Tuesday, September 9, 2008

We've got a file on you

Hora de falar de coisa chata: trabalho. Sim, porque este ano estou acumulando empregos, cargos, projetos etc.

Além do meu trabalho no RETC, e do meu cargo pseudo-administrativo como International Student Representative no Conselho da Associação de Pós-Graduandos, também sou graduate assistant no Office of International Services.

Este último é mais como um emprego de verdade, i.e. tenho um salário razoável (do qual até daria para um ser humano sobreviver), trabalho 15 horas/semana e faço alguma coisa que é quase de verdade. Eu fui contratada para ser a liaison da faculdade com a ONU (sim, essa ONU que vocês estão pensando mesmo: Organização nas Nações Unidas e tal) em um novo projeto de consciência acadêmica sobre os MDG (Millennium Development Goals).

Parece muito bonito e muito legal. E, como acontece com quase tudo que leva o nome da ONU, a história não é bem assim. Não por enquanto. Porque como o projeto ainda está engatinhando e eu ainda estou tentando atrair voluntários, eu preciso preencher minhas 15 horas semanais no escritório com alguma coisa. E é aí que o negócio enrosca...

No começo, montei pastas para o programa de orientação para os novos alunos estrangeiros. Até aí, nenhum grande sofrimento. Depois, tive que fazer o check-in desses novos alunos. E o que é este check-in? Basicamente, os novos alunos vêm até meu escritório com o passaporte e o formulário I-20 e, enquanto eu faço cópias dos dois e localizo o arquivo deles para atualizar os dados, eles preenchem um formulário com informações e contatos de emergência. Fácil, né?!

Seria muito fácil se eles não chegassem aqui com bilhões de perguntas sobre coisas que se enquandram em pelo menos uma das categorias abaixo:
(a) absolutamente irrelevante
(b) absolutamente surreal
(c) absolutamente sem-noção
(d) não-entendi-nada-do-que-você-disse-porque-você-tem-um-sotaque-brutal
(e) não-entendi-nada-do-que-você-disse-porque-você-não-fala-inglês
(f) você-só-está-perguntando-isso-porque-não-tem-ninguém-mais-com-quem-conversar-neste-país
(g) WTF?!

Pois é... a maior parte das pessoas que aparecem com os casos mais complicados, do tipo perdi-meu-passaporte-roubaram-meu-celular-e-eu-também-não-tenho-onde-morar-e-ainda-não-estou-oficialmente-matriculado, mal falam inglês. E olha que depois de dar aulas durante uns bons 8 anos da minha vida eu sou praticamente capaz de compreender qualquer asneira semântica! Mas as pessoas aqui vão além. Muito além do limite da incapacidade linguística.

E a piada-mor foi quando eu tive que entreter um grupo de chinesinhas ultra-mega-BFF-hyper durante um final de semana quase inteiro. Mas como isso já é quase piada pronta, fica só o teaser; a história completa vem quando eu tiver algum momento para respirar entre meus empregos.

Sabe aquela coisa do glamour de morar em um país de primeiro mundo, sendo estudante e vivendo de stipend e graduate assistantship, que deveria ser um lance tão bom, fácil e tal? Então, nem.

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