Friday, January 30, 2009

Batteries not included

Tem horas que a gente percebe que o que falta não é Jesus no coração, mas um pouco mais de Freud na cabeça.

Durmam bem.

Saturday, January 24, 2009

One night is not enough (or, yeah! New York)


Porque nem tudo é sofrimento em NY, na sexta-feira que passou (23/01), o Respectivo e eu resolvemos aproveitar a Restaurant Week antes de irmos para a balada da GSA (que eu ajudei a organizar) no Lower East Side.

Jantamos no Barbounia, um dos melhores restaurantes do comida mediterrânea de NY, perto do Gramercy Park. De entrada, a clássica salada grega e mesclun (uma salada de folhas com abobrinha, cogumelos portobello, castanhas e queijo kasseri). Pratos principais: dorade royale (dourada - o peixe - com um tipo de acelga, beterraba, limão curado, azeitonas verdes e molho a base de coentro) e o excelente kebab de garoupa (com ervas, polenta de grão-de-bico e molho à base de iogurte com salsa e hortelã). De sobremesa, malabi (uma espécie de pudim de amêndoa com uma calda a base de água de rosas) e silan (sorvete de leite com calda de tâmara e amêndoas).

O jantar foi excepcional.

De lá, pegamos um táxi e fomos para a Kush (no Lower East Side), onde estava rolando a festa da pós-graduação da faculdade, que eu ajudei a organizar. Open bar de cerveja e caipirinha até as 22h. Chegando lá, muita gente. A festa foi um sucesso: estávamos esperando uma média de 60 alunos. Apareceram 130. Ótimo. Revi várias pessoas que eu não via há tempos e me diverti horrores com as pessoas de sempre.

Saímos de lá pouco antes das 23h. e fui me arrastando (fiquei em pé muito tempo com meus super high heels BCBG/MaxAzria e quase morri de dor) por uns dois quarteirões até chegar na Arlo & Esme, também no Lower East Side, uma das baladas mais legais de NY, onde o Aaron também estava discotecando (ele começou na Kush e nós fomos atrás dele até a A&E).

Pois é. De vez em quando é bom aproveitar NY beeem decentemente, com direito a tudo top. E, o melhor de tudo, sem gastar muito dinheiro.

Isso tudo para dizer que estou de volta no mundo das eventuais (essa vai para o Paulo!) noites nova-iorquinas. Sempre pegando um táxi de volta para o Bronx. Porque também há algo de vida real na cidade de vidro.

Wednesday, January 21, 2009

Sour times (or, shopping in America)

Sabe quando você vai ao mercado, pega um tal produto e não consegue descobrir o preço, porque as plaquinhas com os preços estão fora do lugar? Então, isso não é coisa só de Brasil. Aqui em NY também tem dessas, especialmente no Bronx, onde tudo tem um padrão de zona acima da média.

Hoje eu fui à Rite Aid aqui de perto com minha lista de compras: solução para lentes de contato, pasta de dente, papel toalha e lenços de papel.

Primeira parada: solução para lentes de contato. Fui pegar o "value pack" da marca que uso e (tah!dah!) descubro que a única caixa disponível estava aberta. Abortei a compra. Essa vai pra lista da semana que vem.

O resto, consegui achar e - melhor ainda! - estava tudo em liquidação. Calculei que ia gastar uns 7 dólares no total da minha compra. Mas aí...

a) Papel toalha - peguei o da promoção, por US$ 0,99 (e viva a terra do $0.99!). Passou no caixa: uS$ 1,29. No Brasil, a gente larga pra lá e paga os 30 centavos a mais, mas aqui, como se tem o direito e o dever de ser cri-cri, reclamei. Me deram o desconto.

b) Pasta de dente - a mesma coisa. Estava por US$ 2,99 na promoção. Passou no caixa por US$ 3,49.

c) Lenço de Papel - mais uma promoção: US$ 0,99. Passou no caixa por (pasmem!) US$ 2,49.

Na hora do papel toalha, dei chilique e tal. Quando vi que o mesmo erro tinha acontecido nos outros dois produtos (totalizando 100% da minha compra com preços errados devido à má fé da colocação das plaquinhas ou à mera burrice da mocinha do caixa), mandei tudo à merda e mandei cancelar a compra inteira.

É, só que aí a coisa fica aterrorizande para eles. Principalmente em "tempos de crise" (esta, aliás, a expressão mais gasta dos últimos meses, coitadinha). Quando eu - muito revoltada - resolvi largar tudo pra lá, o gerente apareceu pra falar comigo na hora, recalculou a compra pelo valor das plaquinhas e pediu desculpas. "Porque mesmo que o produto da promoção esteja em falta, podemos fazer um equivalente pelo mesmo preço. Preferimos fazer isso a perder um cliente, sra."

Pois é. Paguei os meros US$ 6,46 pela minha compra. Mas vou voltar lá na semana que vem para reabastecer o estoque de casa - e comprar minha solução para lentes de contato. O que eu não faria se ele não tivesse corrigido os preços. Bom pra eles; bom pra mim. Bem-vindo à "América" dos "tempos de crise".

Sunday, January 18, 2009

Wandering alone

É claro que a roommate from hell continua from hell - e impertinente. Hoje à tarde, depois que fui à academia, fui fazer compras, arrumar umas coisas pela casa e, como de costume tomar banho. Também como de costume, sequei meu cabelo após o banho. A essas alturas, já eram umas 5 horas, então, fui começar a preparar o jantar. Estava na cozinha, seriamente picando tomates e tentando consertar meu liquidificador - que aparentemente quebrou - quando (tah, dah!), entra a demoníaca, triunfante. Pára na "porta" da cozinha (se minha cozinha tivesse porta) e dispara:

- Por que você arruma o cabelo, se vai ficar em casa?

A resposta?

- Porque sim. Mas essa sua pergunta explica por que você não tem namorado.

Confesso que essa é a resposta que eu teria dado, se não tivesse que conviver com o ser durante o resto do semestre, e se ela não tivesse morrendo de uma doença degenerativa, ou qualquer coisa do gênero. Mas fiquei nos fatos terrenos: "porque faz frio no mundo, e não quero ficar com o cabelo molhado, pingando, no frio", o que ela respondeu com uma risada nervosa-histérica.

Acho que agora eu entendi de onde os roteiristas de sitcoms tiram uns diálogos surreais que usam: de diálogos que eles gostariam de ter tido com esse tipo de gente. Como eu não pretendo escrever um sitcom tão cedo, nem tenho vocação para Jó, acho que vou ter que simplesmente me tornar uma pessoa um pouquinho pior (só um pouquinho).

Saturday, January 17, 2009

Even better than the real thing (or, feels like home)

Depois de umas 10 horas de voo (sem acento agora, droga!) entre o aeroporto de Guarulhos e o JFK, aqui em NY, fui chegar em casa cedíssimo, pouco depois das 8 da manhã. Antes de vir ao meu apartamento, passei na casa do Respectivo rapidinho, porque minhas chaves estavam lá com ele. Com as chaves, vieram um brinde: uns Ziplocs com comida - para eu ter almoço sem precisar cozinhar depois de fazer as malas.

Já entrei em casa esperando encontrar meu quarto mega-empoeirado, já que ficou fechado por um mês e a poeira aqui de NY brota do além, que nem rato no metrô de Paris. Aí, pior de tudo, lembrei que tinha deixado meu aspirador de pó com o Respectivo antes de ir embora. Maior trabalho limpar tudo... É. Mas não.

Entrei no meu quarto, maior cheirinho de limpo. Olhei minha mesa, a TV... nada de pó aparente. E o aspirador de pó estava ligado na tomada. No outro canto do quarto, um rolo de papel toalha. Hmmm...

Olho em cima da cama e encontro meu kit boas-vindas/Natal atrasado: um bottle stopper, um cachecol rosa e uma bolsa preta ma-ra-vi-lho-sa da Charles David (a Bree Flap Clutch), esta última, presente do irmão do Respectivo e da namorada. Eba!

Sem nada para limpar ou de que tirar pó, já fui logo desfazendo as malas. Aí, ainda recebo uma mensagem de texto no celular me dizendo que na cozinha (ainda nem tinha dado tempo de eu ir lá) tinha 2 caixas de cereal, um pacote de rice cakes e algumas bananas na minha cesta de café da manhã.

Tinha almoço, lanchinho e café da manhã para os próximos dias. Só teria que pedir alguma coisa para o jantar. Quando eu ia saindo para enfrentar o dia mais frio do ano (!!) para comprar mais umas coisas no mercado e devolver uns livros na biblioteca, o Respectivo me avisa que está indo à peixaria - afinal de contas, eu ainda iria precisar jantar e ele, obviamente, ia fazer comida (!).

Ok, não foi tão ruim assim voltar para NY...

(Mas não se preocuprem, porque esse dia bom - apesar de frio - é só pra enganar e fazer a gente pensar que a vida aqui é fácil. Já já começam a acontecer as coisas patéticas - e mais "entertaining" - de sempre para eu compartilhar por aqui.)
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