Wednesday, April 29, 2009

The Road (or, first to know)

E aí, parece que o lance do Respectivo com o pre-screening do filme (The Road) rolou. O lance era na terça-feira (ontem), às 19h30. Como nenhum de nós dois tinha que assitir a aulas nem dar aulas, chegamos lá às 18h30, como recomendado.

A fila para entrar no cinema estava dobrando a esquina e indo atéééé o fundo, da Broadway até a Columbus Ave. Na fila, os organizadores nos deram um formulários pra preencher, como nome e alguns dados pessoais. Aí, logo deixaram a galera entrar.

No início, um pessoal da equipe de produção veio explicar o que ia rolar. Iríamos assistir a uma versão pré-produção do filme - ainda não completamente editada, sem os efeitos sonoros e de iluminação completos - e depois responderíamos a um questionário a partir do qual eles ainda poderiam fazer algumas mudanças no filme. Ou seja, a versão que estreiará no cinema daqui a uns 6 meses será um tanto diferente da que ia rolar ali.

Ok, vambora.

Olha, eu gostei MUITO do filme, viu? Não curto filmes apocalípticos (e The Road é, definitivamente, apocalíptico), e não sou a fã número um do Cormac McCarthy (ok, eu li No Country for Old Men, e tal, mas foi meio doloroso. Não é meu tipo de literatura...), mas o filme é bom. Muito bom.

Quando assisti a No Country for Old Men no ano passado e, mesmo sem ter visto muitos outros filmes no cinema naquele ano, disse que era, sem sombra de dúvida, o filme de 2008, o pessoal não levou fé; me achou exagerada. Agora, como coloquei a mão no fogo por No Country..., faço o mesmo com The Road, se não mais: como filme de futuro apocalíptico, dá um pau em Matrix e outros que foram louvados ao mesmo status. Podem falar que é o próximo Blade Runner, mas não é. Porque The Road inaugura um novo estilo. A questão não é se The Road é o novo Blade Runner. A questão é: qual vai ser o próximo The Road?

O filme só estréia nos EUA em outubro, e no Congo (banana-land) em dezembro. Vejam. No dia em que estreiar.

(Preenchemos a pesquisa no final do filme, tal. Foi interessante. Agora vou ter que ler o livro. E ver o filme de novo, em outubro.)

Staring at the sun (or, big city girl and small town boy in an imaginary place)


Depois de um inverno eterno, sábado passado (25/04/2009) o tempo deu uma trégua e fez sol aqui em NY. Virei barata e fui com o Respectivo ao Central Park tomar sol à tarde. Depois de algumas horas deitados (de roupa: jeans, camiseta, tal) no gramado, bateu a fome. Bora procurar um restaurante. Como estávamos lá pelo Upper West Side, saímos pelo portão da W72nd.

Como já disse algumas vezes aqui, o Upper West Side é um lugar meio ruim pra comer: tem muitos (MUITOS!) restaurantes bons, fato. Só que são todos caríííssimos (e vida de estudante é uma merda, né?!). E aí, no Upper West Side também tem uns restaurantes não muito bons - e igualmente caros. Pois é, o real dilema do onívoro pra mim é esse: pagar muito para comer comida ruim ou gastar uma quantidade de dinheiro muito além do meu orçamento e comer bem? Nenhuma resposta satisfaz (daí o dilema, duh!).

Pois, mais uma vez fomos explorar o Upper West Side em busca do restaurante ideal: bom e barato. Depois de muito andarmos na região do Lincoln Center, encontramos um restaurante japonês simpático. Aí, a questão era: ir ou não ao cinema depois?

Fomos ao cinema ali na altura da W68th ver o que estava passando. Nada de bom. Quando est[avamos saindo, fomos abordados por uma pessoa com papéis na mão oferecendo ingressos grátis para um filme. Como boa paulistana, tenho algums regras para a vida urbana. Duas delas são: (1) não pare para ouvir o que pessoas com papéis na mão, em grandes avenids, têm a dizer; (2) não caia no conto do grátis: em cidades grandes, não existe NADA grátis.

Então, óbvio, não parei. Mas o Respectivo, que passou a maior parte da vida morando em cidades com menos de 2 milhões de habitantes, na maior ingenuidade, parou. - Ai, Jesus! Lá vem...

Tá bom, meu ceticismo urbano me fez enfiar a viola no saco. Depois de tentar me livrar do cara, descobri que ele estava caçando cinéfilos para assistir a um pre-screening, grátis, do filme The Road, adaptação do livro homônimo do Cormac McCarthy. Pois é, na terça-feira seguinte seríamos convidados VIP para assistir à versão ainda não editada do filme e fazer a avaliação dele. Continuei cética, mas resolvi pagar pra ver. Coisas que só gente de cidade pequena consegue em cidade grande...

(Ah, e o restaurante japonês era bem barato e a comida era bem razoável. Fica bem ao lado do Nanoosh, um humus bar completamente overrated. Se eu não me engano, foi o Dan Tempura House. Os suhis estavam bem competentes e, de sobremesa, comi green tea brûlée, que é, basicamente, um[a] crème brûlée, só que de chá verde. Muito bom.)

TO BE CONTINUED...

Sunday, April 19, 2009

L'Intranquilité (or, the Belgian idea of a crisis)

Mais da série Contos Belgas.

A Bélgica tem um problema sério com caixas eletrônicos (them lovely ATMs). Sim, caixas eletrônicos. O meu guia de viagem comentava algo assim; dizia que havia pouquíssimos caixas eletrônicos em Bruxelas e sugeria que, quando eu encontrasse um, sacasse logo um monte de dinheiro - o que eu considerei uma informação desatualizada e bem pouco segura.

Mas eis que no nosso segundo dia em Bruxelas (um domingo) o Respectivo e eu começamos a ver filas gigantescas em todos os caixas eletrônicos do centro da cidade. Faz um certo sentido, já que poucos lugares na Europa aceitam cartão de crédito (por um motivo que ainda escapa minha compreensão). Mas, como europeus (especialmente os britânicos, como é notável) geralmente têm uma certa tara por fila, era relativamente fácil entender o cenário.

Enquanto almoçávamos naquele dia (no Orfeo, um restaurante atrás da Place du Grand Sablon, com uns pratos bem interessantes: meio indian-mediterranean fusion), e tentávamos nos ajeitar com as notas surreais e as moedas inusitadas de euros (o Orfeo obviamente não aceitava cartão de crédito), perguntamos para a garçonete se, de fato, era tão difícil assim encontrar caixas eletrônicos em Bruxelas e comentamos as filas, tal.

A resposta dela? Não há tão poucos caixas eletrônicos assim, mas a maior parte fica dentro das agências bancárias e, portanto, fica fechada durante o fim de semana. Os poucos caixas que há nas ruas até poderiam ser suficientes, se não fosse por um pequeno detalhe: como o pessoal entra em pânico pela dificuldade de encontrar um caixa eletrônico e aí saca montes de dinheiro no final de semana, há um problema logístico: o dinheiro dos caixas eletrônicos ACABA! Ou seja, o pessoal saca dinehiro loucamente sexta à noite e sábado e aí, quando chega domingo, os caixas estão zerados. E os bancos só vão repor o estoque de dinheiro na segunda-feira. 

Parece mentira, né?! Pois é, mas não. É a Bélgica, uma real versão laid-back da França (onde, se esse tipo de coisa acontecesse nesse nível, o pessoal ia se armar com boinas e começar barricadas e atear fogo nos bancos - o que culminaria em algum tipo de greve, tal). Genial!

Friday, April 3, 2009

The Lucky One (or, how to find gluten-free food in Belgium - and save your ass)

Da série "Contos Belgas", que eu estou devendo já há algum tempo:

Como tem muita coisa pra eu lembrar, vai sair tudo em ordem stream of consciousness.

Antuérpia, quinta-feira, 19 de março de 2009. Esse foi o primeiro dia da Red Star Line, o dia em que eu apresentei minha resposta ao trabalho da Liesbet, sobre Kant, tal. Depois das comunicações da tarde, à noite era hora de aproveitar a cidade.

Depois de tentarmos organizar alguma coisa com o resto do pessoal (sem muito sucesso), o Respectivo e eu decidimos que iríamos para a região noroeste da cidade, próximo ao museu de arte contemporânea, onde estaria rolando uma série de vernissages nas galerias de arte. A primeira parte do plano era ir para a região próxima ao museu de Belas Artes, para jantarmos. A Petra (que nos hospedou em Bruxelas e Antuérpia) sugeriu um bar, Hopper.

Quando já estávamos lá perto, o Respectivo resolve perguntar para um cara randômico, que estava passando na frente do museu, se ele tinha alguma sugestão de lugar para jantar. O cara recomendou o Fiskbar, um restaurante que servia basicamente peixe, mas que provavelmente estaria cheio, teria espera, tal.

Não me animei muito com a idéia (não trabalho com espera), e sugeri que déssemos uma olhada em outros restaurantes, em outra direção. O Respectivo concordou, mas a contragosto. Justamente por isso, ele fez cara de "não" para TODOS os outros restaurantes que paramos para olhar. Depois do descontentamento, sugeri irmos até o tal Fiskbar mesmo. Chegando lá, descobrimos que eles só aceitam clientes com reserva, e o lugar estava lotado, essas coisas. Voltamos para o outro lado do museu, onde o Respectivo resolveu que, então, "iria a qualquer lugar, mesmo".

Achamos um restaurante com uma cara simpática, mas absolutamente vazio. Hesitamos, mas a fome falou mais alto. O Respectivo, emburrado, olhou o menu e começou a me perguntar o que cada prato era. Detalhe: o menu estava em holandês. Tá certo que eu falo alemão e, enquanto estávamos em Bruxelas, foi bem fácil lidar com os cardápios e pedidos sem glúten, já que lá todos falam francês. Mas holandês... bom, dá pra chutar algumas coisas, mas é bem mais difícil adivinhar se um prato tem ou não glúten quando você só entenbde 70% dos ingredientes. Mais emburramento. - E lá é minha culpa que eu não falo holandês? E ele ressentido, porque queria ter ido ao tal Fiskbar logo de cara ("Talvez não ainda tivesse alguma mesa livre se tivéssemos ido lá logo de cara, em vez de ficar perambulando, procurando outro lugar.")

Eis que vem o garçom, e ele me pede pra perguntar o lance do glúten, tal. Não entendi por que EU tinha que perguntar, já que ia falar com o cara em inglês, anyway (novamente; eu não falo holandês e nos lugares na Bélgica onde se fala predominantemente holandês, as pessoas se irritam em falar francês). Pergunto quais os pratos do menu não contêm farinha de trigo (é sempre mais difícil explicar o que é glúten...). O garçom pára, fica meio na dúvida... não entende muito bem o que eu quero dizer com "wheat flour" ou "farine de blé". E o Respectivo emburrado, como quem diz "tá vendo? Vai me envenenar agora!" Eu completo, para o garçom: "veja, é que ele é alérgico a glúten, e não pode comer nada que tenha farinha de tr-".

"Ah, glúten!? Não! A idéia desse restaurante é justamente ser gluten-free. Nenhum dos nossos pratos têm glúten. Inclusive as cervejas. São todas gluten-free. Vocês podem ficar tranquilos e pedir qualquer cosa do menu."

Sorriso de alívio no rosto do Respectivo. Sorriso de vitória no meu. I win. Well, kinda. :)

(Ah, e o restaurante chama-se Eugène, e fica na Leopold de Waelstraat, pertinho do museu de Belas-Artes.)

Wednesday, April 1, 2009

What crisis? This crisis.

Minha amiga, a jornalista Laure Fillon (que eu conheci em 2005 em Berlim), trabalha para a Agence France Presse (AFP) e esteve recentemente em Viena, onde tirou essa foto, que eu deliberadamente "roubei" porque achei o texto genial.



Aproveito para acrescentar que já foi lançado, na Europa, o segundo álbum do Underwater Tea Party (What crisis? This crisis.), cujos vocalistas (Clarita e Martí, queridíssimos) também conheci em 2005, em Berlim. Parece que está à venda nas Fnac da Europa (segundo o blog deles), mas eu não consegui comprar. Resta ouvir pelo MySpace.

Dá pra ver que eu estou sem tempo para contar histórias, mas logo, logo eu atualizo de verdade.
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