Tuesday, October 7, 2008

Siberia (or, on one of my reasons for hating New Jersey)

O final de semana até foi legal. No domingo fui a New Haven e tal. Mas isso depois eu conto. Afinal, a prioridade aqui são as histórias bizarras, e não as divertidas. Pois ontem eu fugi de casa. É. Isso aí.

Uma das minhas roommates é um riquinha demoníaca de New Jersey. Ela é estranha. Ela não é a "patricinha popular". Ela é daquelas pessoas com quem qualquer tipo de conversa se torna extremamente desagradável, porque ela faz questão de ser estranha (mais histórias bizarras por vir). E ela tem uma tara quase sexual por ar-condicionados.

Bom, o outono já chegou de verdade por aqui e a temperatura tem ficado entre 9 e 17 graus Celsius todos os dias. Do que se conclui que não há mais a necessidade de o ar-condicionado central ficar ligado (por motivos ecológicos e de saúde). E minhas outras 3 roommates e eu concordamos com isso. Só que esta pessoa, doravante fucking biatch, discorda, porque ela acha que todo mundo deve usar milhões de casacos dentro do apartamento só porque ela gosta de um frio polar por aqui.

Notem: eu adoro ar-condicionado. Eu nasci no Rio, pessoal, e eu tenho alergia a calor. Ar-condicionado no calor é praticamente o meu equivalente para injeções de insulina em diabéticos: não fosse por ele ele não teria vivido esses turbulentos 25 anos. Então, o meu lance não é pura e simples frescura. É uma questão de usar o bom-senso.

E, bem, quando há 4 pessoas que querem o ar-condicionado desligado e UMA que quer que ele fique ligado, o lógico seria...? Pois é, só que ninguém tem coragem de confrontar a fucking biatch justamente porque ela é tão estranha e tão grossa. E porque duas das minhas roommates são aquelas protestantes boazinhas, que vão à Igreja de Cristo e que, por convicções morais, não discutem com os outros, nem se permitem odiar as pessoas. Aquela coisa da culpa cristã de que falam por aí, eu acho...

Só que ontem eu resolvi dar um basta na palhaçada, especialmente por conta da minha vocação de defensora dos frascos e comprimidos, nem tanto porque aquela era minha causa. Só que a fucking biatch começou a ficar irritadinha, porque, segundo ela, sempre dá pra colocar mais suéters e casacos, mas quando se está com calor, chega uma hora que não dá mais pra tirar a roupa. Tudo bem... eu até entendo. Mas está fazendo 9 graus celsius lá fora! 9 graus!!! Qualquer ser vivo que não fosse um urso polar ou um pinguim não acha que 9 graus pode caracterizar "calor".

Discussão vai, discussão vem, eu resolvo desligar o raio do ar-condicionado e abrir as janelas da sala: vai ficar 9 graus na sala, mas não no meu quarto! Aí, ela começa a bravejar (por que ela não foi abrir o diabo da janela dela, se tem tanto calor?) pela casa, meio que pra se impor. E todo mundo se sentindo mal, meio com medo dela. Comigo não, nêga!

Peguei meu livro, minha carteirinha da faculdade, minha chave... fui até a sala, olhei bem pra ela, baixei a temperatura do ar-condicionado para 15 graus e falei pra ela que se ela queria a porra do ar ligado, ele ia ficar ligado - e na temperatura que ela bem entendesse. Mas eu não iria ficar na porra do apartamento (nas duas frases, ênfase na palavra "porra"). Bati a porta e fui embora. E ela que fique com medo de mim! Tenho milhões de coisas para ler, textos para escrever etc.! Não tenho tempo para lidar com chiliques de uma fucking biatch mimada agindo como uma criança de 5 anos.

Desnecessário dizer que eu reclamei com todas as devidas "autoridades" etc. antes de voltar para o apartamento (sim, tinha que voltar, afinal de contas, tinha que tirar minhas lentes, tomar meus comprimidos e dormir). Ao que ela veio bater na minha porta e pedir desculpas, blá blá blá, obviamente de um jeito extremamente bizarro e muito pouco apologético.

Mas no dia 15 eu terei minha vingança completa, porque é neste dia em que eles vão ligar o AQUECIMENTO no prédio... wink, wink.

2 comments:

Paulo Tiago said...

Eu ia querer ver um dia em que o problema com ela fosse por comida, ou melhor... porque pegaram as roupas dela, forma pra balada, colocaram de volta no armário e tudo pegou cheio de cigarro. Claro, nas roupas pra começar o emprego novo na segunda-feira.

E outra: em vez de aquecimento, as pessoas poderiam usar mais roupas dentro de casa. Aí, sim.

Mas, pensando bem... ela é grande, Aline? Você é invocada, mas com esse seu tamanho todo, só uma cabeçada mesmo assustaria. haha

Anonymous said...

...Ehae,...tô gostando de ver, Aline!
Quer dizer que você não sòmente escreve muito bem,como enfrenta uma "gringa pentelha" numa boa???
Te desejo sucesso nas suas novas "investidas" contra a "fulaninha".
Abraços
Angelica

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