Monday, September 29, 2008

World spins madly on (or, lessons on Macroeconomics)

Sim, eu poderia falar da crise financeira nos EUA. Mas não vou. Não diretamente. Vai aqui a lição "Pork on my Eggos" de macroeconomia, i.e. o meu ponto de vista limitado, twisted e pseudo-filosófico-prático a respeito não da crise per se, mas do que eu bem entender.

Lição de macroeconomia - Parte 1: A Teoria

Vejamos o que tem acontecido nas últimas horas: o senado não aprovou o pacotão bailout do Bush. E o povo está reclamando. Mas por quê, minha gente? Se os EUA são o grande exemplo do sucesso do liberalismo econômico (o chamado libertarianism), que deixem o laissez-faire dominar a situação, ou seja: o Estado não intervem para tentar proibir as práticas absurdas das empresas privadas, mas também não intervem para salvá-las. Nada mais justo. Certo?

Errado. Porque uma país que vive nessa tal liberdade vive também de especualção. Então, o que acontece é uma versão turbinada do crash da Argentina de uns anos atrás. É uma questão de jogos não-cooperativos, que predomina na economia especulativa. Não é à toa que o John Nash ganhou um prêmio Nobel com essa teoria. Se não atingirmos o equilíbrio de Nash, a coisa vai pro saco. E não é tão difícil entender a base da história:

Imagine que seu banco está pra quebrar a qualquer momento e que você tem muito dinheiro em aplicações, e estas aplicações não são seguradas pelo governo (ou seja, se o banco quebra, você basicamente perde tudo). Você pode deixar seu dinheiro lá ou sacar tudo e aplicar em outro banco (ou guardar no colchão, na atual situação dos EUA). O que você faz?

Saca tudo, certo? (É isso o que o povo vem fazendo) Errado mais uma vez.

Porque se você sacar tudo, aí sim seu banco quebra (ele fica sem capital de giro para reinvestir e gerar mais capital para pagar o que deve). Por outro lado, se você (e todo mundo) deixar o dinheiro investido lá, ele pode sobreviver (com a especulação e giro de capital pelo mercado etc.). O problema está na primeira condicional: a coisa só funciona se você e todo mundo deixar o dinheiro lá.

Mas - e é aqui que entra a história dos jogos não-cooperativos - se você for o único samaritano a se importar com a economia global e todo o resto das pessoas sacar o dinheiro, quem vai pro saco não é apenas seu banco, mas você vai junto - de verde-e-amarelo (ou de vermelho, azul e branco, no caso). E o resto das pessoas não. Só que nesse tipo de situação, não se pode contar com o extremo poder racional das pessoas. Porque embora matematicamente seja mais vantajoso deixar o dinheiro lá, essa situação é o exemplo máximo de como as pessoas agem de modo absolutamente irracional achando que estão sendo muito criteriosas (e, a quem interessar possa, uma das sacadas do Nash foi ter visto isso aí).

Isso foi uma versão completamente dumbed-down da crise e (mais ainda!) do Nash (que, como qualquer economista que ler isso aqui, deve estar tendo convulsões e espasmos graves), mas é só pra explicar à la "Folha Explica" (mas sem os infográficos) a brincadeira do momento aqui na América.

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Lição de macroeconomia - Parte 2: A Prática

Aí, nego alienado (no caso, eu) se pergunta: "mas que diabos isso tem a ver com a minha vida? Deixa pra lá!"

Bem, além de isso tudo colocar em xeque as bases do capitalismo e da política liberal, blá-blá-blá-could-care-less, isso pode te afetar. Um dia essas coisas batem á porta. E lá vai meu exemplo:

Como relatei uns dias atrás, a ignorante da administração da faculdade esqueceu (esqueceu!! - durante d-o-i-s meses!!!) de entregar minha documentação para o RH e para o contas a pagar, o que fez com que eu não recebesse meu salário.

Não recebendo meu salário (e tendo, ainda assim, que me alimentar, como os outros mortais), tive que tirar dinheiro de algum lugar, nomeadamente não de onde vocês estão pensando, mas do meu (aka daddy's) cartão de crédito no Brasil. Pois bem: saquei uns dinheiros lá pelo dia 5 ou 10 de setembro, dias antes do Fannie Mae e do Freddie Mac quebrarem. A fatura do meu cartão vence pouco depois, o que fez com que eu tenha sacado o dinheiro com o dólar a R$ 1,66, mas tenha pagado a fatura com o dólar acima de R$ 1,80. Uma diferença de mais ou menos 10%. Por causa de poucos dias.

Agora, o dólar já bateu os R$ 2,00, e ainda tenho (aka o papai tem) faturas a pagar, resquícios da época em que eu achava estar sacando dinheiro a R$ 1,66.

Portanto, o fato de a faculdade não ter me pagado ainda não apenas fez com que eu ficasse sem dinheiro, mas, no final das contas, fez com que eu perdesse dinheiro. Monetariamente falando, isso significa que quando eu receber, por causa de toda essa crise e confusão cambial relacionada, eu receberei, na prática, um salário com uma desvalorização de mais de 15%. Novamente: por causa de poucos dias.

E é assim que as práticas político-econômicas da América prejudicam não apenas os norte-americanos, mas fazem muito mais mal para nós, pobres membros do calabouço do mundo. Será que eu vi alguém aí levantando a bandeirinha do liberalismo? Alguém ainda vai ter coragem de votar nos Republicanos? Ou no PSDB?

Saturday, September 27, 2008

Hand me down

Someday they'll find your small town world on a big town avenue
Gonna make you like the way they talk when they're talking to you
Gonna make you break out of your shell cause they tell you to
Gonna make you like the way they lie better than the truth
They'll tell you everything you wanted someone else to say
They're gonna break your heart, yeah

From what I've seen
You're just one more hand me down
Cause no one's tried to give you what you need
So lay all your troubles down
I am with you now

Somebody ought to take you in
Try to make you love again
Try to make you like the way they feel
When they're under your skin
Never once did you think they would lie when they're holding you
You wonder why they haven't called
When they said they'd call you
You start to wonder if you're ever gonna make it by
You'll start to think you were born blind

From what I've seen
You're just one more hand me down
And no one's tried to give you what you need
So lay all your troubles down
Cause I am with you now

I'm here for the hard times
The straight to your heart times
When livin' ain't easy
You can stand up against me
And maybe rely on me
And cry on me, yeah

Some day they'll open up your world
Shake you down to the drawing board
Do their best to change you
They still can't erase you

From what I've seen
You're just one more hand me down
And no one's tried to give you what you need
So lay all your troubles down
Cause I am with you now

Lay them down on me
Oh yeah
You're just one more hand me down
And all those nights don't give you what you need
So lay all your troubles down...on me

(Matchbox Twenty - Hand me down)

Heaven knows I'm miserable now

É, como já estava na Bíblia, é aquela história: a gente está por aí no mundo, numa boa, até que, de repente, aquele mano que, dizem por aí, é três (maior lance viagem isso, mas deixa pra lá), aponta o dedo para você (geralmente para a têmpora, o ciático ou a região anal) e te amaldiçoa, só por diversão (tá, eu nunca li a Bíblia, mas aposto que diz isso lá, já que a Bíblia aparentemente conta qualquer lorota, se você ler com bastante força). E esta foi minha sexta-feira, 26/09/2008.

O dia começou com a minha falta de pagamento por causa da ignorante que trabalha na administração da faculdade e com uma chuva torrencial diabólica que não passava nunca mais e me impediu de ir ao Whole Foods comprar suprimentos (aka rango). Até aí, tudo bem. Fiquei em casa lendo filosofia medieval (morram de inveja!).

Saí de casa para ir à aula e recebo duas surpresas boas: meu novo par de Adidas super cool chegou pelo correio (eu já tinha esse, que é top-top; agora tenho 2! Eba!)! Também tinha um pacote da mãe do Respectivo, para mim. Ela me mandou uma camiseta da Michigan State, para eu poder usar nos próximos jogos, quando eu for ao Blondie's. Mandei uma mensagem de texto para agradecer... ou não.

Re-enviei a mensagem de texto... ou não! O maldito do meu fire-crotch (apelido carinhoso que eu dou para meu celular em momentos de raiva) não estava funcionando direito. Droga! Esperei o final da aula e comecei a tentar enviar mensagens de texto, telefonar para pessoas... e nada! Adotei a solução tech-savvy: desligar e ligar de novo. É, gênio! Mas quem disse que o celular ligava depois? Outro passo tech-savvy: liga na tomada, demente! Liguei o dito no carregador e esperei um pouquinho... Nada!

A minha sorte é que agora eu tenho um telefone fixo em casa, então, em casos como esse, tem como eu ter algum contato com o mundo. Liguei para a Samsung. Depois de informar a eles o que tinha acontecido com o meu telefone, detalhes da minha linha genealógica, número do meu sutiã etc., eles me deram algumas soluções possíveis:

1. carregar o telefone e tentar ligar novamente (duh! imbecil!);
2. enviar o telefone pelo correio (pelo correio!!!!!!) e esperar 14 dias úteis para eles me darem um parecer de o que há de errado com o raio do telefone, consertá-lo (se possível) e me mandar de volta pelo raio do correio. Q-u-a-t-o-r-z-e dias ú-t-e-i-s. Será que eles têm noção de que isso é quase um mês inteiro???;
3. sentar e chorar.

Como não me dou por vencida, procurei uma alternativa: eu poderia levar meu telefone a uma assistência técnica da Sprint e eles poderiam ver se consertavam por lá mesmo. Ok, e tem uma loja aqui pertinho. O Respectivo me acompanhou até lá. A mocinha me atendeu:

- Oi... ah, sim, o telefone. Você trouxe alguma conta antiga junto com ele?
- Eu não recebo conta desse telefone. É tudo online.
- Hmm... mas eu preciso de um cód-
- Escuta, eu PRECISO de um telefone. E, como me disseram que essa porcaria de telefone não tem conserto e que ele precisa ser susbtituído, você pode, por favor, encomendar uma substituição pra mim?
- Hmmm... acho que sim...
- ...
- Olha, eu posso sim, mas veja: leva de 3 a 5 dias úteis para eles enviarem o telefone, mas como na terça e quarta-feira é feriado aqui em NY, pode ser que seu telefone só chegue na outra seman-
- Como assim, feriado???? Não tem feriado nenhum essa semana!
- Sim, no estado de NY, é que...
- Sem intolerância religiosa, mas... fucking Jews!

É, aparentemente o Rosh Hashanah vai atrasar em muitos dias o meu processo. E viva! Esse é o יהוה enfiando o dedo no meu olho - bem no ano novo. Thank you much!

Desnecessário dizer que, na volta para casa (voltando, justamente da Fordham Rd. com a Grand Concourse, que é o equivalente do Bronx para a 25 de Março, daí se conclui que...), eu estava com um humor mais demoníaco que a profecia divina que me atingiu. Por sorte, o Respectivo foi gentil o suficiente para me alimentar antes de voltarmos para o meu apartamento para assistirmos à prova cabal de que, não importa o quanto deus possa ser do mal, tem sempre um ser humano pior, e ele se chama John McCain.

Thursday, September 25, 2008

This is your nation on white privilege

Para quem, como eu, acha absolutamente assustadores os discursos políticos da atual corrida presidencial norte-americana porque não passam de argumentos ultra-nacionalistas, e crê que a aliança McCain-Palin é muito, muito mais demoníaca que Hitler-Goebbels, dê uma olhada aqui.

Porque tolerância aqui nos EUA é só conversa pra boi dormir - o que quer que esta expressão bizarra signifique.

NYC, PDA, Obstacle 1, Obstacle 2



Em mais um daqueles momentos retrospectivos, hoje encontrei o ingresso do primeiro show a que eu fui desde que me mudei pra NY: 14 de setembro de 2007. Interpol. Com abertura de Cat Power e Liars.

Saí da minha aula de Medieval, peguei o Metro-North e fui andando até o Madison Square Garden, com uma breve parada para engolir uns pedaços de fast food. Como de costume, a compre do ingresso foi um processo meio complicado. Como a Ticketmaster não aceitava cartão de crédito com billing address de fora dos EUA e como, quando eu comprei o ingresso, o meu cartão daqui ainda não tinha chegado, tive que pedir para uma das minhas roommates comprar pra mim, aquela coisa.

Eu fui sozinha, porque ninguém aqui parecia saber quem eram Interpol ou Cat Power. A coisa de ir sozinha nunca foi impedimento pra mim mesmo, então... lá fui eu para minha primeira ida ao Madison Square Garden. Yay!

Desnecessário dizer que minha cadeira era razoavelmente longe do palco, mas deu pra aproveitar bem assim mesmo. O Liars, achei totalmente dispensável. Cat Power, como de costume, apesar de até bom, deu sono. Mas o Interpol foi bom. Muito bom. Mas também só isso. Foi legal por ter sido meu primeiro show aqui e tal, mas... ehn.

Depois do show, o combinado era eu ligar para o Chris e a Cara, que estariam em um bar no Upper East Side. Só que assim que o show acabou, meu então recém-adquirido super celular começou a morrer. Foi o tempo de eu falar "alô" e ele ficar mudo. E viva!

Claro que em um mundo iPhone, wireless e o diabo-a-quatro, telefones públicos não são exatamente a coisa mais fácil de se achar... mas lá fui eu à procura do bom e velho orelhão (que aqui não é orelhão, mas azar o deles!). Como eu sou espertinha, quando o meu telefone começou a perder os sinais vitais, peguei uma caneta e anotei os números da Cara e do Chris em um papel e, logo que achei uma cabine telefônica, disquei.

Mas o Murphy anda sempre a minha espreita... Telefones fixos e móveis aqui não têm taxa adicional para DDD. Todas as ligações (locais ou longa-distância) custam a mesma coisa. Por isso as pessoas não se preocupam em trocar o código de área de seus telefones cada vez que mudam de uma cidade (ou estado) para outra.

Só que telefones públicos têm, sim, taxa para ligações interurbanas e, como tanto a Cara quanto o Chris têm números de fora do estado de NY, tive que desembolsar US$4,75 (!!!) para um minuto de conversa. Em moedas!!! Onde eu ia arranjar US$4,75 em moedas? Ai, Jesus... por sorte, quando juntei todos os quarters, nickels and dimes, acho que deu uns US$5,25. Ou seja, falei, mas falei na correria.

Na segunda fase da noite, encontrei com o pessoal lá no UES e ficamos roaming a área por algum tempo até decidirmos que estávamos prontos para a longa trajetória de volta para o Bronx... e acho que, apesar de feio, o Madison Square Garden (e não Cat Power ou Interpol) valeu a viagem.

Tuesday, September 23, 2008

That's the kind of world that we're living in today

Esse é para quem gosta de rir da desgraça alheia: como já disse em algum lugar, tenho acumulado cargos acadêmicos e burocráticos por aqui. E viva! Em tese, isso significa dinheiro no bolso. E viva! Mas, como 95% das coisas na vida acadêmica, as palavras-chave (palavras-chaves?) dessa frase aí são em tese. Porque é aquela coisa: papel vai, papel vem, formulário de imposto federal, formulário de imposto estadual, formulário de informações sobre emprego/remuneração, cópia de passaporte, visto, carimbo, assina-assina, data-data-data.

E eu entreguei tudo logo na primeira semana de trabalho, em idos do meio de agosto. Até uma senhorinha me avisar que estava faltando uma das 2846392 cópias do meu passaporte na minha documentação. E eu levo lá e tal.

E mais um mês passou... e nada! Detalhe é que o pagamento aqui é quinzenal, ou seja, deveria estar recebendo meu terceiro pagamento na sexta-feira agora, dia 26/09, o que, pelo visto não vai acontecer.

E não é porque eu sou vidente. É porque para eu receber, eu preciso ter uma espécie de folha de ponto (timesheet), que deveria ter sido prrenchida e assinada até segunda-feira passada (15/09) para eu poder ser paga essa semana. E eu não tenho essa tal folha de ponto. E aí eu ligo (sim, no presente do indicativo, porque já virou hábito) para o departamento de contas a pagar (payroll) pra saber que diabos está acontecendo. E (também freqüentemente) eles me respondem que eu não estou registrada no sistema para esse novo emprego.

É, só que na segunda-feira (22/09), depois de ligar pra lá novamente, eu tive um temper tantrum e, depois da minha reunião do Conselho de Pós-Graduandos (mais um dos meus cargos...), eu passei lá pra falar com o pessoal do contas a pagar. Eles obviamente não tinham a menor idéia do que estava acontecendo e me mandara falar com o RH que, obviamente (incompetência é um lance meio per definitio em departamentos de RH), também não tinha como me ajudar.

Depois de mandar um e-mail descontrolado para mil pessoas... tudo certo e nada resolvido. A mulher que deveria ter enviado os meus documentos para o RH deve ter esquecido. E a escrava aqui é que fica na pior. E viva! Ainda acho que não vou receber meu salário esta sexta e, pior ainda, talvez nem no próximo dia de pagamento, em duas semanas. É claro que muita gente vai ter que ouvir uns gritos enlouquecidos vindos de mim por causa disso. Vamos ver no que dá. Amanhã vou ligar pra lá de novo e verificar o status da burocracia...

Atualmente, os jesuítas me devem algumas centenas (sim, centenas!) de dólares - and counting! Quando eu receber, prometo que posto alguma coisa mais alegre. E pago uma rodada de Guinness virtual para todo mundo que colocar o nome na lista por aqui!

Sunday, September 21, 2008

Something vague that we're not seeing, something more like a feeling.

Mais um ano acompanhando a temporada de college football, mas agora que eu aprendi como me comportar durante os jogos (i.e. deixar os homens assistirem ao jogo, não dar a mínima e colocar a conversa em dia com as mulheres no bar) dá pra apreciar melhor.

Ontem à tarde fomos ao tradicional Blondie's assistir ao jogo da MSU contra a Notre Dame, com um parada rápida no apartamento (que agora está lindo) do irmão do Respectivo e da namorada dele. Resolvi tentar entrar um pouco no espírito e até usei verde desta vez. Confesso que desta vez não foi chato mesmo o jogo. Não que eu tenha assistido a muita coisa, mas enfim.

O Respectivo e eu fomos embora no início do último quarto, quando a MSU já estava ganhando com uma vantagem razoável. Fomos com um amigo nosso em direção ao Lincoln Center, pois tínhamos ingressos para a sessão das 20h de Burn After Reading no AMC Loews da Broadway com a 68th.

Parada faminta desesperadora no Nanoosh, um bar/restaurante cuja especialidade é o homus. Comi a nanoosh green salad (muito boa!) e um lebane wrap com side de quinoa salad. O wrap estava meio sem graça, mas as saladas valeram a pena.

Mas bom mesmo foi o filme. Ainda é setembro, mas já falo com certeza que Burn After Reading é o filme do ano. Pra mim, é. Todo mundo já deve saber, mas vou reforçar: irmãos Coen + Brad Pitt + John Malkovich + humor meio twisted. E apenas 96 minutos. Ou seja, o filme é bom o tempo inteiro. Perfeito. E, condição sine qua non para eu gostar de um filme, a cena final é brilhante.

Não vou contar mais, se não vai ter spoilers, mas vitória dobradinha para os irmãos Coen que no início do ano me deixaram naquele estado de sensação-de-atropelamento-por-um-trem-se-atropelamento-por-um-trem-fosse-bom com No Country for Old Men.

Depois do filme, acabei me encontrando com meu amigo cineasta turco, que me deu (finalmente!) uma cópia em DVD do curta-metragem dele, que ganhou uns prêmios por aí. Vamos ver do que se trata.

Na volta para casa, 5 minutos antes de embarcarmos na Ram Van, tamanha é minha sorte que encontramos o Dr. D. na entrada do campus. E, se eu tenho evitado muito alguém ultimamente, esse alguém é o Dr. D. E, sério - what are the odds?! - vou esbarrar nele às 22h30 de sábado no outro campus da faculdade! Oh, well. Tal é a vida. Ainda bem que eu estava em boa companhia (pessoal e politicamente falando). Mas acho que essa é uma daquelas histórias que vão ficar pra outra ocasião...

The Scientist

Come up to meet you, tell you I'm sorry
You don't know how lovely you are

I had to find you
Tell you I need you
Tell you I've set you apart

Tell me your secrets
And ask me your questions
Oh, let's go back to the start

Running in circles
Coming up tails
Heads on the science apart

Nobody said it was easy
It's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard

Oh, take me back to the start

I was just guessing
At numbers and figures
Pulling the puzzles apart

Questions of science
Science and progress
Do not speak as loud as my heart

Oh, tell me you love me
Come back and haunt me
Oh, and I rush to the start

Running in circles
Chasing our tails
Coming back as we are

Nobody said it was easy
Oh, it's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be so hard

I’m going back to the start

(Coldplay. The Scientist.)

Saturday, September 20, 2008

Slow Pony Home

It's the second September I have known you
Four years or so ago, I rode a pony, called him "Truth"
We didn't know the way so it took us till today to get here

And all that time, I felt just fine
I held so many people in my suitcase heart
That I had to let the whole thing go
It was taken by the wind and snow
And I still didn't know that I was waiting
For a girl on a slow pony home

I can remember when I first saw you
You said in my photograph I looked more far away
I laughed and smiled and didn't say "I am a bit afraid to be here."

Setting free the anchor and looking past the shore
It's a sea of horses on ships with no sails, no motors, no oars

Now we're cleaning the windows between us two
Funny, you do it once, and then again, and pretty soon
the fingerprints and dust...
But I've begun to trust the view here.

(The Weepies. Slow Pony Home.)

She's losing it

Das coisas boas de morar em NY.

Ontem estava num mau-humor infernal depois da minha aula de Medieval (não por causa da aula, porque essa aula tem um quê de episódio cômico, mas depois eu desenvolvo). A solução encontrada para minimizar o aborrecimento foi arrastar meu traseiro até Manhattan para assistir à palestra do Ian Hacking na Stony Brook, onde estava rolando uma conferência sobre deficiências cognitivas.

A parte moral da coisa não me importa muito. Problemas de filosofia moral e ética são (ao meu ver) hiperestimados, diferentemente dos problemas cognitivos envolvidos. Apesar de eu discordar com a filosofia da mente do Ian Hacking (se é que eu a entendi bem) e de quase todas as conclusões que ele tira dela (tá legal, Wittgenstein até que foi um cara interessante, mas já deu...), valeu a pena ter ido. Porque mesmo eu discordando do cara, ele é ídolo.

Pois é, tietagem acadêmica é uma merda. Mas é meu pecado intelectual favorito.

Wednesday, September 17, 2008

Where the streets (and the people!) have no name (or, the curse of the Fnu)

Pra quem acha que a vida nos EUA é boiada, mais um capítulo diretamente do inferno. O meu trabalho me fornece umas situações surreais, impagáveis e, more often than not, infernais. Office for International Services - parece legal, né?

Repito: até que é. O problema é que, quando rola um problema, é um problema de nível nuclear. E é aí que entra o meu malabarismo (ou a falta de, no caso).

Estava eu hoje lá bonitinha, fofinha e adorável gerando listas de plano de saúde no sistema (Ele, o Sistema!) de mil-novecentos-e-computador-de-tela-preta-e-verde quando me aparece uma criaturinha precisando de ajuda com o social security number. Ok.

- E qual o seu nome?
- Fnu.
- Fnu?
- É.

Vou até o meu chefe:

- Tem uma "Fnu" aqui querendo falar com você sobre SS#...
- Fnu?
- É.
- Hmm... Interessante. Você sabe o que "Fnu" quer dizer?
- Não... er...
- Não, chuta! Vai lá. Chuta qualquer coisa...
- Não sei... Essa língua aí não é uma das minhas sete... eu...
- "First Name Unknown". FNU. Entendeu? Manda ela entrar.

What the hell? Saí da sala dele sem entender a piada... até que toca o telefone (e cai a ficha que o lance todo não era piada!):

- Oi, Eu estou ligando do escritório de empregos de estudantes da faculdade e eu acabei de mandar uma aluna aí cujo social security card foi emitido para "Unknown". Isso é inadmissível! Isso precisa ser corrigido! Faça alguma coisa!
- Minha senhora, veja... eu não trabalho para o governo, eu não trabalho para a administração da seguridade social... não tem como EU corrigir isso.
- Mas como pode ter saído que o nome dela é "Unknown"? Ela tem um nome! É Fnu!
- Exatamente... o problema é esse: Fnu significa "first name unknow", daí o primeiro nome dela ter sido impresso como "Unknown".
- Mas isso não pode ficar assim! Vou passar um fax com este absurdo para você ver. E tome alguma providência!
Clic.

Pois é: aparentemente tem aqueles países no mundo onde as pessoas só tem um nome (em vez de nome e sobrenome) e, contrariando todas as probabilidades, até esses países mandam a galera pra estudar aqui... e aí é só rolo. E sobre pra mim, lógico!

Mas a lição do dia é... Fnu, cara! Nome genial!

(Quem se interessar por histórias bizarras de incompetência governamental pode ler um exemplo aqui. Estranhamente, essa pessoa que passou por situação semelhante postou o ocorrido há exatamente um ano! Nem um dia a mais, nem um a menos: 17 de setembro de 2007. Seria este o dia da "Curse of the Fnu"?)

Tuesday, September 16, 2008

Time travels to learn your secret life

Mais um final de semana em Detroit...

Sexta-feira, 12/09, depois da minha aula de Medieval fui direto para a casa do Respectivo (onde já tinha deixado minha mala) para jantarmos e irmos ao aeroporto. Saímos às 18h em direção ao LaGuardia. A sorte é que saímos cedo, porque no meio do caminho o Respectivo percebeu que tinha esquecido um remédio, então, tivemos que voltar pra casa dele e recomeçar o trajeto.

Ainda chegamos cedo ao aeroporto, porque já tínhamos feito o check-in online e não teríamos que despachar nenhuma bagagem. Apesar de lotado, o vôo saiu na hora e, às 22h estávamos no aeroporto de Detroit, onde a mãe e o pai do Respectivo foram nos buscar para irmos para o hotel, onde ainda encontramos o irmão do Respectivo com a namorada e o tio e a tia dele. Fomos direto para o quarto desmaiar, já que no dia seguinte teríamos que levantar cedíssimo para ir ao memorial service do avô do Respectivo, que estava marcado para as 9h30 em Dearborn. E chovia. E o tempo estava horrível. And yet.

Lá no mausoléu, revi todos os parentes dele que eu já tinha conhecido em outras viagens e ainda conheci outros 23948639856. Depois do serviço, fomos para a recepção no DeLuca's, em Westland, onde rolou todo um almoço mega-longo. Mas a comida (family style) estava boa. E a sobremesa (mmm... spumoni!) também. Mas eu estava morta de cansaço... acumulado desde a maratona de quinta-feira. Ugh!

Depois do social todo, demos uma passada de volta no hotel e fomos para a casa de uns primos do Respectivo, onde logo de início - e para meu absoluto pânico - eu fui abduzida por duas crianças (fofos, mas crianças), que me levaram para conhecer seus quartos e brincar de qualquer-coisa. Algumas horas depois fui resgatada para sair para jantar com o Respectivo e os tios dele. Como ele e a tia não trabalham com glúten, eles não iam poder comer os snacks que iam rolar a noite toda, razão pela qual acabamos dando uma passada rápida no Chili's (que tem um menu especial gluten-free) para um jantar rápido. E logo voltamos ao reencontro do resto da família para discussões políticas animadas depois que todos já tinham tomado algumas taças de vinho, drinks e afins. Meu único comentário a respeito é que republicanos têm umas noções de certo e errado beeem esquisitas. Medo!

Quase não sobrevivi ao trajeto de volta para o hotel, de tão esgotada. Coma.

No dia seguinte (domingo), mais social. Depois do café-da-manhã-check-out-etc. voltamos para a casa do dia anterior, onde os homens ficaram assistindo aos jogos da NFL enquanto as mulheres (i.e. a mãe, tia e prima do Respectivo e eu) fomos ao Fairlane Mall fazer comprinhas... Sorte a minha, encontrei uma jaqueta Max Azria na Macy's em liquidação: de US$ 445 por US$ 89. Como a mãe do Respectivo tinha mais uns bônus por ter o cartão da Macy's, acabei pagando apenas US$ 72. Por uma jaqueta Max Azria!!!

Depois da pausa para as compras, voltamos, e eu fui incumbida de entreter as crianças por mais algumas horas, até chegar ao limite da exaustão e ser levada de volta ao aeroporto de Detroit (e o tempo continuava uma droga...), onde a idéia era ficarmos em standby para o vôo das 17h11, que, obviamente, estava lotado. Acabamos jantando lá no aeroporto mesmo (já que eu sequer tinha almoçado), no Mediterranean Grill, que tinha uma kafta surpreendentemente boa (ou seria a fome...?) para um restaurante de aeroporto.

É. Só que o vôo atrasou. Seria por conta do Ike ou de qualquer outro fenômeno natural de explicação fuzzy? Não. Simplesmente porque o avião ainda estava no hangar. Fazendo o quê?, eu pergunto. Sei lá. Incompetência da Northwest (só podia ser parceira da merda daDelta!).

Com o atraso, acabou que encontramos um outro primo do Respectivo, que estava acabando de chegar em Detroit, no aeroporto. Tá, legal... mais social, mas eu queria MUITO ir pra casa (e dormir!). O que só rolou com uma hora de atraso! Ai, Jesus...

Chegando ao LaGuardia, como em todo bom domingo à noite (chegamos às 22h40), estava rolando uma fila razoável para os táxis. Chegamos por aqui no gueto lá pras 23h, a tempo de eu ir direto pra cama desmaiar, pensei.

Mas aí resolvi dar uma olhada nos meus e-mails antes... e descobri que minha prima tinha sofrido um seqüestro relâmpago no aterro sanitário evangélico Rio de Janeiro. E lembrei que, apesar de estar meio que na merda por aqui, o meu gueto é menos gueto que o gueto dos outros... E aí eu fui dormir.

Monday, September 15, 2008

Dark cloud has come into the way (or, fuck 9/11)

11 de setembro é aquele tal dia por aqui... Apesar de eu continuar demandando uma campanha revisionista pra acabar com essa balela de nine-eleven, o pessoal aqui ainda leva a coisa meio a sério.

Meu 9/11 sete anos depois foi meio infernal, meio compensatório.

De manhã, fui para Manhattan trabalhar. O legal é que eu nunca tinha ido trabalhar no escritório de Manhattan (Upper West Side) e, como referência, meu chefe disse que, chegando na Columbus Ave. com a W60th, era só procurar a bandeira americana gigantesca. Era lá aonde eu tinha que ir. Chego eu às 10 da manhã na W60th com a Columbus. E cadê o raio da bandeira? Ando, ando e nada. E o pior é que não lembrava o número do prédio. Ai, Jesus...

Dá-lhe sacar o celular e dar um Google no endereço. Número 33. Chegando lá, nada de bandeira. Só o pau, coitadinho. Pelado. Claro! Era o maldito 9/11 e tinham recolhido a porcaria da bandeira. E a imigrante aqui é que se ferra. Genial! Ninguém mandou ser 1/4 libanesa... pra provar que aqui eles não sabem mesmo a diferença entre Iraque, Afeganistão, Líbano, Rússia e Canadá. Mas tudo bem. Aquela história de smile-and-nod e vambora.

Trabalhei só parte do dia (thank God!), mas o suficiente para ficar transtornada com estudantes enlouquecidos que não falam inglês, professores da Geórgia (o país, não o estado) com visto vencido que estão naquela situação meio "O Terminal", um sistema tosco que roda com códigos surreais e os malditos planos de saúde. Quando meu cérebro estava derretendo, felizmente já estava também na hora da reunião que eu tinha marcada para as 12h30. Fomos para o Flame, minha chefe e eu. O meu outro chefe chegou depois. Depois do almoço (spanakopita com salada grega, eba!) e de resolvidos uns lances da programação com a ONU, eu estava liberada pra dar a minha tradicional passadinha no Whole Foods do Columbus Circle e voltar pra casa.

E nada de vida fácil aqui no Bronx, já que eu ainda tinha que preparar o arroz e a sobremesa para o jantar indiano que ia rolar na casa do Walter às 18h30. Corri até o mercado, fiz o bolo, fiz o Basmati, tomei banho, dei uma arrumada na mala (para a viagem para Detroit, no dia seguinte) e saí correndo, depois que o Respectivo veio me encontrar.

Esse foi o tradicional jantar dos pós-graduandos em filosofia do segundo ano para o novos (recém-chegados) pós-graduandos em filosofia. Por sorte, todo mundo apareceu. O Chris U. e o Walter fizeram o curry. Eu levei o arroz e a sobremesa. Depois de tudo pronto, comemos até a morte e ainda consegui conversar com alguns dos novos alunos, que finalmente começaram a parecer muito menos estranhos que à primeira vista. Mas é claro que somos pesquisadores de filosofia, então as restrições ainda se aplicam... Depois do social todo, uma passada rápida no meu apartamento para eu trocar de roupa e get foo foo para podermos ir ao SoHo comemorar o aniversário do Aaron.

Como o Aaron é DJ residente da Houseface, noite de quinta-feira da Kush Lounge, a coisa prometia ser VIP. Não foi diferente: hookahs à vontade, várias garrafas de vodka com mixers e uns vale-drinks aqui e ali. E música boa, claro. Balada boa a custo zero = excelente. Fora os tradicionais ótimos momentos do Miraj moonwalking e meus vizinhos que acabaram aparecendo (Timo, Turner, Dave e Steve) - e eu fiz um dos novos-alunos-esquisitos-de-filosofia dançar na pista e tudo. Claro!

É, só que tudo isso foi na quinta à noite. E eu ainda tinha uma aula de Medieval e um vôo para Detroit no dia seguinte. Ou seja: uma e meia da manhã era hora de voltar pra casa. Táxi até a Grand Central e Metro-North para casa, felizmente. E depois do processo habitual pós-balada, era hora de desmaiar... por 4 horas. E viva as sextas-feiras pós-balada! 9/11? Não ligo MESMO!

Tuesday, September 9, 2008

We've got a file on you

Hora de falar de coisa chata: trabalho. Sim, porque este ano estou acumulando empregos, cargos, projetos etc.

Além do meu trabalho no RETC, e do meu cargo pseudo-administrativo como International Student Representative no Conselho da Associação de Pós-Graduandos, também sou graduate assistant no Office of International Services.

Este último é mais como um emprego de verdade, i.e. tenho um salário razoável (do qual até daria para um ser humano sobreviver), trabalho 15 horas/semana e faço alguma coisa que é quase de verdade. Eu fui contratada para ser a liaison da faculdade com a ONU (sim, essa ONU que vocês estão pensando mesmo: Organização nas Nações Unidas e tal) em um novo projeto de consciência acadêmica sobre os MDG (Millennium Development Goals).

Parece muito bonito e muito legal. E, como acontece com quase tudo que leva o nome da ONU, a história não é bem assim. Não por enquanto. Porque como o projeto ainda está engatinhando e eu ainda estou tentando atrair voluntários, eu preciso preencher minhas 15 horas semanais no escritório com alguma coisa. E é aí que o negócio enrosca...

No começo, montei pastas para o programa de orientação para os novos alunos estrangeiros. Até aí, nenhum grande sofrimento. Depois, tive que fazer o check-in desses novos alunos. E o que é este check-in? Basicamente, os novos alunos vêm até meu escritório com o passaporte e o formulário I-20 e, enquanto eu faço cópias dos dois e localizo o arquivo deles para atualizar os dados, eles preenchem um formulário com informações e contatos de emergência. Fácil, né?!

Seria muito fácil se eles não chegassem aqui com bilhões de perguntas sobre coisas que se enquandram em pelo menos uma das categorias abaixo:
(a) absolutamente irrelevante
(b) absolutamente surreal
(c) absolutamente sem-noção
(d) não-entendi-nada-do-que-você-disse-porque-você-tem-um-sotaque-brutal
(e) não-entendi-nada-do-que-você-disse-porque-você-não-fala-inglês
(f) você-só-está-perguntando-isso-porque-não-tem-ninguém-mais-com-quem-conversar-neste-país
(g) WTF?!

Pois é... a maior parte das pessoas que aparecem com os casos mais complicados, do tipo perdi-meu-passaporte-roubaram-meu-celular-e-eu-também-não-tenho-onde-morar-e-ainda-não-estou-oficialmente-matriculado, mal falam inglês. E olha que depois de dar aulas durante uns bons 8 anos da minha vida eu sou praticamente capaz de compreender qualquer asneira semântica! Mas as pessoas aqui vão além. Muito além do limite da incapacidade linguística.

E a piada-mor foi quando eu tive que entreter um grupo de chinesinhas ultra-mega-BFF-hyper durante um final de semana quase inteiro. Mas como isso já é quase piada pronta, fica só o teaser; a história completa vem quando eu tiver algum momento para respirar entre meus empregos.

Sabe aquela coisa do glamour de morar em um país de primeiro mundo, sendo estudante e vivendo de stipend e graduate assistantship, que deveria ser um lance tão bom, fácil e tal? Então, nem.

Monday, September 8, 2008

People in the city

Já está no ar (na internet, I mean) a entrevista que eu dei para a Bonfire Magazine. Quem quiser ler a novíssima revista (ou apenas a entrevista) na íntegra, é só clicar na figura aí abaixo.


Sunday, September 7, 2008

Careless in our summer clothes, splashing around in the muck and the mire

Acabou que não concluí a história de o que aconteceu depois daquele meu longo passeio de jet ski no início de agosto. Ainda naquela tarde, o Respectivo e eu fomos para o meio do lago com mais 3 amigos dele, mas desta vez de lancha. A brincadeira da vez era tubing (e sei lá como isso chamaria em português; clique aí no linque pra ver de que se trata!).

Lanchas são mais rápidas ainda que jet skis, portanto, nenhuma reclamação... Exceto pela ignição da lancha, que não estava rolando legal e que, depois de uma hora e meia de tubing nos deixou meio que à deriva no meio do lago. E viva! E, como eu tinha dito no outro post, o lago é razoavelmente grande, e a idéia de nadar de volta para a terra firme era... bem, não era sequer uma idéia. Depois de um tempo, a única solução era chamar a guarda costeira para nos rebocar. O pior de tudo é que, a cada vez que tentávamos dar a partida e a ignição falhava, um apito surrealmente agudo disparava, tornando a situação ligeiramente intolerável.

10 minutos... 20 minutos... e nada. O raio da lancha só engasgando. E apitando. Loucamente! E tudo bem que lanchas são legais, mas elas são legais em movimento. Porque paradas no meio do nada debaixo de um sol de 28 graus, apitando e eu estando com fome elas estão mais próximas à minha idéia de inferno.

Eis que num momento de inspiração das musas o dono da lancha declara que tentará dar a partida mais uma última vez antes de chamar a guarda costeira. E eis que... NADA! E apito! E mais apito!

Por puro orgulho (ou teimosice, sei lá eu), ele não chama a guarda costeira e resolve tentar mais algumas vezes. Depois da oitava tentativa pós-decisão abortada (foram mais de 40 tentavivas com consecutivos apitos, no total), tah-dah!, a lancha pegou. E conseguimos voltar para a casa do moço.

E dessa vez foi mais fácil, já que ele estava conosco e, obviamente, sabia como localizar o próprio lar em relação a onde estávamos no lago (diferentemente do Respectivo e eu durante o passeio de jet ski). Mas sempre tem que ter alguma turbulência em todos os meus momentos de lazer. Só pra eu ter certeza de que minha alma ainda não abandonou meu corpo. Ou algo assim, sei lá.

I think I remember that film (or, what to do in case of tropical storm)

Não apenas uma, mas duas tempestades tropicais atingiram NY ontem, matando meus planos de ir assistir ao US Open ou de ir encontrar com uns amigos em Manhattan.

O dia começou na rotina de (quase) sempre: o cable guy veio aqui porque eles fizeram uma instalação porca da última vez e eu só estava pegando 20 dos 60 canais que assino. Depois do processo todo de puxa-fio-troca-tomada, fui à academia, voltei pra casa, almocei e... e agora, o que fazer?

O plano original era ir ao cinema, ou fazer qualquer coisa divertida, mas com alerta de dilúvio e alerta para ventos de 55km/h, no way José. Acabei ficando por aqui. E enfrentei um pouco da chuva torrencial. Fui comprar comida e depois fui ajudar o Respectivo a pendurar os quadros no novo apartamento.

Depois, ele teve a brilhante idéia de ir à igreja, mesmo sem ter certeza de que ia ter missa ontem (por causa da missa do Espírito Santo, que é hoje). Nadamos do apartamento dele até a Blue Chapel. Assim que entrei na capela, meus tênis obviamente foram fazendo squiiick-squiiick no chão até sentarmos. E nada do padre! Acho que os padres são meio que nem a Wicked Witch of the West e derretem na água, sei lá.

Fato é que o padre não veio (e eu devo ter acumulado MUITOS créditos no céu por ter encarado o dilúvio e ter ido ao raio da igreja bem no dia em que o padre faltou!). E nadamos de volta para a casa do Respectivo, para jantar e depois virmos até a minha casa assistir a um filme. Chegando aqui, assistimos a Breakfast at Tiffany's, que eu comprei faz um tempão, mas nunca tínhamos assistido. We both kinda liked it.

É um dos poucos filmes que não entrou para nossa lista de desacordo completo, já que assistimos a Funny Games (1997) na quinta-feira e ele não gostou. Não sei como uma pessoa pode não gostar de Funny Games. Mas ele também não entende como eu consigo dormir toda vez que tento assistir a Braveheart, que deve ser o filme mais chato da história, junto com Dolls! Mas acho que conseguimos concordar sobre Breakfast at Tiffany's. Well, that's the one thing we've got.

Wednesday, September 3, 2008

I live in a town where you can't smell a thing; you watch your feet for cracks in the pavement

Desde que voltei pra NY as coisas tem andado tão... hum, de volta ao ritmo de NY... que mal deu tempo de eu atualizar este pseudo-blogue com o que vem acontecendo por aqui.

Enquanto ainda tento encaixar meus 12736598649 empregos, aulas e hobbies na minha agenda, uma breve atualização sobre o meu apartamento: primeiro, um breve epílogo do ano acadêmico 2007-8:

A famigerada Doris, das minhas incontáveis histórias (estórias e histórias, quase) peculiares não mora mais aqui. Ela mudou para alguns quarteirões ao sul, no prédio onde moram uns outros amigos meus. Ela está dividindo um apartamento de um quarto com a Amy, outra chinesa, nossa vizinha. Felizmente, ainda tenho algumas anedotas do ano passado guardadas na manga e vou contar quando for conveniente (i.e., quando eu estiver em uma rotina tão chata que não vou ter nada pra contar). Ainda encontro com ela às vezes, no campus. E acho que ela não tem mais ido à academia mesmo, porque também andou ganhando uns quilinhos. Ha!

A Mariana, que é da Bolívia e cuja irmã eu encontrei no Teatro Municipal em SP, voltou para o Oklahoma, onde ela tinha se formado. Saiu daqui com um mestrado e arrumou um emprego e tal. Continuamos nos falando de vez em quando. Como ela ficou morando no meu quarto durante o verão, acabou deixando um monte de coisas que ela não quis levar de volta para Oklahoma City, então acabei herdando uns apetrechos de cozinha e umas coisinhas para o quarto. Agora tenho dois pufes! E viva!

A Cara terminou o mestrado e voltou para New Jersey. Não sei o que ela está fazendo da vida. Acho que a última vez que eu a vi foi em abril. Só sei que ela largou o equipamento da TV a cabo e o modem antigo (da internet) aqui e eu ainda vou ter que ir lá na Cablevision devolver o raio das coisas um dia desses. Mas ela deixou o Toast-R-Oven aqui. Então, tudo bem.

A Mahlika é a única que continua aqui comigo, mas ela mudou de quarto. Saiu do pequenininho lá da frente e foi para o quarto que era da Doris, no fundo.

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As novas protagonistas das novelas Alinianas, portanto, serão:

Jehann, de St. Vincent and the Grenadines (sim, Caribe!!), que está aqui para um MA em economia. Ela está no quarto da frente, que era da Mahlika.

Lauren, de New Jersey. Ela está aqui para um PhD em Letras Clássicas (Grego Antigo) e está no quarto que era da Cara, ao lado do meu. É com ela que eu vou dividir meu banheiro (a coisa que me deixou mais apreensiva no verão foi justamente isso: com quem eu iria dividir o MEU banheiro?)

Melissa, de Long Island. Ela se formou aqui mesmo na Fordham e já ficou direto para um dos programas alternativos do PhD em Psicologia. Ela está no quarto que era da Mariana.

Todas elas parecem bem legais por enquanto. Keywords: por enquanto. Vamos ver como a coisa vai estar daqui a um mês... O meu palpite é: não tão boas assim. Mas vou tentar não me precipitar, embora eu raramente me engane sobre as pessoas. O que posso dizer por ora é que a nossa cozinha já não é povoada por espécies estranhas... e eu consigo reconhecer quase tudo o que vejo na geladeira. Eba!

Monday, September 1, 2008

Brazilian Bollywood

Ontem foi o Brazilian Day Festival aqui em NY. Não que eu geralmente fique lá muito entusiasmada com esse tipo de evento, mas era uma desculpa para sair de casa e ir tomar um guaraná (diet).

Depois de correr no Jardim Botânico de manhã e almoçar, o Respectivo e eu pegamos o trem para ir à Grand Central. Só que as máquinas de bilhetes aqui na estação de trem não estavam funcionando direito. E não tinha ninguém trabalhando na janelinha. O resultado da brincadeira é que não conseguimos comprar o CityTicket por US$ 3.25 e acabamos tendo que comprar o bilhete normal a bordo do trem, por US$ 10 (!!) cada. É óbvio que eu não ia deixar por isso mesmo. Chegando na Grand Central, fui à janelinha 27 reclamar o ocorrido e pedir meu dinheiro de volta. O bom de morar em um lugar onde as coisas funcionam é que em menos de 5 minutos nos reembolsaram a diferença de US$ 13.50.

Na W46th St, tinha gente por toda parte. Montes de brasileiros enlouquecidos se entupindo de feijoada, guaraná, pastel e whatnot. E tinha um show do Jorge Ben Jor. Como é de se supor, minha estada na festa não durou muito. Apenas o suficiente para comprar 2 guaranás e sair em direção a um lugar mais calmo e com ar-condicionado. Cinema.

É, só que não tinha nenhum filme bom passando. O que fazer? Ir até o West Village e encontrar um amigo no Lesbian, Gay, Bisexual & Transgender Community Center e dar uma volta. Fomos andando até o East Village/NoHo, com uma pausa para compra de DVDs na BestBuy da Broadway com a Bleecker St.

Na hora da fome, concordamos em finalmente ir a Curry Hill Murray Hill comer em um restaurante indiano. Andamos pela Lex. na altura da 28th St. e nos decidimos pelo Banana Leaf, que era um indiano com uma cara arrumadinha. A salada e a sopa estavam boas, mas nada excepcional, diferentemente dos pratos principais. O Avial que eu pedi estava muito bom, assim como o Chicken Saag do Respectivo; mas o melhor prato mesmo foi o Chicken Tikka Masala, que nosso amigo pediu. E o naan é sempre bom... Comemos muito bem e por US$ 55. Para três pessoas. Com entradas!

Para a sobremesa, paramos em uma deli indiana a caminho da Grand Central e eu logicamente comi dois Gulab Jamun, que estão na minha lista de sobremesas favoritas. E olha que eu nem gosto de doces. Depois disso, obviamente voltamos para casa. Com o devido coma alimentar. E chega de "Brazilian Day".
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