Monday, September 29, 2008

World spins madly on (or, lessons on Macroeconomics)

Sim, eu poderia falar da crise financeira nos EUA. Mas não vou. Não diretamente. Vai aqui a lição "Pork on my Eggos" de macroeconomia, i.e. o meu ponto de vista limitado, twisted e pseudo-filosófico-prático a respeito não da crise per se, mas do que eu bem entender.

Lição de macroeconomia - Parte 1: A Teoria

Vejamos o que tem acontecido nas últimas horas: o senado não aprovou o pacotão bailout do Bush. E o povo está reclamando. Mas por quê, minha gente? Se os EUA são o grande exemplo do sucesso do liberalismo econômico (o chamado libertarianism), que deixem o laissez-faire dominar a situação, ou seja: o Estado não intervem para tentar proibir as práticas absurdas das empresas privadas, mas também não intervem para salvá-las. Nada mais justo. Certo?

Errado. Porque uma país que vive nessa tal liberdade vive também de especualção. Então, o que acontece é uma versão turbinada do crash da Argentina de uns anos atrás. É uma questão de jogos não-cooperativos, que predomina na economia especulativa. Não é à toa que o John Nash ganhou um prêmio Nobel com essa teoria. Se não atingirmos o equilíbrio de Nash, a coisa vai pro saco. E não é tão difícil entender a base da história:

Imagine que seu banco está pra quebrar a qualquer momento e que você tem muito dinheiro em aplicações, e estas aplicações não são seguradas pelo governo (ou seja, se o banco quebra, você basicamente perde tudo). Você pode deixar seu dinheiro lá ou sacar tudo e aplicar em outro banco (ou guardar no colchão, na atual situação dos EUA). O que você faz?

Saca tudo, certo? (É isso o que o povo vem fazendo) Errado mais uma vez.

Porque se você sacar tudo, aí sim seu banco quebra (ele fica sem capital de giro para reinvestir e gerar mais capital para pagar o que deve). Por outro lado, se você (e todo mundo) deixar o dinheiro investido lá, ele pode sobreviver (com a especulação e giro de capital pelo mercado etc.). O problema está na primeira condicional: a coisa só funciona se você e todo mundo deixar o dinheiro lá.

Mas - e é aqui que entra a história dos jogos não-cooperativos - se você for o único samaritano a se importar com a economia global e todo o resto das pessoas sacar o dinheiro, quem vai pro saco não é apenas seu banco, mas você vai junto - de verde-e-amarelo (ou de vermelho, azul e branco, no caso). E o resto das pessoas não. Só que nesse tipo de situação, não se pode contar com o extremo poder racional das pessoas. Porque embora matematicamente seja mais vantajoso deixar o dinheiro lá, essa situação é o exemplo máximo de como as pessoas agem de modo absolutamente irracional achando que estão sendo muito criteriosas (e, a quem interessar possa, uma das sacadas do Nash foi ter visto isso aí).

Isso foi uma versão completamente dumbed-down da crise e (mais ainda!) do Nash (que, como qualquer economista que ler isso aqui, deve estar tendo convulsões e espasmos graves), mas é só pra explicar à la "Folha Explica" (mas sem os infográficos) a brincadeira do momento aqui na América.

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Lição de macroeconomia - Parte 2: A Prática

Aí, nego alienado (no caso, eu) se pergunta: "mas que diabos isso tem a ver com a minha vida? Deixa pra lá!"

Bem, além de isso tudo colocar em xeque as bases do capitalismo e da política liberal, blá-blá-blá-could-care-less, isso pode te afetar. Um dia essas coisas batem á porta. E lá vai meu exemplo:

Como relatei uns dias atrás, a ignorante da administração da faculdade esqueceu (esqueceu!! - durante d-o-i-s meses!!!) de entregar minha documentação para o RH e para o contas a pagar, o que fez com que eu não recebesse meu salário.

Não recebendo meu salário (e tendo, ainda assim, que me alimentar, como os outros mortais), tive que tirar dinheiro de algum lugar, nomeadamente não de onde vocês estão pensando, mas do meu (aka daddy's) cartão de crédito no Brasil. Pois bem: saquei uns dinheiros lá pelo dia 5 ou 10 de setembro, dias antes do Fannie Mae e do Freddie Mac quebrarem. A fatura do meu cartão vence pouco depois, o que fez com que eu tenha sacado o dinheiro com o dólar a R$ 1,66, mas tenha pagado a fatura com o dólar acima de R$ 1,80. Uma diferença de mais ou menos 10%. Por causa de poucos dias.

Agora, o dólar já bateu os R$ 2,00, e ainda tenho (aka o papai tem) faturas a pagar, resquícios da época em que eu achava estar sacando dinheiro a R$ 1,66.

Portanto, o fato de a faculdade não ter me pagado ainda não apenas fez com que eu ficasse sem dinheiro, mas, no final das contas, fez com que eu perdesse dinheiro. Monetariamente falando, isso significa que quando eu receber, por causa de toda essa crise e confusão cambial relacionada, eu receberei, na prática, um salário com uma desvalorização de mais de 15%. Novamente: por causa de poucos dias.

E é assim que as práticas político-econômicas da América prejudicam não apenas os norte-americanos, mas fazem muito mais mal para nós, pobres membros do calabouço do mundo. Será que eu vi alguém aí levantando a bandeirinha do liberalismo? Alguém ainda vai ter coragem de votar nos Republicanos? Ou no PSDB?

1 comment:

Anonymous said...

....è minha amiga,todo esse caos daí,tá deixando nós daqui com a pulguinha atrás da orelhinha!!!!
beijinhos.
M.Angelica

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