Friday, April 3, 2009

The Lucky One (or, how to find gluten-free food in Belgium - and save your ass)

Da série "Contos Belgas", que eu estou devendo já há algum tempo:

Como tem muita coisa pra eu lembrar, vai sair tudo em ordem stream of consciousness.

Antuérpia, quinta-feira, 19 de março de 2009. Esse foi o primeiro dia da Red Star Line, o dia em que eu apresentei minha resposta ao trabalho da Liesbet, sobre Kant, tal. Depois das comunicações da tarde, à noite era hora de aproveitar a cidade.

Depois de tentarmos organizar alguma coisa com o resto do pessoal (sem muito sucesso), o Respectivo e eu decidimos que iríamos para a região noroeste da cidade, próximo ao museu de arte contemporânea, onde estaria rolando uma série de vernissages nas galerias de arte. A primeira parte do plano era ir para a região próxima ao museu de Belas Artes, para jantarmos. A Petra (que nos hospedou em Bruxelas e Antuérpia) sugeriu um bar, Hopper.

Quando já estávamos lá perto, o Respectivo resolve perguntar para um cara randômico, que estava passando na frente do museu, se ele tinha alguma sugestão de lugar para jantar. O cara recomendou o Fiskbar, um restaurante que servia basicamente peixe, mas que provavelmente estaria cheio, teria espera, tal.

Não me animei muito com a idéia (não trabalho com espera), e sugeri que déssemos uma olhada em outros restaurantes, em outra direção. O Respectivo concordou, mas a contragosto. Justamente por isso, ele fez cara de "não" para TODOS os outros restaurantes que paramos para olhar. Depois do descontentamento, sugeri irmos até o tal Fiskbar mesmo. Chegando lá, descobrimos que eles só aceitam clientes com reserva, e o lugar estava lotado, essas coisas. Voltamos para o outro lado do museu, onde o Respectivo resolveu que, então, "iria a qualquer lugar, mesmo".

Achamos um restaurante com uma cara simpática, mas absolutamente vazio. Hesitamos, mas a fome falou mais alto. O Respectivo, emburrado, olhou o menu e começou a me perguntar o que cada prato era. Detalhe: o menu estava em holandês. Tá certo que eu falo alemão e, enquanto estávamos em Bruxelas, foi bem fácil lidar com os cardápios e pedidos sem glúten, já que lá todos falam francês. Mas holandês... bom, dá pra chutar algumas coisas, mas é bem mais difícil adivinhar se um prato tem ou não glúten quando você só entenbde 70% dos ingredientes. Mais emburramento. - E lá é minha culpa que eu não falo holandês? E ele ressentido, porque queria ter ido ao tal Fiskbar logo de cara ("Talvez não ainda tivesse alguma mesa livre se tivéssemos ido lá logo de cara, em vez de ficar perambulando, procurando outro lugar.")

Eis que vem o garçom, e ele me pede pra perguntar o lance do glúten, tal. Não entendi por que EU tinha que perguntar, já que ia falar com o cara em inglês, anyway (novamente; eu não falo holandês e nos lugares na Bélgica onde se fala predominantemente holandês, as pessoas se irritam em falar francês). Pergunto quais os pratos do menu não contêm farinha de trigo (é sempre mais difícil explicar o que é glúten...). O garçom pára, fica meio na dúvida... não entende muito bem o que eu quero dizer com "wheat flour" ou "farine de blé". E o Respectivo emburrado, como quem diz "tá vendo? Vai me envenenar agora!" Eu completo, para o garçom: "veja, é que ele é alérgico a glúten, e não pode comer nada que tenha farinha de tr-".

"Ah, glúten!? Não! A idéia desse restaurante é justamente ser gluten-free. Nenhum dos nossos pratos têm glúten. Inclusive as cervejas. São todas gluten-free. Vocês podem ficar tranquilos e pedir qualquer cosa do menu."

Sorriso de alívio no rosto do Respectivo. Sorriso de vitória no meu. I win. Well, kinda. :)

(Ah, e o restaurante chama-se Eugène, e fica na Leopold de Waelstraat, pertinho do museu de Belas-Artes.)

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