Friday, October 3, 2008

Sweet apocalypse (or, a recurring panic and my hatred for figs)

O conto de misfortune do dia comeca com uma reminiscência: uns 3 anos atrás, estava eu na casa de uns parentes quando surgiu algum bom samaritano com uma caixa de frutas cristalizadas, provindas de algum-lugar-que-fazia-as-melhores-frutas-cristalizadas-do-mundo (esse lugar fica, provavelmente em Minas, afinal, é lá que o povo sabe usar um pacote de açúcar como se não houvesse amanhã). Fruta cristalizada, pra mim, é oximoro (ou é fruta, ou é um troço coberto de açúcar, oras!), mas não quis ser mal-educada e adotei a estratégia nod-and-smile.

Tudo ia bem até alguém me oferecer uma tal fruta cristalizada. Polidamente, mandei um "não, obrigada." Insistiram. Mais um "não, obrigada. Acabei de comer um pedaço de bolo e...". "Mas come, é uma delícia". Ugh. Peguei uma fruta qualquer. Mastiguei o menor número de vezes possível antes de engolir. Score.

Aí alguém comeca a falar dos figos (ah, a maravilha das frutas bíblicas!). Ah, os figos! Aquelas frutas cheias de polpa que eram pisoteadas pelas crianças na escola onde eu estudava quando tinha uns 6 anos e que, consequentemente, deixavam aquela paisagem de carnificina pelo chão. Nunca me apeteceu o fato de a polpa do figo ter cor de carne humana.

Não gosto da aparência dos figos, do sabor deles, de nada relacionado a eles. Nem de figa, eu não gosto, for that matter. E também não trabalho com açúcar. Ou com qualquer tipo de fruta cristalizada, como deve ter ficado claro. Uma vez me fizeram experimentar laranja cristalizada (ou sei lá como chama), porque era "uma delícia". Se percevejo fosse comestível, tenho certeza que teria o mesmo gosto da tal laranja cristalizada. E, para quem ainda esta se perguntando: não, eu não trabalho com panettone.

Bom, figo vai, figo vem e não demora a me oferecerem o tal do figo. "Não, obrigada." Insistem. "Olha, eu nem gosto de figo... mas obrigada." Aí, meu querido papai intervém: "Mas não tem gosto de figo. Experimente. Você vai gostar. Está muito bom." - Ao que, automaticamente, a pessoa com a caixa de figos cristalizados me joga aquele olhar incisivo de poodle frustrado. "Não quer mesmo?" E meu pai emenda: "Vai, experimenta!" E a mamãe (gênio!) ao lado nodding-and-smiling (ainda não sei se o nod-and-smile dela era falta de vontade de reação, como o meu, ou se era um prazer mórbido em saber, de inicio, que eu não ia gostar do barato).

Fiquei naquela situação em que o figo tinha sido praticamente enfiado na minha boca estilo aviãozinho... Foi uma das piores coisas que eu já comi na vida! Juro! Não sei se o figo in natura seria pior, mas o tal docinho foi difícil...

E como tudo na vida tem sua versão Seinfeld, um dia antes de ir pra Detroit, estava fazendo compras no Modern (a grocery store aqui perto) e fui abordada por uma pessoa randômica quando estava na fila do caixa. Era um senhor que estava recomendando que eu comprasse figos, porque eles estavam muito bons. Figos!

Como de costume, minha reação foi aquela nod-and-smile básica. Mas aí, ele sacou um raio de um figo da caixa que estava comprando e me deu! Como a mamãe me deu educação, aceitei, agradeci e... enfiei na bolsa.

Eu ODEIO figos - e, especialmente, tudo o que eles representam para a sociedade. De todas as frutas do mundo, se tem uma que eu me recuso a comer é figo. E olha que eu gosto de praticamente qualquer fruta. Até melancia eu tolero, na hora da fome. Mas figo não dá.

Por aqui, tem aquela história de "se a vida te dá um limão, faça uma limonada" (a versão brasileira é bem melhor, mas deixa pra lá). Pois é, pessoal, mas e se a vida constantemente te dá figos? Hein, hein?

1 comment:

Anonymous said...

Heheheeee...Estou indo a USA nesta quinzena.
E,agora já sei o que levar pra você.Uma lata de Figo Ramy,uma garrafinha de licor de figo,e uma fina embalagem com alguns figos glaceados....(rsrsrssss...)
Fique fria,irei pro Texas e Miami,não incluí New York no roteiro.

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