Sunday, October 26, 2008

Something vague (or, my worst enemy)

Há mais ou menos dois anos conheci meu pior inimigo: uma experiência não muito boa. Foi um dia ruim. 06/10/2006. Depois de uma manhã cinzenta, uma tarde estranha, meio abafada, no extremo da região sul de São Paulo. E passei a tarde inteira com meu inimigo, lutando contra ele por horas, tentando desevndar os significados ocultos de suas palavras e construindo argumentos infalíveis.

Naquela tarde, só pude me afastar dele por alguns momentos, quando ocasionalmente faltava luz por conta dos usuais reparos na rede elétrica daquele canto da cidade (viva a Eletropaulo!). Mas isso era ainda mais incômodo, porque eu sabia que teria de voltar e passar mais algumas horas com ele em uma luta contra o tempo e contra seus tolos desafios numéricos.

O resto do dia (ou da noite, no caso, já que só depois de anoitecer é que eu pude me livrar dele, dadas todas as interrupções) não foi muito melhor, mas era uma alívio saber que já estava livre dele e que passaria um bom tempo sem ter que sequer pensar nele novamente. Talvez.

Eis que dois anos depois me vejo marcando um novo encontro com ele, desta vez no dia 20 de outubro de 2008, em Manhattan. Desta vez, me preparei melhor, conversei com vários amigos etc. na esperança de que o reencontro seria mais amistoso.

Não fui trabalhar neste dia, uma segunda-feira. Até meu chefe achou recomendável que eu não fosse, que eu me preparasse para o encontro. Saí de casa cedo, munida do meu passaporte, alguns snacks, mesmo sabendo que não poderia comer em sua companhia (minha esperança era ter intervalo para comer, mas não sabia ao certo...), e um punhado de coragem. Resolvi me arrumar, só pra melhorar a auto-estima. Estava usando o par de brincos e os dois anéis que o Respectivo me deu.

Quando cheguei lá no prédio, fui ao segundo andar e falei para a recepcionista que estava ali para o encontro com meu distinto inimigo de New Jersey. Ela foi me falando por onde entrar, onde deixar meu casaco e mais sei-lá-o-quê, mas eu não estava mais escutando. Estava pensando que seria uma boa estratégia ir ao banheiro antes. Peguei a chave (por que diabos precisava de chaves para ir ao banheiro de um prédio de escritórios?, pensei rapidamente), fui lá e voltei. Ela me deu uma chave para um locker, algumas instruções e, alguns minutos depois, estava cara a cara com ele, mais uma vez.

Logo de início, percebi que meu anéis estavam me deixando incomodada. Tirei e coloquei ao lado de minhas chaves. Algumas horas depois, fui interrompida por alguém me dizendo que eu não poderia fazer aquilo; que deveria pôr meus anéis de volta. Não entendi o sentido daquilo, mas achei melhor deixar pra lá...

Desta vez, estava mais calma. Não houve interrupções por falta de energia elétrica. Foi um encontro mais breve, mas tão desconfortável quanto o anterior: a gente nunca sabe bem o que está fazendo ali, até ele finalmente te dar um veredito sobre seu desempenho. O problema é que quando chega esse momento, você já não quer saber de mais nada. Não quer ver instruções e números. Só quer ir para casa, ver rostos conhecidos e ficar feliz por viver em um mundo ainda não completamente dominado por máquinas. Mas ele não deixa. E, no fundo, você não quer. E recebe o veredito.

E volta ao locker, pega sua bolsa e seu casaco e pega o trem de volta, sem saber muito bem o que aconteceu e ainda um tanto perplexa por simplesmente não entender se o melhor correlato da analogia entre headlong e forethought é (a) barefaced : shame; (b) mealymouthed : talent; (c) heartbroken : emotion; (d) levelheaded : resolve; ou (e) singlehanded : ambition.

Mas está tudo bem. Tudo bem até você receber aquela ligação em que a voz do outro lado da linha pergunta: "E aí, como foi o GRE?"

E aí sua voz falha e você se lembra de por que ele é seu pior inimigo: porque ele sempre te rouba as cordas vocais.

(E quem souber resolver o problema de analogia acima ganha uma bala de côco.)

2 comments:

tOk said...

Chutaria letra (D).

And the secret word for tonight is:

borbu

Aline said...

Péééééééééing!

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