Wednesday, December 15, 2010

I love my car

Dirigir em NY é um troço bem caótico. Eu que o diga! Só dirigi em Manhattan uma vez e quase quis morrer. No Brooklyn, o trânsito é bem mais tranquilo, mas, dependendo do dia e horário, atravessar Williamsburg e ir a Park Slope é uma epopéia. Mas o legal de ter passado esses últimos meses aqui dirigindo horrores (e compensando os três anos em que eu sequer cheguei perto de um carro por aqui) foi que, com o esquema do ZipCar, eu dirigi vários carros diferentes (Nissan, Mazda, Audi, Volvo...). Como eu sou meio auto-maníaca, me diverti horrores, com trânsito e tudo!


E agora só me resta mesmo voltar ao Brasil, de férias, e dirigir meu bom e velho Fiat Brava...

Thursday, October 21, 2010

Drive on, driver

Conduzindo Miss Daisy estrelando... eu!

Depois de meses dirigindo (sempre os ZipCars) no Brooklyn, hoje foi minha primeira vez me aventurando em Manhattan. Medo. Peguei um dos meus carros preferidos (o Mazda 3), e saí, toda serelepe, pronta para cruzar a Williamsburg bridge. Mas, é claro, devidamente munida de impresso do GoogleMaps e com o GPS do Blackberry a postos.


Cheguei ao meu destino (não muito longe da Union Sq.) relativamente rápido, apesar do trânsito chato da ponte. O desafio era voltar pro Brooklyn tendo que atravessar o SoHo em plena quinta-feira à noite.

Trânsito dos infernos. Mas faltava pouco para chegar na ponte. Era só eu entrar à esquerda e... um carro de polícia me passa, a milhão. Dali a pouco, o trânsito para completamente. Vem um policial falar comigo, naquela coisa bem à la Law & Order: a rua tinha sido bloqueada pela polícia. Me mandou manobrar e voltar para a Bowery pela contramão. E lá fui eu, porque com "otoridade" nova-iorquina a gente não brinca. Maior desvio para poder chegar em casa e...

Com apenas meia hora de atraso, lá estava eu, sã e salva, observando o skyline do lado menos caótico do East River.

Friday, September 10, 2010

The game (or, it must be love)


Depois de anos de enrolação, finalmente consegui ir assistir ao U.S. Open ao vivo, in loco.

A gente acaba comprando os ingressos "no escuro", já que a programação dos jogos vai saindo conforme os jogos vão rolando, alguns jogadores são desclassificados, e outros vão em frente. Comprei ingressos para domingo, 5 de setembro, para a sessão da noite. No sábado, descobrimos quem ia jogar. Primeiro, Mikhail Youzhny x John Isner. Depois, Samantha Stosur x Elena Dementieva.

O Respectivo e eu resolvemos que só assistiríamos ao primeiro jogo, já que os jogos são em Long Island, lá no finalzão do Queens, depois do Shea Stadium (casa dos NY Mets).

A viagem até lá foi razoavelmente longa, e o metrô estava bem cheio. Quando chegamos lá, achei a coisa bem mais organizada do que eu esperava. O local é enorme, dentro de um parque, e é também um grande shopping a céu aberto.

O Respectivo odiou essa coisa de parecer um shopping, e a idéia de eles venderem ingressos que só dão acesso à área geral dos eventos, mas não às quadras dos jogos, i.e. a pessoa paga para entrar na área geral, ver e ser vista, e assistir ao jogo em um telão. Mas, sei lá, acho que é uma coisa do tênis. E eu até que curti a idéia das lojinhas, apesar de mal ter olhado as vitrines e, obviamente, não ter comprado nada.

O jogo foi bom. Foi um tanto emocionante, porque rolaram alguns tie-breakers, tal. E o Respectivo e eu éramos, provavelmente, as únicas pessoas torcendo para o russo, que acabou ganhando. Afinal, por que não?


Saímos de lá umas 22h30. A volta para casa foi mais chata - pareceu demorar para sempre, e estávamos ultra cansados, mas, no geral, gostei do evento, da organização, e do fato de o público ser bem mais light que em jogos de baseball ou futebol.

Devia ter iniciado esse hábito antes, porque, daqui pra frente, a viagem para Long Island vai ficar mais longa e cara...

Wednesday, September 8, 2010

Weekend wars (or, one more visit!)

Falei de bad timing num post anterior. Mas acho que isso está se resolvendo. Bom, meio que.

E daí que, no início de setembro, o Goommer resolveu vir pra Miami, do nada. E depois resolveu dar uma esticada até NY e passar uns dias aqui. Eba! Visitas!

Mas foi bem no final de semana do Labor Day, quando minha vida estava um pouco atrapalhada, porque o Respectivo tinha acabado de voltar para NY (férias longas, maravilha), e eu tinha comprado ingressos para um dos jogos do U.S. Open.

Mas deu para aproveitar a visita, com direito a Guinness no Gin Mill, brunch no Blue Water Grill, parada para comprinhas na Saks e na Bloomingdales, essas coisas. E até demos uma passada no na muvuca do Brazilian Day (sim, era bem naquele fim de semana, também). Um caos SEM guaraná Antarctica. Tentaram nos empurrar um guaraná Schin (Schin!), e minha resposta foi um sonoro "Nem f...". É, as coisas geralmente não saem como esperado.

Pena que foi um fim de semana meio atribulado. E que minha casa estava uma bagunça. Mas valeu a visita surpresa. Acho que deu para a gente se divertir e para compensar um pouco as noites de All Black, O'Malley's, Bar da Dida, NaMata...

Saturday, August 28, 2010

Down by the water (or, the Hamptons)


Mamãe e eu fomos para os Hamptons no início de agosto.

Para evitar o stress de ter que pegar o trânsito NY-Long Island no verão (que não fica nada atrás do sistema Anchieta-Imigrantes), fomos de trem até Hampton Bays.

Chegando lá, tivemos que ir de um lado para o outro de táxi, porque os Hamptons não são um lugar muito walker-friendly. Tá, quando eu fui para lá, não tinha sacado que a estrutura de lá não era tipo a de Búzios. Sei lá, na minha cabeça, os Hamptons eram uma versão phyna de Búzios. Ou da Riviera Opatija, na Croácia. Ou Côte d'Azur. Enfim, deu pra entender.

Mas não. Fora Southampton, que tem vida, o resto é só um grande Jardim Europa (casas muradas até o alto, com seguranças mil ao redor), a mais de 5Km da praia.

Confesso que a praia é bonita. A parte da baía é meio mais ou menos, mas o mar aberto não deixa nada a dever a essas praias brasileiras pretenciosas.

No primeiro dia lá, pegamos um táxi da estação de trem até o hotel. Depois, um táxi do hotel até um restaurante, para almoçarmos. Aí, mamãe e eu andamos debaixo de um sol de um bilhão de graus até uma marina, onde tinha um restaurante com bar (Margaritas!!).

Mais tarde, táxi de volta para o hotel. Na manhã seguinte, táxi para a praia em Southampton. E aí resolvemos andar até Southampton Village, o centrinho (com compras, restôs etc.). Só que era uma hora de caminhada. Ok, não tínhamos nada para fazer, mesmo, e ainda era cedo pra almoçar...

Na metade do caminho, começou a bater o cansaço (e um calor infernal, pois, lembrando, estava um bilhão de graus - e quem acha que nos EUA não faz calor assim está muuuito enganado!). Eis que aí passa um carro e buzina. E buzina de novo. Olho e vejo que é o taxista que nós tínhamos chamado todas as outras 40 vezes que precisamos ir de um lugar ao outro nos Hamptons (não, lá não tem táxis amarelos!). Ele disse que estava indo em direção à estação de trem, e nos ofereceu uma carona.

Ufa! Ar-condicionado! Quisemos pagar a ele - ou dar uma gorjeta - mas ele não aceitou. O taxista era da Tunísia, e acho que resolveu ser bonzinho porque não éramos socialites do Upper West Side. Ou sei lá.

Almoço rápido. E trem de volta para NYC: mais ar-condicionado. E menos praia.

E foi completado o propósito da viagem. Veni, vidi, vici.

Friday, August 27, 2010

Trying your luck (or, I know this is surreal)

Uma chance em um milhão.

Ontem, estava eu andando (sozinha) em Williamsburg, quando passa um carro (uma SUV) com uns quatro manos dentro. O carro diminui. O motorista abre o vidro e fala comigo:

Motorista: "Hi."
Eu: "Er... Hi?"
Motorista: "Want a ride?"
Eu: "No. Thanks."
Motorista, tentando dar uma de legal hipster/exótico: "Look at my friend in the back seat. He's from Brazil!"

Merece a hashtag #fail.

Tuesday, August 24, 2010

Six things without fail you must do

O problema de se morar em uma cidade onde há bilhões de coisas para se fazer (como NY, São Paulo, Paris, Berlim etc.) é que a gente acaba vencido pela infiniude. E eu não fujo da regra. Depois de quase três anos em NY, não tinha conseguido ir a quase nenhum museu, por exemplo.

Ok, já fui ao Metropolitan um número de vezes que dá uma cota para a vida inteira, mas até pouco tempo atrás não tinha conseguido ir aos outros museus. No início desse ano, finalmente consegui ir ao MoMA com o Respectivo (embora ele tenha ido a contragosto, porque ele não trabalha com arte moderna), mas foi num dia meio confuso, muito cheio (como sempre). Pouco depois disso, também fomos à Frick Collection, que é uma casa linda, apesar de a arte em exposição lá não estar no meu Top 10.

Como eu disse no outro post, quando o Athos veio pra cá, eu finalmente fui ao Whitney. Mas ainda faltavam o Guggenheim e o Museu de História Natural.

Aproveitei que a mamãe veio para NY comigo passar uns dias e recheamos o calendário turístico-cultural. Fomos ao Museu de História Natural, ao MoMA, ao Whitney, ao Guggenheim, à Frick Collection, e a uma peça off-off-Broadway (The Late Henry Moss, que, surpresa!, é do Sam Shepard - quem conhece minha obsessão com Sam Shepard sabe como esse é o tipo de coisa que me faz feliz).

E ainda sobrou tempo para irmos explorar a alta (e média) gastronomia de NY (incluindo no roteiro brunch no Pastis, brunch no Dovetail - meu all-time favorite -, almoço no Blue Water Grill, almoço no Mesa Grill, cupcakes na Magnolia Bakery, além daquele almoço básico na Arthur Ave., e aquela passada de sempre no Wholefoods e no Trader Joe's. E com bônus de batatinhas fritas no Pommes Frites.

E fomos também aos Hamptons, aproveitar o clima de praia, a NJ, asisstir ao jogo (amistoso) do Brasil contra os EUA, e passamos um dia em New Haven, aproveitando um almoço orgânico/vegetariano sensacional no Claire's Corner Copia.

Essa é a NY que eu quero para mim, para sempre. Porque estátua da liberdade e Empire State Building são para os fracos.

Sunday, August 22, 2010

Some people take it pretty well, some take it all out on themselves

Bad timing. História da minha vida. Até aqui em NY.

Eu fico louca para as pessoas (pessoas de quem eu gosto e sinto falta, that is) resolverem vir passear em NY, porque assim elas podem me visitar, tal. E as pessoas, de fato, vem para cá. E eu estou sempre aqui, exceto durante o alto verão (minhas férias) e alguns poucos finais de semana. Mas é claro que, quando as pessoas resolvem me visitar, calha de ser quando eu não estou aqui.

Há uns dois anos, acho, a Manoela veio para cá. Numa semana que eu estava em Boston, acho. Um pouco depois, minha prima resolveu vir pra cá, passar duas semanas... uma das quais eu estaria na Bélgica! (Mas pelo menos nos vimos e passeamos alguns dias.) No final do ano passado (novembro), um primo meu que mora em Dubai também veio para cá - justamente em uma semana nada-a-ver em novembro - semana em que eu estaria em para SP. Ele iria chegar em NY na manhã do dia em que eu voaria (à noite) para São Paulo. Combinamos de almoçar, ao menos. Mas é claro que, como havia de ser, o voo dele (TAM...) foi cancelado, e ele só chegou aqui na hora em que eu estava decolando. Não nos vimos.

Aí, no começo desse ano o Athos resolveu vir me visitar. Também no rolo do meu Spring Break (como minha prima, no ano anterior). Mas pelo menos ele ficou aqui em casa uns 3 dias e fizemos um turisminho. Fomos ao Whitney, onde estava rolando a Bienal, na época (isso foi em março). E também fomos ao Bronx Zoo, e fizemos mais um monte dessas coisas bem turísticas: demos uma volta no Battery Park, na Union Square, e passamos um tempão sentados naquela arquibancada ridícula que tem no meio da Times Square. Batendo papo. E depois fomos na loja de M&Ms, claro.

Mas o melhor de o Athos ter vindo para cá foi que ele veio numa época que foi a mais catastrófica do ano para mim (talvez não tenha sido bom para o humor dele, mas enfim). Tive boas desculpas para fazer um turismo, esfriar a cabeça e estar perto de gente legal, que eu conheço há uns dez anos. Março foi um mês infernal de qualquer jeito, mas essa visita ajudou BEM a segurar as pontas.

Depois e fui para a Flórida e o Athos ficou aqui em NY mais uns dias. Uma das coisas mais legais daquele mês (depois dos passeios em si) foi estar lá em Grandmaville, na Flórida, num estado de espírito deplorável, sem poder sair de casa (choveu torrencialmente a semana quase toda, lá) e, de repente, receber um ligação no meu celular, de um número com código de área 718. Era o Athos ligando, do aeroporto, antes de voltar pro Brasil, pra se despedir, contar sobre o show a que ele foi, tal, e a chuva em NY, e todas essas coisas. A gente fica aqui muito tempo e se acostuma ao telefone nunca tocar com ligações de amigos, gente querendo só conversar, e papos em português.

Esse conjunto de coisas fez o mês de março bem mais suportável - e "sobrevivível". O que mais faz falta aqui é gente que a gente pode abraçar, mas abraçar de verdade, daquele jeito que a gente só faz com uma dez pessoas no mundo.

E o tom do post não é mguxo, não. Porque quando eu digo que são dez pessoas que a gente abraça de verdade, I mean it. Como diz um professor meu, a gente não sai por aí abraçando árvore - porque árvore não abraça de volta.

Saturday, August 21, 2010

The Loneliness of a Middle Distance Runner (or, my first-ever 5K)


Depois de mais uma pausa, os posts voltam hoje, retroativamente (e aos poucos).

Hoje foi um daqueles dias de epifania na vida do meu Dasein: minha primeira corrida de rua official, aqui em NY. Há mais ou menos dois anos, comecei a correr mais a sério (cheguei a fazer no mínimo 5Km por dia), num pique de tentar correr a São Silvestre. Como alegria de pobre dura pouco, obviamente, não rolou (por motivos metafísicos do naipe Nostradamus/provérbio iídiche). Mas me mantive num ritmo de correr uns 5Km pelo menos umas três vezes por semana. Isto é, até fevereiro desse ano, quando a maré bateu na bunda, e foram chegando as monções da vida.

Aí, não corri mais. Rolava um jogging de vez em nunca, mas só. Nas minhas férias pela Europa, em junho, o Respectivo e eu andamos bastante (bastante = uns 25Km/dia), tanto na cidade (asfalto) quanto em trilhas, tal. Deu pra variar os ambientes e obstáculos. Mas isso foi o ápice das minhas atividades físicas dos últimos três meses.

Tem umas três semanas, vi que ia ter essa corridinha no Harlem. Uma 5K tranquilinha, sábado (hoje, no caso) de manhã. Deu vontade, mas acabou que nem me inscrevi. Mas, essa semana, um amigo meu, K., que é um corredor bem mais sério que eu, me perguntou se eu tinha me inscrito. Aí bateu aquele peso na consciência: fui lá (à internet - site da New York Road Runners) e me inscrevi. Ok, agora eu só tinha que me preparar. Tempo total: 3 dias.

O detalhe é que um programa clássico de "couch to 5K" leva, em média nove a dez semanas. O que eu poderia fazer em mais ou menos 1/24 do tempo? Rezar. E consumir uma quantidade decente (=alta) de proteína antes e depois da corrida. E rezar mais.

Depois de encontrar com a Manoela ontem à noite (sushi no Upper West Side, outra história, que deverá ser contada em outra ocasião), cheguei em casa, dormi e me preparei para acordar cedinho, para chegar ao Harlem às 8h00.

Cheguei lá, encontrei K., que ia correr em uma bateria à frente, com o pessoal mais rápido, e, às 8h30: largada!


3.1 milhas (5Km) e 36 minutos e 58 segundos depois: ufa! Acabou. Sobrevivi às subidas e descidas da região do St. Nicholas Park, e o dinheiro da minha inscrição foi para ajudar as criancinhas no Haiti, tal. K. e eu, que pretendíamos tomar uma cerveja depois da corrida (pau que nasce torto morre torto...), depois de andarmos e não encontrarmos nenhum bar aberto (pudera! Eram 9h30!!), voltamos para o Bronx. Fim.

Apesar da falta de preparo físico (e do calor, e da umidade, etc.), deu para manter um ritmo decente e não morrer (não morrer sempre é meu objetivo prioritário - regra para a vida). As endorfinas ajudaram o corpo a aguentar bem até umas cinco da tarde, quando meus quadris começaram a questionar essa minha vibe de correr sem estar sendo perseguida. E o Respectivo só volta pra NY na semana que vem. Ou seja: não vai rolar nem uma massagem para ajudar. Mas sempre tem o plano B: Ibuprofeno. Meu melhor amigo.

O mais interessante é que, depois disso, ainda fui a NoHo, dei uma volta no Central Park, encarei a multidão no Wholefoods para comprar peixe fresquinho, e voltei pra casa.

Saldo do dia: 5Km corridos, uns 5Km (com obstáculos = multidão) caminhados, uma barrinha de proteína, um litro d'água, 700ml. de água de côco, uma refeição decente (com muita, muita proteína do bem), endorfinas no talo, e pernas que parecem um bonequinho de vodu. E viva!

Saturday, July 17, 2010

A track and a train (or, Eastern Europe)

Como eu comentei no post anterior, fomos de Zagreb para Budapeste de trem. Uma loooonga viagem. O trem sairia de Zagreb às 9h00, e chegaria em Budapeste às 16h20. Delícia.

Aí, estávamos esperando o trem na plataforma, tal. E eis que para um trem com uma placa que diz "Rijeka". O meu palpite foi que o trem vinha de Rijeka e iria para Budapeste. Mas vai saber. Aí, perguntei pra um cara, no melhor do meu croata: "Budapest?" Ao que ele respondeu uma enorme conjunção de vogais e consoantes com tils (tis?) ao contrário. Ok, resolvi entender aquilo como um sim.

Entramos no trem. Na segunda classe (nosso bilhetes eram, obviamente, de segunda classe), estava a maior muvuca, à la ônibus de viagem do Nordeste (não é preconceito! Já peguei ônibus de Recife a João Pessoa, e tem galinha. Juro!). Aí, resolvemos ir pro vagão da primeira classe, até nos expulsarem.

Logo que deixamos o terminal de trem, veio aquela mocinha conferir os bilhetes. Estávamos no vagão errado. Mas não porque estávamos na primeira classe, mas sim porque aquele vagão não iria até Budapeste. Explico: o trem ia largando os vagões pelo caminho, e só o da frente faria a viagem completa até a capital húngara.

Ok, mudamos de vagão e pegamos uma cabine. E tudo iria dar certo agora, certo?

É, não.

Na parada que fizemos na fronteira da Croácia com a Hungria, os agentes de imigração entraram no trem para conferir os passaportes, tal. (Eles têm que fazer isso porque a Croácia não faz parte da União Europeia, mas a Hungria faz.) De repente, na cabine ao lado, a maior gritaria. O trem ficou parado lá um tempão, com os agentes da imigração gritando com uma mulher.

Pelo que eu entendi, ela era ucraniana, e não tinha visto para a Hungria (ou para a União Europeia, for that matter). Ela não falava húngaro, e os oficiais fingiam que não falavam inglês. Ela gritava, naquele broken English digno do Eugene Hütz (ou Alex, if you will). Os caras queriam mandar a mulher de volta pra Zagreb, pra ela poder tirar um visto, e ela alegava que ia entrar na Hungria como "cidadã em trânsito", a caminho da Ucrânia, e não precisava de visto. Depois, a conversa mudou. Ela começou a perguntar pros caras se podia comprar o visto deles. O maior rolo.

Por fim, eles arrancaram a pobre do trem e ficaram discutindo com ela do lado de fora. E foram chegando mais oficiais. Até que eram uns vinte, acho, para lidar com a situação. Muito barulho por nada, porque eles deixaram ela voltar pro trem depois de mais uns gritos.

Resultado: vinte e cinco minutos de atraso na viagem, e aquela sensação genuína de que você está no leste europeu.

Wednesday, July 14, 2010

Too late, too slow (or, I'm not from around here, you see?)


O pessoal na Croácia não trabalha muito com inglês. O que nos salvou em Lovran, Rijeka e Dubrovnik foi o alemão.

E Dubrovnik pode até ser uma cidade linda, mas não sei se vale o stress. Stress porque é praticamente impossível viajar de e para lá sem carro. E, mesmo de carro, é ultra-complicado porque só tem uma estradinha costeira, que tem um trânsito demoníaco.

Optei por fazer o trajeto Rijeka-Dubrovnik (que é de mais ou menos 420Km) de navio. Tem um tipo de mini-cruzeiro da Jadrolinija que faz o trajeto em mais ou menos 20 horas. Sai de Rijeka às 20h, e chega em Dubrovnik às 16h do dia seguinte. O Respectivo e eu reservamos uma cabine (pequena mas decente, com banheirinho completo e tudo) e fizemos a viagem, que tem paisagens lindíssimas, como a parada em Korčula (ilha na costa croata), que é um dos lugares mais bonitos do mundo.

Saindo de Dubrovnik, nosso destino era Budapeste. O ônibus que iria direto de Dubrovnik para Budapeste só funciona na alta temporada, e só começaria a rodar na semana seguinte à nossa viagem. Assim, tivemos que pegar um ônibus de Dubrovnik a Zagreb, pra depois irmos pra Budapeste.

Até aí, tudo bem. Comprei os bilhetes de ônibus e tudo certo. O ônibus sairia de Dubrovnik às 21h, e chegaria em Zagreb às 7h do dia seguinte (obviamente). Os bilhetes de ônibus foram bem carinhos (várias centenas de Kuna, o equivalente a US$25 cada, mais um Euro a mais por cada mala que foi no bagageiro). Pelo preço, imaginei que a viagem ia ser boa, apesar de ser durante a noite.

Aí entramos no ônibus, que era um ônibus de viagem comum, bem furreco, sem cortinas na janelas, nem banheiro!! Sublinho (not really): não tinha banheiro no ônibus. E a viagem duraria nove horas!!

Fiquei em choque, especialmente depois de já ter viajado de ônibus no México e ter tido uma surpresa agradabilíssima lá.

E também não tinha aquelas paradas clássicas, com um tempinho pro pessoal ir ao banheiro e comprar um lanchinho. O ônibus fazia umas paradas bem ad hoc para pegar umas pessoas pela estrada e, quando alguém queria ir ao banheiro, tinha que correr e avisar o motorista (em alemão, porque, como eu disse, eles não trabalham com inglês e eu não trabalho com croata), para que ele não fosse embora e nos largasse para trás. Porque ele não estava nem aí. O pessoal que trabalha com serviços a turistas na costa da Dalmácia é completamente incompetente e mal-educado com turistas. A definição de stress.

Noite muito mal dormida (despertei às 6 da manhã, com o sol na minha cara, já que não havia cortinas), e chegando em Zagreb, mais uma rodada de alemão misturado com croata para descobrirmos como iríamos do terminal de ônibus para a estação de trem.

Feito. Pegar o trem foi outro processo burocrático, pois nem todos os carros iriam até Budapeste (eles vão desmantelando o trem durante as oito horas de viagem). E ninguém conseguia nos dar a informação de em qual dos carros deveríamos ficar em nenhuma das sete línguas que eu falo.

Ótimo. E ainda teríamos, como eu disse, oito horas de viagem pela frente...

Saturday, July 10, 2010

Cut here (or, Budapest)

Budapeste... Ah, Budapeste! Tudo o que Paris poderia ser e não é. Ha!

Depois do calor infernal da Eslovênia e, principalmente, da Croácia, chegamos em Budapeste (depois de nove horas de ônibus de Dubrovnik para Zagreb, e mais sete horas e meia de trem de Zagreb para Budapeste) e nos hospedamos em um dos lugares mais legais do mundo: um apartamento super legal e super barato bem no centrinho de Pest (lembrando que Budapeste era, originalmente, duas cidades, Buda e Pest divididas pelo rio, tal), que lembra um pouco o baixo Augusta, só que mais legal.

Choveu bastante. E a chuva foi o máximo. Tudo o que nós queríamos depois do calor dos infernos. E também queríamos uma viagem diferente. Por isso, depois de visitar uma dúzia de museus, o Respectivo e eu cabulamos um dos museus e resolvemor ir... cortar os cabelos!!

Explico: Budapeste é conhecida por ser um lugar de cabelos super trendy, e os salões mais legais da cidade estavam todos a um raio de dois quarteirões do nosso apartamento. Um dos mais legais, inclusive, era colado no apartamento. Fomos lá e... milhões de forints depois (o equivalente a poucas dezenas de dólares): cabelo novos!

O detalhe é que o pessoal na Hungria não trabalha muito com inglês. Então, não deu pra explicar o que eu queria ou não queria. Nem pra dar muito uma idéia, tal. Uma mocinha que trabalhava no salão meio que ajudou na comunicação básica, mas, de resto, só pedi pra cabeleireira fazer o que ela bem entendesse, com a esperança de que fosse que nem mandar o Roberto Cavalli pegar um tecido e uma máquina de costura e fazer o que ele bem entender... E foi!

Confesso que, no começo, não gostei muito do meu (o do Respectivo ficou ótimo!). Achei meio esquisito e curto demais (se é que isso existe). Mas eu nunca gosto de corte de cabelo nenhum (nem meu, nem de ninguém): sou chata pra caramba com cortes e penteados. Só não ligo muito porque chorar por conta de cabelo é so fifteen years ago, e cabelo (especialmente o meu) cresce, e muito!

Mas agora que já se passaram umas boas duas semanas e meia, tenho que admitir que esse foi um dos melhores cortes ever, perdendo apenas para duas outras vezes que cortei o cabelo em SP (uma com um cabeleireiro italiano, que só veio passar um fim de semana em SP - e depois, never more, e a outra com um cabeleireiro argentino, nesse mesmo esquema de final de semana).

Espero que o corte dure, porque não vou voltar para Budapeste tão cedo... não a cada três meses!

Pois é, cabelo... we'll always have Budapest!

Monday, July 5, 2010

So much to live for (or, Slovenia)

Um apanhado de todas as coisas eslovenas.

Lugares para ficar:

Em Bled: Penzion Mlinar. Preço muito bom, localizacão excelente. O dono, Bojan, é ótimo e, além de ter ido me buscar na estação de trem (e o Respectivo no aeroporto), ele também nos deu carona várias outras vezes para restaurantes e outros lugares próximos. O café da manhã lá também foi uma delícia, e, como ficamos lá várias noites, eles compraram várias coisas que nós gostávamos (coisas sem glúten, kefir etc.).

Em Ljubljana: Penzion Pod Lipo. Não é tão barata quanto a de Bled, mas a localização é ideal, e os quartos são sensacionais, nível hotel cinco estrelas. O café da manhã não está incluído -e não vale a pena tomar o café da manhã lá (não tem tantas coisas gostosas e não é muito barato).

Lugares para comer:

Em Bled:

Ostarija Peglez'n - só não se pode pedir os peixes inteiros, que são cobrados pelo quilo (os olhos da cara, by the way). De resto, é tudo ótimo (mas a especialidade deles são os peixes e frutos do mar) e affordable, e a vista para o lago é linda.

Okarina - tem pratos indianos, mas também tem pratos tradicionais eslovenos. Uma das melhores opções para culinária vegetariana em Bled. Comparado aos outros restaurantes de lá, não é particularmente barato, mas vale a pena conhecer.

Penzion Mayer - de longe, a melhor comida de Bled. Não é barata, mas vale cada centavo. E tinha até pão sem glúten para o Respectivo. Excelente! E o lugar, apesar de meio escondido, é bem bonitinho!

Gostilna Pri Planincu - para quem gosta de muita comida. Não é nada muito especial, mas vale pelas carnes, bem ao estilo tradicional esloveno, a preços bons.


Nos arredores de Bled:

Don Andro - em Bohinj. Uma pizzaria/espagueteria. Aí, vocês me perguntam: e o Respectivo e sua intolerância a glúten? Pois é. Esse lugar escondidinho tinha massas e pizza sem glúten. Comemos a pizza, que estava ótima, e uma salada maravilhosa!

Gostilna Augustin - em Radovljica. O restaurante com uma das vistas mais bonitas do mundo. A comida tem preço bom, mas o dono é uma figura bem interessante... porque ele meio que está sempre bêbado e esquece os pratos dos clientes... Enfim, uma história para contar.


Na lista "don't even bother" entram: Gostilna Lectar, em Radlovljica (por ser caríssimo e por colocarem glútem am absolutamente tudo na cozinha, incluindo o chucrute!), Mlino, em Bled, que é caro, com comida e serviço ruins... comida pouca, tal. O Labod, também em Bled, é ok, mas nada tudo isso.

Jumping someone else's train (or, getting to Slovenia)

Hoje acabou a preguiça e vou começar um briefing rápido da minha última viagem. O destino principal da viagem foi Bled, na Eslovênia. Mas, e aí, Bóris, como faz pra chegar na Eslovênia, a partir de São Paulo?

É aí que Veneza entra na história. O ponto mais próximo de Bled na Europa, com voos do Brasil é Veneza. Doze horas de voo, escala rápida em Roma e... tah!dah! Chego em Veneza. Veneza é o inferno na terra. Caos. Dante, quando escreveu o Inferno, deve ter morado em Veneza. Calor, malas e pontes. Muitas pontes. O pessoal só esqueceu de me avisar que as pontes (milhões delas! milhões!) são estilo "escada": degraus para subir e degraus para descer. Nada de rampinha. E eu, com malas. Foi lindo!

Aí, só passei uma noite lá e, no dia seguinte, fui pegar meu trem para a Áustria (o trajeto mais rápido para Bled envolvia uma baldeação em Villach, uma cidadezinha muito bonitinha, na Áustria). Mas na hora em que eu comprei o bilhete do trem, o cara me avisou: "olha, eu estou te dando um bilhete de trem, tal... ma questo non è un treno. È un autobús. Capisca?"

Ahn. Ok.

Fui eu pegar o tal ônibus, que estava marcado para sair às 11h20 da manhã. Cheguei lá às 10h30 e esperei. 11h, e nada. 11h10 - nada. 11h20 - nada. 11h30 - nada. Pânico. E se o cara me enganou? (sei lá, né, estava na Itália, tal - mas, por outro lado, é a Itália, as coisas atrasam...). 11h40 - nada. 11h50 - nada. Quando deu meio-dia, eu já estava tramando voltar lá onde eu comprei o bilhete, pra xingar o cara. Mas eis que: o ônibus chega. Com quase uma hora de atraso!

Mas tudo bem. E vambora pra Áustria, onde as pessoas falam alemão, e as coisas são pontuais. Tipo o céu.

Chego em Villach e, em vez das duas horas que eu teria para a baldeação, tive uma hora só (por conta do atraso do ônibus). Chegando na estação de trem, fui comprar um bilhete para Bled. E o cara me avisa: "olha, eu estou te dando um bilhete de trem, tal... aber dies ist kein Bahn. Sie müssen denn ein Bus aussen nehmen. Verstehen Sie?"

Você está de brincadeira, né? Tipo, acabaram com os trens na Europa e substituíram TODOS por ônibus? HOJE. É isso?

E lá fui eu pegar o tal ônibus. Esse foi até Rosenbach, uma micro-cidade já bem pertinho da fronteira com a Eslovênia. Lá, todo o pessoal desceu do ônibus e pegou o trem que fazia o resto do trajeto, passando por toda a Eslovênia e indo até Zagreb, na Croácia. Meia horinha a partir de Rosenbach e finalmente cheguei em Lesce, na Eslovênia, onde o dono da Penzion onde o Respectivo e eu ficamos já estava me esperando, de carro.

Ou seja, a idéia de ir para Veneza e, de lá, para Bled até que foi boa, já que eu dispunha de seis horas para ficar em trânsito para rodar míseros 173Km! Esperto foi o Respectivo, que voou para Londres e, de lá, pegou um EasyJet direto para Ljubljana!

O tempo total de viagem dele foi de umas 8 horas. O meu? Dois dias!

Wednesday, June 30, 2010

Mixing your beautiful European oils for a still life (or, former Yugoslavia et al.)

As poucas pessoas que leem isso aqui sabem por que o blog saiu de férias. Para todas as outras, (existe MasterCard, já que meu Visa foi bloqueado*) vai uma geral do passeio pela Eslovênia, Croácia e Hungria (com paradas rápidas na Itália e na Áustria). É nessas horas que a vida acadêmica compensa: o trabalho do Respectivo nos deu uma boa desculpa para aproveitar as férias no Leste Europeu.

E todas as fotos foram tiradas por moi: a fotógrafa pode não ser lá essas coisas, mas as paisagens ajudam.

[*uma outra história, que deverá ser contada em outra ocasião.]











Wednesday, June 9, 2010

Eurochild

Para aqueles que ainda passam por aqui, um aviso: o blógue está de férias, na Europa.

No final do mês, histórias sobre viagens por três países - e três línguas! - em um dia, donos de pousadas solícitos, donos de restaurante extremamente bêbados, vilas afastadas das grandes cidades européias, e a culinária do Leste Europeu e da ex-Iugoslávia (some extra pork on my eggos, baby!).

Até lá, na svidenje!

Sunday, May 16, 2010

This is our decision, to live fast and die young (or, chronicles of a Friday night in NYC)


Yeah, I'll miss the boredom and the freedom and the time spent alone


Sexta-feira à noite: coquetéis no terraço da biblioteca (evento organizado por moi, é claro), seguido de grill e karaokê (não, eu não cantei) no terraço dos jesuítas (é sério, juro!), seguido de afterparty no Howl at the Moon e fim de noite no Michaelangelo's.

Phew, almost done!

Friday, May 7, 2010

Consolation prizes (or, hair down)

Na quarta-feira, antes do show do Shout Out Louds, tive um dia infernal, como parece ser o padrão recentemente.

No final de semana passado, meu secador de cabelo quebrou. Está certo que o nível de tragédia que isso geralmente indica não é tão grande, já que eu tenho um secador de cabelo reserva (aqui em NY, tinha um oficial e um reserva - em São Paulo, tenho um oficial e uns 3 reservas! E, acreditem, um dia todo mundo precisa de secadores-reserva!).

Só que o meu secador reserva não tem bico difusor, nem bico concentrador. É um daqueles secadores dobráveis, de viagem, tal. E eu não tenho escova redonda (daquelas de fazer escova) aqui. E eu não corto o cabelo desde janeiro, quando a cabelereira a que eu fui em Grandmaville, FL, decidiu que o meu cabelo era um playground. Enfim, o cabelo está sem corte, não tenho um secador decente, nem escova boa. Isso dá uma idéia do nível da tragédia.

Até aí, tudo bem, porque faz uns 5 anos que eu saí daquela fase de me preocupar em deixar eu cabelo perfeitamente alinhado à la Jennifer Aniston. E, para todos os outros dias, existe elástico de cabelo. Pelo menos até meu secador novo chegar (comprei pela internet - uma dessas maravilhas da Amérika).

Quarta-feira de manhã cedo, entrei no banho, lavei o cabelo e lembrei que... dentro de seis horas teria que estar em uma cerimônia de premiação na faculdade, onde eu não apenas receberia um prêmio, mas teria que apresentar outros quatro!

Já tinha separado meu vestido (um cocktail dress de seda do Elie Tahari) e minha sandália, mas tinha esquecido a juba. A solução? Bobes! Sim, resolvi adotar a tática old school. Sequei meu cabelo com o secador reserva e, para dar forma, usei os bobes.

Enquanto isso, notei que o meu vestido estava completamente amarrotado. E, acho que ainda não comentei aqui, mas meu maior medo em me mudar da casa dos meus pais não foi lavar louça, fazer comida, tal - isso se resolve. Meus maiores medos eram: lavar roupa (parcialmente superado - embora, confesso, às vezes compro roupas novas para não ter que lavar roupa tão cedo!) e passar roupa. Não é que tenha horror a passar roupa (tenho horror, isso sim, a lavar roupa): eu simplesmente não tenho a menor habilidade e tenho um pavor eterno de queimar minhas roupas.

Mas que fique registrado: eu tenho dois ferros de passar roupa (igual ao secador de cabelo: um oficial e um reserva), mas não sei usar nenhum!

Liguei para a mamãe para dar os parabéns a ela (aniversário...) e aproveitei para perguntar se eu podia passar seda - e como fazer. Entenda a cena: eu de roupão e bobes no cabelo, munida de um ferro de passar roupa. Trágico.

Ok, tentei passar o vestido. Primeiro do avesso. Sem bons resultados: o forro do vestido ficou lisinho, uma maravilha; e a frente continuava parecendo que tinha sido atropelada por um trem. Virei do lado certo e me arrisquei. Tá, ficou decente. Acho que o que de fato aconteceu não foi que eu consegui alisar o vestido - mas, sim, que passei tanto tempo olhando para ele que acabei me acostumando com o amassado.

Tirei os bobes, me vesti e... ok, os bobes funcionaram até que bem (virei fã!), mas a parte da frente do cabelo estava tão amassada quanto o vestido. Era hora de usar armas extremas: a chapinha!

Pasmem: chapinha eu só tenho uma (aqui em NY - porque em SP eu tenho duas... Ha!), mas também não sei usar direito (especialmente porque meu cabelo geralmente tem aquele visual natural de "grudado na cabeça", tornando a chapinha completamente dispensável). Só tenho a chapinha para essas situações de emergência do tipo: tenho uma reunião de manhã cedo, acordei atrasada e meu cabelo parece que saiu diretamente de um filme com a Molly Ringwald.

Completa falta de habilidade com o equipamento - porque tenho medo de queimar meu cabelo ou minha testa (como via minhas coleguinhas fazerem no colegial: chegavam na escola com aquela faixa queimada na testa - não precisava nem perguntar o que tinha acontecido...). Consegui consertar a parte da frente do cabelo com danos mínimos (ok, queimei um pouco um teco da orelha, mas eu tenho uma planta Aloe vera em casa, que deu jeito na coisa rapidinho, sem deixar a marca de colegial-de-cabelo-ruim).

E bora começar o dia. Primeira parada: Union Sq. Logo depois: cerimônia de premiação.

As fotos trágicas da cerimônia devem estar disponíveis em breve (aí eu coloco o link aqui). Enquanto isso, fica registrado meu prêmio, para atestar que grau de escolaridade não tem nada a ver com sabedoria prática:

Thursday, May 6, 2010

If you think I'm slowing down, no, I'm not slowing down

A foto de qualidade altamente questionável (como de costume) é do show do Shout Out Louds, de ontem.

A banda de abertura foi Freelance Whales, que, supostamente, é a nova futura-banda-mais-legal-mas-fadada-ao-esquecimento-e-a-um-grupo-de-fãs-que-vão-atrás-de-tudo-o-que-é-pseudo-cool. Não, eles não são do Brooklyn. Against all odds, eles são do Queens(!).

Pegamos só o fim da banda de abertura, apesar de termos chegado lá cedinho. É que o irmão do Respectivo, que estava nos acompanhando (assim como M., nosso querido amigo de conversas surreais) chegou, como sempre, com aquele atraso chique de uma hora e quinze minutos(!).

Mas o show principal foi fantástico! E o mais inusitado é como eu fiquei sabendo da existência do Shout Out Louds:

Não tenho paciência para ouvir rádios online, nem tempo para acompanhar revistas de música com profundidade. Todo o meu leque musical vem de dicas de amigos ou de escutar rádio. Só que aí tem o velho problema: em São Paulo, eu ouvia rádio umas quatro horas por dia, porque esse era o tempo médio que eu passava presa no meu carro em congestionamentos diários. Aqui em NY, sem carro, também não tem rádio - nem os amigos.... E aí, Bóris, comofas?

Bom, é aí que entram as novas tecnologias que tornam nossa vida um inferno, tipo Twitter.

E sigo umas pessoas que eu não conheço, mas que são amigos de amigos e que têm umas dicas boas de leitura e música. Foi numa dessas que, nos idos do fim de 2008, depois de uma ótima dica sobre o Decemberists, vejo um "tweet" com um link para uma música sensacional. Virou must-have imediato. Como não consegui baixar o álbum na hora, fiquei ouvindo South America em loop no YouTube por, sei lá, 22 horas.

Aí, finalmente consegui baixar os dois álbuns disponíveis até então. E ouvi repetidamente. Muito.

Passou.

Em janeiro, quando estava em Grandmaville, FL, recebi um e-mail da Ticketmaster me avisando que o Shout Out Louds faria um show em NY em março. Fui comprar ingressos. ESGOTADOS.

Meu coração quebrou em pequenos pedacinhos, mas ainda tinha a esperança de arrumar algum ingresso (mesmo que custando os olhos da cara) no craigslist.org. Para a minha sorte, uma semana depois, a Ticketmaster adicionou um show, dia 5 de maio, no Webster Hall. E cada ingresso estava custando... US$ 22.50! Comprei na hora!

A única música que eu queria muito ouvir e que eles não tocaram foi Time Left for Love, mas, de resto, foi um dos melhores shows ever! E, apesar de ter me desapontado um pouco quando descobri que os violinos de South America são, na verdade, feitos por um sintetizador, tenho uma coisa imporante a dizer: a menina que toca o sintetizador kicks some serious ass!

Além disso, eu nunca vi uma casa de shows com um som tão bem balanceado e nítido quanto o Webster Hall - nem o Radio City Music Hall. E, para deixar tudo muito melhor, eles abriram com 1999 e fecharam com Walls. I never wanted this to end.

Sunday, May 2, 2010

We've got the vision, now let's have some fun


A banda aí na foto é o MGMT. O local da foto: o campus aqui da faculdade. Pois é, depois de U2, Guster e Ghostface Killah (bandas que fizeram show no campus nesses meus quase 3 anos aqui), MGMT.

Foi um dia longo: acordei em um horário desumano para poder estar no South Bronx às 7h00 (sim, da manhã!) para um trabalho voluntário (mais sobre isso depois), e depois show do MGMT, seguido de jantar na casa de D. e S.

A vantagem dos shows na faculdade é que rola pouca gente e comida - muita comida. Convidei A. (que mora no East Village) e A. (que mora no Brooklyn), ambos que conheci por intermédio da Clarita, para virem aqui para o show também. Eles se divertiram com a comida - e bem mais que eu, com minha misofobia, que não permite tocar comida que foi exposta para as massas (massas de estudantes de graduação com higiene pessoal questionável). Foi bom porque pude roubar as fotos deles, já que nunca consigo tirar fotos decentes.

MGMT é uma banda extremamente inconsistente, e o show teve muitos altos e baixos (altos, no caso, só Electric Feel, Time to Pretend e Kids...), mas aqui na esquina de casa, de graça, e em um lindo dia de sol, por que não?

Monday, April 26, 2010

Very loud (or, wear the clothes your friends do)

Já comentei minhas paranóias em relação a "alimentos éticos" por aqui; agora é hora de expandir sobre a obsessão.

Como eu disse, não trabalho com boizinho e porquinho espancado. Nem com salmão piolhento deformado. Aí, a pessoa tem que ir ao Whole Foods e gastar todo seu pobre dinheiro para comer. É, só que vivendo de bolsa de estudo, nem se eu, de fato, gastasse todo o dinheiro que ganho, não conseguiria comprar comida para o mês no Whole Foods.

Mas tem solução: Trader Joe's. Vou lá uma vez por semana para me abastecer do proteína sem crueldade e outras coisas, como grãos não geneticamente modificados. Porque, olha, milho transgênico é um negócio muito do mal (mas essa é outras história, que deverá ser contada em outra ocasião - ou buscada no Google).

E o Trader Joe's é legal. O pessoal que trabalha lá é legal. As coisas têm preços razoáveis, e todas essas coisas bonitas. Mas é lotado. Raramente se passa menos de 40 minutos na fila. Mas, sei lá, acho que vale a pena assim mesmo.

Mas, como o Trader Joe's é um mercado alterna, sempre tem aquele pessoal bem alterna. Não só os hipsters do Brooklyn com seus jeans impossivelmente apertados e chapéus esdrúxulos, mas tem também a galera com síndrome de Woodstock: aquele pessoal já meio velho demais pra ser hipster, mas que tem uma alma incorrigivelmente alterna. E aí tem as pessoas que são assim e vão além. Muito além.

Tipo essa pessoa, vestida de tie-dye dos pés à cabeça (literalmente!). O que vocês não vêem na foto é que o rosto dela também estava pintado - com tinta fluorescente! Em padrões tie-dye. Muito sério isso.

Mas o fato de que eu faço compras cercada de gente desse tipo provavelmente diz mais sobre mim do que sobre essas pessoas... Oops!


(foto tirada com meu pobre Blackberry™)

Sunday, April 25, 2010

Meat is murder (or, not!)

Sexta-feira, como previsto, foi um dia looooongo. Como o Respectivo bem notou, acho que foi o único dia que eu passei em NY em que eu tomei café da manhã, almocei e jantei fora de casa. Para ser mais exata, saí de casa às 8h30 da manhã e só voltei às 22h30!

Primeiro, negócios. Tomei café da manhã na Union Sq., porque tive uma reunião na 5a. Avenida, lá perto. Depois, pausa para um pouco de trabalho (pseudo)intelectual na Starbucks antes de ir para o SoHo para um "almoço de negócios" - no Aquagrill, onde eu comi uma salada divina, temperada com azeite trufado e com um filé de mahi mahi (dourado do mar). Espetacular.

De lá, metrô para o Bronx, para ir para minha aula. Saindo da aula, encontrei S. e mais duas meninas que estudam comigo e fomos para o Upper East Side, jantar em um resturante orgânico/vegan. A idéia (que vai continuar com acento até eu superar o trauma) era ir ao Candle 79, mas, como o restaurante estava über-lotado, fomos à sua versão menor, o Candle Café, na 3rd Ave., entre a 74 e a 75.

Apesar de já ter ido a restaurantes vegetarianos, tanto no Brasil quanto por aqui, nunca tinha ido a um restaurante vegan. Não sou vegetariana e, na verdade, sou bem eclética nos meus gostos culinários, como alguns já devem ter percebido. Mas tem uma coisa: não trabalho com proteína não ética. Isso significa que eu não trabalho com frango empilhado (ou nenhum tipo de frango, na verdade), ou vaquinha e porquinho espancado. Compro carnes orgânicas, de bichinos alimentados com grama em vez de ração, sem hormônios, e com certificados anti-crueldade. Aves, de jeito nenhum. Frango e peru são coisas que eu não gosto nem de ver. Odeio tanto que, se tenho que mudar as coisas de lugar na geladeira ou no freezer e o frango do Respectivo está no meio do caminho, me armo com máscara e luvas de vinil antes de sequer tocar na embalagem do frango. Sério. Pode parecer obsessão, mas frango causa um sem-número de doenças, especialmente em quem não foi criado comendo frango (meu caso). Mas, enfim, tem muito mais coisa sobre isso por aí no mundo (vá ler Eating Animals, por exemplo - que, além de tudo, é um livro bonito).

De volta ao meu jantar. Como nós quatro chegamos ao restaurante quase uma hora antes do horário para que tínhamos feito a reserva, esperamos no bar. Detalhe: o bar é um bar de sucos e vitaminas (smoothies). Tomei um suco chamado carrot apple snap, uma mistura de cenoura, maçã e gengibre. Uma delícia, mas merecia uma pedrinhas de gelo.

Logo que sentamos, mortas de fome que estávamos, pedimos uma entrada, a quesadilla. Qusadilla tem queijo, né? E o restaurante é vegan. E aí, comofas? Bom, vamos à descrição do prato: tortilla de trigo integral, com purê de feijão, legumes grelhados e queijo de tapioca. Com salsa e guacamole. Tá, a descrição pode parecer meio estranha, mas é uma das coisas mais gostosas que eu já comi. Prometo.

O meu prato principal foi o Jamaican wrap, especial do dia. Um wrap recheado com basmati amarelo, feijão, tofu defumando e batata doce. Estava muito bom, mas a batata doce era aquela batata doce americana, bem cor de abóbora. E, bem um dos poucos legumes com que eu não trabalho é abóbora. Olhar a batata doce daquela cor foi me dando naúsea. E, além de tudo, a batata doce estava temperada com alguma coisa que não agradou meu paladar. Tive que deixar essa parte de lado e comer a parte do tofu, arroz, tal.

É, o prato principal me desapontou um pouco. O tofu defumado estava ótimo, mas a batata doce estragou o prato. As porções são enormes, e eu tive que trazer meio wrap de volta para casa (almoço de sábado). O serviço também deixa um pouco a desejar. Embora o maître e as garçonetes tenham sido mega atenciosos, dois dos nossos pratos ficaram prontos muito antes que os outros dois. Eu e S. ficamos olhando para os nossos pratos (e, quando começamos a comer, eles estavam ligeiramente frios) enquanto o prato das outras duas não chegava... e esperamos uns bons cinco minutos! Esse é o tipo de falha que eu geralmente não tolero em um restaurante. Até perdôo (o trauma da reforma ortográfica persiste) a batata doce, mas o timing é uma das coisas que estragam minha refeição.

Mas foi bom assim mesmo. Agora nós vamos tentar explorar outras opções vegan por aqui (S. e as outras duas meninas são vegetarianas/vegan). Vamos ver no que dá. Eu super topo explorar culinária vegetariana boa - mas eu como meu linguado ou lombinho no dia seguinte, sem dúvida.

Wednesday, April 21, 2010

The Life Pursuit (or, an everlasting week)

Na quinta-feira passada, eu previa que essa semana seria infernal. Eu sabia. Na segunda-feira, assim que acabei de tomar café da manhã, me perguntei se a semana ia acabar logo. E ela mal tinha começado. Coisa boa não viria.

Tudo começou na sexta-feira, quando, no final da tarde, eu fui a uma palestra de um workshop legal que estava rolando na faculdade. Como eu tinha recentemente lido os manuscritos do pessoal que ia apresentar os trabalhos, parecia fazer sentido ir ao evento. Além disso, quem estava organizando a coisa era um professor meu. Ele encorajou os alunos (somos 7, no total) a ir assistir às palestras e depois ir jantar com os palestrantes em um restaurante grego no Upper West Side, Kefi.

O jantar foi pouco interessante, porque o objectivo era que nós conhecêssemos os palestrantes e discutíssemos os manuscritos (a que tivemos acesso privilegiado) com eles. Só que o pessoalzinho (os alunos, no caso), não entendeu a brincadeira. No final das contas, quase todos os alunos (incluindo eu) ficamos sentados em uma mesa, enquanto os palestrantes sentaram-se na outra. Ou seja, tive que ficar tendo conversas de elevador com pessoas muito pouco interessantes. Gênio. A coisa começou bem. O ponto alto da noite foi o vinho. Tomamos uma garrafa de Domain Mercouri (safra 2005), um vinho grego com notas bem fortes de cassis.

Sábado não foi tão diferente. Exceto pelo fato de que não teve jantar - nem vinho. Palestras o dia inteiro. E cheguei em casa morta de cansaço.

Domingo foi meu dia "de folga", o que significa que eu fiquei trabalhando (em casa) praticamente o dia inteiro. Pelo menos o dia me rendeu progresso considerável em um artigo que comecei a escrever recentemente.

Aí chegou a segunda-feira. De volta a Manhattan. Dessa vez, outro evento. O evento mesmo seria só na terça. Mas na segunda à noite teve o jantar de abertura para convidados (organizadores, palestrantes, benfeitores da faculdade... e eu). Foi um jantar super formal - e eu era a única "civil" em uma mesa com banqueiros e membros de alto calão da agência americana de proteção ambiental. Claro que fiquei super à vontade. E dessa vez, o vinho era só razoável.

Cheguei em casa (depois daquela meia hora deliciosa no metrô) lá pelas 22h30. Aí, quando deito na cama... o maior cheiro de gás do mundo! Já tivemos uma outra situação com gás aqui no meu apartamento (outra história, e deverá ser contada em outra ocasião), então, deu um pouco de pavor.

Abrimos a janela, fechamos a posta do quarto, colocamos uma toalha na fresta no chão e fomos dormir no outro quarto. Depois dessa comoção toda, obviamente não dormi muito bem.

Mas na terça-feira, tinha que acordar às 7h30 para poder voltar ao Upper West Side para o tal evento. Delícia. 8h15 em ponto pego o metrô, depois de me permitir chegar ligeiramente atrasada, às 8h40. Passada rápida na Starbucks para um chá (vanilla rooibos) e bora ver o que o pessoal da agência de proteção ambiental tem a dizer. Tá, só aguentei até a hora do almoço. Peguei o metrô de volta. Passei em casa rapidinho e fui para o meu escritório - a minha uma hora preferida do dia (sem ironia nenhuma - sad but true). E lá fui eu para minha aula de bioética, discutir terapia genética (minha genuda parte preferida do dia, porque os debatedores deixam um pouco a desejar). Aí, cheguei em casa lá pelas 20h30, achando que o dia tinha, finalmente, acabado. Quanta ingenuidade! Ainda recebi uma ligação über importante, que deixou o resto da minha semana ligeiramente mais atarefada. E viva!

Previsão para o resto da semana: quarta-feira à tarde, Union Square; à noite, apresentação na inauguração da nova série de eventos que (hopefully) vou conseguir promover com mair regularidade a partir de setembro; quinta-feira: aula seguida de reunião, seguida de ação visual/trabalho de divulgação de outro mega-evento (detalhes em um futuro próximo); sexta-feira: reunião em Manhattan (Soho), escritório, aula.

Acho que já perguntei isso, mas... quando é que essa semana acaba, mesmo?

Sunday, April 18, 2010

Through the side streets and the alleyway (or, Harlem)

E só para acabar com essa fantasia que as pessoas têm (se é que elas ainda têm alguma fantasia desse tipo depois de ler alguns dos meus posts mau-humorados) de que morar em NY é essa coisa tão 'glamour':

Três anos morando no Bronx e, apesar das estatísticas apontarem para possibilidades catastróficas, nunca me aconteceu nada de violento por aqui, exceto quando as pessoas me irritam e eu ameaço atacá-las.

Mas aí o Harlem aconteceu. Todo mundo fala que o Harlem é legal, que é o novo hype e tal. Principalmente desde que o Bill Clinton instalou seu escritório lá. É, mas a coisa não é bem assim.

Voltando da minha ótima (embora congelada) viagem a Chicago, peguei o ônibus M60 do La Guardia até a 125th St./Harlem, de onde eu tomaria o trem para a faculdade, onde tinha que estar, prontamente, às 17h15. Do ponto do ônibus até a estação de trem é mais ou menos meio quarteirão. Pertinho mesmo. E eu só tinha uma malinha de mão, portanto, o trajeto seria tranquilo, certo? Seria, se não fosse a chuva torrencial que caía na hora em que eu saltei do ônibus. Mas tudo bem. Simplesmente me conformei com o fato de que eu ia chegar pingando, congelando. E vambora!

Fui andando, passei em frente a uma deli, ao Popeye's e - bam! - levei uma cotovelada master no braço! E, olha, tem muita coisa que eu não sei na vida, mas isso eu sei: foi de propósito. O cara passou, me deu uma cotovelada-monstro à la jogo de futebol americano, e continuou andando, como se nada tivesse acontecido!

É claro que eu xinguei de volta. Muito.

Aí, chegando na estação de trem, tinha um posto da polícia. Entrei lá só para deixar o recado: "Então, pessoal, eu sei que está quentinho e seco aqui dentro - e que lá fora está frio e molhado - mas, sabe... tem um pessoal aí fora dando socos gratuitos nas pessoas, tal. Eu sei que vocês são policiais e que devem ter outras coisas hiper importantes para fazer (tipo jogar gamão - que eu pensei, mas não falei), mas tem violência aí na rua, tal."

Bom, como a polícia é americana, não a PM do Rio, eles ofereceram me levar ao hospital, me dar água, e o escambau. Obrigada, mas não é para tanto... Está certo que não foi culpa da polícia, mas rolou um momento descontrole por conta, talvez, de eu estar ensopada e carregando uma mala!

No final das contas, o policial me disse que aquela região é assim mesmo (como se eu não soubesse!) e tem vários casos de coisas do tipo porque tem uma clínica para recuperação de viciados em metadona ali ao lado, e vez ou outra sai um de lá com crise de abstinência. ("Ah, então tudo bem, né?!")

Mas esse cara que resolveu brincar de futebol americano comigo não estava com a menor pinta de viciado em metadona (sem estereotipar, mas acho que eu saberia distinguir um cidadão pseudo-inocente de um viciado em metadona!). Acho que era só o costumeiro New York way: para lembrar que a gente voltou para "casa".

Thank you, New York! Surely feels like home.

Thursday, April 15, 2010

Thursday doesn't even start

Para aqueles que ainda não entenderam o conceito "pork on my eggos", vou explicá-lo com um exemplo (já que não sei desenhar...):

Hoje, eu acordei às 7h50 da manhã, logo antes de o alarme tocar (às 8h00), para poder ler uns textos pra pior aula que um ser humano pode ter na vida. Dormi muito, muito mal, porque o Respectivo estava com insônia e ficou vagando pelo apartamento, o que causou que meu sono fosse interrompido a cada uma hora e meia, no máximo, com barulho de gaveta abrindo, gaveta fechando, passos, maçaneta abrindo, maçaneta fechando, etc. Acho que deu pra entender.

Acordar logo antes do despertador é um negócio meio brutal para começar o dia, mas resolvi não estressar.

Aí, queria ir ao banheiro, né? Aquela coisa, você acabou de acordar, tal... Só que o Respectivo estava tomando seu banho de meia hora. Ok, força pra esperar.

Finalmente, viva!, pude ir ao banheiro - para só aí descobrir, na hora de dar a descarga, que o vaso sanitário estava entupido, ou estressadinho, sei lá. Até aí, tudo bem. Saquei o desentupidor para resolver o processo. E nada.

Quarenta minutos depois (tendo já sida derrotada a minha idéia de acordar mais cedo para ler), eu me ensopei de água contaminada de micróbios e finalmente desentupi o raio do vaso sanitário. - E fui direto para o banho (misofobia, oi?).

Depois, o Respectivo veio reclamar da gaveta de gelo do freezer, que estava trans-congelada (i.e. trasnbordando com gelo, o que forma uma mega placa de gelo que não nos permite ter gelo nenhum: nem em cubos, nem picadinho). Como rola uma falta de habilidade, lá fui eu arrancar a gaveta de gelo à força e desligar o botãozinho da geladeira que aciona o processo de fazer gelo automaticamente. Parece fácil, mas eu juro que não é. E se você duvida, vem aqui tentar, espertinho!

Aí, tomei café da manhã e fui ler os tais textos malditos (malditos e dementes!). Assim que acabei de ler, saí correndo para poder chegar a tempo na Aula do Inferno. A Aula do Inferno é sempre, por definição, uma mistura de aula em temperatura ambiente desagradável (sempre muito quente, ou frio demais), um grupo de idiotas que falam demais, e alguns grunhidos que seriam engraçados não fossem trágicos, emitidos pela Voz da Sabedoria que dá a aula. E dura duas horas.

Saindo de lá, fui para meu escritório. Tá, meu trabalho é até legal. Dele eu não reclamo, a não ser quando eu tenho que lidar com burocracia. Que nem hoje. Alguns formulários depois e... viva! O meu plantão de uma hora (ufa!) acabou!

Aí, tinha uma reunião, onde tive que me esforçar para ser diplomática e não falar mal da Voz da Sabedoria que dá a Aula do Inferno para o cara que me perguntou o que eu estou achando dela. Mais algumas burocracias resolvidas e...

Hora de voltar pra casa!

Qunita-feira é meu dia de fazer o jantar, porque é o dia em que o Respectivo dá aula. Pelo menos nas habilidades culinárias (embora limitadas) eu me garanto! Aí, o Respectivo chega em casa com mais uma tarefa para mim, já que, como é lenda aqui no Bronx, eu sou especialista em tirar manchas de roupas (sim, sou Omo!): uma calça jeans 1/3 coberta por resina de árvore! (é, ele resolveu dar aula ao ar livre, no gramado da faculdade - e sobrou pra mim!) Ah, essa é fácil: qualquer produto a base de óleo ou álcool. Mas óleo ia manchar a calça, e depois eu ia ter que tirar a mancha do óleo, então, vamos com o álcool.

Uma garrafinha de álcool depois, o jeans agora está apenas 1/5 coberto por resina de árvore (o que não é lá muito progresso...) mas agora a resina removida está inteira nas minhas mãos. E eu estou digitando isso com meus dedos grudados. Vocês deveriam tentar! É uma delícia! (not!)

Enfim, se você ainda não entendeu o conceito, você é um idiota. Nesse caso, eu recomendo a Aula do Inferno. E boa quinta-feira!

Wednesday, April 14, 2010

Burning the witches with modern religions

Acabei de receber um e-mail da Amazon. Eles têm aquele jeito freak de fazer recomendações de livros e outras coisas, que às vezes dá medo. Dá medo porque eu sempre abria os e-mails e via que eles sempre, sempre acertavam. O assunto do e-mail que recebi hoje era: "Build Your Bible Library".

A mensagem começava assim:

As someone who has purchased Christian books from Amazon.com, you might like to know about this featured selection of Bibles, which includes King James, Catholic, and study Bibles, as well as Books of Common Prayer. Whether you're looking for a present for a loved one, a personal Bible or a way to further your religious studies, explore...

É. O pessoal não entendeu o espírito da coisa. Isso se chama "pressuposição". E é um erro comum; então, você está perdoada, Amazon. A não ser que você esteja veiculando minhas informações pessoais para as testemunhas de jeová. Ou confabulando com elas. Agora fico imaginando se o sistema deles entraria em parafuso se eu comprasse um livro do Richard Dawkins. Hmm...

Thursday, April 8, 2010

And when it comes, always too late (or, I sometimes miss some people)

Na quarta-feira à noite, o Respectivo e eu fomos jantar (hmmm! Comida mexicana!) com um amigo nosso, que andava sumido há um tempão. Aí eu lembrei porque às vezes dava tantas saudades dele. Um trecho do diálogo:

Ele:
Eu odeio o pós-estruturalismo. É a coisa mais idiota que há. Um cara vai, e nota que o mundo está em crise. Aí, ele vai e escreve um livro reclamando de tudo e de todos, reclamando da vida... Ah! Genial!

Eu:
É. Reclama, reclama, e depois se joga pela janela!

Ele:
Pois é! Tenta vender essa coisa de desconstrução, crítica social... E se acha melhor que todo mundo, porque enxerga o mundo com esse lente pós-estruturalista. Se acha melhor e se mata! É, acho que não, cara. A gente não vê o Buda se matando por aí, vê?

É. Algumas vezes au até gosto das pessoas...


Tuesday, April 6, 2010

Monday, you can hold your head

A pessoa nota que sua vida se tornou absolutamente patética quando bate aquela revolta porque a TV a cabo resolveu não transmitir nenhum dos programas a que ela assiste na noite de segunda-feira.

Mas explicando melhor: não trabalho com televisão. Notem, quando a minha super TV LCD de 37" (que só é tão super porque o Respectivo insistiu, por conta do PlayStation 3) ficou com a imagem limitada a 3 tons de verde, minha reação foi bem à la Charlie Brown (mas que puxa!). Não trabalho com televisão, mas assisto a dois ou três programas semanais, religiosamente. Todos na segunda à noite.

Aí, veio a March Madness com seus jogos de basquete super supimpas e esculhambou com a programação da segunda à noite, por conta da final do campeonato (e porque eles precisavam passar um especial de duas hores de 24!!, que é, de longe, o pior que a TV a cabo tem de oferecer).

A vantagem é que o Respectivo e eu assistimos a um DVD informativo que estava pendente, e vimos um pouco do jogo (eu: a contragosto). Mas o ponto alto da noite foi o pouquinho que vimos de Family Guy, em que eles apavoraram com as testemunhas de jeová. Estava na hora!

Aí você fica na dúvida se sua vida é mais patética porque os programas a que você queria assistir (e que completam a sua segunda-feira) não estão sendo transmitidos - e isso arruina sua noite -, ou porque você fica feliz por ter visto um outro programa aloprar com a seita que te persegue. Ah, os pequenos prazeres da vida!

Sunday, April 4, 2010

March (Museum) Madness

Retrospectiva do mês de março em breve. Porque enquanto rolava a March Madness por aqui (go Green!), e todo mundo assistia a jogos de basquete, eu fui a todos os museus e exposições de arte a que tive direito. Mas os detalhes vêm depois. Por enquanto, fica o teaser.

Na foto: Grandmaville, Flórida.

Friday, April 2, 2010

Chicago bites

Conforme prometido, os highlights gastronômicos de Chicago:

Fui lá almoçar com o pessoal da conferência. O masaman curry é ótimo. E dá para escolher o quão apimentado você quer, e o tipo de carne (frango, carne de vaca, porco, ou tofu). Baratinho e ótimo.

O banquete da conferência foi nesse restaurante etíope. Ao contrário do etíope a que eu fui em Pittsburgh, esse restaurante é enorme. Tomei uma cerveja etíope (Bedele), e eles até tinham Xingu!! A comida estava espetacular. É difícil de descrever, porque os pratos são bem peculiares. Mas tinha couve - bem temperada com alho. Um espetáculo.

É um lugar para brunch. Sen-sa-cio-nal! Destaque para: Chai tea French toast, i.e. french toast com infusão de chai, recheada de ricota, com uma redução de chai com caramelo e maçãs. Ah, e o bacon também é delicioso. Tem vários endereços. Eu fui no que fica pertinho da Fullerton.

Pizza "deep dish", também conhecida como "Chicago-style pizza". É bem diferente da nossa pizza no Brasil, a pizza na Itália, ou isso que eles chamam de pizza em NY. Essa pizza é: massa-queijo-massa-molho de tomate. Pois é. O queijo (e o resto das coisas: cebola, pimentão etc.) fica entre duas camadas de massa. Parece estranho, mas é uma loucura de bom.

5) Rhapsody (foto)
Pertinho do Art Institute of Chicago. Ao lado da Chicago Symphony Orchestra. Mas o lance não é só a localização. O chef, Daniel Romero, é formado na Cordon Bleu de Londres, e trabalha com a nova culinária americana. É um restaurante da categoria caro-de-morrer, mas o almoço é delicioso e fica muito mais em conta que o jantar. A vista para o pátio é linda. No verão, imagino que seja ótimo sentar do lado de fora. Ah, e só pra completar a lista, o Rhapsody foi eleito um dos melhores restaurantes pelos clientes do OpenTable.

A vantagem desse é que é pertinho da casa do Das. E está em todos os guias gastronômicos de Chicago. A decoração desse café-restaurante é uma gracinha. E, embora o serviço não seja lá dos mais rápidos, tudo o que sai da cozinha parece delicioso. Uma boa opção para café da manhã. Ah, e eles têm chá a granel!

Se alguém que lê isso aqui for a Chicago, vá a todos esses. E mais. Se estufe de comer, se necessário, porque vai valer a pena. Eu prometo. Se você não tiver muito tempo (se for passar só um dia, por exemplo), vá pelo menos a um desses. Minha recomendação? Escolha o Orange. Porque tem vários endereços e é bem fora do comum. Mas coma deep dish pizza em algum lugar. É uma experiência de vida.

Such great heights (or, the Windy City)

Conferências são desculpas ideais para a gente viajar para conhecer lugares e visitar amigos.

Dessa vez, fui para Chicago, participar da Brennan Conference, na Loyola University - Chicago.

Teve festénha da faculdade na sexta à noite aqui em NY, então, tive que ir pra Chicago só no sábado, de manhã cedinho. Do O'Hare, fui direto para a Loyola University, e apresentei meu trabalho logo antes do almoço.

Depois, fui aproveitar o resto do fim de semana prolongado com o Das, que agora está morando em Chicago, no Lincoln Park.

Coisas sobre Chicago: fez frio. Muito frio. Foram três dias congelantes e um suportável. Come-se muito, muito bem em Chicago (em breve, acrescentarei um post com mais sobre a gastronomia de lá). E, claro, tem a Sears Tower (que agora se chama Willis Tower), o prédio mais alto dos EUA. Lá do alto, dá pra andar por cima da cidade, como eu fiz (aí na foto).

A vantagem que Chicago tem sobre Nova York, a Cidade do México, e Grandmaville (FL), é que eu (pasmem!) não fui perseguida por testemunhas de jeová. E viva!

Monday, March 15, 2010

Chased by... I don't know what (or, again, the jehova's witnesses)

Um post rápido, só para não falarem que eu sofro de paranóia, mania de perseguição, tal.

Eis que fui passar o Spring Break na Flórida, com a família do Respectivo. Estou lá, maior vida boa, curtindo a falta de sol e tudo o que a Grandmaville tem a oferecer quando não está sol (i.e., nada!).

Em um dado momento, todo mundo sai de casa e eu fico lá, tranquila, lendo meu livro, na sala.

Aí, eu olho em direção à rua, para ver se o sol já tinha saído. E vejo alguém, de terno, parado perto da porta, a ponto de tocar a campainha. Abro a porta para ver do que se trata: "Só queria entregar isso aqui e convidá-la para vir ao nosso evento, no mês que vem. Está tudo aqui no folheto. Dê uma olhada."

Querem saber qual era o folhetinho?

Uma variação do Watchtower, com convite para ir a um evento sobre a busca por Deus. Pois é. Eles me acharam de novo! Desta vez, em Grandmaville, FL. E atacaram bem na hora em que não tinha mais ninguém em casa. MEDO!

Quando eu contei pro Respectivo, ele só acreditou porque eu tinha o folhetinho pra provar.

Sério, a coisa está ficando complicada. Se eles me acharem novamente nos próximos dias, juro que vou até lá reclamar com alguém e acusar esse pessoal de pacto com o Demo!

Thursday, March 11, 2010

The flying club cup

Fui fazer o check in online para o meu voo de NY para Ft. Myers, FL. Spring Break! Viva!

Aí, fui olhar o que a Delta considera "special items" em termos de despachar bagagens. Acho que ninguém lê essas coisas. Mas eu leio. E me mato de rir. Leiam:

Special items include:

  • Overweight bags: Bags over 50 lbs
  • Oversize bags: Bags over 62 inches (when you total the length + width + height)
  • Baby items: Stroller, child restraint seats
  • Assistive devices: Wheelchair
  • Sporting equipment (not including golf clubs): Bicycle, ski equipment, parachute, surfboard, windsurf board, scuba tank
  • Fragile/bulky items: Saddle, antlers, Hawaiian pineapples, military duffle bags

Notem o último item: sela, chifres, abacaxis do Havaí, e bolsas de viagem. Abacaxis???? Mas só os do Havaí são frágeis. WTF?

Sunday, March 7, 2010

Winter wooksie (or, let's talk about food)

Faz tempo que eu não falo de comida. Vamos falar de comida, então.

A Clarita, minha amiga diplomata extraordinaire, sempre me manda umas pessoas queridíssimas para me entreter aqui na América. Outro dia, fui me encontrar com A., que tinha acabado de se mudar de Madri (terra de Clarita) para o Brooklyn.

Fomos almoçar no Mesa Grill, na região da Union Square. Não tinha feito reserva, mas achei que talvez déssemos sorte. E foi o caso. Se bem que, logo depois que chegamos, o restaurante lotou. E era quarta-feira!

Logo entendi o motivo: o menu é sensacional. Está longe de ser barato, mas vale cada centavo. De entrada, comi um tartare de salmão (que, acabei de descobrir, não está mais no menu). O prato principal foi o fabuloso mahi mahi grelhado, com um molho de abacaxi e cebola caramelizados, e risoto com chillis.

A sobremesa foi de matar de boa: torta invertida de leitelho com abacaxi, com calda de rum caramelizada, e sorvete de abacaxi. E olha que eu nem gosto de sobremesas com abacaxi!

Bobby Flay agora está na minha lista de chefs favoritos de NYC (que inclui, claro, John Fraser - favoritíssimo! -, Harold Dieterle e Tom Colicchio) . E, se eu soubesse que ele tinha uma filial do Mesa Grill em Paradise Island, nas Bahamas, teria almoçado lá e me livrado da falta de opções culinárias de Nassau (contos caribenhos por vir).

Oh, well.

Thursday, February 18, 2010

The Grass Is Always Greener

Quando o Respectivo e eu mudamos para nosso super apartamento, em maio do ano passado, começamos a planejar a compra da nova TV. Eu tinha uma TV grande, trombolha, e ele idem. Ambas funcionavam, tal. Mas a gente queria uma HD, para poder usar com o streaming automático do Netflix e também para ficar melhor com o PlayStation 3 dele.

Depois que voltamos de férias, compramos a TV e mandamos instalar a TV a cabo. Ok. Foi tudo bem até agora...

A nossa provedora de TV a cabo resolver nos mandar um novo aparelho de TV a cabo, um aparelho digital, que pegaria os canais HD. Como eu estava ocupada com trezentas mil coisas, lá foi o Respectivo instalar o aparelho. Não parecia nada complicado: era só conectar uns cabos, tal.

Tudo certinho. Exceto: as nossas imagens digitais fabulosas apareciam todas em 3 tons de verde! Ótimo!

A gente compra uma TV de 1080p, para assistir ao Dr. House curar marcianos? É, acho que não.

E lá vamos nós chamar o técnico. Todo um processo. Enquanto isso, a vida vai seguindo. Verde.

Saturday, February 13, 2010

I don't know much about Cinco de Mayo, I'm never sure what it's all about

Finalmente, a conclusão da novela mexicana (e o desfecho que explica como essa série de contos foi iniciada sob o pretexto da minha recente perseguição pelas testemunhas de Jeová em NY):

Depois de sobreviver ao caos respiratório da minha noite mal dormida, fui me aventurar a explorar o Templo Maior, que fica a poucos quarteirões do albergue. É lógico que eu tive que dar uma volta surreal, porque o centro da cidade estava bloqueado por conta da Maratona Internacional da Cidade do México.

Fora isso, as ruínas valeram a pena, apesar de não chegarem perto dos lugares com mais área preservada, como Chichen Itza (onde estive há uns 15 anos).

Depois, dei mais uma andada, fui almoçar na Casa de los Azulejos. No caminho de volta para o hotel, para juntar minhas coisas e ir pro aeroporto, dois acontecimentos inusitados:

1) Estou andando tranquilamente pela Av. Cinco de Mayo quando ouço gritos: "Aline! Aline!". Minha reação foi: "WTF? Tipo... estou na Cidade do México! Não conheço ninguém aqui... acho."

Quando olho, vejo que são três dos fenomenólogos que estavam em Morélia, na conferência. Como conseguimos nos esabrrar, sem nada combinado, no meio de uma cidade gigantesca, com dezenas de milhões de habitantes ainda é meio que um mistério. Mas a coisa fica mais Twilight Zone.

2) Confraternizamos, tiramos uma foto e eu segui em direção ao albergue. Até que, novamente, alguém me pára na rua:
"Excusez-moi, mademoiselle. Parlez-vous français?"
Achei que fossem turistas perdidos, em perigo. Parei e dei atenção (ingenuidade...):
"Oui."
"Êtes-vous française?"
"Non, j'uis brésilienne."
"Ben, oui? Brésil, eh? Très bien! Et vous êtes ici en vacances ou...?"
"Oui... j'crois qu'on peut l'dire."
"Avez -vous une minute?"
"Beh, pas vraiment. J'dois être à l'aéroport dans une heure, donc..."
"Bien, pas de problème. Je vous donne ce magasin, et vous pouvez le lire et le montrez à des amis."
"Oui, bien sûr. Merci."

Querem saber qual a revista que me deram? Tour de Garde, aka Watchtower, aka a revistinha das Testemunhas de Jeová. Pois é. Eles conseguiram me encontrar até na Cidade do México. Em francês (depois, eles me contaram que eram missionários vindos da África, da Guiné Francesa, se não me engano). Porque não é suficiente eles me perseguirem em NY.

Se isso não é uma conspiração internacional, então não sei o que é.
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