Friday, December 4, 2009

Sie hat was vermisst (or: schöne Grüsse aus Amerika)


Pela frequência dos posts ultimamente, pode parecer que não. Mas prometo que é verdade. Para muitos que lêem isso aqui (leia-se, portanto "euch" no lugar de "dich").

Friday, October 30, 2009

When there's nothing else to burn, you set yourself on fire

Esse blog estava em coma. O que o faria ressucitar? Meu verao ocupado, viajado, atribulado? Meu novo emprego, atribuladissimo? O show do Snow Patrol, que foi bom de doer? Minha espetacular viagem ao Mexico, no dia seguinte? Ter ido ao New Yorker Festival e participado da sessao com o George Saunders e o Gary Shteyngart? Nao. Nenhum desses teve forca suficiente. Faltava alguma coisa (porque eu me alimento de alegria estetica).

Ontem de manha, fui buscar um pacote no correio (meu carteiro e' uma pessoa do mal e raramente entrega pacotes). Abri, olhei para o livro recem-lancado, recem-chegado e li. Li sem parar. E resolvi ressucitar o blog, mesmo sem acento, de um computador que nao e' o meu pessoal, so' para reproduzir uma passagem:

[conversa de avo' com neto sobre como ela sobreviveu ao Holocausto fugindo dos nazistas - e quase morreu de fome, se alimentando ate' de lixo]

"The worst it got was near the end. A lot of people died right at the end, and I didn't know if I could make it another day. A farmer, a Russian, God bless him, he saw my condition, and he went into his house and came out with a piece of meat for me."

"He saved your life."

"I didn't eat it."

"You didn't eat it?"

"It was pork. I wouldn't eat pork."

"Why?"

"What do you mean why?"

"What, because it wasn't kosher?"

"Of course."

"But not even to save your life?"

"If nothing matters, there's nothing to save."


E'. Tem livros que envergonham todo o resto da literatura (e ressuciatm blogs). Leiam Eating Animals, de Jonathan Safran Foer - agora!

Sunday, May 10, 2009

I love to move in here

Ontem foi dia de mudança. Já estava com tudo encaixotado e o Respectivo já tinha ligado pro caminhãzinho de mudança e agendado tudo. A primeira parada seria sábado, 09 de maio de 2009, às 14h, na casa de um amigo filipino e uma amiga sérvia que, por estarem indo embora dos EUA nos venderam montões de móveis.

É, só que nossa mudança foi no Bronx, ou seja, tinha que rolar alguma coisa de muito bizarra no meio.

Às 14h, chegamos lá na casa deles. Nada de caminhão de mudança. O Respectivo liga pro cara. O cara avisa que vai atrasar uma meia hora. Beleza, então vamos ir trazendo os móveis para o térreo, porque aí, quando o caminhão chegar, é só enfiar tudo dentro.

E descemos três andares (três!) de escada (escada!! - e, pior, daquelas escadinhas estreitinhas) carregando sofá, cômoda, cadeira, luminária, microondas, mesinha, banquinho e por aí vai. O sofá (futon) quase não passou pela escada. Tragédia.

Bom, e lá estávamos nós, às 15h, com tudo na calçada (sim, na rua!). E nada do cara da mudança. O Respectivo telefona DE NOVO. O cara diz que não vai poder ir (!!), mas que vai mandar outro cara no lugar. Era para a gente esperar mais uma meia hora. E aí, é claro, começa a armar chuva - e a gente com os móveis no meio da rua. (Oi, Murphy, há quanto tempo...!)

Para agilizar as coisas, enquanto o Respectivo vigia aqueles móveis, eu vou ao meu apartamento, que ficava há dois quarteirões de lá, e já começo a descer as minhas coisas. Mais caixas e caixas (e alguns móveis pequenos) - mas aí era só um andar.

Sorte é que a chuva estava só armada. Não caiu. Porque os caras chegaram para fazer a mudança às 16h, ou seja, duas horas depois do horário combinado! E a mudança tinha que acabar no máximo até as 17h, porque tínhamos um potencial sub-locatário que ia visitar o apartamento às 17h. E viva!

Terceira parada, a casa do Respectivo - e aí entra cama, estante, escrivaninha etc.

Chegamos no apartamento novo lá pelas 18h. A sorte é que o tal sub-locatário ligou avisando que ia atrasar um pouco. Abro a porta do apartamento e dou de cara com 2 caras estendidos no meio da cozinha. Um com a cara enfiada debaixo da pia, e outro com a cara enfiada dentro da máquina de lavar louça. É porque no dia anterior eu tinha reparado que tinha alguma coisa no encanamento que não estava rolando, e liguei pra reclamar. E é lógico que os caras iam estar lá naquela hora, junto com os caras da mudança. E, porque desgraça pouca é bobagem, no meio dessa confusão chega o sublocatário com mais dois amigos, para ver se ia ficar ou não com o apartamento durante o verão (já que o Respectivo e eu iríamos passar 3 meses fora).

O processo de mudança acabou lá pelas 20h. Até o Respectivo e eu tirarmos as coisas de sobrevivência básica de algumas caixas e jantarmos, a coisa se esticou até as 22h30. E o detalhe, no dia seguinte às 7h da manhã, mamãe e titia estariam batendo à porta, recém-chegadas do aeroporto. Maravilha!

Mas como estudantes pobres sempre têm algum consolo, pelo menos, com a confusão toda, batemos boca com o cara da mudança e pagamos bem menos que o combinado. E, a essas alturas da economia americana, qualquer "cincão" é dinheiro.

Friday, May 8, 2009

Apartment story (or, two out of three ain't bad)

Estava chegando a época de fazer mudança. Um saco. Mas o lance todo é que não dava mais para ficar morando no apartamento onde eu estava, com mais 4 meninas - e sempre alguma potencialmente louca, tipo a roommate from hell. Estava na hora de gente grande ter apartamento de gente grande, com sala e cozinha de verdade, tal. Especialmente agora, que eu teria um emprego de verdade.

Os problemas eram: eu precisava arrumar um(a) roommate (porque não queria pagar bilhões de dólares de aluguel, internet, TV a cabo etc. sozinha), e precisava arrumar um apartamento.

O problema de arrumar alguém pra dividir o apartamento comigo foi até que facilmente solucionado: não tinha ninguém randômico gostável/suportável que estivesse à procura de uma roommate, mas aí, o Respectivo descobriu que a rooommate dele queria ficar com o apartamento em que eles moravam todo para ela, ou seja, ele também estava precisando arrumar um roommate. Depois de muitas noites mal-dormidas de reflexões existenciais, chegamos à conclusão do óbvio: vamos ser roommates.

Entendam: a idéia não era morarmos juntos, simplesmente; era sermos roommates, ok? É, porque eu ainda tenho boundaries na vida.

Com isso em mente, fomos procurar apartamentos. De dois quartos, é claro. No começo, foi só tragédia: um apartamento mais acabado e com mais cara de ratoeira que o outro. E, está certo que é o Bronx, mas eu ainda tenho standards. Os que eram decentes, eram carésimos. Depois de uma semana de busca, nada.

Mas aí, eu me lembrei da Carrie Bradshaw dizendo que em NY, você está sempre procurando um emprego, um apartamento ou um namorado. Como eu não tive grandes dificuldades para arrumar o emprego nem o namorado, não era o apartamento que ia me derrubar!

Logo, logo: bingo! Achamos o apartamento ideal. Não vou ficar bragging, porque eu sei que tem gente que só lê isso aqui para depois ir ao terreiro e fazer macumba (não adianta, porque na minha casa tem muito sal grosso, tá?!), mas o lugar é legal. E bem melhor que meu apartamento antigo, que era bem decente.

Depois de algumas burocracias (documentos, extratos bancários e afins), assinamos, no dia 1o. de maio, o contrato de aluguel.

Ou seja, aquela história de que "in New York, you can have a great job, a great apartment and a great companion, but not all three" pode até ser verdade, mas não para mim. Ha!

Thursday, May 7, 2009

She can't sleep no more (or, not the swine flu)

E aí que acordei às 5h51 da manhã e não peguei mais no sono. Naquele estado meio sonolento, meio psicótico de quem não dormiu muito - aquele estado em que você é capaz de conversar com pessoas com a mesma clareza de um mendigo que andou fumando crack - comecei a pensar se as buscas no google pela gripe do porco iriam dirigir mais pessoas ao meu blog. "Pork on my Eggos", tal, sacou?

É, só que vamos voltar um pouquinho a história (mesmo porque eu me recuso a comentar essas coisas triviais e que não giram em torno do meu próprio umbigo, como a gripe do porco): eu acordei às 5h51 da manhã!

Aí, vocês perguntam: coloquei o despertador pra tocar? (Não!) Então, por que raios você acordou tão cedo? Ou por que não voltou a dormir?

Pois é, das mazelas de se morar em NY... Entendam: quando vim morar aqui, abandonei 2 hábitos terríveis: comer três refeições ao dia e dormir. Vejam: não é que abandonei o hábito de dormir 8 horas por dia (acho que desde, sei lá, o colegial - que, na minha época ainda se chamava colegial - não durmo 8 horas por dia); simplesmente abandonei o hábito de dormir. Altogether.

Não é coisa de filme: há sirenes e barulhos improváveis partout - e o tempo todo - em NY, não importa o borough. Além disso, há a luz. A luz! A janela do meu quarto está na direção leste, ou seja, de manhã cedo, é uma claridade infernal (apesar da persiana) e, à noitinha, completa escuridão. Bom, numas. Completa escuridão até que seria bom à noite. Só que é claro que tem um poste que parece um daqueles holofotes do Anhembi exatamente ao lado da minha janela. E eu tenho uns vizinhos cuja versão de "festa no apê" é "festa na varanda". A varanda, no caso, fica imediatamente embaixo da minha janela. E eles cantam. Bêbados que cantam, saca? Bêbados que cantam são os equivalentes metropolitanos do fênomeno urbano comum conhecido como "gatos em processo de cópula"

Enfim, tudo isso para dizer que eu não ligo pra gripe do porco. Eu só queria dormir um pouquinho...

Wednesday, April 29, 2009

The Road (or, first to know)

E aí, parece que o lance do Respectivo com o pre-screening do filme (The Road) rolou. O lance era na terça-feira (ontem), às 19h30. Como nenhum de nós dois tinha que assitir a aulas nem dar aulas, chegamos lá às 18h30, como recomendado.

A fila para entrar no cinema estava dobrando a esquina e indo atéééé o fundo, da Broadway até a Columbus Ave. Na fila, os organizadores nos deram um formulários pra preencher, como nome e alguns dados pessoais. Aí, logo deixaram a galera entrar.

No início, um pessoal da equipe de produção veio explicar o que ia rolar. Iríamos assistir a uma versão pré-produção do filme - ainda não completamente editada, sem os efeitos sonoros e de iluminação completos - e depois responderíamos a um questionário a partir do qual eles ainda poderiam fazer algumas mudanças no filme. Ou seja, a versão que estreiará no cinema daqui a uns 6 meses será um tanto diferente da que ia rolar ali.

Ok, vambora.

Olha, eu gostei MUITO do filme, viu? Não curto filmes apocalípticos (e The Road é, definitivamente, apocalíptico), e não sou a fã número um do Cormac McCarthy (ok, eu li No Country for Old Men, e tal, mas foi meio doloroso. Não é meu tipo de literatura...), mas o filme é bom. Muito bom.

Quando assisti a No Country for Old Men no ano passado e, mesmo sem ter visto muitos outros filmes no cinema naquele ano, disse que era, sem sombra de dúvida, o filme de 2008, o pessoal não levou fé; me achou exagerada. Agora, como coloquei a mão no fogo por No Country..., faço o mesmo com The Road, se não mais: como filme de futuro apocalíptico, dá um pau em Matrix e outros que foram louvados ao mesmo status. Podem falar que é o próximo Blade Runner, mas não é. Porque The Road inaugura um novo estilo. A questão não é se The Road é o novo Blade Runner. A questão é: qual vai ser o próximo The Road?

O filme só estréia nos EUA em outubro, e no Congo (banana-land) em dezembro. Vejam. No dia em que estreiar.

(Preenchemos a pesquisa no final do filme, tal. Foi interessante. Agora vou ter que ler o livro. E ver o filme de novo, em outubro.)

Staring at the sun (or, big city girl and small town boy in an imaginary place)


Depois de um inverno eterno, sábado passado (25/04/2009) o tempo deu uma trégua e fez sol aqui em NY. Virei barata e fui com o Respectivo ao Central Park tomar sol à tarde. Depois de algumas horas deitados (de roupa: jeans, camiseta, tal) no gramado, bateu a fome. Bora procurar um restaurante. Como estávamos lá pelo Upper West Side, saímos pelo portão da W72nd.

Como já disse algumas vezes aqui, o Upper West Side é um lugar meio ruim pra comer: tem muitos (MUITOS!) restaurantes bons, fato. Só que são todos caríííssimos (e vida de estudante é uma merda, né?!). E aí, no Upper West Side também tem uns restaurantes não muito bons - e igualmente caros. Pois é, o real dilema do onívoro pra mim é esse: pagar muito para comer comida ruim ou gastar uma quantidade de dinheiro muito além do meu orçamento e comer bem? Nenhuma resposta satisfaz (daí o dilema, duh!).

Pois, mais uma vez fomos explorar o Upper West Side em busca do restaurante ideal: bom e barato. Depois de muito andarmos na região do Lincoln Center, encontramos um restaurante japonês simpático. Aí, a questão era: ir ou não ao cinema depois?

Fomos ao cinema ali na altura da W68th ver o que estava passando. Nada de bom. Quando est[avamos saindo, fomos abordados por uma pessoa com papéis na mão oferecendo ingressos grátis para um filme. Como boa paulistana, tenho algums regras para a vida urbana. Duas delas são: (1) não pare para ouvir o que pessoas com papéis na mão, em grandes avenids, têm a dizer; (2) não caia no conto do grátis: em cidades grandes, não existe NADA grátis.

Então, óbvio, não parei. Mas o Respectivo, que passou a maior parte da vida morando em cidades com menos de 2 milhões de habitantes, na maior ingenuidade, parou. - Ai, Jesus! Lá vem...

Tá bom, meu ceticismo urbano me fez enfiar a viola no saco. Depois de tentar me livrar do cara, descobri que ele estava caçando cinéfilos para assistir a um pre-screening, grátis, do filme The Road, adaptação do livro homônimo do Cormac McCarthy. Pois é, na terça-feira seguinte seríamos convidados VIP para assistir à versão ainda não editada do filme e fazer a avaliação dele. Continuei cética, mas resolvi pagar pra ver. Coisas que só gente de cidade pequena consegue em cidade grande...

(Ah, e o restaurante japonês era bem barato e a comida era bem razoável. Fica bem ao lado do Nanoosh, um humus bar completamente overrated. Se eu não me engano, foi o Dan Tempura House. Os suhis estavam bem competentes e, de sobremesa, comi green tea brûlée, que é, basicamente, um[a] crème brûlée, só que de chá verde. Muito bom.)

TO BE CONTINUED...

Sunday, April 19, 2009

L'Intranquilité (or, the Belgian idea of a crisis)

Mais da série Contos Belgas.

A Bélgica tem um problema sério com caixas eletrônicos (them lovely ATMs). Sim, caixas eletrônicos. O meu guia de viagem comentava algo assim; dizia que havia pouquíssimos caixas eletrônicos em Bruxelas e sugeria que, quando eu encontrasse um, sacasse logo um monte de dinheiro - o que eu considerei uma informação desatualizada e bem pouco segura.

Mas eis que no nosso segundo dia em Bruxelas (um domingo) o Respectivo e eu começamos a ver filas gigantescas em todos os caixas eletrônicos do centro da cidade. Faz um certo sentido, já que poucos lugares na Europa aceitam cartão de crédito (por um motivo que ainda escapa minha compreensão). Mas, como europeus (especialmente os britânicos, como é notável) geralmente têm uma certa tara por fila, era relativamente fácil entender o cenário.

Enquanto almoçávamos naquele dia (no Orfeo, um restaurante atrás da Place du Grand Sablon, com uns pratos bem interessantes: meio indian-mediterranean fusion), e tentávamos nos ajeitar com as notas surreais e as moedas inusitadas de euros (o Orfeo obviamente não aceitava cartão de crédito), perguntamos para a garçonete se, de fato, era tão difícil assim encontrar caixas eletrônicos em Bruxelas e comentamos as filas, tal.

A resposta dela? Não há tão poucos caixas eletrônicos assim, mas a maior parte fica dentro das agências bancárias e, portanto, fica fechada durante o fim de semana. Os poucos caixas que há nas ruas até poderiam ser suficientes, se não fosse por um pequeno detalhe: como o pessoal entra em pânico pela dificuldade de encontrar um caixa eletrônico e aí saca montes de dinheiro no final de semana, há um problema logístico: o dinheiro dos caixas eletrônicos ACABA! Ou seja, o pessoal saca dinehiro loucamente sexta à noite e sábado e aí, quando chega domingo, os caixas estão zerados. E os bancos só vão repor o estoque de dinheiro na segunda-feira. 

Parece mentira, né?! Pois é, mas não. É a Bélgica, uma real versão laid-back da França (onde, se esse tipo de coisa acontecesse nesse nível, o pessoal ia se armar com boinas e começar barricadas e atear fogo nos bancos - o que culminaria em algum tipo de greve, tal). Genial!

Friday, April 3, 2009

The Lucky One (or, how to find gluten-free food in Belgium - and save your ass)

Da série "Contos Belgas", que eu estou devendo já há algum tempo:

Como tem muita coisa pra eu lembrar, vai sair tudo em ordem stream of consciousness.

Antuérpia, quinta-feira, 19 de março de 2009. Esse foi o primeiro dia da Red Star Line, o dia em que eu apresentei minha resposta ao trabalho da Liesbet, sobre Kant, tal. Depois das comunicações da tarde, à noite era hora de aproveitar a cidade.

Depois de tentarmos organizar alguma coisa com o resto do pessoal (sem muito sucesso), o Respectivo e eu decidimos que iríamos para a região noroeste da cidade, próximo ao museu de arte contemporânea, onde estaria rolando uma série de vernissages nas galerias de arte. A primeira parte do plano era ir para a região próxima ao museu de Belas Artes, para jantarmos. A Petra (que nos hospedou em Bruxelas e Antuérpia) sugeriu um bar, Hopper.

Quando já estávamos lá perto, o Respectivo resolve perguntar para um cara randômico, que estava passando na frente do museu, se ele tinha alguma sugestão de lugar para jantar. O cara recomendou o Fiskbar, um restaurante que servia basicamente peixe, mas que provavelmente estaria cheio, teria espera, tal.

Não me animei muito com a idéia (não trabalho com espera), e sugeri que déssemos uma olhada em outros restaurantes, em outra direção. O Respectivo concordou, mas a contragosto. Justamente por isso, ele fez cara de "não" para TODOS os outros restaurantes que paramos para olhar. Depois do descontentamento, sugeri irmos até o tal Fiskbar mesmo. Chegando lá, descobrimos que eles só aceitam clientes com reserva, e o lugar estava lotado, essas coisas. Voltamos para o outro lado do museu, onde o Respectivo resolveu que, então, "iria a qualquer lugar, mesmo".

Achamos um restaurante com uma cara simpática, mas absolutamente vazio. Hesitamos, mas a fome falou mais alto. O Respectivo, emburrado, olhou o menu e começou a me perguntar o que cada prato era. Detalhe: o menu estava em holandês. Tá certo que eu falo alemão e, enquanto estávamos em Bruxelas, foi bem fácil lidar com os cardápios e pedidos sem glúten, já que lá todos falam francês. Mas holandês... bom, dá pra chutar algumas coisas, mas é bem mais difícil adivinhar se um prato tem ou não glúten quando você só entenbde 70% dos ingredientes. Mais emburramento. - E lá é minha culpa que eu não falo holandês? E ele ressentido, porque queria ter ido ao tal Fiskbar logo de cara ("Talvez não ainda tivesse alguma mesa livre se tivéssemos ido lá logo de cara, em vez de ficar perambulando, procurando outro lugar.")

Eis que vem o garçom, e ele me pede pra perguntar o lance do glúten, tal. Não entendi por que EU tinha que perguntar, já que ia falar com o cara em inglês, anyway (novamente; eu não falo holandês e nos lugares na Bélgica onde se fala predominantemente holandês, as pessoas se irritam em falar francês). Pergunto quais os pratos do menu não contêm farinha de trigo (é sempre mais difícil explicar o que é glúten...). O garçom pára, fica meio na dúvida... não entende muito bem o que eu quero dizer com "wheat flour" ou "farine de blé". E o Respectivo emburrado, como quem diz "tá vendo? Vai me envenenar agora!" Eu completo, para o garçom: "veja, é que ele é alérgico a glúten, e não pode comer nada que tenha farinha de tr-".

"Ah, glúten!? Não! A idéia desse restaurante é justamente ser gluten-free. Nenhum dos nossos pratos têm glúten. Inclusive as cervejas. São todas gluten-free. Vocês podem ficar tranquilos e pedir qualquer cosa do menu."

Sorriso de alívio no rosto do Respectivo. Sorriso de vitória no meu. I win. Well, kinda. :)

(Ah, e o restaurante chama-se Eugène, e fica na Leopold de Waelstraat, pertinho do museu de Belas-Artes.)

Wednesday, April 1, 2009

What crisis? This crisis.

Minha amiga, a jornalista Laure Fillon (que eu conheci em 2005 em Berlim), trabalha para a Agence France Presse (AFP) e esteve recentemente em Viena, onde tirou essa foto, que eu deliberadamente "roubei" porque achei o texto genial.



Aproveito para acrescentar que já foi lançado, na Europa, o segundo álbum do Underwater Tea Party (What crisis? This crisis.), cujos vocalistas (Clarita e Martí, queridíssimos) também conheci em 2005, em Berlim. Parece que está à venda nas Fnac da Europa (segundo o blog deles), mas eu não consegui comprar. Resta ouvir pelo MySpace.

Dá pra ver que eu estou sem tempo para contar histórias, mas logo, logo eu atualizo de verdade.

Sunday, March 29, 2009

Monday, March 23, 2009

Let's get out of this country (or, my ten days in Belgium)

Se é que alguém ainda lê isso aqui, esse coitado deve ter percebido que eu não me dignei a postar nada nos últimos dias. O motivo foi uma justa e merecida ausência de NYC. Passei os últimos dez dias na Bélgica, para onde fui por conta de uma conferência (dentre outras coisas). O motivo deste post de madrugada é que eu voltei para NY ontem à tarde, e com o bom e velho jetlag (o tempo estava 5 horas à frente na Bélgica), fui dormir às 20h, EST (horário do leste dos EUA), razão pela qual acordei gloriosamente às 4h da manhã hoje. E viva!

A conferência foi na Antuérpia, mas eu aproveitei para fazer um tour geral da Bélgica (Bruxelas, Lovaina - Louvain ou Leuven, em francês e holandês, respectivamente -, Gante - mais conhecida como Gent -, e Bruges, onde fomos procurar anões).

Anedotas da viagem e as inevitáveis comparações com os franceses virão aos poucos, nos próximos dias.

O comentário do dia é que, de maneira geral, os belgas são franceses que deram certo. Eu sempre achei que à França (aos franceses, na verdade - em especial aos parisienses) falta um pouco de tolerância, bom senso e humildade. A minha idéia é que se o mano Hitler tivesse entrado com tudo pra cima dos amiguinhos do Astérix e destruído aquela porra toda (torre Eifel, parte - ok, não tudo, mas parte - da fortaleza que hoje é o Louvre, etc.) e deixado muito menos do que deixou (é, o titio Hitler arregou no quesito França!), os franceses teriam menos para esnobar o mundo. Nunca pude confirmar essa teoria, porque pode ser um simples fato da constituição genética (social?) dos francófonos do Velho Mundo que eles sejam assim. No entanto, após visitar a Bélgica, minha teoria ficou praticamente comprovada. 

Os belgas foram muito mais arrasados pelas duas guerras mundiais (sem contar o resto dos rebus que rolaram na Europa antes do século XX), aprenderam a lidar com o fato de que falam "septante" em vez de "soixante-dix" e "nonante" em vez de "quatre-vingt-dix", engoliram o orgulho e se tornaram franceses plus

Outra diferença importante é que, diferentemente dos parisienses, que reclamam por esporte, os belgas são críticos - e não saem apoiando ninguém politicamente por pura xenofobia. 

Falem o que quiserem, mas, é óbvio que, em Paris, xenofobia é o esporte oficial. Essa foto aí é de uma manifestação que estava rolando na entrada do prédio da bolsa de valores em Bruxelas. Em Paris, não teria acontecido - a não ser que fosse contra os árabes, a única coisa que parece coerente com o vocabulário do soixante-dix, quatre-vingt e afins. I rest my case.

Monday, March 16, 2009

You always saw the blue skies

I'm turned around and lost out here again
Feeling like there's no way out and without you no way in
Where are you my friend?
I know how hard it is to keep from crying out loud
To look up in the sky and see nothing but clouds
The last thing you said "you know my hope never dies"
No matter how dark it was you always saw the blue skies

Oh I'm sick and tired of yesterday
I think of all the times I chose the worst things and I threw the best away
What would you say?
I know how hard it is to keep from crying out loud
To look up in the sky and see nothing but clouds
The last thing you said "you know my hope never dies"
No matter how dark it was you always saw the blue skies

I just hope this road keeps turning
'Til I find a place to end this yearning

Where are you my friend?
You know how hard it is to keep from crying out loud
To look up in the sky and see nothing but clouds
The last thing you said "you know my hope never dies"
No matter how dark it was you always saw the blue skies

No matter how dark it was you always saw the blue skies

O bom do brega. Bonnie Tyler. You always saw the blue skies.

Friday, March 6, 2009

Magnificent (or, you love this town, even if that doesn't ring true)


Eu sei que quem está me acompanhando no twitter deve estar cansado de saber, mas...

Hoje acordei cedinho (5h00 - sim, 5h00 da manhã!) e fui para o campus. Ia ter um show, tal. Das 5h00 às 6h30, foi servido café da manhã para todos os alunos. Depois, fiz uma hora aqui, bati um papo ali e o show começou às 8h00 em ponto. O setlist? Lá vai:

“Get On Your Boots”
“Magnificent”
“I’ll Go Crazy If I Don’t Go Crazy Tonight”

“Beautiful Day”
“Breathe”
“Vertigo”

Talvez o nome de algumas músicas ainda não signifique muito, já que fazem parte do recém-lançado ábum, mas tem duas um pouco (bem pouco) mais antigas que dão a dica: sim a banda foi "a little combo from the North side of Dublin called U2."

O Fr. McShane, presidente da universidade, resumiu a história: "Is U2 playing at Columbia? Are they playing at Georgetown? Are they playing at Notre Dame?" Pois é.

Bom, a coisa toda aconteceu no gramado em frente ao Keating Hall (o palco foi montado na escadaria do mesmo prédio). Eles tocaram das 8h00 às 9h00 da manhã, com algumas interrupções para entrevistas, porque o show foi ao ar ao vivo no programa Good Morning America.

U2, de graça, para apenas 4000 pessoas. Não preciso nem dizer como foi. Dá pra adivinhar.


E agora eu acumulo duas histórias sensacionais de como/quando vi o U2 ao vivo. Apesar de não ter ido ao show em 1998 (afinal, o álbum Pop, que me desculpem, foi o maior erro do U2 - ever - com Discothèque levando o prêmio de pior música) em São Paulo (nem em 2006), pude ver a turnê Vertigo em Berlin, em 2005, naquele show que foi justamente no dia dos atentados terroristas em Londres e tal.

Acho que isso hoje fez os oito anos e meio estudando em universidades católicas valerem mais a pena...

Thursday, March 5, 2009

You'll find a way

Go ahead, you know you want it
You'll have no other way
you just want to take us down
go ahead,
I'll be the one hit
If I can take you, boy, it just might throw this town
Oh, you want to get it
You make us bleed, it'll prove there's life somewhere
And oh, no, I want to yell it
but do we speak or are we just nodding our heads
No way, not me, what you got, 
it's not for me, but you'll find a way
no way not me, what you got, 
it's not for me

Don't reach too far
You will fall over
Don't be surprised what you discover
Don't fear your call
Can't pull us under
You better watch out, run for cover

We see right through it
You get what you give, you get what you give

Go ahead
I'll be your junkie
I'll be deplete, you can heap all rubbish here
Go ahead, now dump it on me
if I go quiet will the itch go down with me
Oh, you got to get it
nevermind that it was never there nowhere
but oh, no, not for a minute
for now you'll make your bed
and it will wait, I swear

No way, not me, what you got, 
it's not for me, but you'll find a way
no way not me, what you got, 
it's not for me

Don't reach too far
You will fall over
Don't be surprised what you discover
Don't fear your call
Can't pull us under
You better watch out, run for cover

We see right through it
You get what you give, you get what you give

Tell them that they'll get what they wanted, tell them
Tell them that they'll get what they wanted.
'Til then....


(Santogold. You'll find a way. Bom remix aqui.)

Friday, February 27, 2009

Liar (or, the best cupcake in NYC)

Isso aqui é uma das coisas mais espetaculares que uma pessoa pode comer em NYC por menos de US$ 5. E foi o que eu comi no almoço de hoje.

Para quem não faz idéia do que isso seja, lá vai: é um red velvet cupcake da Magnolia Bakery. Magnolia Bakery! Sim, aquele cupcake que é considerado o melhor cupcake de NYC, e que ficou famoso na série Sex & the City, dentre outros.

Não fui na loja original, na Bleecker St., porque sou mais uptown girl e não trabalho com as ruas da cidade que têm nomes em vez de números. SoHo e Lower East Side, só depois das 21h. Nada mais no mundo me faz enfrentar o caos e a desordem de downtown em plena luz do dia!

Como estava no Upper West Side de manhã, resolvi experimentar meu primeiro cupcake de grife. Vocês já devem saber (ou devem ter lido em algum lugar aqui pelo blógue) que eu não trabalho com bolo (ou sobremesas em geral, com raras exceções - especialmente pudim de leite e sorvete), mas não poderia viver com o fato de que nunca tinha comido o tal bolinho tão famoso. Bolo branco é um negócio meio bobo. E eu definitivamente não me dou muito com bolo de chocolate. A solução foi comer o tal red velvet, que é um sabor meio misterioso: leva um pouco de chocolate e corante vermelho, sei lá.

Olha, é bom o tal bolinho: leve, molhadinho e - surpreendentemente - não tão doce quanto eu imaginei (o que é raro nos doces americanos). Eu até consegui comer o bolinho inteiro. Com a coberturinha e tudo!

Bom, confesso que esse post foi só pra fazer invejinha a todo mundo que tem aquele sweet tooth.

E, se você não gosta de doces e não ficou com inveja, pode ficar com inveja de eu ter visto Coraline em 3-D no cinema, mais à noite. E, se você é uma daquelas pessoas chatas que não gosta de cinema em 3-D, nem de filmes adaptados de livros, pode ficar com inveja de eu ter visto o Neil Gaiman (e pegado autógrafos e tal) em Paraty no ano passado.

Agora, se você não gosta de doces, nem de filmes adaptados de livros, nem de animações em 3-D, nem do Neil Gaiman: ou você é a autora desse blógue, ou você está mentindo!

Wednesday, February 25, 2009

Factory (or, there is a bug in my food)

"Tem um monte de arroz em volta desse mosquito!"
Pois é. Só que não deveria ter, mais ou menos igual à carne de porco crua nos meus waffles, lendária história que deu origem a este blógue. Explico.

Como eu não trabalho com pão, apesar de eu estar rodeada das melhores padarias de NYC, eu recorro aos rice cakes como alternativa. São mais leves, menos calóricos e têm indície glicêmico menor que pão etc. etc.  É, só que em um belo dia congelante de janeiro, quando eu dei a primeira mordida no rice cake percebi que na próxima mordida eu ganharia proteína extra: havia dois mosquitos (mortos, claro!) no meio do meu rice cake! YUCK!

Obviamente parei de comer na hora. E liguei para o serviço de atendimento ao consumidor da Quaker. Era domingo, e não havia atendimento naquele dia. Bummer! Guardei o meu lanchinho contaminado (às vezes eles pedem para a gente enivar pelo correio, para eles fazerem uma análise mais adequada do problema) e mandei um e-mail. Tudo bem.

No dia seguinte, só pra garantir, telefonei e fiz minha reclamação. O serviço de atendimento foi ótimo. Eles pediram descupas mil vezes (óbvio) e, depois de perguntar detalhes sobre lote, validade, status dos mosquitos etc., eles ficaram de me responder.

Menos de uma semana depois, recebo, em minha casa, uma carta da Quaker, acompanhada de US$ 12 em cupons para a compra de qualquer produto Quaker em qualquer loja (só como referência, o preço de um pacote de rice cakes da Quaker varia entre US$ 1,99 e US$ 2,99). 

Pois é crianças: aprendemos mais uma lição! Não podemos deixar essas coisas passarem batidas. Temos que reclamar, sim! (e, como vocês já devem ter notado, eu sou a rainha das reclamações)

Mas nada de desculpas de que eu só consegui resposta tão rápida e cupons etc. porque estou nos EUA. A gente mal sabe, mas todas as grandes corporações têm políticas similares, mesmo aí no Brasil. Se alguém passar por situação similar com a Nestlé, Sadia, entre outras, é só ligar pro SAC, que eles geralmente têm uma boa solução (embora em muitos casos eles peçam, sim, que você envie o produto para análise - para evitar fraudes, talvez... porque senão, tenho certeza de que no Brasil ia ter gente vivendo de bug welfare).


Tuesday, February 24, 2009

Doves (and other birds)

Mais um aniversário do Respectivo. Além de presente e tal, tem que rolar aquele jantar, já que aniversários são ótimas desculpas para se explorar o ótimo e caríssimo mundo da alta-gastronomia nova-iorquina.

Como sempre, teve aquela reserva com um mês de antecedência e tal e... ontem, enfim, fomos ao Dovetail

Por que o Dovetail?
Porque o Dovetail recebeu 3 estrelas (de um máximo de 4) do crítico de gastronomia Frank Bruni, do New York Times.
Porque o John Fraser é um chef excelente.
A Vera Tong (pastry chef) também é ótima.
E o Dovetail foi eleito pelo site OpenTable.com o diner's choice winner: fit for foodies.
E por aí vai... mas acho que já deu para entender a premissa da escolha.

O serviço foi super atencioso. Conforme havia solicitado quando fiz a reserva, o maître d' já estava a par da lista de pratos que não continham glúten e pôde nos informar logo, sem gaguejar, que pratos poderíamos pedir, ou que mudanças poderiam ser feitas.

Eles inclusive levaram o lance do glúten em conta quando serviram o amuse-bouche - o meu veio com um componente que era um folheado. No do respectivo, substituíram por um combinadinho de legumes. Os outros componentes do amuse-bouche (que não vou lembrar em detalhes, porque não estavam listados no menu) eram interessantíssimos. Um deles era uma espécie de panna cotta com sabores bem exóticos! Aliás, para quem não entendeu 100% a idéia, os amuse-bouches do Dovetail têm essa cara aqui, ó.

De entrada, pedimos o grouper ceviche (um ceviche de garoupa, com pêra, limão e coentro) e a beet salad (salada de picles de beterraba com queijo feta e mâche, que é um tipo de alface).

Pratos principais: o excelente pistachio crusted duck, pato fatiado com uma crosta crocante de pistache, com molho de tâmaras e maçã com endívia grelhada, acompanhado de um caneloni de pato cujo molho era uma redução balsâmica do molho de tâmaras. Excelente é pouco para descrever o quanto estava bom... o Respectivo pediu o grilled venison, cervo grelhado no ponto certo (medium-rare, como é comum nos anos 2000 - antes do anos 90, o ideal da gastronomia clássica era cervo ao ponto/bem passado, mas isso já ficou lá pra trás), acompanhado de couve-de-bruxelas, castanha portuguesa e marmelo.

Eu adoro pato; isso é fato (apesar de ser difícil achar um lugar onde o pato seja bem preparado, não muito gorduroso e servido elegantemente, sem ossos), mas confesso que foi a primeira vez que comi cervo. Não imaginei que fosse gostar tanto - ainda mais estando bem mal passado. Enfim, diferentemente do jantar de aniversário do ano passado, que foi uma comida mais jovem, menos tradicional (a do Harold Dieterle), este ano o jantar foi mais hearty, ótimo para combinar com o clima, já que estava fazendo -4ºC. E, apesar de o princípio culinário do Dovetail ser a culinária francesa e americana, eu achei as porções maiores que as de outros restaurantes de mesmo porte em NY (como o Perilla, o Craftbar, Barbounia ou BLT).

Faltou falar da sobremesa. Como eu disse, as porções eram grandes e não sobrou muito espaço para a sobremesa - e tudo bem, porque essa parte é mais complicada com a história do glúten. De qualquer forma, para ter uma refeição completa, tínhamos que pedir alguma coisa: optamos pelo frozen greek yogurt parfait, iogurte grego a ponto de sorvete, com gomos de mini-tangerina e acompanhado de sorbet de tangerina. Contando assim, não parece nada excepcional, mas era. Prometo.

Depois de uma das melhores refeições ever em NY, infelizmente, era hora de deixar o Upper West Side e pegar o metrô (ugh!) de volta ao Bronx.

Ah, e se alguém se preocupou com a conta: sim, ela não foi das menores (3 estrelas no NYT têm lá seu preço...), mas com pratos que têm apresentações como estas e são preparados de maneira fenomenal, quem se importa?

Saturday, February 21, 2009

Umbrellahead

Mais um capítulo de "the joys of work". Na semana de 9 a 13 de fevereiro, teve a International Business Week, na faculdade.

O meu chefe foi convidado a dar uma mini-palestra no dia 11 (quarta-feira). Ele falou de generalidades e, quando o assunto foi especificamente o projeto da ONU, como sou eu a coordenadora, lá fui eu falar.

Foi até interessante. A platéia era um grupo relativamente pequeno do graduandos, em sua maioria de administração. Depois de todas as apresentações, eles fizeram perguntas - e aí eu pude falar de ONU, de estudar francês, de o que fazer com uma graduação em filosofia etc.

Foi cansativo, porque trabalhei das 9h. às 2oh. neste dia. Em compensação, ganhei um super guarda-chuva da reitora da faculdade de administração, em agradecimento à minha mini-palestra.

Pode parecer um negócio bobo, mas é um guarda-chuva grande, de boa qualidade (que, em geral, custa em torno de US$ 20 por aqui!!). E veio em boa hora, porque depois de ter perdido ou quebrado uns 10 guarda-chuvas (a uma média de US$ 5 cada), tinha chegado á conclusão de que a compra de um guarda-chuva era um investimento supérfluo (com o qual, aliás, eu estava gastando o equivalente a mais de R$ 100/ano) e resolvi que andar na chuva (e, consequentemente, ficar ensopada) era menos ruim.

Por mais bizarros que esses tipos de agradecimentos podem ser, eles acabam vindo em boa hora...

E para quem quer me ver "em ação", é só clicar aqui e ver a galeria de fotos da International Business Week.

P.S. (25/02/2009): Não tinha me dado conta disso quando escrevi o post, mas agora tudo faz sentido. Acabei de receber o seguinte comentário a respeito de texto acima "Esse seu post é MUITO (mesmo) mais engraçado para quem conhece a sua fixação de caráter praticamente sexual por guarda-chuvas." - Confesso que apesar de este pensamento não ter me ocorrido (provavelmente por eu não ter um carro aqui - e só vai entender a associação carro-obsessão por guarda-chuvas quem conhece minha fúria ao volante), faz muito, mas muito sentido, porque ganhar o tal guarda-chuva me deu uma sensação de conforto quase surreal. Se Freud não explica, um (dos, o quê, oito?) leitores deste cuspidor de bobagens explica! Thanks, hon! 

Friday, February 20, 2009

Don't forget

O bom é que eu tenho um blógue que passa semanas sem receber sequer uma visita. Maior orgulho. É tipo candidato a vereador de cidadezinha no Acre: nem o próprio sai de casa para votar em si. (Só que ao contrário.) Se ironia existisse, essa seria minha ode a ela.

Boa noite. E continuem rezando para o coelhinho da Páscoa.

Tuesday, February 17, 2009

We rule the school

Já disse por aqui que nos meus empregos aqui na faculdade eu faço de tudo um pouco. E é sério. Além de atender telefone, abrir a porta, organizar eventos e palestras, ir a reuniões na ONU, lidar com cônsuls e embaixadores, exilados, fazer mudança de móveis, de arquivos, tirar cópias, ir ao correio, a UPS, buscar almoço, passear crianças no Jardim Botânico etc., foi acrescentada à minha rotina mais uma atividade: professora substituta.

Hoje cedo, umas das minhas chefes me liga perguntando se à noite eu poderia dar uma aula de ESL. É que este escritório tem um financiamento da Secretaria de Educação do Estado de NY para oferecer aulas de inglês para não-anglófonos residentes do Bronx. Essa semana, a professora oficial não poderia ir dar aula e o meu Big Boss, que iria substituí-la, tinha acabado de notar que, por um truque do calendário acadêmico, ele não poderia, de fato, dar a tal aula.

Quem chamar em caso de emergência? A Aline, é claro.

Aí, minha chefe ainda me pergunta: você acha que você vai ficar á vontade dando essa aula? Você já deu aula de inglês como língua estrangeira antes? Minha vontade era rolar de rir, né? Especialmente porque eu provavelmente tenho mais experiência dando aulas de inglês do que a pobre que tem que dar aula para os tais 12 alunos de níveis absolutamente diferentes.

Bom, eu topei dar a tal aula, que seria das 19h às 21h. Cheguei um pouco mais cedo, dei uma olhada no material e... vambora!

Até que foi tudo bem. Acho que depois de quase 10 anos lidando com crianças de 3 a 60 anos aprendendo inglês qualquer coisa é possível. Inclusive ensinar 12 alunos, dos quais: 3 falam inglês fluentemente; não falam nem querem falar (vontade de mandar à PQP!); um coitado não tem noção do que está fazendo ali e não sabe o alfabeto (não é que ele não sabe o alfabeto em inglês - ele não é alfabetizado, entendam!); e por aí vai...

Foram algumas das horas mais cansativas da minha estada em NYC (aliás, mais uma lição de português, crianças: "estadia"é para cavalo, carroça, navio etc. - como eu sou gente, é "estada", ok?). Mas sobrevivi. E confesso que foi mais divertido que atender ligações telefônicas estrambólicas.

Darts


Estava devendo isso aqui há algum tempo já. O Prêmio Dardos "reconhece os valores que cada blogueiro mostra cada dia em seu emprenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais etc. que, em suma, demonstram sua criatividade por meio do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras."

Este caro blógue foi indicado pela Fernanda Vasconcellos (maior honra) e o alter-ego foi indicado pela Cassy. O selo vai nos dois, mas o trabalho fica aqui.

Agora a história é a seguinte: devo indicar 15 blógues para o mesmo prêmio, exibir o selo aqui e avisar aos meu indicados que eles foram mencionados. Vambora:

Sunday, February 15, 2009

Paint your silver smile (or, never say goodbye)

Tá. Então sábado foi Valentine's Day. É um porre quando essas datas caem no fim de semana, porque fica praticamente impossível sair de casa - ainda mais agora que o governo resolveu consertar todo o sistema da transporte público de NYC ao mesmo tempo e está quase impossível ir do Harlem a Midtown West, ou de Midtown East a qualquer lugar ao sul da E28th St.

Para quem não conhece NY e não está entendendo muito bem a história, a situação está mais ou menos equivalente suspenderem todas as linhas de metrô e os ônibus dos corredores da Av. Paulista, 23 de Maio e Av. Santo Amaro em São Paulo, ou fecharem a linha Amarela, linha Vermelha e Av. Brasil no Rio. Ou seja, tem lugares da cidade que ficam simplesmente inacessíveis!

A solução era ficar no Bronx. E viva!

Como o Respectivo ia cozinhar (como todos sabem, eu sou a definição de "desastre na cozinha" e não queríamos arriscar deixar esse tipo de atividade delicada na minha mão), decidi fazer uma boa ação e fui a Manhattan comprar alguns suprimentos (Guaraná Diet! Eba! - na Búzios Boutique - que é um dos poucos lugares onde se pode encontrar produtos brasileiros sem ter que ir ao Queens). Aproveitei e passei na Tumi da Grand Central para substituir o money clip do Respectivo, perdido na noite anterior.

À noite, comida indiana. Muita comida indiana. Feita em casa, porque - obviamente - no Bronx não há restaurantes indianos (não que eu saiba...). E depois, filme.

É, só que a genialidade que vos escreve se esqueceu de um pequeno detalhe: toda a sua incrível coleção de DVDs trazidos do Brasil não "tocam" no DVD player de mil-novecentos-e-Barrados-no-Baile-original que eu comprei (usado) quando mudei. Aquele lance de regiões diferentes, tal.

A solução? Ver o que a TV a cabo tinha a oferecer on demand. O sistema de "pay-per-view" para filmes é bem eficiente aqui, e eu já tinha disponíveis filmes como "Queime depois de ler" que acabam de ser lançados em DVD. Das opções, já tínhamos assistido a quase todos os que pareciam interessantes. Sobraram duas opções "inéditas" para nós: "Sex and the City" ou "RocknRolla".

Ah, mas era Valentine's Day... a que filme assistimos? RocknRolla, óbvio! - Violência gratuita, pessoal! Violência gratuita!! Genial.

Porque aí acaba a tal história de Valentine's Day. E o que sobra para ver na televisão e no cinema é, afinal, mais violência gratuita. Mas comida indiana só com moderação.

Saturday, February 14, 2009

Winter wooksie


Tem aquela lista de coisas que eu odeio. Em primeiro lugar (como muitos já sabem) está esquiar; em segundo: patinar no gelo. Como vocês podem notar, esportes de inverno não são muito a minha.

"Não são a minha" numas. Só tinha patinado no gelo uma vez na vida, há uns 15 anos, em São Paulo, no rinque de patinação do extinto shopping Matarazzo. Para as crianças dos anos 90: o shopping Matarazzo é um troço que existia onde hoje é o monstruoso (porém funcional) shopping Bourbon/Pompéia. Era uma festa de aniversário da Mari, portanto, foi em março, no pico do calor abafado e úmido de SP. O gelo era quase todo água, eu não conseguia ficar em pé mais de 2 segundos. Enfim, um inferno.

Mas como burrice e teimosia não me faltam, quase 15 anos depois, resolvi que iria tentar patinar no gelo de novo. Mas desta vez em grande estilo: no Rockefeller Center!

O Respectivo, na maior boa vontade, se ofereceu a me acompanhar na vergonha de cair de bunda no meio de NY na véspera do Valentine's Day. Sexta-feira à noite, depois de alguns
contratempos com transporte público e táxis, chegamos lá pouco antes das 20h. Alugamos os patins e fomos para o gelo.

A minha expectativa óbvia era de vexame, especialmente porque o Respectivo, sendo do Michigan, praticamente nasceu com skis e patins de gelo grudados no pé. E a demente aqui ia ficar parecendo bem mais demente em contraste com a habilidade alheia. E lá fui eu...

No começo, hesitei um pouco e dei a primeira volta segurando na barra lateral, para fazer um primeiro "reconhecimento de
terreno". Depois, o Respectivo me convenceu a dar uma volta devagar, de mãos dadas com ele, mas soltando a barra. Baby steps. Tenho que admitir que não foi tão ruim. Depois de algumas

voltas para ir pegando o jeito, eu já estava relativamente à vontade para pegar
mais velocidade e logo, logo, estava indo mais rápico que ele!

Para quem ainda está esperando para ler os detalhes da tragédia anunciada, fica um letdown: não caí nenhuma vez - e me diverti horrores. Depois de uma hora de patinação, era hora de ir embora, afinal, apesar de tudo, eu ainda odeio equipamento de esportes de inverno, porque tudo machuca horrores, e já estava prevendo a dor no pé/tornozelo/pernas no dia seguinte.

O importante foi que, diferentemente da primeira vez que patinei no gelo, saí de lá feliz, sem hematomas e seca!

(E, sim, eu tinha convites para assistir a um dos desfiles - o da Hillary Flowers - da NY Fashion Week e sei que muite gente vai me odiar por isso, mas deu uma preguiça...)

Friday, February 13, 2009

Legal Man

Bom, eu fiquei de escrever contando mais detalhes sobre minha quinta-feira à noite e, finalmente, aqui vão:

No final de janeiro, o departamento entregou convites para o "Natural Law Colloquium" a todos os alunos. O meu, no entanto, tinha um diferencial: foi posto na minha caixa de correspondência - com meu nome e endereço "oficial" (o dos outros alunos não vem com nome nem endereço). Aparentemente, alguém estava fazendo questão que eu fosse. O tema, "Dignidade Humana, Humilhação, e Tortura", apesar de estar mais relacionado a ética, até me atraiu. Fiz minha inscrição, mas com pouca convicção de que, de fato, iria à palestra.


Na quarta-feira à tarde, tive um reunião com o Dr. M. B., que é quem organiza o evento. Ele foi tão legal e me contou tanta coisa interessante sobre o palestrante - David J. Luban - que me convenceu na hora!

Na quinta-feira à noite, ainda sem muita convicção, fui ao anfiteatro da faculdade de direito. Chegando lá, não tinha tanta gente, mas logo as pessoas foram chegando, chegando... Pouco depois das 18h, a palestra começou. E eu me dei conta de que apesar de quase todos os meus professores estarem lá, não tinha nenhum aluno de filosofia na platéia, i.e. eu não conhecia mais ninguém ali que estivesse no mesmo patamar hierárquico.

Meu plano era sair correndo de lá e voltar para casa, para fugir do frio e dormir durante umas 9 horas, com tranquiliade. É, o úncio senão é que a palestra foi muito boa! O Luban foi fenomenal e, mesmo tratando de ética - e eu abertamente não tenho nenhum respeito por eticistas, porque considero estes os maiores exemplos de comportamento hipócrita - ele conseguiu tocar questões metafisicas fundamentais e me convencer a esperar a sessão de perguntas e respostas antes de fugir.

Pouco depois das 20h. a palestra foi oficialmente encerrada e as pessoas foram indo para a recepção, no lobby. Aquela era minha oportunidade de sair de fininho... só que o Dr. M. B. me viu ali, a única pobre aluna de filosofia que resolveu dedicar 2 horas de seu dia a ouvir um cara que é considerando o "novo Charles Taylor" (!!!!), resolveu me convidar para participar do jantar de honra que seria depois da recepção. Obviamente, aceitei.

Depois da recepção, quando ainda tive umas conversas interessantes com o Dr. A. H., Dr. S. H. e sua esposa, Dr. D. B. e Dr. W. E. J., fomos todos ao quarto andar da faculdade de direito, onde estava armado um jantar formal, para mais ou menos 30 pessoas. Presentes: Dr. Luban (claro!), todos os citados professores de filosofia e mais alguns (Dr. C. G., Dr. B. J. e Dr. J. D.), professores das faculdades de Direito, Teologia e Psicologia... e eu!
É claro que eu vou comentar o jantar: salada básica de entrada; prato principal foi frango com um tipo de gravy, purê de batatas e brócolis e couve-flor grelhados; sobremesa: um doce tipo tiramisú, mas sem café - era uma espécie de mousse de chocolate com um plus.

As discussões que continuaram durante o jantar foram interessantíssimas e pudemos ouvir diversos pontos de vistas de pessoas que trabalham com a ONU, prisioneiros de Guantánamo Bay e Al Ghraib etc.

O jantar só foi oficialmente encerrado por volta das 22h20. E aí, meu objetivo era correr para pegar a van da faculdade de volta para casa às 22h30. Consegui sair da sala onde o jantar tinha rolado às 22h24. Basicamente, eu teria que pegar o elevador de volta para o térreo, dar a volta em torno da faculdade de direito e andar 2 quarteirões ao norte para pegar a van. O Dr. B. J., que é um dos professores mais bonzinhos do mundo e pegou o elevador comigo, ficou extrememente preocupado com o meu horário e ofereceu me mostrar um atalho, para eu não ter que dar toda a volta. Vambora!

Cena de comédia B: eu e um professor de filosofia às 22h25 correndo contra o tempo pelos porões e passagens secretas da faculdade de direito para eu poder... pegar minha van a tempo (pobre é uma merda, eu sei...). Valeu a pena, porque eu consegui (yay!).

Cheguei em casa mais ou menos às 23h10, pronta para desmaiar, afinal, cheguei em casa mais de 3 horas depois do planejado. Mas essas 3 horas realmente valeram cada minuto de cansaço acumulado no dia seguinte!

Thursday, February 12, 2009

Why

Um dos meus chefes (os dois, na verdade...) frequentemente me pergunta por que raios eu insisto nessa coisa de fazer filosofia, se é um desgaste psico-físico fenomenal, gastos financeiros absurdos (mesmo com bolsa de pesquisa, livro custa caro, minha gente...), um monte de bobagem de politicagem acadêmica para 10% de chance de se arrumar um emprego. Às vezes, eu acho que ele está certo.

Mas aí, tem noites como hoje, quando eu saí de casa para ir ao Colóquio de Direito Natural (sobre o qual eu contarei mais amanhã, quem sabe...) e pretendia correr de volta para casa assim que a palestra acabasse, às 20h. Pois é. São 23h15 e eu acabei de chegar, depois de quase 5 horas de discussões ético-metafísicas e enfrentar ventos de 40km/h.

23h15! E eu poderia ter ficado lá até meia-noite... até amanhã... pelos próximos 6 anos. Aí eu lembrei por que é que eu insisto nessa coisa tão insólita que é a filosofia, mesmo com ventos de 40km/h.

Monday, February 9, 2009

Dream of Life

Bom, vamos retomar isso aqui. Ficou o teaser na semana passada; agora, vai a explicação de um dos dias mais legais em NY. Ever.

Nas minhas aventuras na ONU o ano passado, conheci um pessoal de várias ONG (aliás, como ocorre com qualquer boa sigla, o plural de "ONG" é "ONG" - e não "ONGs", ok?). Depois de uns contatos aqui e ali, entraram em contato comigo para saber se eu estava disponível para trabalhar como voluntária no Fórum da Sociedade Civil, mais especificamente na Comissão para o Desenvolvimento Social.

A idéia era fazer interpretação simultânea inglês-português e português-inglês, tal.

Mas é claro que, chegando lá, não foi bem isso o que rolou. Mas vamos por partes.

Terça-feira, 03 de fevereiro. Chego na ONU de manhã cedinho para pegar a minha credencial para o evento. Só que eles tiveram um problema de pane elétrica e demorou quase uma hora para eu conseguir pegar minha credencial. Aquela da foto no outro post.

Encontrei a senhorinha que estava organizando o evento e os outro tradutores-amadores na sala de conferência 4 da ONU, onde o evento ia acontecer. Chegando lá, ela disse que apesar de esta ser a primeira vez que todos nós estávamos passando pela experiência de fazer interpretação simultânea numa cabine, tal, podíamos ficar tranquilos, porque o evento seria pequeno: eles estavam esperando pouco mais de 300 pessoas (!!!) na platéia.

Como não houve demanda por português, sobrou para mim fazer interpretação inglês-francês (ou era isso, ou inglês-espanhol - o que não ia rolar de jeito nenhum!). E viva! Como havia outros tradutores-amadores, até que o processo foi tranquilo. É claro que, dos 15 ou 16 voluntários (entre espanhol e francês), eu era a única cuja primeira língua não era nem a língua da qual nem a língua para qual eu estava traduzindo. Todos os outros voluntários eram franceses, americanos ou chicanos. Mas até que eu me saí bem...

Apesar de não ter sido paga, a experiência foi muito legal e ainda tive a pequena boiada de receber 20% de desconto na gift shop da ONU por causa do meu passe "pseudo-permanente". Aproveitei e comprei uma carteira linda! Almocei na cafeteria, junto com o resto do staff da ONU. Foi mais "real" do que da outra vez, quando almocei no restaurante dos delegados, que é super formal e chique.

O evento foi cansativo. Foi das 9h às 17h30. Phew!

Quando saímos de lá, nevava torrencialmente. Como eu sou eu, escorreguei e (claro!) caí sentada bem na entrada da suntuosa sede das Nações Unidas. Como já estava escuro, passei meio que despercebida. Um pequeno grupo de tradutores sobreviventes foi andando em direção a Grand Central, onde minha idéia era pegar o Metro-North de volta para o Bronx. Mas aí...

No caminho, fui conversando com uma mexicana, Luz, que me contou que estava indo ao Carnegie Hall para um show: era o evento beneficente de Philip Glass em parceria com a Tibet House. A parte boa da história é que ela tinha um ingresso sobrando, porque a amiga dela não ia poder ir. Aí, ela me ofereceu o ingresso e... lá fui eu para o Carnegie Hall.

Primeiro passamos no Europa Café (onde eu comi um dos piores quiches da minha vida!), só para não morrermos de fome. Lá no Carnegie Hall, nossos lugares eram dos melhores. Lá em baixo, na platéria, bem no meio. O line-up?

Monks from the Drepung Gomang Monastery
Philip Glass
Antibalas
Steve Earle
Zack Glass
Angelique Kidjo
Keb' Mo'
The National
Patti Smith & Jesse Smith
Techung & the Lhasa Spirits
Vampire Weekend

No final, todos subiram juntos ao palco para cantar "People Have the Power" com a Patti Smith (como em 2001). Foi ótimo. Confesso que as partes exóticas foram um pouco exóticas demais às vezes, mas Patti Smith, Vampire Weekend (clique para ver vídeo no youtube), The National (idem) e, principalmente, Philip Glass, foram fenomenais!

Como já estava no Upper West Side, foi só pegar a van da faculdade direto para casa e cair na cama, porque no resto da semana ia ter muito pouco de diversão e muito, MUITO de vida real.

Saturday, February 7, 2009

Thinking, Drinking, Sinking, Feeling

Light will pour out of your eyes
Down into a field of spice
The grass is green, the sky is blue
Oh the sun bullies the moon

But I will make you see
That you belong to me
Stick me to you
Nature needs no glue
Always be true

I would never (I would never)
Call you a pig (Call you a pig)
You are clever (You are clever)
And he is not (He is not)
The leaning time (Leaning time came way too fast)
Came way too fast
I want you (I want you)
To collapse (So I can catch you)

So I can make you see
That you belong to me
Stick me to you
Nature needs no glue
Always be true

Ha-ha-aya
Ah-ah-ah-aya
Oh-oh-oh-aya-oh
La-la-la-ah-ah
x2

Thinking drinking sinking feeling

You said watch that romantic film
But who plays me?
And who plays you?
Are you the one who gets the girl?
Or are you the one who ends up dead?

So I can make you see
That you belong to me
Stick me to you
Nature needs no glue

I could hold you tighter
And I could make you lighter
Than the air you've been breathing
I know he'll say don't leave him
While the cannons are firing
And the world outside's expiring
I've started making plans
So come on, give me a chance
Always be true

Ha-ha-haya
Ah-ah-ah-aya
Ah-ha-ha-aya
La-la-la-laaa
etc.

Got a thinking drinking sinking feeling

Slow Club. Thinking, Drinking, Sinking, Feeling.

Wednesday, February 4, 2009

Perfect Day

Porque ontem foi um dos dias mais fantásticos da minha vida nova-iorquina. Tá, depois eu conto mais, mas as imagens ficam como teaser.

Friday, January 30, 2009

Batteries not included

Tem horas que a gente percebe que o que falta não é Jesus no coração, mas um pouco mais de Freud na cabeça.

Durmam bem.

Saturday, January 24, 2009

One night is not enough (or, yeah! New York)


Porque nem tudo é sofrimento em NY, na sexta-feira que passou (23/01), o Respectivo e eu resolvemos aproveitar a Restaurant Week antes de irmos para a balada da GSA (que eu ajudei a organizar) no Lower East Side.

Jantamos no Barbounia, um dos melhores restaurantes do comida mediterrânea de NY, perto do Gramercy Park. De entrada, a clássica salada grega e mesclun (uma salada de folhas com abobrinha, cogumelos portobello, castanhas e queijo kasseri). Pratos principais: dorade royale (dourada - o peixe - com um tipo de acelga, beterraba, limão curado, azeitonas verdes e molho a base de coentro) e o excelente kebab de garoupa (com ervas, polenta de grão-de-bico e molho à base de iogurte com salsa e hortelã). De sobremesa, malabi (uma espécie de pudim de amêndoa com uma calda a base de água de rosas) e silan (sorvete de leite com calda de tâmara e amêndoas).

O jantar foi excepcional.

De lá, pegamos um táxi e fomos para a Kush (no Lower East Side), onde estava rolando a festa da pós-graduação da faculdade, que eu ajudei a organizar. Open bar de cerveja e caipirinha até as 22h. Chegando lá, muita gente. A festa foi um sucesso: estávamos esperando uma média de 60 alunos. Apareceram 130. Ótimo. Revi várias pessoas que eu não via há tempos e me diverti horrores com as pessoas de sempre.

Saímos de lá pouco antes das 23h. e fui me arrastando (fiquei em pé muito tempo com meus super high heels BCBG/MaxAzria e quase morri de dor) por uns dois quarteirões até chegar na Arlo & Esme, também no Lower East Side, uma das baladas mais legais de NY, onde o Aaron também estava discotecando (ele começou na Kush e nós fomos atrás dele até a A&E).

Pois é. De vez em quando é bom aproveitar NY beeem decentemente, com direito a tudo top. E, o melhor de tudo, sem gastar muito dinheiro.

Isso tudo para dizer que estou de volta no mundo das eventuais (essa vai para o Paulo!) noites nova-iorquinas. Sempre pegando um táxi de volta para o Bronx. Porque também há algo de vida real na cidade de vidro.

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