time decision, porque o plano inicial era só ir ao cinema. Fato é que naquela sexta-feira não tinha nenhum filme aparentemente bom em cartaz, nem nos cinemas alternativos (pois é, isso acontece ATÉ em NY). Daí, bateu aquela de "por que não Kids in the Hall, então?"

Mas NY não é uma cidade que permite game-time decisions. Ou melhor, até permite, mas só se você gosta de correr riscos. Como, às vezes, eu gosto de fingir que não sou tão control freak, me dou a esses riscos. Eis a descrição do shady business para comprar os ingressos, que mencionei no outro post:

Primeiro passo: dar um Google e ver que site está vendendo ingressos para o dia do espetáculo (alguns sites só vendem com antecedência). Encontro um site: http://tickets.newyorkcity.com/

Segundo passo: fazer a compra online. Simples. Pois é. Mas não rola. Porque o lance do site é todo meio estranho, não dá pra saber qual o valor das taxas de conveniência etc. No entanto, há um telefone.

Terceiro passo: telefonar. Por telefone, a coisa não é muito melhor. A mocinha me diz o valor de várias taxas de conveniência, mas não sabe se todas serão cobradas. Isso porque há uma taxa de entrega do ingresso, mas o ingresso não será entregue. Tenho que retirar em um escritório.

- Em um escritório? Ou no próprio teatro?
- Não, em algum escritório.
- E onde é esse escritório? É perto do teatro, ao menos?
- Não sei. Eu só tenho acesso a essa informação depois que você confirmar a compra dos ingressos...
- WHAT THE FUCK?

Nesse momento, olho o relógio. São 17h30. A apresentação é às 20h. O trem do Bronx até Manhattan leva uns 20 minutos, mas não sai a toda hora. E ainda temos que jantar e passar em algum lugar (New-fucking-Jersey? Queens?) para buscar os tais ingressos. Hummm...

Como as minhas opções são, basicamente, arriscar e sair correndo ou arriscar passar mais uma sexta-feira de tédio no Bronx, começo a ditar o número do meu cartão de crédito.

- Ótimo. A compra está feita. 2 ingressos para o Kids in the Hall, esta noite, no Nokia Theater, ás 20h.
- Ah, e quais os assentos? Onde ficam?
- Hum, não sei... aqui não diz. Só diz que são "XX", mas não sei o que isso quer dizer. [eu pensando: "XX", que que é?, são os assentos do Hugh Hefner, por acaso?!?!?!?]
- Genial! Bem, ok. E onde pego os ingressos?
- Então, sua compra está sendo processada. Em mais ou menos 5 minutos, você vai receber um e-mail com um número de telefone. Você liga para esse telefone, que aí eles vão te passar o endereço de onde você deve ir para pegar os ingressos.
- Hein?

Quarto passo: PÂNICO. O que que é isso? Vou buscar meus ingressos com um agente da CIA?!? Preciso de um codinome. Droga!

Quinto passo: checar meu e-mail. Ligo para o tal número. É uma outra central, Select-A-Ticket. Eles me dão o endereço de um escritório chamado Americana, que fica na W 45th St. Pertinho do teatro, menos mal.

Sexto passo: correria. Passar em casa (a "operação" foi realizada da casa do Respectivo, logo depois que saí da minha aula), largar meus livros, cadernos e tranqueiras, trocar de roupa, e correr para pegar o trem. Ok. Já são 17:55. Não dá tempo de pegar o trem das 18h06. Vai ter que ser o das 18h38. Isso significa que chegaremos à Grand Central (na E 42nd St) às 19h00 em ponto. Aí, a gente corre para a W 45th St, pega os ingressos (em um escritório meio podre, em um predinho bizarro), procura um lugar pra jantar (um lugar BEM genérico), come (engole a comida) e chega no teatro às 20h00 (em ponto! Score!!!). O lugar onde sentamos, como eu disse antes, era excelente, by the way.


Pois é: aí está a diferença entre NY e SP. Aqui, por incrível que pareça, deu tempo.

2 comments:

Juliano said...

É quase ridículo te conhecer e te imaginar tomando uma game-time decision.

Vai, conta que você chegou (na hora) surtada no show (na hora, mas surtada).

AdrenAline said...

You win. Cheguei na hora, mas surtada, sim. Mas disfarcei tão que vc nem acredita! Maior feeling "fria e calculista". You'd be proud...

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