Thursday, October 23, 2008

Yankee bayonet (or, road trip)

18/10/2008, sábado de manhã, hora de arrumar as malas e voltar para o mundo civilizado. Dissemos adeus aos travesseiros fofinhos do Marriott, enfiamos tudo no carro (que agora estava cheio, depois do pit-stops no Trader Joe's e no K Mart) e pé na estrada. Lógico que, como acontece em qualquer lugar minimamente desagradável, sair de Pittsburgh foi difícil. Porque o GPS não pegava no centro da cidade (acho que pelo excesso de aço dos prédios) e tive que dirigir em direções randômicas até encontrar placas que indicavam a estrada.

Na saída da cidade, trânsito, muito trânsito, o que nos atrasou em meia hora. Depois de algumas horas ao volante, parei em um rest stop/mall genérico na estrada para almoçarmos. Saladas no Burger King (era isso ou Popeye's) e de volta pro carro. Aproveitei e peguei um soy chai latte na Starbucks, só pra matar a vontade (já que fiquei vários dias sem meu chá matinal). Enquanto apreciava meu chá, o Das foi dirigindo.

Depois de mais algumas horas, parada para irmos ao banheiro em um posto de gasolina (que aqui não tem banheiros nojentos), e o Respectivo foi dirigindo o resto do tempo, até chegarmos a NY, onde, como era de se esperar, pegamos trânsito na entrada e na saída de Manhattan.

Chegamos no Bronx por volta de 19h00. Fomos direto ao prédio do Das, ajudá-lo com as malas, as compras e as cervejas para o Paul (porque são 6 andares de escada, já que o prédio dele não tem elevador). De lá fomos, mortos de fome, procurar um lugar para jantar (porque cozinhar era a última coisa que o Respectivo queria fazer e eu, por definição, não cozinho). Uns dias antes de partimos para a Pennsylvania, ele tinha comentado sobre um novo restaurante mexicano que tinha aberto lá pros lados da Crescent Ave. Resolvemos que hoje seria o dia de experimentarmos.

É, só que chegando lá descobrimos que o restaurante não era mexicano, mas equatoriano! Que diabos se come no Equador? Sei lá, vamos descobrir... certo? Vambora. Entramos. O lugar é uma portinha minúscula, com cara de restaurante da Tia Maria, que faz comida a quilo e quentinha pra operário. Mas eu não tenho medo. Tinha uma família jantando lá. Se os latinos locais comem lá, a comida deve ser razoável, ao menos. Lógico que, assim que entramos, todos os chicanos ficaram olhando para nós com aquela cara de "o que esses dois caucasianos estão fazendo aqui?" Por fim, o único funcionário em vista veio nos atender. Trouxe um folheto (não era um menu, era um folheto, ok?!) com a lista dos oito pratos que eles serviam. Em espanhol. Ele começou a traduzir: guizado de tripas, ensopado de bode... (e o Respectivo, que não tem grandes pudores gastrônomicos, olhando pra minha cara, procurando os sinais de pânico). Mas aí veio o resto, mais comestível. Pedimos um escaviche de atum (?) e a bisteca equatoriana.

Primeiro chega o escaviche: uma sopa quente e temperada, de atum. Nada como o tradicional escaviche peruano/chileno. Mas estava bom. E fiquei mais tranquila em comer atum cozido que semi-cru ali. Depois chegou meu prato: enorme, para dois. Bife (a qualidade da carne, obviamente não era lá essas cosas, mas enfim), com arroz (o arroz tinha um temperinho amarela, que não era açafrão, mas não consegui descobrir o quê) e uma porção giantesca de plantains (bananas-da-terra?) fritas.

Comemos a valer (como diriam Batman e Robin), sobrevivemos e gastamos US$ 20 em uma comida que deu pro jantar e almoço do dia seguinte! No entanto, quando, na metade do caminho de volta para o carro me dei conta de que tinha deixado meu cachecol Burberry no restaurante, comecei a pensar que aquele poderia ter sido o jantar mais caro da minha vida. Por sorte, equatorianos são honestos e o mocinho tinha guardado meu cachecol e prontamente me entregou quando eu fui resgatá-lo. Depois, o lance foi efetivamente buscar o carro, largar minhas malas e compras aqui e as do Respectivo lá. E domir loucamente.

Repito: você sabe que foi a uma cidade bem meia boca quando fica feliz em voltar para casa no Bronx. E decidi que prefiro os cachecóis da vovó.

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