Sunday, May 25, 2008

Art snob solutions


Ontem começou a exposição "Moore in America", aqui no Jardim Botânico. Aproveitei para fazer a assinuatura anual, como já tinha considerado anteriormente.

Aproveitei e vi a exposição sobre o Darwin. Não tão boa, meio engodo, quase. Queria ter ido às palestras, mas o calendário acadêmico de final de semestre não permitiu.

O Henry Moore definitivamente valeu a pena. Já tinha visto algumas esculturas dele em outros lugares, aí pelo mundo, como a que está na frente do prédio principal do M.I.T., em Boston (ver abaixo).

Henry Moore é um dos meus artistas favoritos. É bom poder ver suas esculturas num dia de primavera no jardim botânico, ao ar livre, bem do jeito que ele pregava: "I would rather have a piece of sculpture put in a landscape, almost any landscape, than in or on the most beautiful building I know."

Acho que pessoas que não gostam de Henry Moore não são dignas de consideração moral. Não à toa, sua maior inspiração foi Michelangelo. Moore buscava inspiração nas formas naturais. Com a combinação dos dois, fez suas famosas reclining figures. Uma das minhas favoritas é esta acima, Large reclining figure, 1984.

Enfim, não teria melhor forma de come full circle: o ano acadêmico começou no jardim botânico e terminou, oficialmente, lá. E confirmo minha antiga suspeita: sem ressaca ou similares, é muito melhor.



Saturday, May 24, 2008

Breakfast at Tiffany's

Manhattan, 23 de maio de 2008. A primavera finalmente dá as caras. Depois do frio de segunda a quarta-feira, exatamente no dia em que eu resolvo encarar as multidões da 5th Avenue, está um calor infernal.

Aquele processo básico de preparação de ida ao Brasil: ir atrás das listas de compras alheias. Não que eu me importe com isso (se me importasse, falava logo pro pessoal que não ia comprar *&*$ nenhuma, porque, como vocês sabem, sou bem outspoken).

O Respectivo resolve ir junto, porque ele diz que precisa comprar umas coisas por lá também. Da Grand Central, andamos pela 5th Ave. uptown. Ele procurando a Lord & Taylor, que acabamos não encontrando.Como alternativa, ele sugere o endereço 727 5th Ave. Chegamos lá. Ao lado da Trump Tower (uma delas) o endereço buscado: Tiffany & Co.. Entramos. Começamos a olhar as vitrininhas e tal. Ele está pensativo. Pergunto:

- Presente para quem você está procurando?
- Huh?
- Para quem? O presente!
- Para você!
- (gasp!)

Tá. I didn't see it coming. Como a formatura da irmã dele é daqui a pouco tempo, imaginei que fosse presente de formatura pra ela, sei lá. Ele me pediu para escolher alguma coisa. Fomos ao oitavo andar, sterling silver. Tinha bastante coisa bonita, obviamente. Poucas faziam meu estilo. Muitos corações e estrelas; corações partout. Não trabalho com corações. Nem estrelas. Estávamos procurando brincos, que eu uso mais frequentemente que pulseiras ou colares. Gostei mesmo de dois ou três modelos, só.

Mas não sou Audrey Hepburn, não acredito em presentes de aniversário que custem mais de US$ 150 e não sou o tipo de pessoa que sai por aí aceitando presentes caros. Sequer gosto de presentes para falar a verdade (e, não, isso não é humildade cristã!).

Por fim, disse que não tinha gostado taaanto de nada. Nada que, de fato, valesse a pena. Saímos de lá e procuramos algumas outras coisas pela 5th Ave, voltando na direção downtown. Não encontramos nada. Melhor assim. Se tivesse que fazer uma escolha para a vida, dispensaria as jóias e a casualidade. Prefiro passar a noite e acordar com um bom café da manhã.

Tuesday, May 20, 2008

Get me away from here, I'm dying

Eu vou embora.

Não, não quero dizer que vou embora daqui de NY agora, nem nada. Estou descrevendo um hábito meu. De costume, eu vou embora. De onde quer que seja.

Viajar é bom. Para mim, acho que é algum lance equivalente à redenção, que eu geralmente não aceito. A coisa que eu mais gosto de fazer. Porque viajar é a essência última do "ir embora". E quantas vezes já não fui embora... já fugi para Montréal um sem-número de vezes, por outras fiz retiro pessoal (não espiritual, porque eu não acredito que possa haver espiritualidade na solidão, que me perdõem os monges e tal) em Berlim, me escondi em Londres, em Paris, em Amsterdã.

Finalmente, Nova York. O maior "ir embora" até hoje. Já dura nove meses. Mas "morar" em algum lugar não é bem ir embora. Porque estou aqui. Não fui a lugar nenhum (bem, fui viajar por uns dias e tal, mas voltei).

Não sei muito bem onde está a linha que divide um simples "viajar" de um "ir morar" em algum lugar. Um mês definitivamente é só uma viagem (e, portanto, é "ir embora"), e nove meses é "morar" (e já mostra sinais de estagnação). Mas entre um e nove meses há uma zona meio fuzzy, uma gray area que fica meio indefinida. Fato é que eu continuo querendo ir embora. Para qualquer lugar. Para sempre.

Ao mesmo tempo, não é fácil a despedida de Nova York, seja uma despedida preparada em sete ou em trezentos e sessenta e cinco dias. A contagem-regressiva de sete vem com aquela ansiedade de expectativa que faz a gente querer que os dias tenham menos horas. A contagem-regressiva dos 365, por outro lado, é aquela que parece meio errada, mas mais compatível com o desejo por dias mais longos. É como se a gente desejasse que os próximos sete dias tivessem apenas 4 horas cada, e os 358 seguintes tivessem 44.

A morte me preocupa um pouco com essa coisa do "ir embora". Se o Cristianismo estiver certo, eu estou fadada a ir para o inferno ("queime, infiel!"). E acho que faz parte do conceito de inferno que eles (quem quer que sejam) não me deixem ir embora de lá.

Ao comentar os últimos dois exemplos com o Respectivo, ele respondeu "I won't let you go." Não sei bem se ele estava falando de Nova York, ou do inferno, mas qualquer que tenha sido o sentido, o significado soou reconfortante.

I know there's a word

Eu só queria poder gritar até ver meus pulmões irem parar do lado de fora do meu corpo.

Monday, May 19, 2008

Alles was lebt bewegt sich

Sabe o que acontece quando você deixa um punhado de Corn Flakes de molho em uma tigela de leite de soja por mais de oito horas? Infelizmente, eu sei.

Hoje começou o curso do qual eu estou participando como "Summer Presidential Scholar" (soa chique, não? Nem é tão big deal, mas tudo bem). É um curso sobre teorias e aplicações de ética contemporânea, mas não vou entrar em detalhes, porque é um lance meio chato. E não digo isso com aquele tom de "é chato para leigos". Digo no sentido universal. É chato. E ponto. Para qualquer um. É interessante, isso é fato. Mas sentar em uma sala para discutir case studies com acadêmicos de várias áreas (que têm seus pet peeves e parecem não concordar em nada) em pleno verão por oito horas diárias durantes três dias não é exatamente minha idéia de diversão.

De qualquer forma, tinha que estar lá no Dealy Hall às 9h00. Acordei às 7h30 para começar minha rotina matinal e imprimir minhas "reflexões iniciais", que eu teria que apresentar esta tarde. Depois da primeira fase da rotina matinal, preparo minha tigela de cereal (com os componentes acima mencionados) e tento imprimir meu texto. Nada. Limpo a fila da impressora e dou o comando pra imprimir. Do novo, nada. Reinicio o computador. Nada. Enquanto isso, o cereal lá, me encarando...

Salvo os arquivos no pen-drive e vou pedir pra Doris imprimir pra mim. O computador dela estava desligado ainda (afinal, eram 8h20 da manhã!). Ela ligou o computador e a impressora. Como ela usa o Windows Vista, o processo ligar-o-computador-e-abrir-os-arquivos-do-pen-drive-e-imprimir-todas-as-seis-páginas levou mais de vinte minutos. Vinte minutos!

Voltei para o meu quarto para me vestir, juntar o resto do material que eu precisava levar para o curso e fui ao banheiro enfiar uma quantidade genérica de pasta de dente na boca em uma tentativa de escovar os dentes. Saí correndo (ainda bem que tenho ido à academia!) para chegar no campus na hora. Obviamente, a tigela de cereal ficou lá, intacta, sobre minha escrivaninha. Até as 17h20, mais ou menos, quando voltei para casa, depois de oito horas de discussão sobre os fundamentos da moralidade e da biologia e as questões éticas que concernem os limites da vida humana.

Teria fotografado a tigela, se tivesse tido coragem. Ao invés disso, achei melhor só ir lavar logo a tigela e o resto da louça, que já estava acumulada desde ontem à noite. Para pelo menos evitar a proliferação de bactérias que poderiam causar desastres biológicos piores que os analisados durante o dia de hoje e potencialmente (embora não tão provável) piores que as criaturas de estatuto ontológico questionável que habitam minha cozinha com o fomento da minha querida Doris....

Saturday, May 17, 2008

I predict a riot

Ontem fui a Manhattan fazer compras e encontrar aquele meu conhecido, o cineasta turco (Alex). Peguei a Ram Van, que é o jeito mais fácil de se chegar ao Columbus Circle (ainda mais debaixo da chuva torrencial de ontem) para o primeiro pit-stop de compras.

De lá, peguei um táxi para ir à Grand Central, onde ia encontrar o Alex depois de comprar umas outras coisinhas na CVS nova que tem na 42nd com a 3rd.

Às 17h40, hora de voltar pra casa, ainda chovia infinitamente. Peguei o Metro-North de volta, óbvio. Já tinha um tíquete que tinha comprado outra vez que peguei o trem e que o Kontroller nunca veio conferir. Ia ter que pagar a diferença de tarifa (US$ 1.50), porque o trem das 18h02, que peguei, é um peak train, e o bilhete que eu tinha era para off-peak, mas tudo bem.

Embarco no trem (estranho a idéia de "embarcar" em um trem, mas tudo bem...) bem antes de ele partir e sento para acabar de tomar meu grande soy chai. É claro que no exato momento em que o trem estava partindo - lotado, por sinal - me aparece um casal acompanhado de uma senhora semi-handicapped. Como mamãe me deu educação (e meu trajeto só demoraria 21 minutos anyway), peguei minhas várias sacolas mega-pesadas e cedi meu lugar. No harm done.

Quando a Kontrollerin estava chegando ao lugar onde eu estava para coletar os bilhetes, o trem deu uma mega chacoalhada. Ela perdeu o equilíbrio e, quando conseguiu se segurar, acabou pisando no pé de uma senhora (não tão velha) sentada por perto. A mulher ficou histérica. Começou a gritar falando que iria processar a MTA por conta da pisada e tal. A mulher sentada no banco ao lado concordou e rolou aquele princípio de confusão.

Vale ressaltar que nenhuma das duas mulheres que reclamavam do serviço da pobre "desequilibrada" da MTA eram, obviamente, americanas obesas que, apesar de pagarem um bilhete acabam ocupando dois assentos no trem, porque têm ancas do tamanho do mundo. E olha que os assentos do trem podem ser qualificados na categoria "grandepracaralho".

Confusão vai, confusão vem, a Kontrollerin não pegou meu bilhete. Ou seja, economizei US$ 6.50. Dinheiro que deveria ter usado para comprar um guarda-chuva novo, visto que a caminhada da estação do Metro-North até meu apartamento (3 ou 4 quarteirões) foi suficiente para que eu chegasse em casa como quem havia acabado de pular de roupa em uma piscina. Ah, as noites de sexta-feira em Gotham City são impagáveis mesmo...

Ah, a foto é do flyer do filme do Alex, que acabou de ganhar o prêmio de melhor curta-metragem no festival de Kent (CT).

Thursday, May 15, 2008

Neighborhood #2 (Laika)

Ainda no outono, lá pra final de outubro de 2007, acho (quando o Respectivo ainda nao era Respectivo), estava no Bx12 voltando pra casa quando meu celular toca, indicando que era ele quem estava me ligando:

- Alô?
- Alô. (uma voz de mulher responde. Logo pensei: xi... quer ver que ele esta saindo com alguma mina que viu uma ligação pra mim e agora vai querer tirar satisfação, sem eu sequer ter a ver com a história?- been there, done that, daí o pensamento surreal)
- Oi?
- Oi, é... desculpa, mas eu encontrei esse celular perdido na porta de entrada do meu prédio-
- É, esse celular é de um aluno da Fordham, que mora bem na esquina, na entrada ao lado do portão e-
- Sim, sim. Eu moro nesse prédio. Acho que esse celular é de um dos meus vizinhos...
- Ah, ok. Esse celular e do-
- Então, eu até sei de quem é, conheco ele, mas não sei em que apartamento ele mora. Voc sabe o número do apartamento?
- Er... não, não sei... desculpa. Mas posso tentar descobrir e ligo de volta nesse número para avisar.
- Ah, sem problemas, vou tentar ligar para algum outro número e descobrir. Obrigada! Desculpe incomodar...
- Sem problemas. De nada.

É estranho pensar que os hábitos aqui são tão diferentes em coisas tão bestas. Primeiro que no Brasil poucas pessoas que "achassem" um Razr iriam devolver (sad but true, vai pessoal...) e segundo que me dei conta de que aqui, por mais que você seja amigo de alguém isso não necessariamente significa que conhece a casa da pessoa - e sequer que sabe onde ela mora. Um americano não hesita muito em te convidar pra "tomar aquele whisky", desde que seja no bar mais próximo.

Tuesday, May 13, 2008

Electronic Renaissance

Eu deveria gravar os diálogos que rolam nesse apartamento, juro. Em dias como hoje, quando tem mais gente entrando e saindo daqui que em bordel, a coisa atinge o nível borderline de surrealismo. Ontem à noite rolou uma extensa sessão bebida e já tinha me esquecido que o cable guy vinha aqui hoje de manhã quando, às 8h30 acordei com meu celular vibrando por conta de um sms da Cara, me lembrando, exatamente, que o cara estava pra chegar. Nem dois minutos depois a campainha inexistente e ao mesmo tempo ensurdecedora - aliás, essa tal campainha rende uma outra boa história -toca. Na lata: cable guy.

Eles supostamente vinham retirar o decodificador de TV a cabo da Cara. Mas quando eu vejo o cara entrando com um novo decodificador, começa um novo diálogo surreal no Bronx:

- So, what is that new cable box for?
- New box for TV. Where is TV?
- No, wait, you're removing the box from this room and leaving the box that's in my room.
- Where is room for box?
- This is the room you're taking the box from.

Ele entra no quarto da Cara e começa a fuçar na TV dela antes de desconectar o decodificador que estava lá. Estava indo tudo bem até que...

- You have check?
- What?
- CHECK. You have check?
- What check?
- Check for install. I install cable box!!! Ok?! But you gimme check!
- WTF?!?!?!
- I need check to install new box.
- But we don't need a new box. You just have to remove this one. And we're keeping the other.
- No, I no remove. You call. Another call Cablevision to remove box.
- What?
- WHAT!
- Never mind... Here's your check. What the hell...

O imbecil que não falava inglês que veio instalar o raio do decodificador entrou e saiu 354 vezes pra pegar cabo, decodificador, modem e a pqp. Quando ele finalmente terminou de instalar o novo decodificador com DVR no quarto da Cara, veio a hora da minha vingança:

- So, are you all set with that room?
- Yeah. Install ready.
- Good, cause you've just installed it in the wrong room. What I was trying to say when you woudn't listen is this, and let me try and put this in a way you'll understand: NO ONE LIVE IN THAT ROOM. I LIVE IN OTHER ROOM. SO, TV IN OTHER ROOM AND BOX ALSO IN OTHER ROOM. YOU REMOVE BOX FROM THAT ROOM AND PUT IT IN OTHER ROOM. ME LIVE IN THAT ROOM. ME NEED CABLE. NO ONE THERE.

Sim, ele desinstalou o tal decodificador do quarto da Cara e refez todo o processo no meu quarto. E foi embora umas 9h15. Ótimo. Naptime com DVR.

Teria sido ótimo se 15 minutos depois não tivessem batido à porta novamente. Dessa vez era o pessoal do sistema de alarme. Ainda não entendi o que eles vieram fazer aqui. Sei que eles já tinham vindo no dia anterior checar a instalação elétrica e as janelas. Dessa vez, eles voltaram a conferir as janelas e instalaram um novo dispositivo na porta. Não que algum dos 73826 dispositivos de segurança que a gente tem funcione, mas eu resolvi que não ia conversar outra conversa surreal numa mesma manhã, com um lag de menos de meia hora. Mandei um "Beleza, façam aí o que vocês quiserem" e fui tomar meu café da manhã.

Would a lamed vovnik do this?

I did not understand how you can miss the way somebody holds things.

Sometimes I forget that the world is not on the same schedule as I. That everything is not dying, or that if it is dying it will return to life, what with a little sun and the usual encouragement.

The truth is that she told me she couldn't love me. When she said goodbye, she was saying goodbye forever.
And yet.
I made myself forget. I don't know why. I keep asking myself. But I did.

I've waited my whole life for her, she was the opposite of death - and now I'm still here waiting.

I like to imagine the first time she leaned in to kiss that stranger, how she must have felt herself falling for him, or perhaps simply away from her loneliness, and it's like some tiny nothing that sets off a natural disaster halfway across the world, only this was the opposite of disaster, how by accident she saved me with that thoughtless act of grace, and she never knew, and how that, too, is part of the highway of love.

The oldest man in the world laughed.

I wanted to make you laugh.
Also to cry.

Who is Bruno?
He's the friend I didn't have.
He's the greatest character I ever wrote.

I wanted to say her name aloud, it would have given me joy to call, because I knew that in some small way it was my love that named her. And yet. I couldn't speak. I was afraid I'd choose the wrong sentence.

From Nicole Krauss' The History of Love.

Monday, May 12, 2008

The last time I saw you

The more I think about it, the harder it is to say.

Words for everything.

Perhaps I shouldn't have called him a fool, because now when I needed him most there was nothing at all.

From Nicole Krauss' The History of Love.

Sunday, May 11, 2008

Dangerzone

Como eu havia dito, a minha cozinha é o lugar mais exótico de NY. De toda NY. Porque tem horas que eu não sei se a Doris está cozinhando ou fazendo experimentos de laboratório. Geralmente cozinhando, o que é mais assustador.

Esta manhã, a contragosto, acordei relativamente cedo. "Dropei" meu Dialene 4 e, meia hora depois, fui à cozinha tomar café da manhã (com hífen?). Eis que no balcão... tah-dah!

Esse negócio aí. Não tenho a mínima idéia do que seja. Sequer arrisco taxonomizar como animal, vegetal, mineral ou sei-lá-o-quê. Pra mim, parece aqueles "charutos" de comida árabe, só que feito com folha de jornal cheia de tinta de lula no lugar de folha de uva. Atentem para a "água negra" que rola em volta dA Coisa. Depois que eu descobrir que raio é isso, eu aviso aqui. Só pra saciar a curiosidade. E também para vocês poderem evitar ligar pro Lig Lig e, na intenção de pedir um macarrão Chop-Suey, acabar tendo que encarar o grande wrap negro. Vejam se este ângulo ajuda a identificar:

Se alguém tiver alguma idéia de o que isso seja, favor me avisar, antes que meu apartamento exploda ou eu morra de desgosto ou SARS.

One nice thing

The way I felt about this was angry.

From Nicole Krauss' The History of Love.

Saturday, May 10, 2008

Date with Ikea

Ontem o meu dia foi uma ode aos diálogos bizarros. Vai mais um momento-desconforto:

Durante o Spring Bacchanal (que, apesar do nome, é só mais uma pseudo-festa de filósofos-wannabe chatos como eu), enquanto o Respectivo e eu preparávamos drinks na cozinha dos Daves, chega o Adam K., que é um dos caras mais legais daqui:

- So... I see you guys hanging out together a lot. Are you... hanging out?
- ?!
- I mean... are you hanging out together or are you just, er..., friendly? I mean, you're more than friends, right?
- ?!
- ?
- Na, we're not just friends.
- But are you guys, like, dating? Like, for real, or are you just haning out?
- I hope we're kinda serious, cause I'm going to Brazil with this one in the end of the month.
- Oh, really?! How cool. That's great. I mean, i'm sorry, I didn't know...
- Na, that's ok...
- So how long have you guys been dating...?

E por aí foi, a conversa. Incrível como o Adam colocou de forma clara e precisa basicamente todas as perguntas que eu tinha vontade de fazer em janeiro. Talvez eu devesse ter feito. Diálogo imaginário:

- So... We've been hanging out together a lot. Are we... hanging out?
- ?!
- I mean... are we hanging out together or are we just, er..., friendly? I mean, we're more than friends, right?
- ?!
- ?
- !
- What do you mean?
- What do I mean what?
- What do you mean by "!"?
- ?
- ??
- Do you wanna talk?
- Aren't we talking?
- Is everything ok with you, missy? Look, I'm sorry-
- Shut up.
- What do you mean by all this? You know I, we -
- Never mind. I know.
- ???
- !!!!
- ?!
- !
- !?
- !
- !!
- !!!!!
- Yeah, whatever. You're crazy. And awesome.
- No, you are.

Neighborhood #1 (Tunnels)

Ontem, a mãe do Respectivo veio passear no lado sombrio de Gotham City, aka aqui no Bronx. Ela foi assistir à aula de ontem à tarde conosco. Como eu meio que cheguei atrasada, não pude cumprimentá-la no início. Quando a aula terminou, fui resolver um esquemas com o professor (Dr. D.) e, depois, fui cumprimentá-la. Enquanto isso, o Respectivo falava com o professor e meio que apresentava sua mãe para ele. Nesse momento, o Dr. D. cumprimenta ela, pára, e, virando para mim observa, meio atônito:

- Oh, do you know each other?
(nós balançamos a cabeça em um "sim" meio óbvio, ao que ele se corrige, ao perceber a meia-gafe)
- I mean... so you've met before...

Acho que o Dr. D. não sabia exatamente o status da relação Respectivo-eu, mas agora deve ter ficado claro... Acho que isso é algo comum a várias pessoas do departamento aqui, como eu pude comprovar naquela noite.

Mais tarde, fomos jantar no Roberto's, que é o melhor italiano daqui. As alcachofras e a salada que pedimos como entrada estavam excelentes. O siri e o peixe que comemos como prato principal, idem. Bem melhor que o Pescatore, da noite anterior.

Em um dado momento, logo depois de fazermos o pedido das entradas, vou ao toalê lavar as mãos e, quando eu volto, há um quarto elemento na mesa. Quando eu sentei e me coloquei a par da conversa, entendi que ela é uma das vizinhas do Respectivo. Depois é que eu me dei conta que foi com ela que eu tinha falado ao telefone alguns meses atrás. Ela estava lá jantando sozinha e ele a convidou para sentar à nossa mesa. Ela estava lá porque está desenvolvendo o website do restaurante, então, sempre vai lá pegar informações, tirar umas fotos e jantar de graça. Compartilhamos as nossas entrada e o prato dela, que também estava ótimo: berinjela alla parmigiana.

Ela acabou de ficar noiva e vai ter festinha de noivado no telhado do prédio deles, daqui a duas semanas. Aparentemente, isso significa que temos planos para aquela noite. Roof party!

My life underwater

At these moments, I wonder if this is the way it feels to be my mother.

How to waterproof your brother.

I'd made a list in my notebook of all the things I missed about him. The way he wrinkles his nose when he's thinking was one.

I should
Get out more, join some clubs. I should buy some new clothes, dye my hair blue, let Herman Cooper take me on a ride in his father's car, kiss me, and possibly even feel my nonexistent breasts. I should develop some useful skills like public speaking, electric cello, or welding, see a doctor about my stomachaches, find a hero that is not a man who wrote a children's book and crashed his plane, stop trying to set up my father's tent in record time, throw away my notebooks, stand up straight, and cut this habit of answering any question regarding my well-being with a reply fit for a prim English schoolgirl who believes life is nothing but a long preparation for a few finger sandwiches with the Queen.

A hundred things can change your life.

"I need you to be -" I said, and then I started to cry,
"Be what?" she said, opening her arms.
"Not sad," I said.

From Nicole Krauss' The History of Love.

Friday, May 9, 2008

You're the apple of my eye

Ontem, a mãe do Respectivo veio para NY para passar o final de semana do dia das mães. Parte da programação para a visita incluía ir assistir a alguma apresentação na Broadway. Como eu já tinha mencionado, conseguir ingressos para algumas coisas por aqui não é sempre tão fácil quanto parece. A idéia inicial de assistir a Jersey Boys já estava indo para o saco (com ingressos a partir de US$ 195!), quando rolou algum "esquema". Nada do tipo o meu esquema para ver o Kids in the Hall. Acho que algo mais simples, tipo last-minute tickets com partial view.

Ontem, no final da tarde, fomos encontrá-la na Grand Central, para irmos a algum lugar jantar e depois ir ao teatro. Jantamos no Pescatore, em Midtown East, restaurante obviamente famoso por seus peixes e frutos do mar. Este é, supostamente, um dos melhores restaurantes para este tipo de comida em NYC. Confesso que achei meio overrated. O meu monkfish (aka tamboril) estava bom. Mas não sei se diria "excelente". E os acompanhamentos e molhos listados no menu não pareciam exatamente criativos: a maioria dos molhos era com base de vinho branco e os acompanhamentos mais frequentes eram purê de batatas ou legumes ao vapor. "Boa noite. Telefone para vocês: é a criatividade." Além do quê, o peixe (bronzino) do respectivo tinha espinhas, algo que é geralmente considerado gafe culinária nos EUA. Overall, foi um jantar bom. Mas não mais que isso.

Depois, pegamos um táxi até o August Wilson Theater encontrar o Jim e a Erin para assistir a Jersey Boys. O novo hiper-musical-ultra-cool-do-ano. É basicamente a história da banda The Four Seasons e, é claro, todos os hits deles fazem parte do enredo, incluindo "Bye, Bye, Baby (Baby Goodbye)" e "Can't Take My Eyes Off You". Nossos lugares eram bons, nada de partial view. Foi bem animadinho, até. Pode parecer horrível resumir a performance a isso, ainda que por "apenas" US$ 115, mas fato é que eu ainda não aderi 100% ao American Way of Life e, por mais que a Broadway tenha seu apelo turístico, ainda sou mais Beckett, Shaffer ou Brecht que Andrew Lloyd Webber. Que me desculpem Christian Hoff e Michael Longoria, que estavam ótimos na peça, ontem, como Tommy DeVito e Frankie Valli, respectivamente.

Thursday, May 8, 2008

Wraith pinned to the mist & other games


Hoje de manhã, quando estava saindo para ir à academia, não sei bem como, dei de cara com esse ingresso. Essa foi minha primeira - e única, por enquanto - ida ao estádio para assistir a um jogo de baselball.
Como vocês podem ver, já faz algum tempo: 26 de setembro de 2007. O outono tinha acabado de começar e ainda estava um calor horrível. Isso não contribuiu muito para o lado positivo da experiência, mas vamos ao relato...

Contrariando o óbvio, não fui ao Yankee Stadium, que fica a poucos minutos daqui, de metrô. Fui a um jogo do Mets, lá na casa deles, o Shea Stadium, que fica no Queens. Mas lá pra dentro, embrenhado no Queens, à distância já popularmente conhecida: longepracaralho. Éramos 3 as vítimas da idéia brilhante do Fincke de ir ao Shea, ao invés de aproveitar a proximidade dos Yankees: Eleanor, Dave e eu.

Nos encontramos às 4h30, se não me engano, na Bathgate com a E. Fordham Rd. e fomos andando, debaixo de um sol infernal, ladeira acima, até o metrô D. O trajeto do metrô foi aquela coisa interminável: descida all the way até a Grand Central para podermos trocar de linha e ir para leste até o Queens. Levamos 2h30 no total. Durante essas 2h30, o Fincke tentou explicar para nós três (especialmente a alienígena aqui) como o raio do jogo funcionava. O meu consolo foi que o Dave e a Eleanor também não sabiam. Eles obviamente entenderam a abstração toda muito melhor que eu, que não cresci assistindo àquela confusão na TV. Mas, eu me dizia, quem sabe vendo "na prática" eu entendo...

Chegamos no Shea Stadium exatamente às 19h05. Até acharmos para onde tínhamos que ir, onde eram nossos assentos etc. levou um tempinho, mas nem perdemos o início do jogo, porque sempre rola aquele embaço...

O estádio... Bem, o estádio é gigantesco! Como os nossos lugares eram lá no alto, tivemos que subir muitas, muitas escadas rolantes. E entre as escadas rolantes tem umas estruturas que lembram praças de alimentação, com Subway e tudo.

Nunca estive em um estádio no Brasil para poder comparar (vergonha!). No entanto, posso comparar com o Olympiastadion de Berlin, onde fui assistr ao show do U2 em 2005, e acho que a estrutura aqui é melhor (mesmo porque o Shea foi construído trinta anos depois do Olympia) Consequentemente, suponho que o Shea também seja bem mais organizado que os estádios no Brasil.

O jogo foi Mets vs. Nationals. O jogo demorou para sempre! Foi quase eterno, juro! E não é só porque eu não estava entendendo (depois de um certo tempo, acho que assimilei a estrutura básica da coisa), mas não entendi por que são necessários nove innings. Nove inning inteiros! Os Mets começaram ganhando, foi até legal. Mas o resultado final foi 9 a 6 para os Nationals. Reafirmo que, se o jogo tivesse só 4 innings, seria muito mais agradável de assistir, além do fato de que os Mets teriam ganhado, já que o jogo estava 6 a 2 para eles antes do quinto.

Bom, mas já que o negócio ia demorar, resolvi aproveitar a experiência à la Miranda Hobbes (apesar de não estar em um jogo dos Yankees): comi um cachorro-quente! Enquanto assistia ao jogo! Hábito mais ianque, impossível. Só faltou a cerveja. Mas, por US$ 6,50 uma long neck genérica (Bud, acho), achei melhor deixar pra lá.

Lá pelas 22h30 o jogo fi-nal-men-te acabou. E tive que encarar mais uma hora e meia de metrô de volta para casa. Desta vez, com trens lotados de fãs do Mets, obviamente frustrados, e mais Fincke falando de estatísticas do jogo. Talvez tenha sido minha primeira e última experiência (pelo menos ao vivo) com baseball. Decidi que só trabalho com futebol americano mesmo, igual à Gisele.

Ah, e os Mets, que estavam com o campeonato quase ganho - e invictos até esse jogo - só perderam desse dia em diante. Acho que eu sou meio pé frio mesmo...

The last page

And if, when he tried a second time to replace her name with another, for the second time his hand froze, perhaps it was because he knew that to remove her name would be like erasing all punctuation, and the vowels, and every adjective and noun. Because without Alma, there would have been no book.

Love among the angels.

How angels sleep. Unsoundly. They toss and turn, trying to understand the mystery of the Living.

Also, they don't dream. For this reason, they have one less thing to talk about.

Even among the angels, there is the sadness of division.

The arguments between angels. Are eternal and lack hope of solution. This is because thet argue about what it means to be among the Living, and because they don't know they can only speculate, much the way the Living speculate about the nature (or lack thereof) of God.

(If you don't know what it feels like to have someone you love put a hand below your bottom rib for the first time, what chance is there for love?)

This is not to say that they don't feel love, because they do; sometimes they feel it so strongly that they think they're having a panic attack.

Only from time to time does an angel find in herself a defect that causes her to fall in love, not in general, but in the specific.

From Nicole Krauss' The History of Love.

Wednesday, May 7, 2008

The sweetness lies within

Faz tempo que eu não posto nenhuma review culinária com misto de anedota nova-iorquina, então, nesta manhã insone, falemos sobre a Babycakes, que é uma espécie de doceria/confeitaria que, diferentemente da famosíssima Magnolia, se preocupa com as parcelas mal-representadas da população saudável da América e não tenta nos matar de diabetes tipo 2.

Explico: a Babycakes é uma bakery com produtos refined sugar free, gluten free e vegan.

Dado que eu não trabalho mais com açúcar refinado e o Respectivo não trabalha com glúten, é praticamente um refúgio de paz gastroenterológica comparado aos milhares de restaurantes e confeitarias italianas que me cercam.

14 de fevereiro, Valentine's day. Essas datas comerciais são uma droga. Nada de jantar muito fancy em algum restaurante do Greenwich Village nem nada. O Respectivo me convidou para jantar na casa dele. Home-cooked meal. Ótimo. Especialmente para uma quinta-feira como essa, quando é sempre bom evitar as multidões fazendo fila nas portas dos restaurantes de Manhattan. Todos overbooked, é claro.

Resolvo tratar da sobremesa e ir à Babycakes, que fica em Bowery (248 Broome St.). Aproveito para dar uma passadinha no Wholefoods antes. O plano foi pegar o metrô (linha D) até Broadway-Lafayette, andar até o Wholefoods e esticar até a Babycakes. Bom, eu sempre me perco naquela região da Bowery. Depois de fazer a primeira parte das compras, segui andando até a Broome St...

Bowery? Como eles se atrevem a dizer que a Babycakes fica em Bowery? Acho que é só para encorajar os desavisados. Fato é que a Babycakes fica em Chinatown. No meio de Chinatown. O que, como vocês devem supor (ou não, mas deveriam), é um lugar muito, muito assustador.

Eu vou andando pela Broome St. e tudo o que eu vejo são portas dos fundos de restaurantes chineses de condições sanitárias duvidosas, até que, depois de uma meia hora andando, vejo uma portinha bem pequena com um letreiro rosa-bebê. Finally. A foto do site dá a impressão de que o lugar é muito maior do que realmente é. O balcão é minúsculo, cheio de coisas (guloseimas...) em cima, e só tinha uma mesinha lá dentro, já ocupada por um mocinho lendo jornal e comendo qualquer coisa.

Logo que entrei, para piorar a sensação de claustrofobia, uma moça me seguiu. A atendente, meio impaciente, foi logo me perguntando "o que eu ia querer" enquanto eu ainda contemplava, un tanto overwhelmed, aquela quantidade de bolinhos. Deixei a outra moça ser atendida na minha frente, porque ela parecia bem mais determinada que eu em fazer aquela compra logo.

Tudo parecia muito, MUITO gostoso. Saí de lá muitos dólares mais pobre, mas com várias coisas gluten free e refined sugar free (além de dairy free!) para completar o Valentine's Day: 2 cupcakes (vanilla e red velvet), uma fatia de banana chocolate chip loaf, uma fatia de banana loaf, uma fatia de blueberry crumb cake, um chocolate chip cookie, um double chocolate chip cookie e um cookie sandwich.

Não experimentei todos, no final. Obviamente não comi os cupcakes, dado o recente relato da minha primeira experiência com eles, e deixei os cookies para o Respectivo, que depois me disse que eles não eram lá tão bons (à exceção do cookie sandwich, aparentemente). O blueberry crumb cake acho que foi nosso favorito, overall. O banana loaf também é excelente. A versão com chocolate chip não é tão boa, porque o sabor do chocolate meio que encobre o da banana.

Pode não ter sido home-made, igual ao jantar, mas foi bom.

Infelizmente, nunca mais voltei à Babycakes. Não por falta de vontade, mas por falta de tempo, já que é uma viagem a um mundo paralelo da máfia chinesa que me leva pelo menos umas duas horas. Mas pretendo voltar lá esse mês. E sem sair da dieta, juro.

If not, not

All the lies I've ever told will come back to me one day.

... I imagined rooms all over the city that housed archives no one has ever heard of, like last words, white lies, and false descendants of Catherine the Great.

There are no pay phones in the arctic.

I'm sick of famous writers.

Why do people always get named after dead people? If they have t be named after anything at all, why can't it be things, which have more permanence, like the sky or the sea, or even ideas, which never really die, not even bad ones?

The way Uncle Julian smiled was always a little lopsided, with one side of his mouth curling up with the other, as if part of him refuse to cooperate with the rest.

How to restore a heartbeat.

"I'm not awake," I finally said. "Me either," said Bird.

Dear Al, Wittgenstein once wrote that when the eye sees something beautiful, the hand wants to draw it. I wish I could draw you.

From Nicole Krauss' The History of Love.

Tuesday, May 6, 2008

Die japanische Schranke

A má notícia da semana veio por SMS hoje à tarde, durante minha aula de Mind-Body Problem. A Lili, minha nail designer, não trabalha mais no nail spa onde eu costumo ir. Ou seja, vou ter que retomar minha busca pelo nail designer perfeito, a não ser que, em vez de ir ao Upper East Side, eu resolva fazer todo o tour que me levaria ao Queens. Um novo dilema, que eu vou guardar pra setembro, acho.

Pode parecer fútil, mas quem acha isso é simplesmente idiota. Eu poderia, inclusive, dar toda uma fundamentação filosófico-metafísica para isso. Mas não vou. Porque não quero, simplesmente. O que, aliás, é outra questão filosófica.

Fato é que a oferta de serviços em NYC é tão grande que tem muita gente incompetente trabalhando por aqui. Tão incompetentes quanto no Congo, embora não tão incompetentes quanto em New Jersey, é claro.

Love me, just leave me alone

Esse aí acima é o M. O. da semana.

(By the way, vai aqui um link de uma nova coluna do NY Times, que vale a pena ler.)

Mas não, esse post não é uma crise existencial. É só um rápido stream of consciousness para constatar um dado da vida acadêmica e o fato de eu ter me dado conta de um turning point na minha idiossincrática existência: como as coisas funcionam melhor profissionalmente quando não tem ninguém para aporrinhar o dia todo (ou sequer parte dele). E, quando eu falo profissionalmente, não estou falando do meu job, mas do real motivo da minha estada em NY, ou seja, meu M.A.

Pouquíssimas pessoas têm o meu número de telefone (felizmente). Não trabalho com MSN. Desligo o Skype. GMail chat, que me desculpem, é coisa de gente que não tem o que fazer. Minhas roommates estão todas tão ocupadas quanto eu. Meu apartamento não tem campainha.

Pode parecer que eu sou anti-social (quem me conhece bem daria risada até as tampas só de pensar nessa possibilidade), mas não. Aliás, por incrível que pareça - de novo, felizmente - tem mais gente que pensa como eu no mundo (no caso, mundo = NYC).

Pois é. Como já era de se esperar, eu sempre estive certa: nada contribui tanto para a produtividade acadêmica quanto a possibilidade (não necessariamente o fato, mas a mera possibilidade) de você se dedicar a um artigo 24/7. Isso se chama ficar sozinha com a cooperação alheia, e significa que dá, sim, pra ver as pessoas de vez em quando. Mas elas colaboram para essas 24/7 de überproductivity, ao invés de encher o saco, só porque o dia é comprido. Até a Doris andou colaborando ativamente para minhas eternas crises acerca do livre-arbítrio. Priceless. Mas, como diria Michael Ende, "das ist eine andere Geschichte, und sie soll ein andermal erzählt werden." (essa é outra história, e deverá ser contada em outra ocasião).

Monday, May 5, 2008

Wouldn't change a thing

Close the door
Turn the light off
And before you drop come to me
I’ll be here when you wake up
Please don’t ever stop
Stay with me
If I could do it all over
I wouldn’t change a thing
Wouldn’t change a thing
I will spend my life trying to make you love me
Whenever you breathe
Whatever you need

(Jose Amnesia feat. Jennifer Rene - A State of Trance 2007 - disc 1)

Die laughing

I lost Sari and Hanna to the dogs. I lost Herschel to the rain. I lost Josef to a crack in time. I lost the sound of laughter. I lost a pair of shoes. I'd taken them off to sleep, the shoes Herschel gave me, and when I woke they were gone, I walked barefoot for days and then I broke down and stole someone else's. I lost the only woman I ever wanted to love. I lost years. I lost books. I lost the house where I was born. And I lost Isaac. So who is to say that somewhere along the way, without my knowing it, I didn't also lose my mind?


From Nicole Krauss' The History of Love.

Sunday, May 4, 2008

Here we are together

You're a shell of a man, all she has to do is knock against you to find out you're empty.


From Nicole Krauss' The History of Love.

Saturday, May 3, 2008

Pavlov's Bell

Hoje está rolando The Second Annual Conference for Qualitative Research Methods in the Sciences, aqui mesmo, na Fordham University. É uma conferência relativamente importante, organizada pelo departmento de psicologia, com o apoio dos departamentos de filosofia (basicamente, eu) e serviço social (basicamente, a Mary Beth).

Apresentei meu paper esta manhã. "Interdisciplinarity, demarcation and incommensurability: the challenges of Critical Discourse Analysis as a qualitative research method."

Após a abertura da conferência, esta manhã, o Dr. Wertz, que é chair do depto. de psicologia e o organizador do grupo de pesquisa em psicologia fenomenológica do qual eu faço parte, me pediu desculpas porque não poderia ficar para ouvir minha apresentação, porque teria que ir para a outra sala (onde haveria uma apresentação simultânea). Ok, no prob. Menos pressão, até.

Não tinha muita gente na "platéia" quando o Michael (do depto. de filosofia da Columbia) apresentou o trabalho dele, nem quando a Emily (psicologia, Fordham) fez a apresentação dela. Mas tão logo eu comecei a falar (já eram em torno de 10h30), algumas pessoas chegaram. E o Dr. Wertz acabou ficando por lá mesmo, by the way.

No final da sessão, sempre rola aquele chit chat acadêmico e tal. O Dr. Wertz ficou, aparentemente, mega-entusiasmado com a minha apresentação. E continuou a conversa comigo por um bom tempo. O que é um ótimo feedback, já que ele é um dos grandes nomes das pesquisas qualitativas nos EUA. Tinha uma senhora "oriental" ao lado dele, enquanto ele falava comigo, que também ficou impressionada com minha abordagem e tal. Simpática, ela.

Pois só depois, quando cheguei em casa, me dei conta de que a senhora simpática, que me elogiou era a Lisa A. Suzuki, a keynote speaker da conferência, da NYU. Outra figura gigantesca dos métodos qualitativos de pesquisa. Pois é, quer maior prova do que isso que eu não trabalho com academic suck up (ainda que por pura ignorância) e que, aqui nos EUA, mesmo os grandes acadêmicos que não precisam provar mais nada para ninguém ainda se importam com as formiguinhas operárias como eu?

Sensacional... (Vou aproveitar a high vibe pra trabalhar um pouco agora, antes de ir assistir à apresentação do Respectivo.)

Thursday, May 1, 2008

Our Spring is sweet not fleeting


Aqui na "América", dia do trabalho é na primeira segunda-feira de setembro. Nada de folga hoje. Mas aqui tem algum lance com May Day, que é um lance que eu ainda não entendi, mas tem a ver com bolinhos. Sim, bolinhos.

Cupcakes. Aqui vai uma pequena lição de ontologia. Depois de muito investigar (eu tenho essa coisa metafísico-ontológica e não me contento com "seguir minhas intuições" e continuar "tendo quase certeza" das coisas. Gosto de V ou F. Simples assim.), descobri que a real diferença entre um muffin e um cupcake é que cupcakes são mais doces e tem frosting (aka icing), que é aquela camada colorida e açucarada (e nojenta). Essa descoberta me fez notar uma coisa: eu nunca tinha comido um cupcake! Muffins, sim, é claro. Vários. Mas cupcakes, nunca. Eu era uma cupcake virgin (que, aliás, foi como o Respectivo se referiu a mim)!

Bom, a Sam e a Caitlin, que são as grandes bakers da faculdade se encarregaram de assar os bolinhos. O resto de nós se encarregou de comê-los. Nem quero saber quantas calorias tem em um maldito bolinho coberto de açúcar. Especialmente depois da conversa que tive com a Doris ontem à noite:

- Hi!!! [o "hi" da Doris é sempre meio hyper]
- Hey...
(pausa)
- So, you've still been going to the gym? [ela sempre me pergunta, sei lá por que motivo...]
- Yeah. Trying to. Everyday. Kinda. You?
- No...
- Has Amy been going? I think I saw her there a few times...
- Yeah. She's lost 15 pounds already...
- 15 pounds??? REALLY?! Wow! That's ... well, that's A WHOLE LOT of pounds.
- Yeah, I know... What about you?
- What about me?
- Have you lost any weight?
- Well, no... I mean, I don't weigh myself, but I don't think so. Not that I can tell, at least.
- So why do you keep going?

Hoje eu acordei, tomei três Dialene 4 e fui para a academia. Além da minha rotina diária de exercícios, corri (corri!) por mais 40 minutos. Sim, eu estava decidida a comer aqueles malditos bolinhos hoje à noite. E, sim, eles valeram cada minuto da minha corrida.

The girl next door

Uma breve confissão. É fato estabelecido (quem discordar, apanha! E vocês sabem que eu sou pequena, mas sou forte e não tenho medo de marmanjo!) que, no fundo, no fundo, eu sou uma pessoa boa. Mas, na superfície, às vezes (freqüentemente) eu sou uma pessoa meio má - e com um senso de humor deveras duvidoso. (O povo aqui me acha bem estranha - acho que eles têm medo das minhas piadas, à exceção de um carinha que estuda comigo, mas ele também é meio creepy. Enfim.).

Eu tenho essa vizinha, que mora no apartamento de cima do meu. Ela é uma garota judia boazinha, de Long Island. Com aquele sotaque irritante e tal. E ela é boazinha. Bem boazinha. E ela se chama Stacy. STACY!!!

Toda vez que eu a vejo - ou que alguém menciona a tal garota - eu me lembro daquela música do "Fountains of Wayne", Stacy's Mom, e penso "hmm..." e morro de rir por dentro. Para quem não entendeu, aí vai a letra:

Stacy's mom has got it goin' on / Stacy's mom has got it goin' on / Stacy's mom has got it goin' on / Stacy's mom has got it goin' on / Stacy, can I come over after school? (after school) / We can hang around by the pool (hang by the pool) / Did your mom get back from her business trip? (business trip) / Is she there, or is she trying to give me the slip? (give me the slip) / You know, I'm not the little boy that I used to be / I'm all grown up now, baby can't you see / Stacy's mom has got it goin' on / She's all I want and I've waited for so long / Stacy, can't you see you're just not the girl for me / I know it might be wrong but I'm in love with Stacy's mom / Stacy's mom has got it goin' on / Stacy's mom has got it goin' on / Stacy, do you remember when I mowed your lawn? (mowed your lawn) / Your mom came out with just a towel on (towel on) / I could tell she liked me from the way she stared (the way she stared) / And the way she said, "You missed a spot over there" (a spot over there) / And I know that you think it's just a fantasy / But since your dad walked out, your mom could use a guy like me / Stacy's mom has got it goin' on / She's all I want, and I've waited so long / Stacy, can't you see you're just not the girl for me / I know it might be wrong, but I'm in love with Stacy's mom / Stacy's mom has got it goin' on / She's all I want and I've waited for so long, / Stacy can't you see your just not the girl for me, / I know it might be wrong but oh oh (I know it might be wrong) / I'm in love with (Stacy's mom oh oh) (Stacys mom oh oh) / I'm in love with Stacy's mom.

Pronto, falei.
Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 3.0 Unported License