Tuesday, February 17, 2009

We rule the school

Já disse por aqui que nos meus empregos aqui na faculdade eu faço de tudo um pouco. E é sério. Além de atender telefone, abrir a porta, organizar eventos e palestras, ir a reuniões na ONU, lidar com cônsuls e embaixadores, exilados, fazer mudança de móveis, de arquivos, tirar cópias, ir ao correio, a UPS, buscar almoço, passear crianças no Jardim Botânico etc., foi acrescentada à minha rotina mais uma atividade: professora substituta.

Hoje cedo, umas das minhas chefes me liga perguntando se à noite eu poderia dar uma aula de ESL. É que este escritório tem um financiamento da Secretaria de Educação do Estado de NY para oferecer aulas de inglês para não-anglófonos residentes do Bronx. Essa semana, a professora oficial não poderia ir dar aula e o meu Big Boss, que iria substituí-la, tinha acabado de notar que, por um truque do calendário acadêmico, ele não poderia, de fato, dar a tal aula.

Quem chamar em caso de emergência? A Aline, é claro.

Aí, minha chefe ainda me pergunta: você acha que você vai ficar á vontade dando essa aula? Você já deu aula de inglês como língua estrangeira antes? Minha vontade era rolar de rir, né? Especialmente porque eu provavelmente tenho mais experiência dando aulas de inglês do que a pobre que tem que dar aula para os tais 12 alunos de níveis absolutamente diferentes.

Bom, eu topei dar a tal aula, que seria das 19h às 21h. Cheguei um pouco mais cedo, dei uma olhada no material e... vambora!

Até que foi tudo bem. Acho que depois de quase 10 anos lidando com crianças de 3 a 60 anos aprendendo inglês qualquer coisa é possível. Inclusive ensinar 12 alunos, dos quais: 3 falam inglês fluentemente; não falam nem querem falar (vontade de mandar à PQP!); um coitado não tem noção do que está fazendo ali e não sabe o alfabeto (não é que ele não sabe o alfabeto em inglês - ele não é alfabetizado, entendam!); e por aí vai...

Foram algumas das horas mais cansativas da minha estada em NYC (aliás, mais uma lição de português, crianças: "estadia"é para cavalo, carroça, navio etc. - como eu sou gente, é "estada", ok?). Mas sobrevivi. E confesso que foi mais divertido que atender ligações telefônicas estrambólicas.

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