Monday, December 8, 2008

Two drifters off to see the world (or, I'm crossing you in style someday)

Sábado passado foi o dia de fazer as compras de Natal. Antes de ir ao mundo real das lojas normais, tipo Armani e afins, o Respectivo e eu fomos procurar um presente no mundo paralelo da Saks Fifth Avenue.

Estávamos procurando um par de sapatos para o irmão dele, então, fomos ao andar das roupas e acessórios masculinos. Saímos do elevador justamente dentro de seção couture. E fomos andando procurando a seção normal de designers. Os cinco minutos de caminhada que resultaram daí foram alguns dos minutos mais surreais que eu vivi em NY.

Os manequins da loja estavam vestidos com peças que poderiam ter saído da versão anos 80 gay da Ilha da Fantasia. Em sua maioria, eram bermudas de comprimentos variados com camisetas listradas em preto-e-branco de um tecido de algodão fininho com... tah-dah! - uma gravata borboleta. Os paletós eram todos de linho, em tons pastel: verde claro, azul bebê etc. Até aí, tudo bem (fora a agressão ao meu senso de estilo, tudo bem).

O problema foi quando eu comecei a reparar nas pessoas: percebi que eu parecia ter caído dentro da filmagem do filme Bonequinha de Luxo. Todas as pessoas que estavam naquela seção da loja, vendedores e consumidores, estavam vestidos de uma maneira absolutamente flamboiante, por falta de palavra mais precisa. Todos estavam vestidos em cores esdrúxulas (de veludo molhado roxo a verde limão) e usavam acessórios que só poderiam fazer parte de um guarda-roupa de um filme dos anos 40 a 60. A maioria dos homens usava gravata borboleta (mesmo o resto da roupa sendo casual). Desde quando gravata borboleta voltou a ser hype, pessoal? (e não estou falando de gravata borboleta tipo emo). Os que não usavam gravata borboleta usavam suspensórios (suspensórios!!) de cores vibrantes. Ou chapéus com formatos exóticos.

E a atitude! Ah, a atitude! Todos agiam exatamente como personagens de Bonequinha de Luxo. Exceto pelo fato de que havia poucas mulheres por lá. E não estou sugerindo que eram todos gays. Pelo contrário, acho que uma boa parte dos homens lá era hétero... só flamboiantes.

Eu deveria ter tirado uma foto, porque não sou boa em dar descrições e os parágrafos acima não fazem jus a tanto "flamboiantice". Juro. Acho que, em algum lugar lá dentro, tinha alguém usando um chapéu que mais parecia um arranjo de samambaia. Se alguém ainda não entendeu bem a gravidade da coisa, vá diretamente à fonte e leia o titio Capote, porque esta criatura que vos escreve, além de tonta e inábil nas artes literárias de nível vendável, não pode fazer muito mais para salvar sua alma.

O pouco de alma que me resta, aliás, resolvi não vender para o demo fazendo compras na Saks. Depois de não encontrar o que queria, resolvi nunca mais entrar lá, só para não correr o risco de gastar um montante que poderia alimentar um país inteiro na África em um par de sapatos horrendos D&G.

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