Wednesday, October 29, 2008

I was never young (or, the youth and future reflections)


Ontem, depois de um ano, quando eu peguei na estante as Meditações Cartesianas, que eu tinha que reler, percebi que tinha deixado um marcador de página dentro do livro. Fui ver qual era e me dei conta de que, na verdade, era o ingresso de um show a que eu fui ano passado: 13 de outubro de 2007.

Foi minha primeira (e única, por enquanto) ida ao Roseland Ballroom, clássico venue do grande álbum do Portishead. Mais um sábado de show solitário em NYC. Peguei o trem e fui até a região da Times Square. Cheguei lá relativamente cedo, para ver todas as bandas. A primeira foi a banda que é agora a-última-nova-super-banda-dos-últimos-dias, MGMT. Na época, nunca tinha ouvido falar nos caras (lembre-se de que isso foi há mais de um ano!), mas gostei bastante deles, em especial de uma música, que depois iria se tornar o grande hit dos últimos tempos, Time to Pretend.

Depois, foi a vez do Grand Buffet. Uma coisa meio hip hop, meio comédia, meio música de verdade (sim, porque hip hop não é, convenhamos!). Meio chato como música, meio engraçado como skit de comédia. Como diriam os estadunidenses, "meh".

Nesse tempo todo eu estava bem perto do palco, o Roseland (que é relativamente pequeno apesar de eles alegarem que a capacidade é para 3200 pessoas em pé) não estava tão cheio. Mas foi só a atração principal da noite, Of Montreal, subir ao palco que começaram a surgir pessoas do além. Pânico. Eu lá, do alto dos meus 1,60m, sendo praticamente esmagada. Tá legal, os caras são legais, o show é animado e tudo, mas eu era, provavelmente, uma das pessoas mais velhas no lugar. A média de idade devia ser uns 20 anos, no máximo.

Todo mundo aglomerado (esquema "montinho" às vezes), pulando, se mexendo desesperadamente, fumando maconha, os mais velhos comprando bebida para os que eram menores de 21, aquela coisa. E eu lá, tiazona...

Tem dessas: quando usam a música da banda (no caso, "Wraith Pinned to the Mist (And Other Games")) num comercial do Outback e outro, da T-Mobile (e até um da Nasdaq!), dá pra prever que "civilizado" é a última palavra que alguém vai usar pra descrever o show. De novo, "meh". Tá bom, o Kevin Barnes é um cara com um senso de humor legalzinho, e a idéia de voltar à psicodelia e nonsense no palco é legal e tudo... mas alguém já parou pra pensar que tudo tem limite? O show foi tanta informação visual que mal deu pra ouvir a música (por conta da confusão mental).

Confesso que depois do show me deu meio bode de ouvir Of Montreal, porque fiquei com a sensação de ser uma coisa meio para esse pessoal que nasceu nos anos 90. O que valeu a pena foi que minha primeira resolução na semana seguinte foi baixar o Oracular Spectacular do MGMT, que, como eu acabei descobrindo, não é excelente, mas vale a pena pelo hit de que eu falei acima e pela Electric Feel. Pois é. E agora, além de serem atração principal em show próprio (e serem mais conhecidos que o Of Montreal) eles também estão como fundo de comercial de TV (da HP, entre outros).

E eles fazem show hoje e amanhã aqui em NY - com ingressos esgotadíssimos há um tempão. Se eu vou? Na... This is SO last year!

Tuesday, October 28, 2008

Ode to joy (or, an die Freude - und nichts mehr!)


Na sexta-feira passada começamos a comemoração do aniversário da Mahlika, minha roommate (uma das roommates legais, não a roommate from hell), o que eu usei como desculpa para arrastar um grupinho de pessoas para o Avery Fisher Hall, que é uma das salas do Lincoln Center, para assistir à noite de abertura da temporada do National Chorale.

Fomos a Mahlika, o Respectivo, o Das e eu. Na verdade, primeiro fomos jantar no P. J. Clarke's (que, aliás, está pra abrir uma filial em São Paulo), onde a comida não é tão exorbitantemente cara (dada a localização), mas competente. Comi o bacalhau fresco que vinha acompanhado de cenoura e figos caramalizados (sim, figos!). Estava bom. O Das chegou atrasado, só para a sobremesa, e dividimos um fudge walnut brownie, que foi chocolate demais para minha pálida existência. Cantamos parabéns para a Mahlika, atravessamos a rua e fomos ao nosso concerto.

Como fui eu quem teve a idéia de comprar os ingressos, o programa é bastante óbvio: a atração principal era Beethoven (só moveria meus dedinhos para comprar ingressos se fosse Beethoven ou Wagner). Na verdade a programação completa foi:

Schicksalslied, Brahms
Singet dem Herrn, Bach
9a. Sinfonia em D Menor, Opus 125, Beethoven


A apresentação, é claro, valeu cada um dos meus US$ 31. Todos parecem ter gostado, embora estivéssemos todos exaustos e termos corrido para pegar a van da faculdade de volta pra casa. O Respectivo continua reclamando da língua alemã, e acha que a 9a. teria sido melhor se tivesse sido cantada em italiano. A minha resposta a esse tipo de comentário é óbvia: silêncio sepulcral seguido de risada histérica com aquela cara de "you have GOT to be kidding me!". Imagine se o mundo fosse povoado por aqueles bárbaros italianos e, pior ainda, a escória da humanidade (que povoa igualmente o Brasil e New Jersey), aka a galera da Sicília. O Barbudo sósia do Dumbledore que me livre!

E para os sicilianos (e descendentes de) que por ventura lerem este blogue... Er, desculpa, mas eu não gosto de vocês. Ou melhor, desculpa, nada! Eu não gosto de vocês. E ponto.

E viva o mano Schiller!

Monday, October 27, 2008

Take a Chance

Trilha sonora para um 27 de outubro qualquer...

I’ve been watching you…
From all the way across the room…
I see the way you’re looking at me
And I was wondering...
Are you gonna stand there all night?
Or are you gonna come over here...
And take a chance?

Tonight...
I’m gonna be the one that makes the first move
You’ve been too shy
And, baby, I don’t have no time to lose
Can you feel my eyes on you?
Does my body turn you on?
Just like I want it to
Can you feel that sexy rhythm
Takin’ over you
Just let yourself go
Let me take control

Why’re you standin’ over there, boy
Come and take a chance
Hear the music that is playing
It’s got me in a trance
See the way my hips are swaying
Come and join the dance
So, don’t just stand over there, boy
Come and take a chance

Come closer, boy
I wanna whisper something in your ear
It’s just for you
I don’t want nobody else to hear
I can feel your eyes on me
And right up on my body
Is where you wanna be
I can feel that sexy rhythm
Taking over me
I’ll let myself go
And let you take control

(Roger Sanchez. Take a Chance.)

Sunday, October 26, 2008

Something vague (or, my worst enemy)

Há mais ou menos dois anos conheci meu pior inimigo: uma experiência não muito boa. Foi um dia ruim. 06/10/2006. Depois de uma manhã cinzenta, uma tarde estranha, meio abafada, no extremo da região sul de São Paulo. E passei a tarde inteira com meu inimigo, lutando contra ele por horas, tentando desevndar os significados ocultos de suas palavras e construindo argumentos infalíveis.

Naquela tarde, só pude me afastar dele por alguns momentos, quando ocasionalmente faltava luz por conta dos usuais reparos na rede elétrica daquele canto da cidade (viva a Eletropaulo!). Mas isso era ainda mais incômodo, porque eu sabia que teria de voltar e passar mais algumas horas com ele em uma luta contra o tempo e contra seus tolos desafios numéricos.

O resto do dia (ou da noite, no caso, já que só depois de anoitecer é que eu pude me livrar dele, dadas todas as interrupções) não foi muito melhor, mas era uma alívio saber que já estava livre dele e que passaria um bom tempo sem ter que sequer pensar nele novamente. Talvez.

Eis que dois anos depois me vejo marcando um novo encontro com ele, desta vez no dia 20 de outubro de 2008, em Manhattan. Desta vez, me preparei melhor, conversei com vários amigos etc. na esperança de que o reencontro seria mais amistoso.

Não fui trabalhar neste dia, uma segunda-feira. Até meu chefe achou recomendável que eu não fosse, que eu me preparasse para o encontro. Saí de casa cedo, munida do meu passaporte, alguns snacks, mesmo sabendo que não poderia comer em sua companhia (minha esperança era ter intervalo para comer, mas não sabia ao certo...), e um punhado de coragem. Resolvi me arrumar, só pra melhorar a auto-estima. Estava usando o par de brincos e os dois anéis que o Respectivo me deu.

Quando cheguei lá no prédio, fui ao segundo andar e falei para a recepcionista que estava ali para o encontro com meu distinto inimigo de New Jersey. Ela foi me falando por onde entrar, onde deixar meu casaco e mais sei-lá-o-quê, mas eu não estava mais escutando. Estava pensando que seria uma boa estratégia ir ao banheiro antes. Peguei a chave (por que diabos precisava de chaves para ir ao banheiro de um prédio de escritórios?, pensei rapidamente), fui lá e voltei. Ela me deu uma chave para um locker, algumas instruções e, alguns minutos depois, estava cara a cara com ele, mais uma vez.

Logo de início, percebi que meu anéis estavam me deixando incomodada. Tirei e coloquei ao lado de minhas chaves. Algumas horas depois, fui interrompida por alguém me dizendo que eu não poderia fazer aquilo; que deveria pôr meus anéis de volta. Não entendi o sentido daquilo, mas achei melhor deixar pra lá...

Desta vez, estava mais calma. Não houve interrupções por falta de energia elétrica. Foi um encontro mais breve, mas tão desconfortável quanto o anterior: a gente nunca sabe bem o que está fazendo ali, até ele finalmente te dar um veredito sobre seu desempenho. O problema é que quando chega esse momento, você já não quer saber de mais nada. Não quer ver instruções e números. Só quer ir para casa, ver rostos conhecidos e ficar feliz por viver em um mundo ainda não completamente dominado por máquinas. Mas ele não deixa. E, no fundo, você não quer. E recebe o veredito.

E volta ao locker, pega sua bolsa e seu casaco e pega o trem de volta, sem saber muito bem o que aconteceu e ainda um tanto perplexa por simplesmente não entender se o melhor correlato da analogia entre headlong e forethought é (a) barefaced : shame; (b) mealymouthed : talent; (c) heartbroken : emotion; (d) levelheaded : resolve; ou (e) singlehanded : ambition.

Mas está tudo bem. Tudo bem até você receber aquela ligação em que a voz do outro lado da linha pergunta: "E aí, como foi o GRE?"

E aí sua voz falha e você se lembra de por que ele é seu pior inimigo: porque ele sempre te rouba as cordas vocais.

(E quem souber resolver o problema de analogia acima ganha uma bala de côco.)

A Perfect Sonnet

Lately I've been wishing I had one desire
something that would make me never want another
something that would make it so that nothing matters
all would be clear then

but I guess I'll have to settle for a few brief moments
and watch it all dissolve into a single second
try to write it down into a perfect sonnet
or one foolish line

'cause that's all that you'll get so you'll have to accept
you are here then you're gone
but I believe that lovers should be tied together
thrown into the ocean in the worst of weather
left there to drown
left there to drown
in their innocence

but as for me I'm coming to the final chapter
I read all of the pages and there's still no answer
only all that was before I know must soon come after
that's the only way it can be

so I stand in the sun
and I breathe with my lungs
trying to spare me the weight of the truth
saying everything you've ever seen was just a mirror
spent your whole life sweating in an endless fever
now you're laying in a bathtub full of freezing water
wishing you were a ghost

but once you knew a girl and you named her lover
danced with her in kitchens through the greenest summer
autumn came, she disappeared
you can't remember where she said she was going to

but you know that she is gone 'cause she left you a song
that you don't want to sing
singing I believe that lovers should be chained together
thrown into a fire with their songs and letters
left there to burn
left there to burn
in their arrogance
but as for me I'm coming to my final failure
killed myself with changes trying to make things better
ended up becoming something other than what I had planned to be

now I believe that lovers should be draped in flowers
and laid entwined together on a bed of clover
left there to sleep
left there to dream of their happiness

(Bright Eyes. A Perfect Sonnet. Porque emo é a mãe! Conor Oberst é indie folk.)

Friday, October 24, 2008

Ring-a-ding ding (or, a time to be so small)

No domingo finalmente ganhei meu presente nada-surpresa: o anel (tipo ball ring) que o Respectivo havia encomendado para mim em agosto, quando ainda estávamos em Traverse City. Não é nada demais, além de um anel bem bonito, é claro. O motivo da encomenda ter demorado tanto não é tão especial quanto pode parecer: é o simples fato de minhas mãos (e meus dedos, consequentementente) serem pequenas demais para este país.

Quando fomos à loja, Art & Soul Gallery, experimentei os dois modelos do anel. Um deles, o tradicional, era grande demais para minha mão, em geral. O novo modelo, de que eu gostei mais, só estava disponível em tamanho 6 ou maior (obviamente grande demais). Mas a mocinha falou que poderíamos encomendar um tamanho menor. Eba! Meio que. Porque o menor tamanho que els fabricam é 5 1/2 (no padrão americano), e meu tamanho de dedo de carny folk é aproximadamente 5 1/4 (ou 5), que é o equivalente ao padrão brasileiro 12 1/2 ou 13.

Mas achei que o 5 1/2 ia rolar. Anel encomendado. Em agosto! Só chegou domingo, 19 de outubro! Foi quase custom-made.

É, esse não é um país de gente pequena. Tenho que me conformar com tênis tamanho 6, que geralmente é o menor tamanho em versão "women's", mesmo que o ideal fosse 5 1/2. O que é uma bagunça, já que eu compro sapatos sociais entre 6 e 7.

A gente acha que a numeração das coisas no Brasil é uma bagunça, porque em um lugar a gente compre jeans 34 e no outro 38. Que nada! Aqui os padrões também não ajudam muito.

E eu, uma grande pequena pessoa, tenho que me conformar com piadas com meus status de carny, como já diria o guru Austin Powers... (but I DON'T smell like cabbage!)

Ah, e o anel serviu, apesar de ter ficado meio folgado. Mas acho que é porque já está frio por aqui. No verão (ou na umidade constante de SP), quando os nossos membros sempre incham um pouco, ele vai servir perfeitamente. E logo, logo, já vou ter que voltar a usar luvas aqui, anyway... e aí, como na passagem do um dos meus livros favoritos na infância, "ou se calça a luva e não se põe o anel, ou se põe o anel e não se calça a luva!"

Thursday, October 23, 2008

Yankee bayonet (or, road trip)

18/10/2008, sábado de manhã, hora de arrumar as malas e voltar para o mundo civilizado. Dissemos adeus aos travesseiros fofinhos do Marriott, enfiamos tudo no carro (que agora estava cheio, depois do pit-stops no Trader Joe's e no K Mart) e pé na estrada. Lógico que, como acontece em qualquer lugar minimamente desagradável, sair de Pittsburgh foi difícil. Porque o GPS não pegava no centro da cidade (acho que pelo excesso de aço dos prédios) e tive que dirigir em direções randômicas até encontrar placas que indicavam a estrada.

Na saída da cidade, trânsito, muito trânsito, o que nos atrasou em meia hora. Depois de algumas horas ao volante, parei em um rest stop/mall genérico na estrada para almoçarmos. Saladas no Burger King (era isso ou Popeye's) e de volta pro carro. Aproveitei e peguei um soy chai latte na Starbucks, só pra matar a vontade (já que fiquei vários dias sem meu chá matinal). Enquanto apreciava meu chá, o Das foi dirigindo.

Depois de mais algumas horas, parada para irmos ao banheiro em um posto de gasolina (que aqui não tem banheiros nojentos), e o Respectivo foi dirigindo o resto do tempo, até chegarmos a NY, onde, como era de se esperar, pegamos trânsito na entrada e na saída de Manhattan.

Chegamos no Bronx por volta de 19h00. Fomos direto ao prédio do Das, ajudá-lo com as malas, as compras e as cervejas para o Paul (porque são 6 andares de escada, já que o prédio dele não tem elevador). De lá fomos, mortos de fome, procurar um lugar para jantar (porque cozinhar era a última coisa que o Respectivo queria fazer e eu, por definição, não cozinho). Uns dias antes de partimos para a Pennsylvania, ele tinha comentado sobre um novo restaurante mexicano que tinha aberto lá pros lados da Crescent Ave. Resolvemos que hoje seria o dia de experimentarmos.

É, só que chegando lá descobrimos que o restaurante não era mexicano, mas equatoriano! Que diabos se come no Equador? Sei lá, vamos descobrir... certo? Vambora. Entramos. O lugar é uma portinha minúscula, com cara de restaurante da Tia Maria, que faz comida a quilo e quentinha pra operário. Mas eu não tenho medo. Tinha uma família jantando lá. Se os latinos locais comem lá, a comida deve ser razoável, ao menos. Lógico que, assim que entramos, todos os chicanos ficaram olhando para nós com aquela cara de "o que esses dois caucasianos estão fazendo aqui?" Por fim, o único funcionário em vista veio nos atender. Trouxe um folheto (não era um menu, era um folheto, ok?!) com a lista dos oito pratos que eles serviam. Em espanhol. Ele começou a traduzir: guizado de tripas, ensopado de bode... (e o Respectivo, que não tem grandes pudores gastrônomicos, olhando pra minha cara, procurando os sinais de pânico). Mas aí veio o resto, mais comestível. Pedimos um escaviche de atum (?) e a bisteca equatoriana.

Primeiro chega o escaviche: uma sopa quente e temperada, de atum. Nada como o tradicional escaviche peruano/chileno. Mas estava bom. E fiquei mais tranquila em comer atum cozido que semi-cru ali. Depois chegou meu prato: enorme, para dois. Bife (a qualidade da carne, obviamente não era lá essas cosas, mas enfim), com arroz (o arroz tinha um temperinho amarela, que não era açafrão, mas não consegui descobrir o quê) e uma porção giantesca de plantains (bananas-da-terra?) fritas.

Comemos a valer (como diriam Batman e Robin), sobrevivemos e gastamos US$ 20 em uma comida que deu pro jantar e almoço do dia seguinte! No entanto, quando, na metade do caminho de volta para o carro me dei conta de que tinha deixado meu cachecol Burberry no restaurante, comecei a pensar que aquele poderia ter sido o jantar mais caro da minha vida. Por sorte, equatorianos são honestos e o mocinho tinha guardado meu cachecol e prontamente me entregou quando eu fui resgatá-lo. Depois, o lance foi efetivamente buscar o carro, largar minhas malas e compras aqui e as do Respectivo lá. E domir loucamente.

Repito: você sabe que foi a uma cidade bem meia boca quando fica feliz em voltar para casa no Bronx. E decidi que prefiro os cachecóis da vovó.

Wednesday, October 22, 2008

Sometimes in the Fall (or, city people in not-so-small a town)


17/10/2008, último dia inteiro em Pittsburgh (ufa!). O Respectivo e eu tiramos a manhã para descansar um pouco enquanto o Das foi assistir a algum painel sobre Foucault.

Lá pelas 11h decidimos que era hora de tomar vergonha na cara e ir assistir a algum painel da SPEP. Descemos até o lobby, subimos até o segundo andar e finalmente achamos o lugar onde toda a ação estava rolando. Só que aí encontramos um lugar onde estavam vendendo livros. Vamos dar uma olhada rápida. A olhada rápida durou meia hora e me rendeu um livro comprado com 80% de desconto e algumas edições gratuitas de revistas acadêmicas de fenomenologia. Aproveitei e fiz a função social, com um "oi" rápido para o Dr. Drummond.

Fomos para o painel que havíamos escolhido... ou não. Porque logo nos demos conta de que estávamos na sala de conferência errada. E viva! Mas pelo menos deu pra fazer uma pseudo-média com a Dr. Murphy. De lá, direto para a palestra principal do Dieter Lohmar (Universidade de Colônia) no Power Center Ballroom, de volta na Duquesne University. Interessante, mas não tão boa quanto eu esperava. Fome, saí no meio da sessão de perguntas (que já não estava lá gerando grandes frutos). Salada perto do hotel e voltamos, para assistir à apresentação do garoto nórdico que ganhou o prêmio de melhor trabalho de pós-graduando. Nhé. Mais ou menos...

Hora de diversão. Declaramos o fim da nossa participação na SPEP deste ano e fomos buscar o que fazer em um dia cinzento em Pittsburgh. Não pudemos evitar o óbvio por muito tempo. Fomos ao Duquesne Incline, uma espécie de bondinho-do-Pão-de-Açúcar que te leva a um lugar com uma bela vista da cidade. Seria o nosso grande ato turístico da viagem! Telefonamos para confirmar o endereço, digitamos no GPS e fomos...

Chegando lá: estranho. Onde fica a bilheteria pra comprar o tíquete para o bondinho? Nada. De repente, uma enxurrada de velhinhos chega. Depois de muito investigarmos, descobrimos que tínhamos dirigido diretamente ao topo da montanha - e não à base, de onde as pessoas normais pegam o bondinho. Pegar pra descer? Até parece, né! Nos contentamos em admirar (?) a vista, tirar umas fotos só pra provar que saímos de NY e logo fomos embora, fazer o que qualquer residente de NY faz quando sai da cidade: procurar um supermercado e encher o carro de produtos que podem ser comprados pela metade do preço.

K Mart. O que poderia ser considerado coisa de caipira é, ironicamente, coisa de nova-iorquino: viajar a outro estado para comprar produto de limpeza, abajur, toalha... e bananas (para a viagem de volta). Eba!

Hora da comida. Como a criatividade chegou e parou, depois de perguntarmos a um gentil hick de pittsburgh onde ele recomendava que jantássemos e ter ouvido "Olive Garden" como sugestão, resolvemos voltar à região onde tínhamos jantado no dia anterior e ir ao vizinho do tão estimado restaurante etíope da noite anterior. Este era um restaurante caribenho, Royal Caribbean. A comida, obviamente, não estava tão boa quanto a do etíope. Serviço lento, algumas coisas vieram erradas e tiveram que ser substituídas. As porções não eram gigantescas - ainda bem, porque rolava toda uma pimenta e (vejam que eu gosto MUITO de pimenta) depois de uma garfada do feijão preto que acompanhava meu jerk chicken, quase soltei fumacinha pelos ouvidos.

Foi interessante pela experiência. Longa experiência. Tudo demorou. Muito. Quando (final e congelantemente) voltamos ao hotel, já estava preparada para o coma. Decidi que ia fazer as malas na manhã seguinte. E boa noite.

Auto-orgulho e/ou vergonha alheia

Como eu já devo ter comentado em algum lugar, o programa de Filosofia de que eu faço parte tem mais ou menos 95 alunos matriculados (entre mestrandos e doutorandos, do primeiro ao oitavo ano).

Hoje recebi um e-mail encaminhado pela secretária do programa. O assunto era:

Fw: Please Forward to Female Graduate Students in Philosophy

Por curiosidade mórbida, fui olhar os detalhes de para quem o e-mail havia sido encaminhado. No total, eram 10 destinatárias.

Isso poderia dizer muita coisa sobre muita coisa. Mas decidi que, se é que isso diz alguma coisa, é sobre mim.

Monday, October 20, 2008

What is there to say?

E, mais uma vez, meus pulmões teimam em não caber na minha caixa toráxica.

Forks and Knives (or, doing the only thing one can do well in Pittsburgh, i.e. eat)

Segundo dia em Pittsburgh, acordamos cedo para ir assistir a uma amiga do Respectivo apresentar um trabalho no encontro da Society for Ricoeur Studies. Fugimos de lá logo que a sessão acabou. Enquanto ele resolvia umas coisas ao telefone, fui procurar um lugar onde eles servissem sopa (era hora do almoço) porque estava um frio infernal e eu já estava ficando com fome.

Bem em frente ao hotel, tinha um lugar com uma placa que exibia as opções de sopas do dia: cream of mushrooms e stuffed pepper soup. Eu nem gosto de cogumelos, mas não estava com estômago para pimentão e, na falta de algo melhor, sopa era, pelo menos, algo quentinho. Entrei: Cafe Fifth Avenue era o nome do lugar. Aparência de sports bar. Achei meio suspeito, mas perguntei para o moço que veio falar comigo (que, depois descobri, era o dono) se eles serviam sopa para viagem. Ele disse que sim e eu fiz meu pedido. Perguntei, en passant, se a sopa levava farinha de trigo, porque provavelmente dividiria com alguém com alegias etc.-etc. Ao que ele respondeu que tinha quase certeza, já que a filha dele é celíaca e sempre toma a sopa de cogumelos. Levei a sopa para comer no quarto, enquanto resolvia o que ia fazer no resto da tarde.

O Respectivo e eu quase disputamos a sopa a tapa. Por incrível que pareça, aquela foi uma das melhores sopas que eu tomei. Ever. E olha que já tomei várias sopas excelentes. Se a viagem a Pittsburgh vai ter uma boa memória, vai ser essa sopa. Se alguém (das taantas pessoas que lêem esse blogue) for a Pittsburgh na vida procurem esse lugar. Fica logo atrás do Marriott, pertinho da Duquesne.

Tempo ruim e cidade sem graça, o Respectivo e eu resolvemos sair de carro (enquanto o Das estava em algumas palestras da SPEP - Society for Phenomenology and Existential Philosophy). Fomos ao Trader Joe's reforçar o nosso estoque de produtos orgânicos e sustentáveis e depois começamos nossa busca por um posto de gasolina - o que não é tão fácil de achar por lá.

Voltamos para o hotel e, enquanto esperávamos o Das para jantar, estudamos as opções de restaurantes. Apesar de Pittsburgh ser conhecida pela culinária italiana, resolvemos ariiscar e ir a um restaurante etíope: Abay Ethiopian Cuisine. E aqui vai um ótimo toma-vergonha-na-cara pra quem pensou em fazer a piada-pronta de que na Etiópia não tem comida: o restaurante é excelente! O tradicional pão etíope, injera, é um intermediário entre um pão pita e uma panqueca. Bem interessante. Pedimos um combinado (uma espécie de menu-degustação): tilkil gomen, ye' abesha gomen, doro tibs e gomen besiga. Todos extraordinários, especialmente o tikil gomen - e olha que eu sequer gosto de repolho (principal ingrediente do prato)!

Infelizmente, eles não tinham nenhuma opção de sobremesa etíope, então, eu acabei decidindo experimentar o sherbet de gengibre que, apesar de não ser tão exótico, também estava ótimo (e, novamente, eu nem gosto muito de gengibre). O bom é que além de bem elaborados, os pratos são bem baratos.

Obviamente, a noite terminou em coma alimentar, depois de uma rápida parada em um bar para o Das comprar 12 garrafas de Iron City Beer para levar para o Paul, que estava catsitting os 2 gatos dele. E esse (talvez só esse) é o lado bom de Pittsburgh.

Sunday, October 19, 2008

Dialect I could not understand (or, there was no intellect that she could respect)

Primeiro dia (de verdade) em Pittsburgh. Mais frio e cinza que NY. Depois de todo o processo matinal, passei na Starbucks do hotel para comprar o maior tamanho possível do meu soy chai latte. Muita cafeína.

A Duquesne University ficava a apenas um quarteirão do hotel, então, deu pra ir andando tranquilamente. Encontramos a biblioteca, sede da conferência da Society for Ricoeur Studies, onde o Respectivo ia moderar a sessão das 10h30. Muito sono e muito tédio, o Das e eu abortamos a idéia de assistir àquele painel e fomos explorar a universidade.

Parada básica na Barnes & Noble, onde comprei um Asterix para o Respectivo, porque ele nunca tinha ouvido falar no gaulês ou no medo de que o céu caia sobre nossas cabeças - e uma pessoa não pode viver sem saber que o medo maior que devemos ter (e até os Gregos de lá de antes do Dr. Platão já sabiam disso) é exatamente de que o céu caia sobre nossas cabeças, e não essas bobagens contemporâneas de que o CERN é que vai causar o fim do mundo.

Enquanto o Respectivo socializava com seus amigos continentais achando que é analítico (Paul Ricoeur faz isso com a cabeça das pessoas, mas ele era um cara legal - e viveu mais que o B. Russell, então, more power to him!), o Das e eu fomos almoçar. Optamos por explorar o refeitório da universidade, onde descobrimos alunos (em sua maioria também católicos) menos assustadores que os da Fordham e uma comida bem razoável.

Depois do almoço, fomos assistir à sessão em que o Respectivo ia apresentar o trabalho dele. Eram 4 pós-graduandos apresentando, no total. O primeiro, coitadinho... com mestrado concluído na SUNY e tudo, mas... eu faria melhor. Não é arrogância ou pretensão, mas, ao contrário dele, eu fiz minha lição de casa sobre Saussure, Jakobson e Ricoeur, lá nos idos do meu segundo ano de graduação na Pontifícia. Ele deve ter copiado a lição de casa do coleguinha ao lado. Oh, well.

Sobrevivi ao resto da sessão e, depois que o Das foi embora, fomos - o Respectivo e eu - assistir à palestra do Richard Kearney, também sobre Ricoeur. O Respectivo teve aulas com ele anos atrás e eu virei fã do cara quando ele veio aqui pra NY o ano passado, deu uma palestra excelente e provou - mais uma vez - que não é necessário ler Joyce de verdade para entender Joyce. Mas essa é uma outra história e deverá ser contada em outra ocasião. Depois de o Respectivo ter sofrido uma contusão (don't ask... essas paredes por aí no mundo são perigosas. Milênios atrás, Tales caiu no poço, coitado. Hoje em dia, nós aqui damos com a cabeça na parede) e jorrar rios de sangue palestra afora, era hora do momento recompensador do dia: jantar. Fomos ao Red Ring, anexo ao Power Center, um dos prédios principais da Duquesne.

Comida bem competente: comi o Southwest Ahi Tuna, uma porção gigantesca, mas com o atum bem preparado. Depois do cansaço terrível, nos arrastamos de volta para o hotel, onde tivemos uma conversa breve, mas bem interessante, com o David Kaplan. E ainda assitimos ao último debate entre McCain e Obama, na TV. Engraçado, não fosse trágico.

Só tive forças para cair na cama e dormir, não sem antes blasfemar sobre o quanto meus ouvidos doeram o dia inteiro ouvindo americanos (e alguns europeus) assassinarem com requintes de crueldade qualquer pseudo-beleza da língua francesa, chamando o Paul Ricoeur de "Ricur", "Ricor" e variantes. Ah, pessoal, vamos praticar a fonética aí! Lição do dia: foneminha /oe:/ pra todo mundo.

Saturday, October 18, 2008

Keep the car running

Este blogue não saiu de férias. Este blogue estava fora do ar, a negócios. Terça-feira foi o dia de abandonar NY, atravessar o ralo da humanidade (aka New Jersey) e explorar a Pennsylvania, que é o estado cujo nome remete a florestas, i.e. um bom lugar para ver as folhas mudarem de cor no outono.

Ótima idéia, sim. Mas, novamente: o propósito da viagem era trabalho. Domingo passado, o Respectivo foi a White Plains buscar o carro que alugamos (não escolhemos o compacto - tipo "carro popular", porque a idéia era não economizar na bagagem!) para a semana e na terça-feira, depois da minha aula de Fenomenologia, ele, eu e o Das, o terceiro membro do nosso grupo, dirigimos as longas trezentas-e-oitenta-e-tantas milhas (620 Km) até Pittsburgh.

Longuíssima viagem. Saímos de NY às 16h20 e só chegamos em Pittsburgh às 23h00 - sem paradas para jantar. Levamos vários lanchinhos no carro e só paramos para banheiro. Ou seja, demora porque é longe mesmo. O Respectivo dirigiu a primeira parte do trajeto. Do meio pra frente (yay!) me diverti nas highways americanas - embora os limites de velocidade aqui sejam mais surreais que no Brasil: 65mph, ou seja, 105 Km/h em estradas ex-ce-len-tes! Como havia várias pseudo-obras, chegando em Pittsburgh, o limite era 90Km/h - um insulto maior ainda. Porém, aqui nos EUA tem sempre aquela história: se todo mundo estiver acima do limite, desde que você esteja no mesmo ritmo que os outros - e não ridiculamente estourando o limite - está tudo bem - o que nos permitiu manter uma média de 75mph (120Km/h) nos locais onde não havia trânsito ou obras.

(Tinha todo um problema envolvendo a possibilidade - ou não - de eu poder dirigir sem ter uma carteira de motorista americana. Mas eu descobri meio que uma brecha na lei que me permite dirigir à vontade com minha carteira de motorista do Brasil, desde que eu tenha comigo um versão em inglês - o propósito da minha carteira de habilitação internacional, que eu sempre carrego. Mas essa é outra história e deverá ser contada em outra ocasião - especialmente porque nenhum policial nos parou de qualquer forma.)

A nossa grande sorte, no entanto, é que a roommate do Respectivo nos emprestou o GPS dela, então, não precisamos nos desesperar tanto quando, chegando dentro de Pittsburgh, meio que nos perdemos em umas quebradas bem estranhas antes de acharmos o hotel: Marriott City Center.

Aquele alívio chegando no quarto: duas camas fofinhas. Só não tinha a geladeira de que iríamos precisar, mas com uma ligação rápida para a recepção o problema foi resolvido: mandaram um bellboy com uma geladeira e um microondas para nós. Nós três, exaustos, nem tivemos tempo para uma tentativa de pillow fight - já que estávamos em um hotel e tínhamos mil travesseiros à disposição. Deu tempo só de tirar as roupas de conferência (blazer, calça social etc.) das malas e desmaiar, porque o dia seguinte (quarta-feira) ia começar com um painel da Society for Ricoeur Studies às 10h30 na Duquesne University. Foi isso e boa noite.

O resto da viagem foi - obviamente - mais interessante. Mas vai em pequenos pedaços, para mais fácil digestão. Literalmente.

Tuesday, October 14, 2008

Monday, October 13, 2008

Manic Monday (or, the strange case of the magical bangles)

Feriado aqui nos EUA hoje. Columbus Day. Grandes liquidações... e eu em casa, estudando. O de sempre. Exceto pelo fato de que eu tinha que fazer minhas malas, porque vou abandonar o estado de NY por uns dias a partir de amanhã.

Pego minha duffle bag rosa para começar o processo. Coloco algumas roupas e, quando vou colocar os sapatos no compartimento lateral, dou de cara com algo inesperado: 13 pulseiras (estilo bangles, aquelas pulsirinhas fininhas indianas) lá dentro. Só que essas pulseiras não são minhas!!

Só usei essa bolsa uma vez, quando eu fui para a Flórida na Páscoa/Spring Break. Começo o trabalho de detetive: quem eram as mulheres que estavam lá na Flórida comigo na Páscoa? A mãe e a tia do Respectivo e a namorada do irmão dele. Pessoal, estamos falando da Páscoa: seis meses atrás!

Mensagem de texto surreal para a Mrs. O.:

Did you or any of the girls lose some bracelets in Florida at Easter? I'm packing and just found some bangles (not mine) in one of the lil' side pockets of my bag. Only time I used that bag was there. Wonder if they're yours.

Ela responde que não. Mensagem de texto para a namorada do irmão do Respectivo dizendo mais ou menos a mesma coisa. Ainda sem resposta. Mas as pulseiras não têm cara de que são dela. Nem da tia do Respectivo.

E como é que essas pulseiras foram parar aqui???

Vamos brincar de múltipla escolha:

a) Algum dos convidados (família do Respectivo) do almoço de Páscoa entrou no nosso quarto, abriu o guarda-roupa, abriu o tal compartimento externo da minha mala e, cheio de truqes, escondeu as pulseiras lá, em um teste à la A Princesa e a Ervilha (versão twisted).

b) Antes de eu comprar a bolsa no Target, alguém (Bronx person, no caso) foi lá e resolveu dar um presente inesperado ao sortudo comprador de uma bolsa Reebok que estava em liquidação.

c) Alguém (no caso, Bronx person) estava brincando de caça ao tesouro no supermercado (no caso, Target) e perdeu a noção (no caso, a que já lhe faltava) no meio da brincadeira.

d) A Mariana, minha antiga roommate que ficou no meu quarto durante o verão, pegou minha bolsa emprestada quando foi viajar a Washington, D.C. e esqueceu as pulseiras (no caso, dela) lá dentro.

Embora as provas me deixem inclinada a escolher a alternativa D - dado que eu sou ligeiramente (só um poquinho...) obsessivo-compulsiva e percebi que, quando eu voltei das férias, minha bolsa estava guardada dobrada de um jeito razoavelmente diferente do qual eu dobraria normalmente. É o mais provável, sim. Mas, considerando como as coisa geralmente funcionam no mundo de Aline, talvez eu deva considerar a alternativa C com mais seriedade.

E fica aqui mais um caso insolucionado, porque eu não tenho vocação pra detetive (se é que tenho alguma) e nada no meu peculiar mundo é tão elementar quanto deveria.

Sunday, October 12, 2008

Ageless beauty

Uns dias atrás, quando estava saindo da ioga, recebi uma mensagem de texto da Lili (btw, a foto não é minha, roubei de um outro blog - uma moça que também virou fã da Lili), minha manicure, me avisando que estava trabalhando em um novo salão, desta vez em Murray Hill.

Bom, já que a faculdade finalmente me pagou (yay!!) na sexta-feira, pude encaixar na agenda um retoque na lataria: manicure e depilação. Pois hoje à tarde peguei o Metro-North até a Grand Central e andei mais alguns quarteirões até o MC Yoo Spa, na E 51st St. entre a 2nd Ave. e a 3rd Ave.

Esse salão é menor e mais modesto que o outro, mas este local é bem mais acessível para mim, e a Lili é uma boa manicure. Eu contente com unhas vermelhas. E pêlos (ainda com acento, porque eu continuo sendo antiga) devidamente removidos. Eba!

Hora de voltar pra casa. Cheguei na Grand Central às 18h30. Meu trem havia partido às 18h25. E o próximo só às 19h25. Esperar uma hora? Não. Definitivamente não. Resolvo me aventurar e pegar o metrô. Eu odeio o metrô. Não tanto quanto o ônibus, mas não gosto. Não gosto de transporte público. Não para mim. Adoro transporte público para os outros: os outros é que se apertem feito sardinha e deixem as ruas bem livres, par eu poder dirigir sossegada. Mas por aqui, é aquela história; nada de carro (ainda não, mas esse é outra história, e deverá ser contada em outra ocasião), então, sardinha "ni mim" também.

Fui pegar o 4 Uptown. Pelo menos era essa a idéia. Só que o 4 não vinha nunca mais. Fiquei uns bons 10 minutos esperando o metrô. Enquanto isso, o 5 estava parado na outra plataforma - e metrôs parados, "revving", fazem um barulho infernal. Como se isso não bastasse, havia um casal de coreanos - ou seriam vietnamitas? - brigando loucamente enquanto eu esperava o metrô. Fui andando pro outro lado, porque não queria saber de gritos estrangeiros e cheios de bactérias pombais perto de mim. Logo depois, eles vieram novamente pro meu lado. A solução foi adotar a estratégia nova-iorquina: praguejar até o maldito china calar a boca. Ou brigar mais baixo.

E finalmente o metrô chega... entupido, obviamente. Me apertei pra entrar, mas rolou. Só que hoje estava calor aqui... uns 20 graus celsius a maior parte do dia. Só que o ar-condicionado do metrô (ironia do destino!) não estava funcionando. E o 4 não tem aquelas janelinhas... E, como se isso não bastasse, a cada estação, o vagão ia enchendo mais e mais - e eu que achei que quando eu entrei ele já estivesse no limite!

Tirei meu casaco. Estava com uma regata por baixo. Mesmo assim, o calor continuava infernal. E o aperto também. Comecei a suar em bicas. Loucamente. Aquela coisa meio cena de filme B: close-up do suor escorrendo pelo rosto, fazendo o cabelo grudar na cabeça. Coisa horrível, eu sei. Mas acha que pegar metrô para o Bronx é fácil, nêgo? É... é engraçado até a hora em que você se dá conta de que sua pressão sanguínea está caindo - por causa do calor, da lotação, da falta de jantar, e da constante pressão baixa que me assombra - e que um vagão de metrô no Bronx não é o lugar ideal para ninguém desmaiar (não que haja algum at all, mas enfim). Aí, a coisa passa da tragédia cômica ao desespero existencial. E eu lá, tentando ficar em pé, firme e forte.

Chegando na minha estação, Fordham Rd., vou para a segunda (e mais temida) parte da trajetória: pegar o ônibus (ODEIO ÔNIBUS em maiúsculas). Em teoria, dá pra andar do metrô até aqui (mesmo do 4, que é mais longe), mas esse é um procedimento meio arriscado depois que escurece. Mesmo para mim. E lá vou eu encarar o Bx 12. É, só que como eu bem havia observado umas semanas atrás, a rota do Bx 12 foi remanejada, e eles mudaram os pontos de lugar. Resultado disso é que eu andei metade do caminho de volta pra casa procurando o ponto de ônibus. Quando encontrei, quase já não valia a pena embarcar (eram mais 3 quarteirões, dava pra continuar a pé), mas, como o transfer aqui é de graça (esquema bilhete-único), era quase uma questão de honra.

E depois de uns 45 minutos in transit finalmente chego em casa: depilada e de unhas feitas, com o bônus acumulado do suor de 45 minutos no transporte público e a palidez de uma pressão que deve ter ido aos seus 9 por 6. Pois este é o glamour de passar o dia em um day spa em NYC!

Friday, October 10, 2008

To catch a thief (or, the strange case of the missing fruit)


Há algum tempo Mahlika já vinha reclamando do sumiço de algumas das frutas dela. Eu já havia percebido que algumas das minhas bananas também pareciam estar criando perninhas e fugindo por aí.

Sobre as minhas bananas (não compro outras frutas; só bananas!), sempre achei que algum gênio tinha julgado que elas estavam estragando e jogado fora - o que não é uma coisa legal de se fazer, mas enfim. Mas aí a Mahlika comentou dos pêssegos e pêras (não sei se pêra continua tendo acento; acho que não - mas agora posso dizer que sou antiga! Não conheço a nova ortografia!) dela, que estavam desaparecendo. E pêssegos e pêras custam caro por aqui, pessoal! Não é coisa trivial.

Estranho...

Pois ontem de manhã, quando tomei meu café da manhã, tinha 2 bananas minhas na fruteira. Pensei até em comer uma, mas já tinha comido cereal demais. Deixei pra lá. Na hora do almoço, eu continuava tendo duas bananas, como era de se esperar.

Lá pelas 21h, o Respectivo deu uma passada aqui. Quando eu desci pra ir abrir a porta pra ele, ao passar pela sala eu vi que só tinha UMA banana na fruteira. E eu não tinha comido nenhuma! Hum...

Uns minutos depois, a Mahlika chegou e foi jantar. Quando ela preparava o prato de frutas, deu falta de uma pêra. Intrigante. Conversamos um pouco sobre isso enquanto eu comia a banana que havia sobrado (eu nem estava com tanta fome, mas aquela banana era minha por direito - eu fui ao mercado e a comprei, pôxa!), então, quis me certficar de que, se alguém ia comer o raio da banana, esse alguém seria eu!

Eu também tinha uma maçã na fruteira. Minha chefe foi colher maçãs em Long Island uns dias atrás e trouxe uma para mim. Até pensei em comê-la, só pra garantir, mas aí já era gula. Deixei a maçãzinha lá (lição do dia: cafezinho - diminutivo de café - não tem acento, mas maçãzinha - diminutivo de maçã - não perde o til, porque til não é acento ortográfico, é sinal diacrítico - só pra provar que também dá pra aprender purtugueish com Blog!). Logo depois da conversa sobre o ladrão (ou ladra) de frutas, fui dormir.

Hoje cedo, acordei, fui até a cozinha preparar meu chai latte e, ao que eu olho para a fruteira... cadê minha maçã????

Ótimo, não bastasse a roommate from hell, também tem alguém (não é ela, porque ela não estava aqui - estava no ralo da humanidade se entupindo de comida depois de jejuar para o Yom Kippur) comendo minhas frutas!!! E não só as minhas... Hum... isso está ficando interessante. Ainda bem que o resto das coisas que eu como a maioria das pessoas normais abomina: leite de soja, tofu, alface etc. Mas isso não vai ficar assim. Prometo!

Wednesday, October 8, 2008

Campus (or, leaves fall)

No domingo, apesar de o tempo ameaçar impedir novamente o passeio, fui passar o dia em New Haven (CT) com a Mahlika. O objetivo da viagem era saber que diabos há, afinal, em New Haven (apesar de todo mundo dizer que é um gueto perigosíssimo!) e ver que cara tem Yale.

Os trens no final de semana são quase todos locais, por isso, a viagem demorou quase duas horas, com uma breve baldeação em Stamford (CT) - não, não é Stanford! É Stamford, com eme mesmo! Chegamos na estação de trem de New Haven e pegamos um táxi até o centro de informações para visitantes de Yale, na Elm St. Um mocinho nos deu um mapa, nos sugeriu um trajeto e nos indicou onde havia restaurantes e cafés, porque estávamos morrendo de fome.

Fomos andando na direção que ele apontou e logo encontramos um lugar bem interessante: Claire's Corner Copia, um restaurante vegetariano, orgânico, kosher e sustentável. Ele tinham uma variedade enooorme de pratos orgânicos ótimos e hiper-elaborados - a preços mais que justos. Comi um prato de enchiladas, que estava excelente (não o prato, as enchiladas!)! Na hora de pagar (todos os pedidos são feitos no balcão, estilo fast-food, mas depos eles trazem a comida na mesa, estilo slow-food), vi que eles tinham gluten-free raspberry chocolate chip muffin - o que deixou a Mahlika super contente (ela, obviamente, comeu um!). Preferi um bolinho normal: ricotta raspberry cupcake. Na saída, não resisti e comprei mais dois gluten-free muffins para viagem: um para o Respectivo e mais um para a Mahlika.

Devidamente (muito bem!) alimentadas, fomos explorar a cidade e, particularmente, o campus: andamos pelo campus antigo e, com cara de estudantes, conseguimos sneak in algumas das áreas onde só alunos podem entrar. Aquela coisa: tem alguém saindo e segura a porta para você entrar, achando que você mora/estuda lá... você vai recusar a entrada? É claro que não! E como eu não tenho pudores acadêmicos, entrei por TODAS as portas abertas que vi pela frente. Fomos parar até dentro dos residence halls, inclusive na ala do dormitório de um dos reitores.

Estava meio frio, mas o sol foi saindo aos poucos e aí deu pra ver bem as cores do outono, que é mais bonito em áreas verdes que em cidades verticais. Entramos - óbvio! - na biblioteca e fomos andando por umas áreas históricas, perto do cemitério. Quando foi batendo a cansaço, vislumbrei uma Starbucks, onde tomei um soy chai logo depois de explorarmos a Atticus Bookstore and Cafe, ali ao lado.

Jantar antes de pegar o trem de volta... não pensamos duas vezes, voltamos ao Claire's Corner Copia, mas desta vez comi um curry masala - uma porção enorme, que me rendeu almoço na segunda-feira. Ready to go, hora de chamar um táxi e voltar para a estação de trem. Quase perdemos o trem que saía às 19h55 - e, aos domingos, os trens partem de hora em hora! - mas demos sorte, porque já estávamos esgotadas. Mais duas horas de viagem de volta... foi difícil... Mas a sorte não me falta com tanta frequência - e, como ela tem pisado na bola comigo recentemente, era chegada a hora da recompensa. Esse trem das 19h55 era expresso, portanto, ao invés de levar 2 horas, o trajeto levou apenas 1 hora e 25 minutos!

Às 21h20 estávamos de volta ao mundo real do Bronx... mas no fundo, "enquanto" (ugh!) campus o Rose Hill é mais bonito. Em nossa visita, a Mahlika e eu chegamos à mesma conclusão: campus-cidade é um conceito que só funciona na Inglaterra (vide Oxford e Cambridge). Não à toa, eu ainda acho que Princeton tem um campus bem mais bonito que Harvard ou Yale - apesar de ficar em New Jersey (aka o ralo do mundo)!

Tuesday, October 7, 2008

Siberia (or, on one of my reasons for hating New Jersey)

O final de semana até foi legal. No domingo fui a New Haven e tal. Mas isso depois eu conto. Afinal, a prioridade aqui são as histórias bizarras, e não as divertidas. Pois ontem eu fugi de casa. É. Isso aí.

Uma das minhas roommates é um riquinha demoníaca de New Jersey. Ela é estranha. Ela não é a "patricinha popular". Ela é daquelas pessoas com quem qualquer tipo de conversa se torna extremamente desagradável, porque ela faz questão de ser estranha (mais histórias bizarras por vir). E ela tem uma tara quase sexual por ar-condicionados.

Bom, o outono já chegou de verdade por aqui e a temperatura tem ficado entre 9 e 17 graus Celsius todos os dias. Do que se conclui que não há mais a necessidade de o ar-condicionado central ficar ligado (por motivos ecológicos e de saúde). E minhas outras 3 roommates e eu concordamos com isso. Só que esta pessoa, doravante fucking biatch, discorda, porque ela acha que todo mundo deve usar milhões de casacos dentro do apartamento só porque ela gosta de um frio polar por aqui.

Notem: eu adoro ar-condicionado. Eu nasci no Rio, pessoal, e eu tenho alergia a calor. Ar-condicionado no calor é praticamente o meu equivalente para injeções de insulina em diabéticos: não fosse por ele ele não teria vivido esses turbulentos 25 anos. Então, o meu lance não é pura e simples frescura. É uma questão de usar o bom-senso.

E, bem, quando há 4 pessoas que querem o ar-condicionado desligado e UMA que quer que ele fique ligado, o lógico seria...? Pois é, só que ninguém tem coragem de confrontar a fucking biatch justamente porque ela é tão estranha e tão grossa. E porque duas das minhas roommates são aquelas protestantes boazinhas, que vão à Igreja de Cristo e que, por convicções morais, não discutem com os outros, nem se permitem odiar as pessoas. Aquela coisa da culpa cristã de que falam por aí, eu acho...

Só que ontem eu resolvi dar um basta na palhaçada, especialmente por conta da minha vocação de defensora dos frascos e comprimidos, nem tanto porque aquela era minha causa. Só que a fucking biatch começou a ficar irritadinha, porque, segundo ela, sempre dá pra colocar mais suéters e casacos, mas quando se está com calor, chega uma hora que não dá mais pra tirar a roupa. Tudo bem... eu até entendo. Mas está fazendo 9 graus celsius lá fora! 9 graus!!! Qualquer ser vivo que não fosse um urso polar ou um pinguim não acha que 9 graus pode caracterizar "calor".

Discussão vai, discussão vem, eu resolvo desligar o raio do ar-condicionado e abrir as janelas da sala: vai ficar 9 graus na sala, mas não no meu quarto! Aí, ela começa a bravejar (por que ela não foi abrir o diabo da janela dela, se tem tanto calor?) pela casa, meio que pra se impor. E todo mundo se sentindo mal, meio com medo dela. Comigo não, nêga!

Peguei meu livro, minha carteirinha da faculdade, minha chave... fui até a sala, olhei bem pra ela, baixei a temperatura do ar-condicionado para 15 graus e falei pra ela que se ela queria a porra do ar ligado, ele ia ficar ligado - e na temperatura que ela bem entendesse. Mas eu não iria ficar na porra do apartamento (nas duas frases, ênfase na palavra "porra"). Bati a porta e fui embora. E ela que fique com medo de mim! Tenho milhões de coisas para ler, textos para escrever etc.! Não tenho tempo para lidar com chiliques de uma fucking biatch mimada agindo como uma criança de 5 anos.

Desnecessário dizer que eu reclamei com todas as devidas "autoridades" etc. antes de voltar para o apartamento (sim, tinha que voltar, afinal de contas, tinha que tirar minhas lentes, tomar meus comprimidos e dormir). Ao que ela veio bater na minha porta e pedir desculpas, blá blá blá, obviamente de um jeito extremamente bizarro e muito pouco apologético.

Mas no dia 15 eu terei minha vingança completa, porque é neste dia em que eles vão ligar o AQUECIMENTO no prédio... wink, wink.

Friday, October 3, 2008

Sweet apocalypse (or, a recurring panic and my hatred for figs)

O conto de misfortune do dia comeca com uma reminiscência: uns 3 anos atrás, estava eu na casa de uns parentes quando surgiu algum bom samaritano com uma caixa de frutas cristalizadas, provindas de algum-lugar-que-fazia-as-melhores-frutas-cristalizadas-do-mundo (esse lugar fica, provavelmente em Minas, afinal, é lá que o povo sabe usar um pacote de açúcar como se não houvesse amanhã). Fruta cristalizada, pra mim, é oximoro (ou é fruta, ou é um troço coberto de açúcar, oras!), mas não quis ser mal-educada e adotei a estratégia nod-and-smile.

Tudo ia bem até alguém me oferecer uma tal fruta cristalizada. Polidamente, mandei um "não, obrigada." Insistiram. Mais um "não, obrigada. Acabei de comer um pedaço de bolo e...". "Mas come, é uma delícia". Ugh. Peguei uma fruta qualquer. Mastiguei o menor número de vezes possível antes de engolir. Score.

Aí alguém comeca a falar dos figos (ah, a maravilha das frutas bíblicas!). Ah, os figos! Aquelas frutas cheias de polpa que eram pisoteadas pelas crianças na escola onde eu estudava quando tinha uns 6 anos e que, consequentemente, deixavam aquela paisagem de carnificina pelo chão. Nunca me apeteceu o fato de a polpa do figo ter cor de carne humana.

Não gosto da aparência dos figos, do sabor deles, de nada relacionado a eles. Nem de figa, eu não gosto, for that matter. E também não trabalho com açúcar. Ou com qualquer tipo de fruta cristalizada, como deve ter ficado claro. Uma vez me fizeram experimentar laranja cristalizada (ou sei lá como chama), porque era "uma delícia". Se percevejo fosse comestível, tenho certeza que teria o mesmo gosto da tal laranja cristalizada. E, para quem ainda esta se perguntando: não, eu não trabalho com panettone.

Bom, figo vai, figo vem e não demora a me oferecerem o tal do figo. "Não, obrigada." Insistem. "Olha, eu nem gosto de figo... mas obrigada." Aí, meu querido papai intervém: "Mas não tem gosto de figo. Experimente. Você vai gostar. Está muito bom." - Ao que, automaticamente, a pessoa com a caixa de figos cristalizados me joga aquele olhar incisivo de poodle frustrado. "Não quer mesmo?" E meu pai emenda: "Vai, experimenta!" E a mamãe (gênio!) ao lado nodding-and-smiling (ainda não sei se o nod-and-smile dela era falta de vontade de reação, como o meu, ou se era um prazer mórbido em saber, de inicio, que eu não ia gostar do barato).

Fiquei naquela situação em que o figo tinha sido praticamente enfiado na minha boca estilo aviãozinho... Foi uma das piores coisas que eu já comi na vida! Juro! Não sei se o figo in natura seria pior, mas o tal docinho foi difícil...

E como tudo na vida tem sua versão Seinfeld, um dia antes de ir pra Detroit, estava fazendo compras no Modern (a grocery store aqui perto) e fui abordada por uma pessoa randômica quando estava na fila do caixa. Era um senhor que estava recomendando que eu comprasse figos, porque eles estavam muito bons. Figos!

Como de costume, minha reação foi aquela nod-and-smile básica. Mas aí, ele sacou um raio de um figo da caixa que estava comprando e me deu! Como a mamãe me deu educação, aceitei, agradeci e... enfiei na bolsa.

Eu ODEIO figos - e, especialmente, tudo o que eles representam para a sociedade. De todas as frutas do mundo, se tem uma que eu me recuso a comer é figo. E olha que eu gosto de praticamente qualquer fruta. Até melancia eu tolero, na hora da fome. Mas figo não dá.

Por aqui, tem aquela história de "se a vida te dá um limão, faça uma limonada" (a versão brasileira é bem melhor, mas deixa pra lá). Pois é, pessoal, mas e se a vida constantemente te dá figos? Hein, hein?

Thursday, October 2, 2008

Shiver and say the words...

Quando vi o Echo & the Bunnymen ao vivo pela primeira vez, na turnê do Siberia (no Credicard Hall, em SP, lá em 29 de abril de 2006), decidi que o Ian McCulloch era uma das minhas pessoas preferidas, e que aquele tinha sido o melhor show a que eu tinha ido (de uma lista de muuuuitos). Porque havia só umas 300 pessoas lá no Credicard Hall, e eu pude ficar pertinho do palco, bem embaixo do Mr. Lips, que tem uma voz ainda mais sensacional ao vivo que em estúdio - coisa rara, eu acho, para cantores de rock. Em SP, ele cantava, bebia e fumava praticamente ao mesmo tempo e, mesmo já do alto de seus quase 50 anos, ainda cantava muito, muito bem.

Em maio, fiquei sabendo que eles viriam a NY, fazer apenas uma apresentação no Radio City Music Hall, mas vejam os termos: eles iriam tocar o clássico álbum Ocean Rain (de 1984) com uma orquestra! Obviamente comprei os ingressos (ver post abaixo) assim que eles foram postos à venda, em junho.

E ontem, depois de um dia inteiro de trabalho, me encontrei com o Respectivo (que saiu correndo da aula que estava dando) para pegarmos o Metro-North até a Grand Central e andarmos mais uns 12 quarteirões até o Radio City Music Hall, onde chegamos (às 20h20) a tempo de ver o final do show de abertura, da ótima banda (de Glasgow) Glasvegas. Quem não os conhece, faça o favor de clicar na foto abaixo e ouvir "Geraldine".


Depois, às 21h, a coisa começou de verdade. E começou bem, com Lips Like Sugar, Rescue, Bring on the Dancing Horses, The Cutter etc., todas essa músicas tocadas na primeira parte do show, ainda sem a orquestra. Ian MucCulloch, como sempre, cantando MUITO.

Breve pausa para a segunda parte. Eles retornam com a orquestra. A iluminação e a distância (desta vez fiquei longe, lá no alto, no mezanino mais distante) não me permitiram ver o tamanho exato da orquestra, mas eu contei umas 14 pessoas, entre cordas, sopro e percussão. E, aí sim, eles tocaram o Ocean Rain, do começo ao fim, com destaque óbvio para The Killing Moon e Seven Seas.

Aqui em NY ele não pôde fumar ou beber no placo como fez em SP, poque as leis são bem mais... leis, mas, mesmo assim, Echo & the Bunnymen são sempre Echo & the Bunnymen. E ver/ouvir The Yo Yo Man e Ocean Rain ao vivo com uma orquestra foi sensacional. E Ian McCulloch, diferentemente de Robert Smith (coitado... eu gosto tanto dele!), continua envelhecendo bem...

Wednesday, October 1, 2008

Ocean rain (or, nocturnal me)

Agora não vai dar pra contar minha aventura do dia, porque ela está além do meu poder descritivo. Por enquanto, vai a imagem que explica um pouco da história. Amanhã, os detalhes.

Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 3.0 Unported License