Tuesday, May 20, 2008

Get me away from here, I'm dying

Eu vou embora.

Não, não quero dizer que vou embora daqui de NY agora, nem nada. Estou descrevendo um hábito meu. De costume, eu vou embora. De onde quer que seja.

Viajar é bom. Para mim, acho que é algum lance equivalente à redenção, que eu geralmente não aceito. A coisa que eu mais gosto de fazer. Porque viajar é a essência última do "ir embora". E quantas vezes já não fui embora... já fugi para Montréal um sem-número de vezes, por outras fiz retiro pessoal (não espiritual, porque eu não acredito que possa haver espiritualidade na solidão, que me perdõem os monges e tal) em Berlim, me escondi em Londres, em Paris, em Amsterdã.

Finalmente, Nova York. O maior "ir embora" até hoje. Já dura nove meses. Mas "morar" em algum lugar não é bem ir embora. Porque estou aqui. Não fui a lugar nenhum (bem, fui viajar por uns dias e tal, mas voltei).

Não sei muito bem onde está a linha que divide um simples "viajar" de um "ir morar" em algum lugar. Um mês definitivamente é só uma viagem (e, portanto, é "ir embora"), e nove meses é "morar" (e já mostra sinais de estagnação). Mas entre um e nove meses há uma zona meio fuzzy, uma gray area que fica meio indefinida. Fato é que eu continuo querendo ir embora. Para qualquer lugar. Para sempre.

Ao mesmo tempo, não é fácil a despedida de Nova York, seja uma despedida preparada em sete ou em trezentos e sessenta e cinco dias. A contagem-regressiva de sete vem com aquela ansiedade de expectativa que faz a gente querer que os dias tenham menos horas. A contagem-regressiva dos 365, por outro lado, é aquela que parece meio errada, mas mais compatível com o desejo por dias mais longos. É como se a gente desejasse que os próximos sete dias tivessem apenas 4 horas cada, e os 358 seguintes tivessem 44.

A morte me preocupa um pouco com essa coisa do "ir embora". Se o Cristianismo estiver certo, eu estou fadada a ir para o inferno ("queime, infiel!"). E acho que faz parte do conceito de inferno que eles (quem quer que sejam) não me deixem ir embora de lá.

Ao comentar os últimos dois exemplos com o Respectivo, ele respondeu "I won't let you go." Não sei bem se ele estava falando de Nova York, ou do inferno, mas qualquer que tenha sido o sentido, o significado soou reconfortante.

1 comment:

Anonymous said...

When you hit Brazuca grounds don't forget to give me a ring.

Saimon guesses you know who the heck (can i say fuck? Too late, now) i am.

CHoCHo (portuguese version for american greetings)

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