Thursday, July 10, 2008

Dead poets society (or, put the book back on the shelf)

Que me desculpem os poetas e defensores de Rimbaud em geral, mas poesia é um saco. Não que eu não goste de poesia, pois acho que há grandes virtudes em Gide, Drummond e Yeats, mas a poesia é válvula de escape de maluco.
Na última noite (de verdade) da FLIP, durante a premiação da Off Flip, já estava ficando irritada com os poetas, que "fazem da vida poesia" (ah, pessoal! Vamos arrumar outra coisa de que fazer poesia, faz favor!). Das mais baratas possíveis. Saindo de lá, durante uma peregrinação em busca de um bar em Paraty que se dispusesse a servir alguns anônimos, escritores e aspirantes a escritores acompanhados de Marcelino Freire, fomos parar no Lado B, que, sim, é um bar.
E eis que lá começa um lance de declamações de poesia. O primeiro declama um poema de Drummond. O segundo, Pessoa. Até aí, tudo vai razoavelmente mal. Até que uma moça (moca, não – senhorinha!) resolve ler um poema de autoria própria. Uma coisa que tinha liberdade e borboleta. E ela começou a atuar a liberdade e a borboleta. Depois, vem um repentista meio rapper, rimando todas as palavras terminadas em “ão” que conhecia. Dor. Uma dor que não rima com amor, nem com mais porcaria nenhuma. Uma dor no fundo dos tímpanos, só. Daquela que dá desgosto e causa refluxo de qualquer caipirinha de abacaxi feita com a paratiense favorita do Xico Sá, Maria Izabel.

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