Saturday, August 23, 2008

Fly like an eagle (or, why no one should fly in the summer)

A idéia genial de ir passar uns dias em Houston (Texas) merece muitos detalhes. Como a aventura toda (apesar de ter durado apenas dois dias) rendeu muito momentos surreais, vou contar tudo em fases. Neste post dividido em partes (para preservar a fidedignidade da ordem cronológica e não cansar o pobre que resolveu parar pra ler esse monte de besteira), a minha aventura aeropórtica.

Parte 1: Bronx - LaGuardia

Meu vôo estava marcado para as 7h40, o que significa que eu tive que sair de casa de madrugada, para pegar o BX12. Sem problemas. Às 5h21, quando o ônibus chega, percebo que NENHUM dos meu metrocards tem crédito. E não tem nenhum lugar que venda um metrocard às 5h20 da manhã no bronx, como vocês podem supor. Tudo bem; é só pagar com dinheiro. 2 dólares. Obviamente, eu tinha US$ 1,90 em moedas. E só! E a máquina do ônibus não aceita notas. Genial! Comecei bem!

Por sorte, tinha uma nota de US$ 1 e fui mendigando no ônibus pra ver se alguém poderia trocar a nota por moedas. Depois da falta de boa vontade dos cidadãos ilegais do Bronx, uma moça finalmente me ofereceu 4 quarters em troca da nota. Ok. Paguei. Depois de saltar do ônibus, pegar o metrô até o Harlem (125th St.) e, de lá, o M60 até o LaGuardia, passei logo pela segurança e fui até o portão de embarque. Vôo na hora, uma maravilha. Parecia que a coisa estava melhorando...


Parte 2: LGA - DFW


A primeira parte do trajeto era NY-Dallas. Meu assento era de letra E, ou seja, aquele que em um conjunto de três, fica bem no meio, geralmente entre dois americanos obesos. E viva!

Por sorte, apenas a senhora à minha esquerda era meio obesa. A da direita era relativamente normal. Ok, ok... Só que é verão nos EUA: férias e tal. Ou seja: o avião estava cheio de crianças. Atrás de mim, um bebê, uma criança, sei lá - um filhote de idade indeterminada - começa a bater loucamente na mesinha que, by chance, ficava logo atrás da minha cabeça. E eu ignorando e tentando dormir. Até que o filhote ficou em pé no colo da mãe e começou a puxar o meu cabelo e gritar, e bater no raio da mesinha.

Eu odeio crianças - e filhotes em geral - , mas estava com tanto sono que não tive forças para tentar quebrar o pescocinho da criatura. Só que a mulher à minha direita ficou puta e mandou a criança parar. O que, obviamente, não surtiu efeito nenhum. Tentei dormir, ler meu livro, relaxar... tudo sem sucesso, porque o filhote não ia sossegar tão cedo.

Vieram servir as bebidas. A semi-obesa à minha esquerda pediu um V8, duas garrafinhas de gin e sacou um limão (um limão!!!) e uma faquinha de plástico (óbvio!) da bagagem de mão. E fez um bloody Mary! Não estou brincando. Ela tomou duas doses de bloody Mary! Às 8h30 da manhã! Já vi que esse vôo ia ser longo...

Em um dado momento, a outra mulher, à minha direita, começou a puxar papo comigo. Ela, que é fotógrafa para alguma dessas revistas de decoração, também estava indo para Houston, mas para um velório. Era a morte trágica que estavam anunciando nos noticiários: uma família que estava em um jato particular que foi pego de surpresa por uma tempestade de neve no Colorado e que, depois de ficar desaparecida por alguns dias, foi encontrada por um hiker. Era um velório para quatro pessoas. Ótimo assunto para uma viagem de avião, apesar de eu não ter medo de voar. Pelo menos o motivo da minha viagem era muito melhor: estava indo visitar minha amiga de infância, que está passando o mês em Houston estudando inglês.

É claro que quando o avião estava para pousar, o filhote atrás de mim pegou no sono. Mas já era tarde demais para eu tentar dormir. O lance era aguentar pelo menos até o próximo vôo.


Parte 3: DFW - HOU

Uma horinha no aeroporto de Dallas. Fui comer alguma coisa rápida e fui logo para o portão de embarque.

Deveríamos embarcar às 11:25. Mas eram 11h30 e nada. O vôo ia atrasar. Ficou adiado para as 12h30. Até aí, normal. Aí, eis que vem uma pessoa da American Airlines/American Eagle e anuncia no microfonito: "O vôo para Houston terá um atraso. Embarcaremos em breve e devemos decolar em torno de 12h53. Como há um problema no lavatório da aeronave e ele não está funcionando, pedimos aos passageiros que usem os toaletes do aeroporto, pois não poderão usar o da aeronave." What the fuck, pessoal?!

Quê mais agora? Além de a gente não poder mais fazer check-in de mala e de não haver mais refeições a bordo, nem xixi mais pode? Daqui a pouco, vão fazer esquema de banheiro europeu nos aviões: pode ir, mas tem que pagar. "Em caso de necessidades fisiológicas, queira solicitar a ajuda do pessoal de bordo. O uso do lavatório custa 2 dólares e lembramos que aceitamos American Express e todos os principais cartões de crédito. Em caso de pagamento em dinheiro, pedimos a gentileza de facilitar o troco." Que tal?

1 comment:

C.Dias said...

O que eu acho mais triste nisso tudo é que sei que como filósofa hardcore que vc é, não deve acreditar em Céu (enquanto paraíso).O que é uma pena, porque depois dessa viagem vc iria direto pra lá sem filas nem formulários. Santa Paciência mulher, com ou sem sono eu teria quebrado essa criança ao meio. Eu ein!

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