Monday, November 3, 2008

Nude (or, when the Brazilian got a Brazilian)

Eu lembro que tinha um outdoor horrível em São Paulo (naqueles velhos tempos de mil-novecentos-e-jeans-da-Triton-ainda-estava-na-moda em que ainda havia outdoors em São Paulo!) que trazia a frase "Pêlos, para que tê-los?" (novamente, dos tempos de mil-novecentos-e-dólar-a-R$1,70, em que a palavra "pêlos" ainda tinha acento circunflexo).

Fato é que mulheres não gostam de pêlos (mantenho o acento da vovó!). Sinto muito, rapazes que ainda adotam o look Toni Bamos (é "Bamos", mesmo! E se você não entendeu é porque não teve infância nos anos 80!), mas pêlo é um troço meio incômodo.

Anyway, aqui na América existe a coisa do mito da depilação. Mito em dois sentidos: primeiro, porque o pessoal (mesmo as mulheres) não é muito chegado. Nêgo gosta mesmo é uma lâmina de barbear (aka gilete, mas não faço jabá de graça!); vai entender... Outra coisa é que aqui existe a tal depilação Brazilian, que é aquela depilação da virilha e adjacências em que não sobra nenhum apêndice filiforme de origem dérmica (aka pêlo) pra contar a história. No Brasil isso talvez chame "virilha completa", mas aqui me falta repertório.

Mas fato é que esse mito, em suas duas versões, me levam ao episódio cômico do dia (acho que não postava um episódio infame há tempos, então este compensa a demora).

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Situação constrangedora #1 - o telefonema

Uns meses atrás, aqui em NY, uma empresa de pesquisa de mercado me liga oferecendo US$ 150 para eu participar por uma hora de um focus group sobre remoção de pêlos. Eba! ("eba!" não para a remoção de pêlos; e sim para o dinheiro, dã!) Mas antes, perguntas para a seleção. Depois de várias perguntas de classificação social etc. (que sei lá por que raios vieram antes das perguntas reais), a parte constragedora:

- How often do you shave?
- Hmm... never.
- I mean, not only your face... Your body: legs, armpits...
- Hmm... never.
- Well, maybe in the winter you don't shave so often. But what about the summer? How often do you shave in the summer?
- Hmm... never.

Antes que a mocinha tivesse um colapso achando que ou era era a mulher-gorila ou estava tirando uma com a cara dela, eu completei:
- Listen, the thing is, I don't shave. I've had laser hair removal. And I wax. No razor blades. Just wax.
- Oh, I see. I'm sorry but you don't qualify for this focus group.

(Bummer!)

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Situação constrangedora #2 - a mãe do Respectivo

Durante o verão, a mãe do Respectivo foi lavar a banheira e sem querer pisou na minha gilete (que eu carrego para casos extra-911) e quebrou o cabinho. Aí, ela veio se desculpar:

- Oh, listen... I'm sorry but... when I was cleaning the bathtub, I must have dropped your razor and I didn't see it, so I accidentaly stepped on it and broke it, so-
- Oh, no worries.
- No, but I want to buy you a new one. Just tell me what kind you like and I'll get you a new one.
- Oh, no. It's ok. Really. I don't actually need it.
- No, really. By the look on your face, I can tell that it made a difference. I am so sorry. I do want to get you a new one...
- No, it's nothing, really. I barely even use it.

Ao que o Respectivo interrompe:
- It's true mom, really. She doesn't use it. She waxes. She's Brazilian. They only wax there.
- Oh!
- ...

(Eu, versão Tinky Winky, tento me esconder dentro do forno. Sem sucesso. -Aliás, essa coisa de se esconder dentro do forno vem dando errado desde idos de 1933, mas esta é outra história, que não deverá ser contada aqui, porque todo mundo já está cansado de saber...)

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Situação constrangedora #3 - o adeus

Depois de muito ponderar sobre o tema e sobre o paradoxo de que brasileiras, em sua maioria, não fazem a tal depilação Brazilian (acho que no Brasil rola uma preferência pela depilação French-style, mas me corrijam se eu estiver errada), resolvi que parte da minha experiência nova-iorquina ia incluir um pouco de acting outside the box. E lá fui eu procurar informações sobre onde fazer a Brazilian aqui. Google, Yelp, Citysearch etc.

Depois de uma busca extensa, cheguei a duas conclusões:
1) quase todos os salões de NY oferecem este serviço de depilação;
2) depilação neste país custa os olhos da cara (e o outro olho também, na maior parte dos casos).

Uma simples depilação meia-perna custa de US$ 25 a 30. Virilha simples US$ 30 a 50. Brazilian US$ 50 a 90. Fiquei ponderando se este tanto de sofrimento valeria tanto do meu dinheiro sofridamente ganho. E lá fui eu, desta vez ao MC Yoo Spa, onde tinha marcado manicure com a Lili (sim, a Lili reapareceu! E essa é outra história, que deverá ser contada em outra ocasião).

Fiz minha mão e me preparei para o suplício. Não, não vou contar detalhes. E também não vou deixar por conta da imaginação de ninguém! Nada de imaginação! Nada de nada! Quer imaginar? Imagina isso aqui, ó. Como este blogue continua PG (ou PG-13, tudo bem...), os detalhes param por aqui. Quem quiser saber mais, vá assistir a Sex & the City.

Fato é que eu sobrevivi. Mas não me conformei com o preço do serviço. Sério. Tudo bem que é um trabalho constrangedor e tal (felizmente as depiladoras tratam a coisa com a maior naturalidade e conseguem falar sobre Obama vs. McCain enquanto praticam requintes de crueldade em você, o que é estranhamente reconfortante), mas é um barato que leva 15, 20 minutos... (e eu, com meu trabalho intelectual, tenho que trabalhar umas 3 horas pra ganhar US$50!!)

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A moral da história, crianças, é que essa coisa de design inteligente, criacionismo e tal... isso é tudo bobagem. Certo mesmo estava o bom e velho Charlie. Evolução é assim mesmo: primeiro se vão os outdoors, depois os acentos e, quando a gente menos espera, até os pêlos foram pro saco (de lixo, no caso).

2 comments:

Anonymous said...

Vou dizer que... no intertítulo A 'mão' do Respectivo... Quase achei que ia ficar menos PG-13 ahahahahha

Aline said...

oops! Typo. Quis dizer "mãe". Ato falho??

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