Saturday, July 26, 2008

They ask me where the hell I'm going at a thousand feet per second

A gente sai de férias e se esquece de que vive em uma área ultra-turística de uma cidade que por si só já é turística. Dá nisso. Cheguei de volta a NYC cedinho; o vôo (que agora não vai mais ter acento; ou vai?) até adiantou. Demorado foi na imigração: com a minha sorte, na fila em que eu fiquei teve gente com problema de formulário, gente muuuito enrolada e 2 velhinas em cadeira de rodas. Só faltou o terrorista iraniano. Mas esse, me disseram, está em falta nessa épocas do ano. Depois de uma hora e meia, finalmente indicador esquerdo, indicador direito, foto, carimbo, F-1, I-94, carimba, carimba, grampeia.

As malas ficaram lá, quase abandonadas, já fora da esteira. Quase as últimas, me esperando. Táxi em uma NY de férias num sábado: rápido. Ufa!

Chegando no meu apartamento, aquele tal de desfaz mala, rearruma mala, faz mala, carrega mala, guarda, guarda, guarda, dobra, põe pra lavar etc. Aí, eventualmente bate a fome. O bom é que na minha rua (que nem é tão grande) tem uns 3634829 restaurantes e padarias. Ótimo, penso. Vou descer, comprar uma escova de cabelo (já que esqueci a minha no Brasil) e aproveito e passo para comprar um pão e umas coisinhas pra comer. Depois de 2 meses fora, a geladeira estava vazia, afinal. Ou melhor: estava cheia, mas nada do que está lá dentro é meu.

Só que é verão. Em NY. Na Little Italy in the Bronx. Em um sábado. Próximo à hora do almoço.

Quando pus o pé pra fora, não sabia se o que me sufocava mais era o ar quente ou a multidão-com-cara-de-turistas-do-Connecticut. A rua estava apinhada! Comprar uma focaccia, o que, no resto do ano, é mais-um-ato-corriqueiro-de-uma-Aline-com-fome, hoje foi um suplício. Tudo bem que as coisas aqui são, de fato, muito boas. Mas parcimônia, pessoal!

As pessoas compravam pães e queijos e biscoitinhos e café e azeite, muito azeite, tonéis de azeite (como se as azeitonas - ou os países mediterrâneos - tivessem entrado em extinção assim, de repente). Comprando comidinhas como se o dia do Juízo fosse chegar e elas fossem fazer a última ceia hoje, na Itália.

Tem horas que eu quase entendo os parisieses e sua turistofobia: quando você só quer fazer o que faz todo dia e tem um palhaço bêbado de azeite parado no meio da rua tentando tirar uma foto de uma loja de US$1,99 (como se não existissem outras no mundo) enquanto equilibra três arrobas de queijo parmesão e com poros exalando mascarpone, dá vontade de mandar o cara pro inferno. "Eu só moro aqui e preciso chegar até ali para comprar uma droga de escova de cabelo! Dá licença!!!!!"

Talvez eu entenda isso nos parisienses, sim. Mas eu não sou nova-iorquina. Então, deixa pra lá. Logo isso passa. E o que me consola é saber que em Paris isso nunca passa. Bom pra mim. Em todos os sentidos.

2 comments:

C.Dias said...

Wow! I guess there's really no place like home, hu? ;-)

AdrenAline said...

Tell me about it! Ainda bem que já fui embora... por algumas semanas.

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