Monday, March 23, 2009

Let's get out of this country (or, my ten days in Belgium)

Se é que alguém ainda lê isso aqui, esse coitado deve ter percebido que eu não me dignei a postar nada nos últimos dias. O motivo foi uma justa e merecida ausência de NYC. Passei os últimos dez dias na Bélgica, para onde fui por conta de uma conferência (dentre outras coisas). O motivo deste post de madrugada é que eu voltei para NY ontem à tarde, e com o bom e velho jetlag (o tempo estava 5 horas à frente na Bélgica), fui dormir às 20h, EST (horário do leste dos EUA), razão pela qual acordei gloriosamente às 4h da manhã hoje. E viva!

A conferência foi na Antuérpia, mas eu aproveitei para fazer um tour geral da Bélgica (Bruxelas, Lovaina - Louvain ou Leuven, em francês e holandês, respectivamente -, Gante - mais conhecida como Gent -, e Bruges, onde fomos procurar anões).

Anedotas da viagem e as inevitáveis comparações com os franceses virão aos poucos, nos próximos dias.

O comentário do dia é que, de maneira geral, os belgas são franceses que deram certo. Eu sempre achei que à França (aos franceses, na verdade - em especial aos parisienses) falta um pouco de tolerância, bom senso e humildade. A minha idéia é que se o mano Hitler tivesse entrado com tudo pra cima dos amiguinhos do Astérix e destruído aquela porra toda (torre Eifel, parte - ok, não tudo, mas parte - da fortaleza que hoje é o Louvre, etc.) e deixado muito menos do que deixou (é, o titio Hitler arregou no quesito França!), os franceses teriam menos para esnobar o mundo. Nunca pude confirmar essa teoria, porque pode ser um simples fato da constituição genética (social?) dos francófonos do Velho Mundo que eles sejam assim. No entanto, após visitar a Bélgica, minha teoria ficou praticamente comprovada. 

Os belgas foram muito mais arrasados pelas duas guerras mundiais (sem contar o resto dos rebus que rolaram na Europa antes do século XX), aprenderam a lidar com o fato de que falam "septante" em vez de "soixante-dix" e "nonante" em vez de "quatre-vingt-dix", engoliram o orgulho e se tornaram franceses plus

Outra diferença importante é que, diferentemente dos parisienses, que reclamam por esporte, os belgas são críticos - e não saem apoiando ninguém politicamente por pura xenofobia. 

Falem o que quiserem, mas, é óbvio que, em Paris, xenofobia é o esporte oficial. Essa foto aí é de uma manifestação que estava rolando na entrada do prédio da bolsa de valores em Bruxelas. Em Paris, não teria acontecido - a não ser que fosse contra os árabes, a única coisa que parece coerente com o vocabulário do soixante-dix, quatre-vingt e afins. I rest my case.

1 comment:

Fred Sorin said...

te digo uma coisa. esses fascistas antigos nunca serão tão maus quanto eu em um futuro próximo. beware.

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