Thursday, August 28, 2008

A century of fakers (or, me trying to be Lance Armstrong minus the balls. Oh, wait!)

Para quem está achando estranha a foto aí ao lado, eu explico: nas férias, na minha estada no Michigan, viajamos bastante. Um lugar feio que visitamos foi Detroit. Um lugar bonito foi Mackinac Island, que é uma ilha que fica no lago Huron (ums dos 5 grandes lagos, lembram?) entre a Upper e a Lower Peninsula de Michigan.

A ilha é minúscula, mas muito bonita, com várias construções de arquitetura vitoriana. Só que lá não são permitidos carros (= minha idéia do inferno). Apenas cavalos e bicicletas. Então, como fazem todos os turistas na ilha, planejamos alugar bicicletas. Ok. Só que a special ed aqui não sabe andar de bicicleta. E aí, como faz?

Como vocês vêem na foto, tem jeito pra tudo nos EUA. Respirei fundo e resolvi aproveitar as horas a pé que me restavam. Depois de pegarmos o Ferry Boat (catamarã, na verdade, acho) até a ilha, almoçarmos e darmos uma volta a pé (visitamos o forte e tal), chegou o meu momento de agonia: alugar bicicletas e pedalar por todo o perímetro da ilha (i.e. 4 milhas = 6,44 km!).


A mãe, o pai e a irmã do Respectivo alugaram super-bicicletas de 3 marchas e sei-lá-o-quê. O Respectivo foi legal o suficiente para passar vergonha comigo em uma tandem bike. Aquelas bicicletas para dois, sabem? Pois é, pessoal... pois é.

Em minha defesa, eu não trabalho com bicicletas porque... bem, porque eu só trabalho com carros. Sei até consertar um, se precisar. Qualquer coisa que tenha uma quantidade de rodas que me dê estabilidade parada ou em movimento eu aceito. Duas rodas fininhas, não! Bicicleta não é essencial na vida de ninguém. Como eu tenho um par de pernas e pés que me servem razoavelmente bem (têm aguentado as 3 milhas de corrida diárias), posso chegar onde eu quero sem uma bicicleta. E, se o lugar aonde eu vou é suficientemente longe para os meus joelhos levemente tortos não aguentarem... bem, é pra isso que existe carro.

Ninguém foge de um roubo a banco de bicicleta; faz uma perseguição policial de bicicleta (a não ser na China, talvez; mas a China não conta, porque eles vivem de cabeça pra baixo, mesmo!). Já viram a vida de alguém depender de uma bicicleta? Nadar sim é importante! - E isso eu sei fazer, by the way (antes que perguntem...). - Vai que você está em um barco e ele afunda, sei lá eu...

Fato é que pedalamos as tais quatro milhas inteiras, coordenando cada girada de pernas. Eu, obviamente, morrendo de medo de cair da bicicleta e morrer. Morrer! Sim, eu sei que é surreal, já que o máximo que poderia acontecer (e isso na pior das hipóteses) era eu cair da bicicleta e ser atropelada por um cavalo em fúria. Mas acho que tenho bicicletofobia, i.e. medo irracional de bicicletas. Segurei tão forte no guidão (como se isso fosse me impedir de cair! Ha!), que depois de uma hora pedalando, meus dedos quase se separaram da palma da minha mão.

Mas o importante é que eu sobrevivi! E que agora posso dizer que já andei de bicicleta de verdade (a minha última vez tinha sido em uma bicicleta com rodinhas, quando eu tinha uns 5 ou 6 anos, acho).

Ah, e a ilha? É muito bonita. Muito bonita mesmo, embora eu não tenha reparado muito na paisagem enquanto pedalava, pra garantir que eu não ia cair e - consequência óbvia - morrer! Mas se você for um destemido ciclista e estiver perto dos grandes lagos, passe em Mackinac Island, coma na Yankee Rebel Tavern, que tem uma ótima Walnut Summer Salad e um potato leek chowder beeem competente. Para uma comida incomparável, a parada obrigatória é o Village Inn, onde ninguém pode deixar de experimentar o planked whitefish, prato-assinatura do lugar, embora aparentemente tudo o que saia da cozinha lá seja excelente. Não à toa, é o melhor resturante da cidade.

E se você não tiver medo de passar vergonha similar à minha com a bicicleta, aproveite e compre fudge no Murdick's - e não no Ryba's, como as pessoas insistem em recomendar. E não ligue para as pessoas que vão te chamar, pejorativamente, de fudgie. É menos pior que não saber andar de bicicleta. Eu prometo!

There was nothing to fear and nothing to doubt


Para quem, por um minuto sequer, achou que passar as férias em Michigan seria meio monótono, a prova contrária. Depois de uma trilha não muito longa (uma milha ou uma milha e meia) em Glen Arbor (parte do Leelanau County, que, aliás, tem um dos melhores queijos do mundo!), chega-se a esse lugar aí da foto acima: Pyramid Point. Speaks for itself.

Wednesday, August 27, 2008

If it looks like it works and it feels like it works, then it works (or, it's the second September I have known you)

Na semana que vem as aulas recomeçam aqui na faculdade. Isso significa que durante toda essa semana há sessões de orientação para os novos pós-graduandos, o que significa que eu, que agora sou parte do conselho da associação de pós-graduandos, tive que trabalhar um monte. Um monte, não. Tive que trabalharpracaralho. Mas tudo bem. Porque a gente sente que vale a pena, e eu sei que o ano passado, quando eu estava no lugar dessa galerinha nova, esses 3 dias hardcore foram bastante importantes para eu me situar aqui em NY.

Exatamente um ano atrás foi a minha vez de estar na orientação como newbie. Aparentemente, as pessoas por aqui vêm se apresentar e tentar ser legais, o que torna tudo um pouco menos desconfortável. Quer dizer, às vezes. A primeira pessoa que veio falar comigo foi um carinha de boné, que era do Maine, e que, mal se apresentou, descambou a falar sobre NY non-stop. O cara era uma máquina de facts & figures sobre NYC. Falou, falou, falou. Mal me deixou tempo pra processar toda aquela besteirada. De repente, depois que tinha vomitado todo aquele combinado nonsense, encerrou: "Bom, legal. Prazer te conhecer. Agora eu vou embora para falar com outras pessoas." (Ok, freak!)

Depois dessa, pensei: é, acho que ninguém, de fato, sai por aí puxando papo. Aquele cara é que era maluco. Mas aí, vem um outro, bonitinho, até, apesar de bem baixinho. Estudante de economia, acho. Ou administração. Não sei, mas era alguma coisa em uma área burocrática. Esse foi mais normal. Fez as perguntas corriqueiras e deu tempo de eu responder e retribuir a pergunta, como em uma conversa de verdade. Legal, pensei. Acho que eu posso simplesmente me apresentar para as pessoas, então, sem parecer um ser de outro planeta.

Na sessão seguinte, apresentaram os representantes de cada departamento. Vi quem era o representante do meu departamento e tentei gravar o rosto dele, para depois poder fazer perguntas. Como sou horrivelmente míope e astigmata, mesmo com lentes de contato percebi que não ia rolar. Preferi gravar as roupas. Aliás, fazia tempo que não via um estudante de filosofia bem vestido (com exceção do meu MOD-Squad). Resolvi que, já que eu tinha perguntas, era minha vez de abordar alguém. Decidi que ele seria a primeira pessoa a quem eu iria me apresentar. Antes de me dar tempo de pensar duas vezes, fui direto falar com ele, no maior American style (uma coisa meio psicótica, meio Carl Sagan):

-
Hi!!! You're the Philosophy rep. right?!
- Huh?
- You're the Philosophy... representative...?
- Oh, yeah. Yes, that's me.
- Hi. I'm Aline. I'm new in the program. I'm a new, you know, Philosophy student.
- Ehleen? ...
- Yeah, here, it's on the name tag: A-L-I-N-E. "Ah-lee-nee."
- Eh-lee-nee. Did I get it right?
- Yeah. I mean, I don't really care...
- Oh, well. Cool. Nice to meet you, by the way. I'm --
- Yeah. I know who you are. They introduced you earlier. That's why I came to talk to you. Nice meeting you too.
- "Aline Ramos", ay? And where are you from?
- Brazil.
- Huh! Brazil... Wow. Where in Brazil?
- Rio, originally. But I always lived in Sao Paulo.
- Uh-huh... And where did you go for undergrad?
- Sorry?
- Did you go to college in the States?
- Oh, no. I went to the Catholic University in Sao Paulo.
- Really? Well, your English is pretty good!
- ...
- I mean you have no accent at all...
- ...Thank you, I --

E a conversa foi interrompida por uma mocinha que chegou cumprimentando ele, perguntando como tinha sido as férias e perguntando se ele tinha arrumado alguma namorada durante o verão e coisas pessoais do tipo. Aí, fui para o outro lado, procurando outras pessoas com quem puxar papo. Mas esse diálogo ali, de menos de um minuto, estranhamente foi a minha primeira tentativa de contato randômico com alguém aqui da faculdade e também minha primeira conversa com o Respectivo.

Monday, August 25, 2008

Easy talkin', border blockin', transport is arranged

Sexta-feira eu tinha mais um dia inteiro - e sem minha companhia original - para aproveitar passar em Houston. Acordei relativamente cedo e resolvi ir dar uma volta. Fui até a recepção e perguntei para a mocinha se tinha alguma atração turística, shopping ou coisa do gênero que ficasse a walking distance do hotel. Ela disse que não; para qualquer coisa eu precisaria de um carro. Ok.

E ônibus?, perguntei. Tem algum que vai para perto da Kirby ou Westheimer? Ela me olhou com a maior cara de assombração:
- Não... não tem ônibus aqui em Houston. Quer dizer, tem. Mas só na parte sul da cidade. Você precisa de um carro.

Great! Resolvi pegar um táxi e ir fazer alguma coisa da vida. Novamente, é difícil tomar alguma decisão sábia quando está fazendo 37 graus e a umidade está em torno de 80%. Pensei em ir ao parque correr, mas logo (e felizmente) me dei conta de que o clima não estava nada favorável para esse tipo de atividade. Acabei indo ao Memorial Mall para ao menos andar no ar condicionado, almoçar etc.

À tarde a prima do Respectivo foi me buscar e, depois de fazermos umas coisinhas aqui e ali, fomos ao Keneally's Pub com o namorado dela, porque ele ficou sabendo que eu gosto de Guinness e queria me levar a um lugar onde ela bem tirada, com o trevo na espuma e tudo.

Depois de lá, encontramos mais algumas pessoas e fomos jantar em um ótimo restaurante mexicano tex-mex, Cyclone Anaya (Midtown). O restaurante estava lotado: havia uma espera de 45 minutos. Então, fomos ao bar beber alguma coisa enquanto esperávamos. Apesar do barulho absurdo (muita gente esperando e falando alto), a minha Margarita estava muito boa.

Apesar de a espera ter durado MUITO mais de 45 minutos (que tal... uma hora e meia?!), valeu muito a pena. Comi um prato de enchilada sensacional. E o ambiente é bem legal, apesar do barulho excessivo. Não é um restaurante caro, apesar de ser um dos mais agitados da cidade. Foi certamente uma das coisas que mais valeu a pena por lá!

De lá, andamos um quarteirão e fomos ao Komodo's Pub. A essa altura, já por volta das 23h., eu já estava tão cansada que nem bebi nada. Uma hora depois, estava pronta para voltar para o hotel, para tentar dormir para madrugar no dia seguinte, para poder pegar o vôo de volta a NYC. Chamamos um táxi. Alguns minutos se passaram e nem sinal do amarelinho. Resolvi que ia simplesmente acenar e pegar um táxi qualquer, na rua. As pessoas me olharam com um espanto surreal: "mas não se faz isso aqui em Houston. Você telefona e chama um táxi. Ninguém pega táxi na rua."

Mas eu estava disposta a encarar o desafio. Afinal, se eu consigo pegar táxi em NY, consigo pegar em qualquer lugar. Caminho decidida para um lugar mais movimentado e... tah-dah! Em menos de um minuto, estou dentro de um carro sendo levada para o hotel. Algumas fortunas depois e eu finalmente estava vendo o conforto de uma cama, embora fosse por pouco tempo, já que o shuttle viria me buscar, no dia seguinte, às 5h20 (da manhã! Sim!) para me levar ao aeroporto para eu finalmente voltar à civilização, i.e. um lugar onde há pedestres, que tem transporte público (aka trem e metrô, porque eu não pego ônibus, simplesmente!) e onde (com um pouco muito esforço) se pega táxi (barato!) na rua a qualquer hora/local.

Se tivesse que escolher entre essa facilidade de transporte e aquela comida tex-mex maravilhosa... Bom, é um no-brainer: minha escolha foi feita há um ano. E sem arrependimentos. Com um restaurante mexicano autêntico bem pertinho - walking distance, thank God!

This day will be the damnedest day (but don't despair)

A prima do Respectivo foi me buscar no hotel para irmos ao Armadillo Palace em Houston. Não, o linque não está aí de enfeite! Clique no linque e veja o naipe do estabelecimento! Porque, se eu só relatar, você não vai acreditar!
Uma coisa que eu achava que era lenda/estereótipo, mas que é verdade: as pessoas usam botas no Texas! Botas! Cowboy boots! No verão! Quando está fazendo 36 graus à meia-noite!!! E elas se vestem de um jeito engraçado. E falam muito mais engraçado ainda. Não é coisa de filme. Juro!

Conheci várias pessoas, vários amigos do namorado-da-prima-do-Respectivo. E ele também me recomendou algumas cervejas texanas, que foi o que valeu a minha noite: tomei uma Shiner Bock e uma Lone Star. A Lone Star é razoável, mas a Shiner é bem boa. Mesmo!

Depois, um dos amigos do namorado-da-prima-do-Respectivo me convidou para dançar. Alguém consegue imaginar essa Aline aqui two-stepping? Pois é. Nem eu. Ainda mais com o meu já-famoso gingado de Florian Schneider/Blue Man Group. A tentativa foi obviamente fracassada logo de início.

Logo depois disso, esticamos para um bar-hopping e fomos ao Mugsy's, que é um bar que tem mais o meu estilo, onde conheci mais amigos do namorado-da-prima-do-Respectivo, inclusive uns caras que tinham morado no Brasil e que era super-fãs de capoeira (e ficaram fazendo passinhos - capoeira tem passos? ou movimentos? bom, enfim, you get my point! - a noite toda). Foi engraçado. Especialmente porque eles tinha claramente mais "ginga" (que, aliás, é uma palavra horrorosa!) que eu.

Às 2h00 da manhã, os bares fecham (!!) no Texas, então, era hora de voltar pra casa. Para o hotel, no caso. Depois de uma eterna corrida no táxi (que me deixou alguns muitos dólares mais pobre) cheguei no hotal para finalmente poder recuperar o sono, já que já estava acordada há quase 24h!

E ainda sem saber o que eu ia fazer no meu segundo dia na cowboy-land...

Sunday, August 24, 2008

Houston, we have a problem (or, citywide rodeo)

Bom, depois de toda a aventura para deixar NY e chegar a Houston, o que deu um total de umas 10 horas (desde o momento em que deixei meu apartamento até chegar no aeroporto de Houston), peguei um shuttle para ir à University of St. Thomas, onde fui encontrar com minha amiga.

Como cheguei lá um pouco cedo, dei uma volta antes de me encontrar com ela, mas como o calor estava insuportável - 36 graus com umidade altíssima - resolvi esperá-la lá no curso mesmo. Depois que a aula dela terminou, fomos dar uma volta. Ou melhor, íamos dar uma volta. Porque de repente, o céu ficou preto e vimos que ia começar a chover loucamente (em parte, o normal para essa época do ano em Houston, e em parte por efeito colateral da tempestade tropical Fay). Fomos até a Starbucks mais próxima para pensarmos (no seco) aonde poderíamos ir.

Só que a chuva torrencial não dava nenhum sinal de que ia parar em breve, o que nos fez decidir (depois de eu comprar um guarda-chuva que não serviria de nada, já que as ruas viraram um rio e a chuva vinha de todas as direções) que iríamos ao Galleria, passar o tempo e comer por lá (porque já eram 17h30 anyway). Pedimos informação sobre ônibus e pegamos o 82-Westheimer até lá. Tudo o que eu queria: viajar horas e horas para ir a um shopping gigantesco! Ugh! Mas o clima não estava permitindo nada melhor. Demos uma voltinha, jantamos e minha amiga resolveu que ia embora, porque estava com medo de não conseguir voltar pra casa depois que escurecesse. Tudo bem. Até amanhã!

Só que... "amanhã" não ia rolar. Porque aí ela me falou que iria viajar no dia seguinte. Iria para San Antonio com o pessoal com quem estava hospedada. Genial! Tinha mais um dia inteiro em Houston - que eu tinha planejado passar com ela - para fazer... porra nenhuma, já que Houston é uma das cidades mais sem-graça do mundo. Especialmente se você está sem carro.

Ai, Jesus...

Mas como eu sou uma pessoa de sorte (ainda que essa sorte seja bem relativa), o Respectivo tem uma prima que mora em Dallas e, incrível coincidência, foi passar uns dias em Houston com o namorado justamente quando eu estava lá.

Ela me ligou e combinamos de sair. Eram umas 19h30 e eu sequer tinha ido ao hotel. Tinha ido do aeroporto direto para a escola em que minha amiga estava. Agora - finalmente! - era hora de ir ao hotel, largar a bagagem, tomar um banho e ir aproveitar a noite texana. "Aproveitar a noite texana" é uma expressão fala por si só, mas como eu tenho espírito esportivo, vou detalhar a experiência. No próximo post.

Saturday, August 23, 2008

Fly like an eagle (or, why no one should fly in the summer)

A idéia genial de ir passar uns dias em Houston (Texas) merece muitos detalhes. Como a aventura toda (apesar de ter durado apenas dois dias) rendeu muito momentos surreais, vou contar tudo em fases. Neste post dividido em partes (para preservar a fidedignidade da ordem cronológica e não cansar o pobre que resolveu parar pra ler esse monte de besteira), a minha aventura aeropórtica.

Parte 1: Bronx - LaGuardia

Meu vôo estava marcado para as 7h40, o que significa que eu tive que sair de casa de madrugada, para pegar o BX12. Sem problemas. Às 5h21, quando o ônibus chega, percebo que NENHUM dos meu metrocards tem crédito. E não tem nenhum lugar que venda um metrocard às 5h20 da manhã no bronx, como vocês podem supor. Tudo bem; é só pagar com dinheiro. 2 dólares. Obviamente, eu tinha US$ 1,90 em moedas. E só! E a máquina do ônibus não aceita notas. Genial! Comecei bem!

Por sorte, tinha uma nota de US$ 1 e fui mendigando no ônibus pra ver se alguém poderia trocar a nota por moedas. Depois da falta de boa vontade dos cidadãos ilegais do Bronx, uma moça finalmente me ofereceu 4 quarters em troca da nota. Ok. Paguei. Depois de saltar do ônibus, pegar o metrô até o Harlem (125th St.) e, de lá, o M60 até o LaGuardia, passei logo pela segurança e fui até o portão de embarque. Vôo na hora, uma maravilha. Parecia que a coisa estava melhorando...


Parte 2: LGA - DFW


A primeira parte do trajeto era NY-Dallas. Meu assento era de letra E, ou seja, aquele que em um conjunto de três, fica bem no meio, geralmente entre dois americanos obesos. E viva!

Por sorte, apenas a senhora à minha esquerda era meio obesa. A da direita era relativamente normal. Ok, ok... Só que é verão nos EUA: férias e tal. Ou seja: o avião estava cheio de crianças. Atrás de mim, um bebê, uma criança, sei lá - um filhote de idade indeterminada - começa a bater loucamente na mesinha que, by chance, ficava logo atrás da minha cabeça. E eu ignorando e tentando dormir. Até que o filhote ficou em pé no colo da mãe e começou a puxar o meu cabelo e gritar, e bater no raio da mesinha.

Eu odeio crianças - e filhotes em geral - , mas estava com tanto sono que não tive forças para tentar quebrar o pescocinho da criatura. Só que a mulher à minha direita ficou puta e mandou a criança parar. O que, obviamente, não surtiu efeito nenhum. Tentei dormir, ler meu livro, relaxar... tudo sem sucesso, porque o filhote não ia sossegar tão cedo.

Vieram servir as bebidas. A semi-obesa à minha esquerda pediu um V8, duas garrafinhas de gin e sacou um limão (um limão!!!) e uma faquinha de plástico (óbvio!) da bagagem de mão. E fez um bloody Mary! Não estou brincando. Ela tomou duas doses de bloody Mary! Às 8h30 da manhã! Já vi que esse vôo ia ser longo...

Em um dado momento, a outra mulher, à minha direita, começou a puxar papo comigo. Ela, que é fotógrafa para alguma dessas revistas de decoração, também estava indo para Houston, mas para um velório. Era a morte trágica que estavam anunciando nos noticiários: uma família que estava em um jato particular que foi pego de surpresa por uma tempestade de neve no Colorado e que, depois de ficar desaparecida por alguns dias, foi encontrada por um hiker. Era um velório para quatro pessoas. Ótimo assunto para uma viagem de avião, apesar de eu não ter medo de voar. Pelo menos o motivo da minha viagem era muito melhor: estava indo visitar minha amiga de infância, que está passando o mês em Houston estudando inglês.

É claro que quando o avião estava para pousar, o filhote atrás de mim pegou no sono. Mas já era tarde demais para eu tentar dormir. O lance era aguentar pelo menos até o próximo vôo.


Parte 3: DFW - HOU

Uma horinha no aeroporto de Dallas. Fui comer alguma coisa rápida e fui logo para o portão de embarque.

Deveríamos embarcar às 11:25. Mas eram 11h30 e nada. O vôo ia atrasar. Ficou adiado para as 12h30. Até aí, normal. Aí, eis que vem uma pessoa da American Airlines/American Eagle e anuncia no microfonito: "O vôo para Houston terá um atraso. Embarcaremos em breve e devemos decolar em torno de 12h53. Como há um problema no lavatório da aeronave e ele não está funcionando, pedimos aos passageiros que usem os toaletes do aeroporto, pois não poderão usar o da aeronave." What the fuck, pessoal?!

Quê mais agora? Além de a gente não poder mais fazer check-in de mala e de não haver mais refeições a bordo, nem xixi mais pode? Daqui a pouco, vão fazer esquema de banheiro europeu nos aviões: pode ir, mas tem que pagar. "Em caso de necessidades fisiológicas, queira solicitar a ajuda do pessoal de bordo. O uso do lavatório custa 2 dólares e lembramos que aceitamos American Express e todos os principais cartões de crédito. Em caso de pagamento em dinheiro, pedimos a gentileza de facilitar o troco." Que tal?

Tuesday, August 19, 2008

Die and you'll be free


Nessa coisa de super-verão americano, acabou que nem comentei nada sobre os filmes a que eu assisti no início de agosto, no Traverse City Film Festival, exceto o Woody Allen da noite de abertura.

Vou tentar compensar rapidamente agora. No sábado, 02 de agosto, assiti ao sueco Låt den rätte komma in (Let the right one in, em inglês), um dos filmes suecos mais premiados dos últimos tempos, apesar de ser - pasmem! - um filme de terror. Na verdade, terror não é bem o gênero certo. Eu chamaria de "cute horror", porque o filme é bonitinho e tem um enredo bem interessante. Tem-se comentado por aí que é um dos melhores filmes de vampiro ever. Não sei se é pra tanto. Também não entendo nada sobre filmes de vampiro, então, sei lá, basicamente. Valeu a pena ter assistido, anyway. E pelo menos deu pra praticar um pouquinho meu sueco, que já anda pra lá de enferrujado (se não morto de vez).

No domingo, dia 03, vi dois filmes. O que eu mais esperava, o iraniano Buda as sharm foru rikht (Buddha collapsed out of shame, em inglês) filmado no Afeganistão e dirigido por Hana Makhmalbaf, que é filha do ótimo Mohsen Makhmalbaf (aquele que dirigiu Gabbeh, A maçã, e O Grito das Formigas). Nem precisaria comentar o que achei do filme, pois já deve ter ficado óbvia minha paixão pela família Makhmalbaf, mas é quase um dever moral eu dizer que o filme acaba com a espetacular frase "Die and you'll be free." Não vou falar mais nada. Assistam ao filme.

À noite foi a vez do dinamarquês Vikaren (The Substitute, em inglês), que, além de recomendadíssimo pelo Michael Moore, tinha no cast um dos meus atores favoritos: Ulrich Thomsen. Nada tão excepcional, embora tenha me dado uma prova de que os dinamarqueses também sabem fazer blockbusters hollywoodianos com aliens. Só que melhor que Hollywood. Óbvio.

O saldo final do TCFF não foi lá dos melhores: não assisti a nenhum filme que tenha chamado tanto a atenção. Mas é daquelas coisas: se eu não tivesse ido, teria ficado achando que perdi filmes fenomenais. Deu para pelo menos me atualizar sobre o que está rolando no cinema nórdico, que é by far o meu favorito. Só teria sido melhor se eu tivesse conseguido encontrar a Madonna, que estava por lá, mas "inencontrável". Oh, well...

Thursday, August 14, 2008

All these places feel like home (or, my first steps as a child of 25)


Eu posso ter falhado em não ter comido todas as delícias gregas em Detroit, mas cumpri parte do roteiro obrigatório indo ao The Henry Ford.

O museu, que, como eu já disse, fica em Dearborn, é gigantesco. É claro que passei a maior parte do tempo passeando pela seção de carros antigos (destaque para o Corvette Roadster 1953 amarelo, um dos meus favoritos em exposição - foto abaixo).

É claro que eu poderia ficar hoooras aqui falando de todos os carros e tal, mas pouca gente ia apreciar e ter saco pra ler tudo, então, vou falar um pouquinho do resto: eles têm uma seção enorme de história americana, bem legal, embora não tenha dado tempo de eu ver muita coisa.

Havia uma exposição temporária sobre chocolate, da qual fazia parte uma artista curiosa (Jean Zaun), que faz quadros somente com chocolate. Sim. Cho-co-la-te. A moldura, a tela, a pintura. Tudo é feito com chocolate branco, ao leite, amargo, corantes etc. E ele fazem inclusive reproduções em miniatura de telas famosas, como O Grito, do Edvard Munch, e Céu Estrelado, de Van Gogh. Os quadrinhos são affordable (os pequenos custam cerca de US$ 25.00 + taxa de envio) e duram por muito tempo, se você conseguir resistir e mantiver longe de animais de estimação e crianças.

Além disso (que me deu muita fome!), visitamos a famosa Dymaxiom House, uma projeção do arquiteto R. Buckminster Fuller, feita em 1946, de como seria a casa do futuro: redonda, de alumínio, de montagem rápida e praticamente portátil. Bem interessante.

Claro que tive que passar na lojinha para comprar uns souvenirs para o papai. Para uma loja de museu, os preços não eram tão exorbitantes (ou NY é mesmo uma cidade muito cara ou Detroit é mesmo uma cidade muito pobre...). De quebra, ganhei uma camiseta edição comemorativa de 100 anos do Ford T. Quem diria que há menos de 100 anos havia centenas desses rodando pelas agora muito decadentes avenidas da Motor City...

Depois de almoçar por lá mesmo (finalmente, uma salada grega!), fomos para a estrada, de volta a Traverse City, para mais um pouquinho de veraneio...

Sunday, August 10, 2008

Detroit waves


Seria difícil vir ao Michigan e não ir a Detroit, por mais que a cidade seja suja, abandonada, feia etc. bem no estilo cidade-fantasma. Embora eu sempre encontre algum tipo de atrativo na decadência das metrópoles, Detroit é, de fato, uma cidade sem charme. No entanto, é uma cidade cheia de carros. E carros legais!

Bom, vou poupar o detalhes históricos imbecis sobre a Ford, a GM, os imigrantes gregos, os negros, a música etc. e vou direto aos highlights do passeio. Primeira parada: GM Renaissance Center, um misto de arranha-céu, shopping, museu de automóvel e tout ça, bem ao lado do rio, na fronteira com Windsor, Canadá, com direito a uma parada em uma feira de artefatos caribenhos para comprar uma gravura para o meu apartamento em NY.

Depois, uma parada em Mexican Town para uma das melhores comidas mexicanas dos EUA: Xochimilco's. Ridiculamente bom e ridiculamente barato. Muita, muita comida e margaritas servidas em garrafas de meio ou um litro. E viva! Não foi comida grega, o que seria muito óbvio para um passeio em Detroit, mas foi excelente! Não dá pra pensar em ir a Detroit sem uma parada para comer lá. Eu garanto.

Próxima atração: Comerica Park, a casa dos Detroit Tigers, para assistir ao jogo Tigers vs. Athletics. Como eu sou pé frio, os Tigers perderam por 4 a 2. Mas não ficamos até o final do jogo porque, por mais que eu goste de baseball, nove innings ainda são demais para mim. Na saída, perdemos (momentaneamente) o carro e, depois de darmos umas (muitas!) voltinhas a pé, encontramos o estacionamento e saímos em direção a Royal Oak, mais precisamente à Woodward Ave. onde acontece anualmente (no terceiro sábado de agosto) o Woodward Dream Cruise, um dos maiores encontros de colecionadores de carros do mundo.

Eu cheguei uma semana antes, é verdade. Mas mesmo assim consegui ver vários super-carros, porque o pessoal que atravessa os EUA para participar do Dream Cruise começa a chegar em Detroit e se reunir em pontos estratégicos da Wodward Ave. desde o início do mês. Muitas fotos. Muito barulho de motor. Eba!

Depois de um longo dia, essa criaturinha aqui foi dormir, exausta, no Embassy Suites em Southfield, para reunir forças para o segundo dia em Detroit, com a muito esperada visita ao The Henry Ford, que, coincidentemente, foi aquele carinha de óculos que fez coisapracaralho. Depois eu conto mais...

Thursday, August 7, 2008

Holes, dug by little moles (or, making Tiger Woods damn proud!)

No meu segundo dia aqui em Traverse City (MI), obviamente tinha que começar a "sessão Fez". Depois de ir à academia e à praia (coisas que eu sei fazer, ainda que não muito profissionalmente), a brincadeira da tarde era ir jogar golf. Ótimo!

E quantas vezes eu joguei golf na vida?, vocês se perguntam. Pois nenhuma! Bom, pra não assustar muito a menina da selva aqui, fomos no mini-golf. Menos mal, claro. Claro? Claro, nada! Até parece! Tinha umas criancinhas lá marcando vários holes in one. Se fossem uns velhinhos, eu poderia justificar que era óbvio que eles se dariam bem, já que praticaram durante 56392 anos, mas criancinhas de 5 anos tendo mais noção de força e direção que eu foi difícil de engolir. E olha que eu não sou totalmente sem noção: me viro muito bem jogando bilhar (nos campeonatinhos de duplas bêbadas nas noites de quarta-feira 4 anos atrás eu não perdi uma partida sequer, e já ganhei de alguns ingleses e alemães aí pela vida).

Jogamos eu, o Respectivo, a mãe dele e uma amiga dele, que acabou de se formar no high school e que joga golf com frequência. Great! Tosquice completa para lidar com o taco e acertar a bolinha. Errei feio várias vezes, acertando mais a grama que o raio da bolinha. O tal do buraco, então, mais difícil ainda de acertar, mas aos poucos acho que fui pegando o jeito. Apesar de tudo, foi muito menos patético e bem mais divertido que eu imaginei – especialmente porque, apesar de ter enfrentado anos de experiência de golf dos outros jogadores, terminei em segundo lugar. Se fosse quase-de-verdade, meu handicap teria ficado em torno de 5. Nada mal, nada mal...

Para completar o passeio, terminamos em uma corrida de kart (a-do-ro!). Nessa, grande ironia, acabei pegando um carro ruim (mas era amarelo!) e ficando em último, contrariando, mais uma vez, a relação experiência-chance de vitória. Tudo bem. Pelo menos eu brinquei de carrinho, embora ainda esteja à espera de um passeio praqueles lados onde os carros são beeeem maiores e comportam pessoas de mais de 1,80m (e até gigantes de 4,70m). My thing, for sure!

Tuesday, August 5, 2008

The crystal lake (or, one of my favorite things, luck and other randomness)

No sábado, depois de uma hora de power walk de manhã e almoço, fomos para o lago, passar a tarde na casa de um amigo do Respectivo.

Como o pessoal lá estava ocupado com qualquer coisa relacionada a futebol americano, fomos direto para o lago para fazer uma das minhas coisas favoritas: andar de jet ski. Fazia aaaanos que eu não andava! E é tão bom quanto antes. Claro que está incluído nisso o fato de que eu gosto de qualquer coisa que ande a mais de 60km/h (exceto as que têm duas rodas), especialmente quando está muito, muito calor, e você está na água.

Andamos por mais ou menos uma hora, com todos os wild moves que se pode fazer com um jet ski em um lago gigantesco com pouco movimento de barcos a vela, lanchas ou outros jet skis. O lago (agora não lembro o nome) é bem grande, deve ter mais de 150 kilômetros quadrados. Só que - lembrem-se de que é a vida de Aline - é óbvio que, em um determinado momento, nos demos conta de que a gasolina estava acabando. Ok, sem problemas. Hora de voltar para casa...

Se é que conseguiríamos encontrar o caminho de volta para casa. Depois de darmos voltas e mais voltas no lago, não sabíamos mais se nós estávamos no lado norte, sul, ou quoi. E fomos procurando... e a gasolina acabando... E o raio do jet ski apitando, pra avisar que logo, logo, íamos ficar boiando e teríamos que nadar 40km atrás de gasolina. Um perspectiva não das melhores.

Depois de percorrermos mais ou menos um terço do perímetro total do lago (ou seja, coisapracaralho) e ainda sem termos a menor idéia de em que direção deveríamos ir, encontramos, meio que por acaso, a casa de uma outra amiga do Respectivo. Ela não estava em casa, é claro. Mas como os americanos não têm essa mania esse hábito de trancar tudo, a casa estava aberta, e o Respectivo entrou para procurar gasolina (porque ela também tem barco e jet ski, e, portanto, gasolina em casa). Os recipientes estavam vazios, então, ele foi lá dentro procurar um telefone pra ligar para o amigo e perguntar se a gasolina que tínhamos seria suficiente pra voltarmos. Só que não tinha telefone fixo na casa! (believe it or not!) E nós obviamente não estávamos com nossos celulares, afinal, estávamos andando de jet ski, ué!

Sei que ele fuçou, fuçou até encontrar uma garrafinha com gasolina para o cortador de grama. Era pouca, mas seria o suficiente para nos carregar por alguns kilômetros (milhas) a mais. O desafio agora era encontrar o tanque de gasolina do jet ski. Depois de abrirmos todas as tampinhas que vimos pela frente (e depois de o Respectivo jogar um bom litro de gasolina em um compartimento reservado para água - que nós prontamente lavamos depois que eu percebi a besteira), usei todo o meu conhecimento de mecânica náutica (ha!) e encontrei o tanque de gasolina. E viva!

O raio do jet ski não parou de apitar (porque ainda sim tinha pouca gasolina), mas ao menos conseguimos chegar de volta à terra firme para um resto de dia na água... numa lancha que, depois de algum tempo, também resolveu nos deixar à deriva, mas o resto da história será contada em outra ocasião.

Friday, August 1, 2008

Sweetest thing (or, the best ice cream in America)

When in Rome, do as the Romans. When in Michigan, have the best ice cream in America.

Ontem à noite, depois de um dia de recuperação (fiquei uma hora na praia anteontem e rolou uma pseudo-ensolação - pra vocês verem como eu sou bem chegada a um sol) e um bom jantar, fomos tomar sorvete no Moomers, que foi eleito pelo Good Morning America o melhor sorvete dos Estados Unidos (e lembrem-se de que, a julgar pelo tamanho do americano médio, eles são bem chegados em uma sobremesa). A sorveteria, obviamente, também fica aqui em Traverse City.

Tinha uma fila bem grandinha para uma cidade com tão poucos habitantes. É um lugar simpático: uma sorveteria montada meio que no meio de uma fazenda, no maior estilo Leite na Pista (referência para quem, como eu, passou invernos e invernos na infância e adolescência subindo a serra pra Campos do Jordão), só que melhor. É bem aquela idéia de fazemos-sorvete-muuuito-cremoso-com-leite-bem-fresquinho.

Tomei um copinho pequeno do sabor que foi o premiado: Cherries Moobilee (black cherry flavored ice cream with chunks of black sweet cherries, red tart cherries, chocolate fudge swirl and chunks of homemade brownie pieces). Soou bom? Pois é; prometo que é melhor. É quase um crime de tão bom. Se você pensa que Haagen Dazs e Ben & Jerry's são excelentes, eu até entendo, mas nenhum dos dois chega aos pés do Moomers. E o preço também nem passa perto: não lembro ao certo, mas o copinho com uma bola razoavelmente grande deve custar em torno de US$ 2.00.

Eu não sou muito de sobremesa, então, toda aquela história de cherry capital of the world e tortas de cereja não me atraíam tanto. Mas sorvete é sorvete; não é simplesmente "sobremesa". É, esse vai ser um bom verão...
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