Sunday, October 19, 2008

Dialect I could not understand (or, there was no intellect that she could respect)

Primeiro dia (de verdade) em Pittsburgh. Mais frio e cinza que NY. Depois de todo o processo matinal, passei na Starbucks do hotel para comprar o maior tamanho possível do meu soy chai latte. Muita cafeína.

A Duquesne University ficava a apenas um quarteirão do hotel, então, deu pra ir andando tranquilamente. Encontramos a biblioteca, sede da conferência da Society for Ricoeur Studies, onde o Respectivo ia moderar a sessão das 10h30. Muito sono e muito tédio, o Das e eu abortamos a idéia de assistir àquele painel e fomos explorar a universidade.

Parada básica na Barnes & Noble, onde comprei um Asterix para o Respectivo, porque ele nunca tinha ouvido falar no gaulês ou no medo de que o céu caia sobre nossas cabeças - e uma pessoa não pode viver sem saber que o medo maior que devemos ter (e até os Gregos de lá de antes do Dr. Platão já sabiam disso) é exatamente de que o céu caia sobre nossas cabeças, e não essas bobagens contemporâneas de que o CERN é que vai causar o fim do mundo.

Enquanto o Respectivo socializava com seus amigos continentais achando que é analítico (Paul Ricoeur faz isso com a cabeça das pessoas, mas ele era um cara legal - e viveu mais que o B. Russell, então, more power to him!), o Das e eu fomos almoçar. Optamos por explorar o refeitório da universidade, onde descobrimos alunos (em sua maioria também católicos) menos assustadores que os da Fordham e uma comida bem razoável.

Depois do almoço, fomos assistir à sessão em que o Respectivo ia apresentar o trabalho dele. Eram 4 pós-graduandos apresentando, no total. O primeiro, coitadinho... com mestrado concluído na SUNY e tudo, mas... eu faria melhor. Não é arrogância ou pretensão, mas, ao contrário dele, eu fiz minha lição de casa sobre Saussure, Jakobson e Ricoeur, lá nos idos do meu segundo ano de graduação na Pontifícia. Ele deve ter copiado a lição de casa do coleguinha ao lado. Oh, well.

Sobrevivi ao resto da sessão e, depois que o Das foi embora, fomos - o Respectivo e eu - assistir à palestra do Richard Kearney, também sobre Ricoeur. O Respectivo teve aulas com ele anos atrás e eu virei fã do cara quando ele veio aqui pra NY o ano passado, deu uma palestra excelente e provou - mais uma vez - que não é necessário ler Joyce de verdade para entender Joyce. Mas essa é uma outra história e deverá ser contada em outra ocasião. Depois de o Respectivo ter sofrido uma contusão (don't ask... essas paredes por aí no mundo são perigosas. Milênios atrás, Tales caiu no poço, coitado. Hoje em dia, nós aqui damos com a cabeça na parede) e jorrar rios de sangue palestra afora, era hora do momento recompensador do dia: jantar. Fomos ao Red Ring, anexo ao Power Center, um dos prédios principais da Duquesne.

Comida bem competente: comi o Southwest Ahi Tuna, uma porção gigantesca, mas com o atum bem preparado. Depois do cansaço terrível, nos arrastamos de volta para o hotel, onde tivemos uma conversa breve, mas bem interessante, com o David Kaplan. E ainda assitimos ao último debate entre McCain e Obama, na TV. Engraçado, não fosse trágico.

Só tive forças para cair na cama e dormir, não sem antes blasfemar sobre o quanto meus ouvidos doeram o dia inteiro ouvindo americanos (e alguns europeus) assassinarem com requintes de crueldade qualquer pseudo-beleza da língua francesa, chamando o Paul Ricoeur de "Ricur", "Ricor" e variantes. Ah, pessoal, vamos praticar a fonética aí! Lição do dia: foneminha /oe:/ pra todo mundo.

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