Sunday, October 12, 2008

Ageless beauty

Uns dias atrás, quando estava saindo da ioga, recebi uma mensagem de texto da Lili (btw, a foto não é minha, roubei de um outro blog - uma moça que também virou fã da Lili), minha manicure, me avisando que estava trabalhando em um novo salão, desta vez em Murray Hill.

Bom, já que a faculdade finalmente me pagou (yay!!) na sexta-feira, pude encaixar na agenda um retoque na lataria: manicure e depilação. Pois hoje à tarde peguei o Metro-North até a Grand Central e andei mais alguns quarteirões até o MC Yoo Spa, na E 51st St. entre a 2nd Ave. e a 3rd Ave.

Esse salão é menor e mais modesto que o outro, mas este local é bem mais acessível para mim, e a Lili é uma boa manicure. Eu contente com unhas vermelhas. E pêlos (ainda com acento, porque eu continuo sendo antiga) devidamente removidos. Eba!

Hora de voltar pra casa. Cheguei na Grand Central às 18h30. Meu trem havia partido às 18h25. E o próximo só às 19h25. Esperar uma hora? Não. Definitivamente não. Resolvo me aventurar e pegar o metrô. Eu odeio o metrô. Não tanto quanto o ônibus, mas não gosto. Não gosto de transporte público. Não para mim. Adoro transporte público para os outros: os outros é que se apertem feito sardinha e deixem as ruas bem livres, par eu poder dirigir sossegada. Mas por aqui, é aquela história; nada de carro (ainda não, mas esse é outra história, e deverá ser contada em outra ocasião), então, sardinha "ni mim" também.

Fui pegar o 4 Uptown. Pelo menos era essa a idéia. Só que o 4 não vinha nunca mais. Fiquei uns bons 10 minutos esperando o metrô. Enquanto isso, o 5 estava parado na outra plataforma - e metrôs parados, "revving", fazem um barulho infernal. Como se isso não bastasse, havia um casal de coreanos - ou seriam vietnamitas? - brigando loucamente enquanto eu esperava o metrô. Fui andando pro outro lado, porque não queria saber de gritos estrangeiros e cheios de bactérias pombais perto de mim. Logo depois, eles vieram novamente pro meu lado. A solução foi adotar a estratégia nova-iorquina: praguejar até o maldito china calar a boca. Ou brigar mais baixo.

E finalmente o metrô chega... entupido, obviamente. Me apertei pra entrar, mas rolou. Só que hoje estava calor aqui... uns 20 graus celsius a maior parte do dia. Só que o ar-condicionado do metrô (ironia do destino!) não estava funcionando. E o 4 não tem aquelas janelinhas... E, como se isso não bastasse, a cada estação, o vagão ia enchendo mais e mais - e eu que achei que quando eu entrei ele já estivesse no limite!

Tirei meu casaco. Estava com uma regata por baixo. Mesmo assim, o calor continuava infernal. E o aperto também. Comecei a suar em bicas. Loucamente. Aquela coisa meio cena de filme B: close-up do suor escorrendo pelo rosto, fazendo o cabelo grudar na cabeça. Coisa horrível, eu sei. Mas acha que pegar metrô para o Bronx é fácil, nêgo? É... é engraçado até a hora em que você se dá conta de que sua pressão sanguínea está caindo - por causa do calor, da lotação, da falta de jantar, e da constante pressão baixa que me assombra - e que um vagão de metrô no Bronx não é o lugar ideal para ninguém desmaiar (não que haja algum at all, mas enfim). Aí, a coisa passa da tragédia cômica ao desespero existencial. E eu lá, tentando ficar em pé, firme e forte.

Chegando na minha estação, Fordham Rd., vou para a segunda (e mais temida) parte da trajetória: pegar o ônibus (ODEIO ÔNIBUS em maiúsculas). Em teoria, dá pra andar do metrô até aqui (mesmo do 4, que é mais longe), mas esse é um procedimento meio arriscado depois que escurece. Mesmo para mim. E lá vou eu encarar o Bx 12. É, só que como eu bem havia observado umas semanas atrás, a rota do Bx 12 foi remanejada, e eles mudaram os pontos de lugar. Resultado disso é que eu andei metade do caminho de volta pra casa procurando o ponto de ônibus. Quando encontrei, quase já não valia a pena embarcar (eram mais 3 quarteirões, dava pra continuar a pé), mas, como o transfer aqui é de graça (esquema bilhete-único), era quase uma questão de honra.

E depois de uns 45 minutos in transit finalmente chego em casa: depilada e de unhas feitas, com o bônus acumulado do suor de 45 minutos no transporte público e a palidez de uma pressão que deve ter ido aos seus 9 por 6. Pois este é o glamour de passar o dia em um day spa em NYC!

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