Friday, February 27, 2009

Liar (or, the best cupcake in NYC)

Isso aqui é uma das coisas mais espetaculares que uma pessoa pode comer em NYC por menos de US$ 5. E foi o que eu comi no almoço de hoje.

Para quem não faz idéia do que isso seja, lá vai: é um red velvet cupcake da Magnolia Bakery. Magnolia Bakery! Sim, aquele cupcake que é considerado o melhor cupcake de NYC, e que ficou famoso na série Sex & the City, dentre outros.

Não fui na loja original, na Bleecker St., porque sou mais uptown girl e não trabalho com as ruas da cidade que têm nomes em vez de números. SoHo e Lower East Side, só depois das 21h. Nada mais no mundo me faz enfrentar o caos e a desordem de downtown em plena luz do dia!

Como estava no Upper West Side de manhã, resolvi experimentar meu primeiro cupcake de grife. Vocês já devem saber (ou devem ter lido em algum lugar aqui pelo blógue) que eu não trabalho com bolo (ou sobremesas em geral, com raras exceções - especialmente pudim de leite e sorvete), mas não poderia viver com o fato de que nunca tinha comido o tal bolinho tão famoso. Bolo branco é um negócio meio bobo. E eu definitivamente não me dou muito com bolo de chocolate. A solução foi comer o tal red velvet, que é um sabor meio misterioso: leva um pouco de chocolate e corante vermelho, sei lá.

Olha, é bom o tal bolinho: leve, molhadinho e - surpreendentemente - não tão doce quanto eu imaginei (o que é raro nos doces americanos). Eu até consegui comer o bolinho inteiro. Com a coberturinha e tudo!

Bom, confesso que esse post foi só pra fazer invejinha a todo mundo que tem aquele sweet tooth.

E, se você não gosta de doces e não ficou com inveja, pode ficar com inveja de eu ter visto Coraline em 3-D no cinema, mais à noite. E, se você é uma daquelas pessoas chatas que não gosta de cinema em 3-D, nem de filmes adaptados de livros, pode ficar com inveja de eu ter visto o Neil Gaiman (e pegado autógrafos e tal) em Paraty no ano passado.

Agora, se você não gosta de doces, nem de filmes adaptados de livros, nem de animações em 3-D, nem do Neil Gaiman: ou você é a autora desse blógue, ou você está mentindo!

Wednesday, February 25, 2009

Factory (or, there is a bug in my food)

"Tem um monte de arroz em volta desse mosquito!"
Pois é. Só que não deveria ter, mais ou menos igual à carne de porco crua nos meus waffles, lendária história que deu origem a este blógue. Explico.

Como eu não trabalho com pão, apesar de eu estar rodeada das melhores padarias de NYC, eu recorro aos rice cakes como alternativa. São mais leves, menos calóricos e têm indície glicêmico menor que pão etc. etc.  É, só que em um belo dia congelante de janeiro, quando eu dei a primeira mordida no rice cake percebi que na próxima mordida eu ganharia proteína extra: havia dois mosquitos (mortos, claro!) no meio do meu rice cake! YUCK!

Obviamente parei de comer na hora. E liguei para o serviço de atendimento ao consumidor da Quaker. Era domingo, e não havia atendimento naquele dia. Bummer! Guardei o meu lanchinho contaminado (às vezes eles pedem para a gente enivar pelo correio, para eles fazerem uma análise mais adequada do problema) e mandei um e-mail. Tudo bem.

No dia seguinte, só pra garantir, telefonei e fiz minha reclamação. O serviço de atendimento foi ótimo. Eles pediram descupas mil vezes (óbvio) e, depois de perguntar detalhes sobre lote, validade, status dos mosquitos etc., eles ficaram de me responder.

Menos de uma semana depois, recebo, em minha casa, uma carta da Quaker, acompanhada de US$ 12 em cupons para a compra de qualquer produto Quaker em qualquer loja (só como referência, o preço de um pacote de rice cakes da Quaker varia entre US$ 1,99 e US$ 2,99). 

Pois é crianças: aprendemos mais uma lição! Não podemos deixar essas coisas passarem batidas. Temos que reclamar, sim! (e, como vocês já devem ter notado, eu sou a rainha das reclamações)

Mas nada de desculpas de que eu só consegui resposta tão rápida e cupons etc. porque estou nos EUA. A gente mal sabe, mas todas as grandes corporações têm políticas similares, mesmo aí no Brasil. Se alguém passar por situação similar com a Nestlé, Sadia, entre outras, é só ligar pro SAC, que eles geralmente têm uma boa solução (embora em muitos casos eles peçam, sim, que você envie o produto para análise - para evitar fraudes, talvez... porque senão, tenho certeza de que no Brasil ia ter gente vivendo de bug welfare).


Tuesday, February 24, 2009

Doves (and other birds)

Mais um aniversário do Respectivo. Além de presente e tal, tem que rolar aquele jantar, já que aniversários são ótimas desculpas para se explorar o ótimo e caríssimo mundo da alta-gastronomia nova-iorquina.

Como sempre, teve aquela reserva com um mês de antecedência e tal e... ontem, enfim, fomos ao Dovetail

Por que o Dovetail?
Porque o Dovetail recebeu 3 estrelas (de um máximo de 4) do crítico de gastronomia Frank Bruni, do New York Times.
Porque o John Fraser é um chef excelente.
A Vera Tong (pastry chef) também é ótima.
E o Dovetail foi eleito pelo site OpenTable.com o diner's choice winner: fit for foodies.
E por aí vai... mas acho que já deu para entender a premissa da escolha.

O serviço foi super atencioso. Conforme havia solicitado quando fiz a reserva, o maître d' já estava a par da lista de pratos que não continham glúten e pôde nos informar logo, sem gaguejar, que pratos poderíamos pedir, ou que mudanças poderiam ser feitas.

Eles inclusive levaram o lance do glúten em conta quando serviram o amuse-bouche - o meu veio com um componente que era um folheado. No do respectivo, substituíram por um combinadinho de legumes. Os outros componentes do amuse-bouche (que não vou lembrar em detalhes, porque não estavam listados no menu) eram interessantíssimos. Um deles era uma espécie de panna cotta com sabores bem exóticos! Aliás, para quem não entendeu 100% a idéia, os amuse-bouches do Dovetail têm essa cara aqui, ó.

De entrada, pedimos o grouper ceviche (um ceviche de garoupa, com pêra, limão e coentro) e a beet salad (salada de picles de beterraba com queijo feta e mâche, que é um tipo de alface).

Pratos principais: o excelente pistachio crusted duck, pato fatiado com uma crosta crocante de pistache, com molho de tâmaras e maçã com endívia grelhada, acompanhado de um caneloni de pato cujo molho era uma redução balsâmica do molho de tâmaras. Excelente é pouco para descrever o quanto estava bom... o Respectivo pediu o grilled venison, cervo grelhado no ponto certo (medium-rare, como é comum nos anos 2000 - antes do anos 90, o ideal da gastronomia clássica era cervo ao ponto/bem passado, mas isso já ficou lá pra trás), acompanhado de couve-de-bruxelas, castanha portuguesa e marmelo.

Eu adoro pato; isso é fato (apesar de ser difícil achar um lugar onde o pato seja bem preparado, não muito gorduroso e servido elegantemente, sem ossos), mas confesso que foi a primeira vez que comi cervo. Não imaginei que fosse gostar tanto - ainda mais estando bem mal passado. Enfim, diferentemente do jantar de aniversário do ano passado, que foi uma comida mais jovem, menos tradicional (a do Harold Dieterle), este ano o jantar foi mais hearty, ótimo para combinar com o clima, já que estava fazendo -4ºC. E, apesar de o princípio culinário do Dovetail ser a culinária francesa e americana, eu achei as porções maiores que as de outros restaurantes de mesmo porte em NY (como o Perilla, o Craftbar, Barbounia ou BLT).

Faltou falar da sobremesa. Como eu disse, as porções eram grandes e não sobrou muito espaço para a sobremesa - e tudo bem, porque essa parte é mais complicada com a história do glúten. De qualquer forma, para ter uma refeição completa, tínhamos que pedir alguma coisa: optamos pelo frozen greek yogurt parfait, iogurte grego a ponto de sorvete, com gomos de mini-tangerina e acompanhado de sorbet de tangerina. Contando assim, não parece nada excepcional, mas era. Prometo.

Depois de uma das melhores refeições ever em NY, infelizmente, era hora de deixar o Upper West Side e pegar o metrô (ugh!) de volta ao Bronx.

Ah, e se alguém se preocupou com a conta: sim, ela não foi das menores (3 estrelas no NYT têm lá seu preço...), mas com pratos que têm apresentações como estas e são preparados de maneira fenomenal, quem se importa?

Saturday, February 21, 2009

Umbrellahead

Mais um capítulo de "the joys of work". Na semana de 9 a 13 de fevereiro, teve a International Business Week, na faculdade.

O meu chefe foi convidado a dar uma mini-palestra no dia 11 (quarta-feira). Ele falou de generalidades e, quando o assunto foi especificamente o projeto da ONU, como sou eu a coordenadora, lá fui eu falar.

Foi até interessante. A platéia era um grupo relativamente pequeno do graduandos, em sua maioria de administração. Depois de todas as apresentações, eles fizeram perguntas - e aí eu pude falar de ONU, de estudar francês, de o que fazer com uma graduação em filosofia etc.

Foi cansativo, porque trabalhei das 9h. às 2oh. neste dia. Em compensação, ganhei um super guarda-chuva da reitora da faculdade de administração, em agradecimento à minha mini-palestra.

Pode parecer um negócio bobo, mas é um guarda-chuva grande, de boa qualidade (que, em geral, custa em torno de US$ 20 por aqui!!). E veio em boa hora, porque depois de ter perdido ou quebrado uns 10 guarda-chuvas (a uma média de US$ 5 cada), tinha chegado á conclusão de que a compra de um guarda-chuva era um investimento supérfluo (com o qual, aliás, eu estava gastando o equivalente a mais de R$ 100/ano) e resolvi que andar na chuva (e, consequentemente, ficar ensopada) era menos ruim.

Por mais bizarros que esses tipos de agradecimentos podem ser, eles acabam vindo em boa hora...

E para quem quer me ver "em ação", é só clicar aqui e ver a galeria de fotos da International Business Week.

P.S. (25/02/2009): Não tinha me dado conta disso quando escrevi o post, mas agora tudo faz sentido. Acabei de receber o seguinte comentário a respeito de texto acima "Esse seu post é MUITO (mesmo) mais engraçado para quem conhece a sua fixação de caráter praticamente sexual por guarda-chuvas." - Confesso que apesar de este pensamento não ter me ocorrido (provavelmente por eu não ter um carro aqui - e só vai entender a associação carro-obsessão por guarda-chuvas quem conhece minha fúria ao volante), faz muito, mas muito sentido, porque ganhar o tal guarda-chuva me deu uma sensação de conforto quase surreal. Se Freud não explica, um (dos, o quê, oito?) leitores deste cuspidor de bobagens explica! Thanks, hon! 

Friday, February 20, 2009

Don't forget

O bom é que eu tenho um blógue que passa semanas sem receber sequer uma visita. Maior orgulho. É tipo candidato a vereador de cidadezinha no Acre: nem o próprio sai de casa para votar em si. (Só que ao contrário.) Se ironia existisse, essa seria minha ode a ela.

Boa noite. E continuem rezando para o coelhinho da Páscoa.

Tuesday, February 17, 2009

We rule the school

Já disse por aqui que nos meus empregos aqui na faculdade eu faço de tudo um pouco. E é sério. Além de atender telefone, abrir a porta, organizar eventos e palestras, ir a reuniões na ONU, lidar com cônsuls e embaixadores, exilados, fazer mudança de móveis, de arquivos, tirar cópias, ir ao correio, a UPS, buscar almoço, passear crianças no Jardim Botânico etc., foi acrescentada à minha rotina mais uma atividade: professora substituta.

Hoje cedo, umas das minhas chefes me liga perguntando se à noite eu poderia dar uma aula de ESL. É que este escritório tem um financiamento da Secretaria de Educação do Estado de NY para oferecer aulas de inglês para não-anglófonos residentes do Bronx. Essa semana, a professora oficial não poderia ir dar aula e o meu Big Boss, que iria substituí-la, tinha acabado de notar que, por um truque do calendário acadêmico, ele não poderia, de fato, dar a tal aula.

Quem chamar em caso de emergência? A Aline, é claro.

Aí, minha chefe ainda me pergunta: você acha que você vai ficar á vontade dando essa aula? Você já deu aula de inglês como língua estrangeira antes? Minha vontade era rolar de rir, né? Especialmente porque eu provavelmente tenho mais experiência dando aulas de inglês do que a pobre que tem que dar aula para os tais 12 alunos de níveis absolutamente diferentes.

Bom, eu topei dar a tal aula, que seria das 19h às 21h. Cheguei um pouco mais cedo, dei uma olhada no material e... vambora!

Até que foi tudo bem. Acho que depois de quase 10 anos lidando com crianças de 3 a 60 anos aprendendo inglês qualquer coisa é possível. Inclusive ensinar 12 alunos, dos quais: 3 falam inglês fluentemente; não falam nem querem falar (vontade de mandar à PQP!); um coitado não tem noção do que está fazendo ali e não sabe o alfabeto (não é que ele não sabe o alfabeto em inglês - ele não é alfabetizado, entendam!); e por aí vai...

Foram algumas das horas mais cansativas da minha estada em NYC (aliás, mais uma lição de português, crianças: "estadia"é para cavalo, carroça, navio etc. - como eu sou gente, é "estada", ok?). Mas sobrevivi. E confesso que foi mais divertido que atender ligações telefônicas estrambólicas.

Darts


Estava devendo isso aqui há algum tempo já. O Prêmio Dardos "reconhece os valores que cada blogueiro mostra cada dia em seu emprenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais etc. que, em suma, demonstram sua criatividade por meio do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras."

Este caro blógue foi indicado pela Fernanda Vasconcellos (maior honra) e o alter-ego foi indicado pela Cassy. O selo vai nos dois, mas o trabalho fica aqui.

Agora a história é a seguinte: devo indicar 15 blógues para o mesmo prêmio, exibir o selo aqui e avisar aos meu indicados que eles foram mencionados. Vambora:

Sunday, February 15, 2009

Paint your silver smile (or, never say goodbye)

Tá. Então sábado foi Valentine's Day. É um porre quando essas datas caem no fim de semana, porque fica praticamente impossível sair de casa - ainda mais agora que o governo resolveu consertar todo o sistema da transporte público de NYC ao mesmo tempo e está quase impossível ir do Harlem a Midtown West, ou de Midtown East a qualquer lugar ao sul da E28th St.

Para quem não conhece NY e não está entendendo muito bem a história, a situação está mais ou menos equivalente suspenderem todas as linhas de metrô e os ônibus dos corredores da Av. Paulista, 23 de Maio e Av. Santo Amaro em São Paulo, ou fecharem a linha Amarela, linha Vermelha e Av. Brasil no Rio. Ou seja, tem lugares da cidade que ficam simplesmente inacessíveis!

A solução era ficar no Bronx. E viva!

Como o Respectivo ia cozinhar (como todos sabem, eu sou a definição de "desastre na cozinha" e não queríamos arriscar deixar esse tipo de atividade delicada na minha mão), decidi fazer uma boa ação e fui a Manhattan comprar alguns suprimentos (Guaraná Diet! Eba! - na Búzios Boutique - que é um dos poucos lugares onde se pode encontrar produtos brasileiros sem ter que ir ao Queens). Aproveitei e passei na Tumi da Grand Central para substituir o money clip do Respectivo, perdido na noite anterior.

À noite, comida indiana. Muita comida indiana. Feita em casa, porque - obviamente - no Bronx não há restaurantes indianos (não que eu saiba...). E depois, filme.

É, só que a genialidade que vos escreve se esqueceu de um pequeno detalhe: toda a sua incrível coleção de DVDs trazidos do Brasil não "tocam" no DVD player de mil-novecentos-e-Barrados-no-Baile-original que eu comprei (usado) quando mudei. Aquele lance de regiões diferentes, tal.

A solução? Ver o que a TV a cabo tinha a oferecer on demand. O sistema de "pay-per-view" para filmes é bem eficiente aqui, e eu já tinha disponíveis filmes como "Queime depois de ler" que acabam de ser lançados em DVD. Das opções, já tínhamos assistido a quase todos os que pareciam interessantes. Sobraram duas opções "inéditas" para nós: "Sex and the City" ou "RocknRolla".

Ah, mas era Valentine's Day... a que filme assistimos? RocknRolla, óbvio! - Violência gratuita, pessoal! Violência gratuita!! Genial.

Porque aí acaba a tal história de Valentine's Day. E o que sobra para ver na televisão e no cinema é, afinal, mais violência gratuita. Mas comida indiana só com moderação.

Saturday, February 14, 2009

Winter wooksie


Tem aquela lista de coisas que eu odeio. Em primeiro lugar (como muitos já sabem) está esquiar; em segundo: patinar no gelo. Como vocês podem notar, esportes de inverno não são muito a minha.

"Não são a minha" numas. Só tinha patinado no gelo uma vez na vida, há uns 15 anos, em São Paulo, no rinque de patinação do extinto shopping Matarazzo. Para as crianças dos anos 90: o shopping Matarazzo é um troço que existia onde hoje é o monstruoso (porém funcional) shopping Bourbon/Pompéia. Era uma festa de aniversário da Mari, portanto, foi em março, no pico do calor abafado e úmido de SP. O gelo era quase todo água, eu não conseguia ficar em pé mais de 2 segundos. Enfim, um inferno.

Mas como burrice e teimosia não me faltam, quase 15 anos depois, resolvi que iria tentar patinar no gelo de novo. Mas desta vez em grande estilo: no Rockefeller Center!

O Respectivo, na maior boa vontade, se ofereceu a me acompanhar na vergonha de cair de bunda no meio de NY na véspera do Valentine's Day. Sexta-feira à noite, depois de alguns
contratempos com transporte público e táxis, chegamos lá pouco antes das 20h. Alugamos os patins e fomos para o gelo.

A minha expectativa óbvia era de vexame, especialmente porque o Respectivo, sendo do Michigan, praticamente nasceu com skis e patins de gelo grudados no pé. E a demente aqui ia ficar parecendo bem mais demente em contraste com a habilidade alheia. E lá fui eu...

No começo, hesitei um pouco e dei a primeira volta segurando na barra lateral, para fazer um primeiro "reconhecimento de
terreno". Depois, o Respectivo me convenceu a dar uma volta devagar, de mãos dadas com ele, mas soltando a barra. Baby steps. Tenho que admitir que não foi tão ruim. Depois de algumas

voltas para ir pegando o jeito, eu já estava relativamente à vontade para pegar
mais velocidade e logo, logo, estava indo mais rápico que ele!

Para quem ainda está esperando para ler os detalhes da tragédia anunciada, fica um letdown: não caí nenhuma vez - e me diverti horrores. Depois de uma hora de patinação, era hora de ir embora, afinal, apesar de tudo, eu ainda odeio equipamento de esportes de inverno, porque tudo machuca horrores, e já estava prevendo a dor no pé/tornozelo/pernas no dia seguinte.

O importante foi que, diferentemente da primeira vez que patinei no gelo, saí de lá feliz, sem hematomas e seca!

(E, sim, eu tinha convites para assistir a um dos desfiles - o da Hillary Flowers - da NY Fashion Week e sei que muite gente vai me odiar por isso, mas deu uma preguiça...)

Friday, February 13, 2009

Legal Man

Bom, eu fiquei de escrever contando mais detalhes sobre minha quinta-feira à noite e, finalmente, aqui vão:

No final de janeiro, o departamento entregou convites para o "Natural Law Colloquium" a todos os alunos. O meu, no entanto, tinha um diferencial: foi posto na minha caixa de correspondência - com meu nome e endereço "oficial" (o dos outros alunos não vem com nome nem endereço). Aparentemente, alguém estava fazendo questão que eu fosse. O tema, "Dignidade Humana, Humilhação, e Tortura", apesar de estar mais relacionado a ética, até me atraiu. Fiz minha inscrição, mas com pouca convicção de que, de fato, iria à palestra.


Na quarta-feira à tarde, tive um reunião com o Dr. M. B., que é quem organiza o evento. Ele foi tão legal e me contou tanta coisa interessante sobre o palestrante - David J. Luban - que me convenceu na hora!

Na quinta-feira à noite, ainda sem muita convicção, fui ao anfiteatro da faculdade de direito. Chegando lá, não tinha tanta gente, mas logo as pessoas foram chegando, chegando... Pouco depois das 18h, a palestra começou. E eu me dei conta de que apesar de quase todos os meus professores estarem lá, não tinha nenhum aluno de filosofia na platéia, i.e. eu não conhecia mais ninguém ali que estivesse no mesmo patamar hierárquico.

Meu plano era sair correndo de lá e voltar para casa, para fugir do frio e dormir durante umas 9 horas, com tranquiliade. É, o úncio senão é que a palestra foi muito boa! O Luban foi fenomenal e, mesmo tratando de ética - e eu abertamente não tenho nenhum respeito por eticistas, porque considero estes os maiores exemplos de comportamento hipócrita - ele conseguiu tocar questões metafisicas fundamentais e me convencer a esperar a sessão de perguntas e respostas antes de fugir.

Pouco depois das 20h. a palestra foi oficialmente encerrada e as pessoas foram indo para a recepção, no lobby. Aquela era minha oportunidade de sair de fininho... só que o Dr. M. B. me viu ali, a única pobre aluna de filosofia que resolveu dedicar 2 horas de seu dia a ouvir um cara que é considerando o "novo Charles Taylor" (!!!!), resolveu me convidar para participar do jantar de honra que seria depois da recepção. Obviamente, aceitei.

Depois da recepção, quando ainda tive umas conversas interessantes com o Dr. A. H., Dr. S. H. e sua esposa, Dr. D. B. e Dr. W. E. J., fomos todos ao quarto andar da faculdade de direito, onde estava armado um jantar formal, para mais ou menos 30 pessoas. Presentes: Dr. Luban (claro!), todos os citados professores de filosofia e mais alguns (Dr. C. G., Dr. B. J. e Dr. J. D.), professores das faculdades de Direito, Teologia e Psicologia... e eu!
É claro que eu vou comentar o jantar: salada básica de entrada; prato principal foi frango com um tipo de gravy, purê de batatas e brócolis e couve-flor grelhados; sobremesa: um doce tipo tiramisú, mas sem café - era uma espécie de mousse de chocolate com um plus.

As discussões que continuaram durante o jantar foram interessantíssimas e pudemos ouvir diversos pontos de vistas de pessoas que trabalham com a ONU, prisioneiros de Guantánamo Bay e Al Ghraib etc.

O jantar só foi oficialmente encerrado por volta das 22h20. E aí, meu objetivo era correr para pegar a van da faculdade de volta para casa às 22h30. Consegui sair da sala onde o jantar tinha rolado às 22h24. Basicamente, eu teria que pegar o elevador de volta para o térreo, dar a volta em torno da faculdade de direito e andar 2 quarteirões ao norte para pegar a van. O Dr. B. J., que é um dos professores mais bonzinhos do mundo e pegou o elevador comigo, ficou extrememente preocupado com o meu horário e ofereceu me mostrar um atalho, para eu não ter que dar toda a volta. Vambora!

Cena de comédia B: eu e um professor de filosofia às 22h25 correndo contra o tempo pelos porões e passagens secretas da faculdade de direito para eu poder... pegar minha van a tempo (pobre é uma merda, eu sei...). Valeu a pena, porque eu consegui (yay!).

Cheguei em casa mais ou menos às 23h10, pronta para desmaiar, afinal, cheguei em casa mais de 3 horas depois do planejado. Mas essas 3 horas realmente valeram cada minuto de cansaço acumulado no dia seguinte!

Thursday, February 12, 2009

Why

Um dos meus chefes (os dois, na verdade...) frequentemente me pergunta por que raios eu insisto nessa coisa de fazer filosofia, se é um desgaste psico-físico fenomenal, gastos financeiros absurdos (mesmo com bolsa de pesquisa, livro custa caro, minha gente...), um monte de bobagem de politicagem acadêmica para 10% de chance de se arrumar um emprego. Às vezes, eu acho que ele está certo.

Mas aí, tem noites como hoje, quando eu saí de casa para ir ao Colóquio de Direito Natural (sobre o qual eu contarei mais amanhã, quem sabe...) e pretendia correr de volta para casa assim que a palestra acabasse, às 20h. Pois é. São 23h15 e eu acabei de chegar, depois de quase 5 horas de discussões ético-metafísicas e enfrentar ventos de 40km/h.

23h15! E eu poderia ter ficado lá até meia-noite... até amanhã... pelos próximos 6 anos. Aí eu lembrei por que é que eu insisto nessa coisa tão insólita que é a filosofia, mesmo com ventos de 40km/h.

Monday, February 9, 2009

Dream of Life

Bom, vamos retomar isso aqui. Ficou o teaser na semana passada; agora, vai a explicação de um dos dias mais legais em NY. Ever.

Nas minhas aventuras na ONU o ano passado, conheci um pessoal de várias ONG (aliás, como ocorre com qualquer boa sigla, o plural de "ONG" é "ONG" - e não "ONGs", ok?). Depois de uns contatos aqui e ali, entraram em contato comigo para saber se eu estava disponível para trabalhar como voluntária no Fórum da Sociedade Civil, mais especificamente na Comissão para o Desenvolvimento Social.

A idéia era fazer interpretação simultânea inglês-português e português-inglês, tal.

Mas é claro que, chegando lá, não foi bem isso o que rolou. Mas vamos por partes.

Terça-feira, 03 de fevereiro. Chego na ONU de manhã cedinho para pegar a minha credencial para o evento. Só que eles tiveram um problema de pane elétrica e demorou quase uma hora para eu conseguir pegar minha credencial. Aquela da foto no outro post.

Encontrei a senhorinha que estava organizando o evento e os outro tradutores-amadores na sala de conferência 4 da ONU, onde o evento ia acontecer. Chegando lá, ela disse que apesar de esta ser a primeira vez que todos nós estávamos passando pela experiência de fazer interpretação simultânea numa cabine, tal, podíamos ficar tranquilos, porque o evento seria pequeno: eles estavam esperando pouco mais de 300 pessoas (!!!) na platéia.

Como não houve demanda por português, sobrou para mim fazer interpretação inglês-francês (ou era isso, ou inglês-espanhol - o que não ia rolar de jeito nenhum!). E viva! Como havia outros tradutores-amadores, até que o processo foi tranquilo. É claro que, dos 15 ou 16 voluntários (entre espanhol e francês), eu era a única cuja primeira língua não era nem a língua da qual nem a língua para qual eu estava traduzindo. Todos os outros voluntários eram franceses, americanos ou chicanos. Mas até que eu me saí bem...

Apesar de não ter sido paga, a experiência foi muito legal e ainda tive a pequena boiada de receber 20% de desconto na gift shop da ONU por causa do meu passe "pseudo-permanente". Aproveitei e comprei uma carteira linda! Almocei na cafeteria, junto com o resto do staff da ONU. Foi mais "real" do que da outra vez, quando almocei no restaurante dos delegados, que é super formal e chique.

O evento foi cansativo. Foi das 9h às 17h30. Phew!

Quando saímos de lá, nevava torrencialmente. Como eu sou eu, escorreguei e (claro!) caí sentada bem na entrada da suntuosa sede das Nações Unidas. Como já estava escuro, passei meio que despercebida. Um pequeno grupo de tradutores sobreviventes foi andando em direção a Grand Central, onde minha idéia era pegar o Metro-North de volta para o Bronx. Mas aí...

No caminho, fui conversando com uma mexicana, Luz, que me contou que estava indo ao Carnegie Hall para um show: era o evento beneficente de Philip Glass em parceria com a Tibet House. A parte boa da história é que ela tinha um ingresso sobrando, porque a amiga dela não ia poder ir. Aí, ela me ofereceu o ingresso e... lá fui eu para o Carnegie Hall.

Primeiro passamos no Europa Café (onde eu comi um dos piores quiches da minha vida!), só para não morrermos de fome. Lá no Carnegie Hall, nossos lugares eram dos melhores. Lá em baixo, na platéria, bem no meio. O line-up?

Monks from the Drepung Gomang Monastery
Philip Glass
Antibalas
Steve Earle
Zack Glass
Angelique Kidjo
Keb' Mo'
The National
Patti Smith & Jesse Smith
Techung & the Lhasa Spirits
Vampire Weekend

No final, todos subiram juntos ao palco para cantar "People Have the Power" com a Patti Smith (como em 2001). Foi ótimo. Confesso que as partes exóticas foram um pouco exóticas demais às vezes, mas Patti Smith, Vampire Weekend (clique para ver vídeo no youtube), The National (idem) e, principalmente, Philip Glass, foram fenomenais!

Como já estava no Upper West Side, foi só pegar a van da faculdade direto para casa e cair na cama, porque no resto da semana ia ter muito pouco de diversão e muito, MUITO de vida real.

Saturday, February 7, 2009

Thinking, Drinking, Sinking, Feeling

Light will pour out of your eyes
Down into a field of spice
The grass is green, the sky is blue
Oh the sun bullies the moon

But I will make you see
That you belong to me
Stick me to you
Nature needs no glue
Always be true

I would never (I would never)
Call you a pig (Call you a pig)
You are clever (You are clever)
And he is not (He is not)
The leaning time (Leaning time came way too fast)
Came way too fast
I want you (I want you)
To collapse (So I can catch you)

So I can make you see
That you belong to me
Stick me to you
Nature needs no glue
Always be true

Ha-ha-aya
Ah-ah-ah-aya
Oh-oh-oh-aya-oh
La-la-la-ah-ah
x2

Thinking drinking sinking feeling

You said watch that romantic film
But who plays me?
And who plays you?
Are you the one who gets the girl?
Or are you the one who ends up dead?

So I can make you see
That you belong to me
Stick me to you
Nature needs no glue

I could hold you tighter
And I could make you lighter
Than the air you've been breathing
I know he'll say don't leave him
While the cannons are firing
And the world outside's expiring
I've started making plans
So come on, give me a chance
Always be true

Ha-ha-haya
Ah-ah-ah-aya
Ah-ha-ha-aya
La-la-la-laaa
etc.

Got a thinking drinking sinking feeling

Slow Club. Thinking, Drinking, Sinking, Feeling.

Wednesday, February 4, 2009

Perfect Day

Porque ontem foi um dos dias mais fantásticos da minha vida nova-iorquina. Tá, depois eu conto mais, mas as imagens ficam como teaser.

Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 3.0 Unported License