Tuesday, December 9, 2008

Send it to me (or, emotional rescue)


As pessoas no meu mundo banânico, i.e. meu surrounding world do Congo, se dividem, atualmente, em dois grupos: o grupo das pessoas que sabem (ou "ouviram falar") que eu moro nos EUA e usam isso como desculpa para tentar me fazer de mula e fazer encomendar as coisas mais esdrúxulas possíveis (desde conhecidos que pedem toneladas de coisas do Duty Free até fofolitos que fazem perfis fakes no Orkut para ver se a tonta aqui cai numas de "eu não te conhecço, mas será que você pode comprar uma passagem aí pra mim e depois eu te pago?"), e o grupo das pessoas que podem pedir o que quiserem (e, talvez por isso, raramente pedem alguma coisa - ou, quando pedem, é alguma coisa descomplicada).

Já relatei os problemas com esse tipo de coisa aqui. Correlato a isso, no entanto, está a atitude em geral dessas mesmas pessoas.

O primeiro grupo, com todo respeito, que se foda. Isso mesmo. A amazon existe para isso na vida: se você quer alguma coisa, vai lá e compra.

Do segundo grupo vale a pena eu me ocupar mais extensivamente. Dele fazem parte, entre outros:
- aquele meu amigo para quem eu costumo telefonar uma vez por mês (embora tenha negligenciado a frequência das ligações ultimamente),
- a minha amiga com quem eu me comunico de vez em quando e para quem eu fiz questão de mandar um presente de aniversário pelo correio,
- um amigo que me salva via Skype nas horas de desespero existencial,
- um que me manda e-mails quando eu menos espero, mas que, sabendo que ele mal usa e-mail, me deixa feliz assim mesmo,
- um amigo que me deixa constantes scraps divertidíssimos que falam coisas além do trivial "e aí, como vai a vida em NY? quando volta para o Brasil?",
- uma amiga que se importa do jeito dela, e que eu sei que vai ser uma das primeiras pessoas que eu vou ver quando chegar a SP,
- um amigo que um dia estabeleceu uma meta (não cumprida, mas ousada o suficiente) de me escrever um e-mail por dia,
- e, finalmente, um amigo cuja carta eu recebi hoje.

Eu raramente recebo correspondência do Brasil aqui em NY. Essa carta aí, cujo conteúdo não interessa a ninguém além de mim e do remetente (porque ainda há um resquício mínimo de privacidade no mundo!), não poderia ter chegado em dia melhor. Numa semana infernal, tendo uma tarde bem assustadora pela frente, passo para ver se havia alguma correspondência para mim no departamento e... encontro esse envelope aí.

Talvez seja mania dele aparecer especialmente nessas horas de tensão, como no dia em que nos conhecemos (!), ou numa longa noite dividida entre a ansiedade de esperar meu celular tocar e uma infinita partida de banco imobiliário, ou numa tarde de fim de semestre em um dia chuvoso no Bronx.

O tema da carta explica bastante o porquê de termos nos tornado amigos: tem coisas que só fazem sentido quando são escritas com caneta e papel e enviadas do forma mais complicada que clicando em um ícone cinza na tela. Isso sobre o que você escreveu, honey, é tema para letra cursiva. A resposta, respectivamente, não vai por aqui nem por e-mail. Também não vai, contudo, por papel e caneta - não por falta de disposição, mas porque estes chegariam aí depois da resposta que eu vou te dar ao vivo: um abraço e um tapa na cabeça, pra não perder o hábito.

Num mundo onde o "anexo" da sua carta faz tanto sentido, honey, é bom saber que ainda tem gente como você, que é assim: via aérea, prioritário.

2 comments:

Paulo Tiago said...

E tem que me chamar de bichinha ou alguma coisa do tipo, como você faz tão bem, porque eu confesso que fiquei com os olhos levemente mareados aqui.

Pena que não dá pra postar aqui o sorriso que esse post me abriu, especialmente por saber que eu acertei tão sem querer. =)

Aline said...

Love you, sua bicha! :P

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