Sunday, June 29, 2008

Wrecking ball

Algum dia em setembro passado (lá pelo dia 22, acho), quase que sem querer, eu aparentemente (ainda tenho lá minhas dúvidas, mas enfim) concordei em ir assistir a um jogo de futebol americano. Acho que a estratégia de convencimento envolveu um convite para almoçar antes do jogo e um desculpa para tomar cerveja às 2 da tarde de um sábado. Condições suficientes. Não me lembro exatamente do contexto do convite, nem do real motivo que me levou a aceitá-lo (além, obviamente, da comida e da bebida). Só sei que no sábado, por volta das 11h30, meu telefone tocou. Acertamos os detalhes do almoço e tentei me livrar do que seria minha primeira experiência com futebol americano alegando que tinha recebido um convite para jantar na casa do Chris U., e que meio que tinha que ir, porque foi um convite com um contexto mais estranho ainda: havia sido convidada para uma experiência dentro do mundo protestante.

Como o jantar era lá para as 6 da tarde, a desculpa não colou. Ia ter que ir assistir ao tal jogo. Almoço rápido no Tino’s. Um bom sanduíche (iche!) de peru, cuja metade que ficou incomida foi deixada na minha geladeira, a caminho do trem. Essa foi também a primeira vez que eu almocei com o Respectivo (bem antes de ele assumir o posto), e a primeira vez que ele entrou no meu apartamento, já que eu não pretendia carregar 15cm de sanduíche de peru Manhattan a dentro.

Trem até a Grand Central, caminhada até a E 38th e chegamos no prédio da Erin. Chegamos muito mais cedo que o programado (o trem, pasmem!, adiantou), e a Erin nos recebeu de toalha, recém-saída do banho. Ela se arrumou e pegamos um táxi até o Blondies, na Amsterdam com a 79th, um bar freqüentado principalmente por ex-alunos da Michigan State University.
O jogo a que tínhamos ido assistir era justamente da Michigan State. Contra quem? Não faço a menor idéia. Vou dar um google, depois faço um update.

Chegando lá, o bar estava lotado, não conseguimos sentar, mas tudo bem. Nesse dia, além da Erin, conheci o Ted, a Christie e conversei melhor com o Miraj, que eu já conhecia, mas com quem nunca tinha conversado muito.

Algumas cervejas depois, continuava sem entender absolutamente NADA do que estava acontecendo nos telões. Vinte e dois homens se atracando, supostamente correndo atrás de uma bola que sequer é redonda, e um esquadrão de 80 reservas (que depois descobri que não eram exatamente reservas, mas o resto do time: ataque e defesa, para o revezamento).

O que mais me incomodava eram os uniformes. Sinceramente: calças de lycra, pessoal? Homens não devem usar calças de lycra! E acho que ombreiras já estavam proibidas desde o início dos anos 90. Todos tentaram – inutilmente – me explicar o que acontecia no jogo. A cada explicação, eu só ficava mais confusa, frustrada e ligeiramente mais alcoolizada. Três cervejas depois - acho que a Michigan State estava perdendo - fui embora, porque tinha que voltar lá para Riverdale para ir ao jantar. Disse ao Respectivo que ele ainda teria mais três chances de me provar que futebol americano poderia ser minimamente interessante, apesar de o jogo durar de duas horas e meia até quatro (quatro!!) horas. Como eu às vezes cumpro o que prometo, fui ao Blondies mais umas três vezes.

Já consegui entender mais ou menos qual o objetivo da coisa e o que está acontecendo quando eu assisto a um lance, mas continuo inconformada com os uniformes. Entretanto, acho que já entendi porque o pessoal lá tem essa cultura de ir assistir aos jogos em bares: num país tão conservador, o povo precisa, sim, de uma desculpa para beber um pitcher de cerveja (embora cerveja americana, como já diria a sabedoria Monty Python, seja parecida com fazer sexo em uma canoa) às 10h da manhã.

Já que é assim, acho que dá para eu virar fã do joguinho, especialmente quando não preciso, de fato, prestar atenção no telão e posso ficar batendo papo com a Erin, rindo do Jim, que mantém meu bom humor garantindo que as Guinness não parem de chegar ao meu lado da mesa, ou simplesmente fazendo companhia para meu Respectivo, ex-linebacker.

Saturday, June 28, 2008

R.E.M.

Ironicamente, apesar da minha resistência ética a manipulações genéticas e uso de células tronco como se estas fossem salvar a humanidade e "curar" muito do que nos faz humanos (i.e., a morte) - com o perdão do heideggerianismo de banca de jornal - saindo do CDB da Avenida Brasil, desejei por uns breves momentos que o pessoal do prédio imediatamente ao lado, o Centro de Criogenia do Brasil, tivesse, de fato, tais poderes.

Acima, um período longo. Mas não me desculpo por ele. Porque períodos curtos são para autores de best-seller.

Wednesday, June 25, 2008

Jigsaw falling into place

As duas grandes nações católicas do mundo – Brasil e Itália – são também, ironicamente, dois dos países onde se vê mais claramente a aplicação dos conceitos de liberalismo econômico e político. Não por princípio, é claro, mas por pura falta de competência de seus governantes. Conseqüentemente, estes dois países, juntamente com o pseudo-Estado de Israel (este último que talvez per definitio não acredite em princípios legislativos) formam a tríade-ápice das pesquisas genéticas mundiais. Mais uma vez, isto não se dá por pura virtude de seus regentes, mas pela falta de regulamentação específica para tais projetos.

Visitei recentemente a exposição Revolução Genômica, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. A exposição, organizada e montada, entre outros, pelo American Museum of Natural History, que tem sede em Nova York, mostra os aspectos malignos e benignos de pesquisas com DNA, manipulação genética, clonagem e generalidades do tipo. É raro ver exposições tão bem montadas e explicativas como esta. Há muitas partes interativas, incluindo uma representação gigantesca do DNA de uma vespa, que vai sofrendo mutações conforme o visitante toca alguma de suas partes (ATCG).

Há também computadores, onde são registradas as opiniões dos visitantes sobre clonagem de embriões, manipulação genética de embriões humanos, animais e vegetais e afins. Após o visitante responder a cada pergunta, o computador mostra os percentuais de resposta acumulados até então. No primeiro computador, com perguntas a respeito da manipulação genética de humanos, as minhas respostas coincidiram com a da maioria: eu não utilizaria manipulação genética para alterar o sexo de meu filho, e também não me submeteria a tal procedimento em uma tentativa de torná-lo mais inteligente que as demais crianças. No segundo bloco de perguntas, no entanto, minhas respostas divergiram quase totalmente das maiorias. Não consumiria alimentos geneticamente modificados, ainda que eles supostamente garantissem maior nutrição, e não apoiaria pesquisas para manipular geneticamente os alimentos para que eles não fossem facilmente atacados por insetos.

Não sei se os resultados finais serão divulgados, ou se serão comparados com os obtidos em outros países. Fico curiosa para saber quais seriam os percentuais na Itália, nos EUA e naquela região que se convenciona chamar de Israel. Embora eu apóie veementemente a cause da Mayana Zatz, assim como ela, acho que todos deveriam ser informados dos problemas éticos (e não religiosos) teóricos e práticos que surgem com estas supostas maravilhas científicas. Mais uma vez, levanto minha bandeirinha contra a farsa que foi o Iluminismo (tanto para a sócio-política quanto para a ciência), e convido a todos que ainda não visitaram a exposição a fazê-lo - até o dia 13 de julho - para ver os dois lados da história, que são mostrados de maneira bem competente.

Não adianta sermos um dos países mais avançados do mundo em pesquisas genéticas se continuamos a agir como o Marquês de Pombal.

Saturday, June 21, 2008

Thursday, June 19, 2008

Belle & Sebastian (or my iron lung)

Estive recentemente no Museu Paulista da Universidade de São Paulo, aka museu do Ipiranga. Surpreendeu-me a quantidade de ferros de passar roupa de mil-novecentos-e-dom-pedro-primeiro em exposição.

Um país que ainda briga para poder dizer que nasceu aqui o inventor do avião agora tem que lidar com perguntas gringas do tipo "o avião, não sei se vocês inventaram, mas, a julgar pela quantidade de ferros de passar roupa expostos por aqui, não me recusaria a acreditar que vocês inventaram o ferro de passar roupa."

Acho que essa coisa que brasileiro (ou a maioria de nós) tem de querer estar sempre com a roupa bem passada, ao contrário dos ianques, que mal tiram as roupas da secadora e já as vestem, é uma herança meio genética, meio inconsciente-coletívica, herdada das obsessões da família real portuguesa.

Ave, Pedro!

Tuesday, June 17, 2008

If I sing you a lovesong


Como coisa de nerd é contagiosa, vai a capa da minha não-banda chamada Robert Desgabets, cujo não-álbum (cuja não-capa vocês vêem acima) é intitulado "Conformity to thy will".

Até a internet estar utilizável, I rest my case.

Friday, June 13, 2008

Stay (far away so close)

Vários dias sem postar. Vários dias torturantes com milhões de coisas para resolver e nada de acesso decente à internet. Consequentemente, muito tempo perdido e nada resolvido.

Sem maiores reclamações, só constato (mais uma vez) uma coisa: o Congo é longepracaralho.

Mais em breve. Talvez de alguma Starbucks que me ofereça wi-fi razoável, à la ianque-way.
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