Tuesday, July 15, 2008

La Bohème (or, September shirt)


Sexta-feira, 21 de setembro de 2007. O Yom Kipur começou ao pôr-do-sol. E eu, na Torre de Marfim jesuíta, não tive minha aula de Teorias Morais Medievais Tardias. Não por causa do Yom Kippur, é óbvio. Mas a coincidência foi engraçada.

Bom, como o Derek havia sugerido algumas semanas antes, fomos ao Lincoln Center assistir à ópera La Bohème. Foi toda uma galera: além das minhas roommates, várias outras pessoas que moram no meu prédio.

Nos arrumamos e saímos, todos devidamente vestidos para a ópera. Me muni de saia e salto alto. A Mahlika foi de vestido longo. O Chris, de calça social e camisa. NY não chega a ser Paris, mas depois das 19h convem estar decentemente vestido.

Primeira parada, Brooklyn Diner, para jantarmos. É lá que tem um cachorro-quente gigantesco, e, apesar de lotado, vale a visita. É um diner nova-iorquino comum, só que com aparência mais limpinha e esperas enormes, dependendo do dia e horário. Para os turistas, vale a pena.

Saindo de lá, andamos poucos metros e chegamos no Lincoln Center, onde encontramos a Mariana e a Doris, que estavam trazendo os ingressos. A Mariana também estava toda arrumada. A Doris, como eu temia, de bermuda, t-shirt e chinelos.

Quando a Mahlika e eu saímos de casa, a Doris nos olhou, disse que estávamos muito elegantes (que a Mahlika parecia uma estrela de Hollywood), e perguntou se precisaria se arrumar para ir à ópera, porque achava que iria de bermuda e camiseta. A Mahlika disse que as pessoas geralmente se arrumam para ir à ópera, sim. Eu completei (grande erro!), dizendo que ela não precisava se arrumar, mas que seria legal, porque é assim que as pessoas fazem.

Achei que com esses comentários e nos vendo sair de casa com maquiagem e salto alto, o bom senso ia bater e ela ia se arrumar. Como todas as sutilezas em relação à Doris, o carregamento de informações multimídia que demos a ela não fizeram o menor efeito. E lá fomos nós à ópera, acompanhados da chinesinha com um look hobo acidental.

Como somos pobres grad students, compramos aqueles assentos com partial view. Depois do primeiro ato, conseguimos mudar para o primeiro andar, onde ainda havia alguns (poucos) assentos vazios, e ficamos muito melhor acomodados.

La Bohème não é das minhas óperas preferidas, apesar de ser muito melhor que sua versão hardcore e tosca contemporânea, Rent. O terceiro e penúltimo ato ainda é o melhor (apesar de, a essas horas, eu já não estar em um estado de total consciência). Ao final do quarto ato, eu já não me aguentava de sono. Também, já eram quase umas 23h, acho.

Pegamos a van da faculdade de volta para casa. Eu, exausta, e com um sábado de trabalho acadêmico (que não rolou por conta do convite que recebi para ir assistir a um jogo de futebol) pela frente.

Looking on the bright side: confirmei que, de fato, prefiro ir assistir a concertos que a óperas (ballets, jamais!), e aprendi que, da próxima vez que quiser fazer a Doris entender algo, é bom que eu seja clara e incisiva.

(a foto é do Brooklyn Diner já no inverno, em dezembro ou janeiro, quando eu voltei lá com meus pais, num frio congelante. )

Um P.S. de alcance pequeno: É claro que, para completar a ironia, apesar de eu mesma não ter comido o hot dog, estava usando sapatos e bolsa de couro.

No comments:

Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 3.0 Unported License