Monday, October 20, 2008

Forks and Knives (or, doing the only thing one can do well in Pittsburgh, i.e. eat)

Segundo dia em Pittsburgh, acordamos cedo para ir assistir a uma amiga do Respectivo apresentar um trabalho no encontro da Society for Ricoeur Studies. Fugimos de lá logo que a sessão acabou. Enquanto ele resolvia umas coisas ao telefone, fui procurar um lugar onde eles servissem sopa (era hora do almoço) porque estava um frio infernal e eu já estava ficando com fome.

Bem em frente ao hotel, tinha um lugar com uma placa que exibia as opções de sopas do dia: cream of mushrooms e stuffed pepper soup. Eu nem gosto de cogumelos, mas não estava com estômago para pimentão e, na falta de algo melhor, sopa era, pelo menos, algo quentinho. Entrei: Cafe Fifth Avenue era o nome do lugar. Aparência de sports bar. Achei meio suspeito, mas perguntei para o moço que veio falar comigo (que, depois descobri, era o dono) se eles serviam sopa para viagem. Ele disse que sim e eu fiz meu pedido. Perguntei, en passant, se a sopa levava farinha de trigo, porque provavelmente dividiria com alguém com alegias etc.-etc. Ao que ele respondeu que tinha quase certeza, já que a filha dele é celíaca e sempre toma a sopa de cogumelos. Levei a sopa para comer no quarto, enquanto resolvia o que ia fazer no resto da tarde.

O Respectivo e eu quase disputamos a sopa a tapa. Por incrível que pareça, aquela foi uma das melhores sopas que eu tomei. Ever. E olha que já tomei várias sopas excelentes. Se a viagem a Pittsburgh vai ter uma boa memória, vai ser essa sopa. Se alguém (das taantas pessoas que lêem esse blogue) for a Pittsburgh na vida procurem esse lugar. Fica logo atrás do Marriott, pertinho da Duquesne.

Tempo ruim e cidade sem graça, o Respectivo e eu resolvemos sair de carro (enquanto o Das estava em algumas palestras da SPEP - Society for Phenomenology and Existential Philosophy). Fomos ao Trader Joe's reforçar o nosso estoque de produtos orgânicos e sustentáveis e depois começamos nossa busca por um posto de gasolina - o que não é tão fácil de achar por lá.

Voltamos para o hotel e, enquanto esperávamos o Das para jantar, estudamos as opções de restaurantes. Apesar de Pittsburgh ser conhecida pela culinária italiana, resolvemos ariiscar e ir a um restaurante etíope: Abay Ethiopian Cuisine. E aqui vai um ótimo toma-vergonha-na-cara pra quem pensou em fazer a piada-pronta de que na Etiópia não tem comida: o restaurante é excelente! O tradicional pão etíope, injera, é um intermediário entre um pão pita e uma panqueca. Bem interessante. Pedimos um combinado (uma espécie de menu-degustação): tilkil gomen, ye' abesha gomen, doro tibs e gomen besiga. Todos extraordinários, especialmente o tikil gomen - e olha que eu sequer gosto de repolho (principal ingrediente do prato)!

Infelizmente, eles não tinham nenhuma opção de sobremesa etíope, então, eu acabei decidindo experimentar o sherbet de gengibre que, apesar de não ser tão exótico, também estava ótimo (e, novamente, eu nem gosto muito de gengibre). O bom é que além de bem elaborados, os pratos são bem baratos.

Obviamente, a noite terminou em coma alimentar, depois de uma rápida parada em um bar para o Das comprar 12 garrafas de Iron City Beer para levar para o Paul, que estava catsitting os 2 gatos dele. E esse (talvez só esse) é o lado bom de Pittsburgh.

2 comments:

Paulo Tiago said...

Pittsburgh pra mim sempre foi a cidade dos Penguins, porque eu gostava de jogar NHL Hockey pra Mega Drive, mas essa da sopa... interessante, deu vontade de tomar essa de mushrooms, mas não vai ser aí, né?

Agora, e essa dos pulmões ali em cima? Explica?

Aline said...

Ah, meu caro... fyi, são necessários pulmões suplementares para viver na América. Muitos pulmões... ;)

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