Wednesday, June 25, 2008

Jigsaw falling into place

As duas grandes nações católicas do mundo – Brasil e Itália – são também, ironicamente, dois dos países onde se vê mais claramente a aplicação dos conceitos de liberalismo econômico e político. Não por princípio, é claro, mas por pura falta de competência de seus governantes. Conseqüentemente, estes dois países, juntamente com o pseudo-Estado de Israel (este último que talvez per definitio não acredite em princípios legislativos) formam a tríade-ápice das pesquisas genéticas mundiais. Mais uma vez, isto não se dá por pura virtude de seus regentes, mas pela falta de regulamentação específica para tais projetos.

Visitei recentemente a exposição Revolução Genômica, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. A exposição, organizada e montada, entre outros, pelo American Museum of Natural History, que tem sede em Nova York, mostra os aspectos malignos e benignos de pesquisas com DNA, manipulação genética, clonagem e generalidades do tipo. É raro ver exposições tão bem montadas e explicativas como esta. Há muitas partes interativas, incluindo uma representação gigantesca do DNA de uma vespa, que vai sofrendo mutações conforme o visitante toca alguma de suas partes (ATCG).

Há também computadores, onde são registradas as opiniões dos visitantes sobre clonagem de embriões, manipulação genética de embriões humanos, animais e vegetais e afins. Após o visitante responder a cada pergunta, o computador mostra os percentuais de resposta acumulados até então. No primeiro computador, com perguntas a respeito da manipulação genética de humanos, as minhas respostas coincidiram com a da maioria: eu não utilizaria manipulação genética para alterar o sexo de meu filho, e também não me submeteria a tal procedimento em uma tentativa de torná-lo mais inteligente que as demais crianças. No segundo bloco de perguntas, no entanto, minhas respostas divergiram quase totalmente das maiorias. Não consumiria alimentos geneticamente modificados, ainda que eles supostamente garantissem maior nutrição, e não apoiaria pesquisas para manipular geneticamente os alimentos para que eles não fossem facilmente atacados por insetos.

Não sei se os resultados finais serão divulgados, ou se serão comparados com os obtidos em outros países. Fico curiosa para saber quais seriam os percentuais na Itália, nos EUA e naquela região que se convenciona chamar de Israel. Embora eu apóie veementemente a cause da Mayana Zatz, assim como ela, acho que todos deveriam ser informados dos problemas éticos (e não religiosos) teóricos e práticos que surgem com estas supostas maravilhas científicas. Mais uma vez, levanto minha bandeirinha contra a farsa que foi o Iluminismo (tanto para a sócio-política quanto para a ciência), e convido a todos que ainda não visitaram a exposição a fazê-lo - até o dia 13 de julho - para ver os dois lados da história, que são mostrados de maneira bem competente.

Não adianta sermos um dos países mais avançados do mundo em pesquisas genéticas se continuamos a agir como o Marquês de Pombal.

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