Wednesday, February 10, 2010

I was bright, but she was much brighter

Continuando a série "novelas mexicanas" por Aline.

Depois de toda a aventura acadêmica em Morélia, peguei o ônibus de volta à Cidade do México. Chegando na rodoviária, tomei um táxi para ir ao albergue (que é aquele pico que rico gosta de chamar de hostel porque tem um tom mais limpinho).

Para começo de conversa, não trabalho com albergue, hostel, camping e nenhum tipo de acomodação pobre do gênero. Sou viajante elistista. Não trabalho com guias do tipo "Lonely Planet". Quer viajar? Fica em hotel (ou casa de amigos, parentes etc. - porque esse pessoal serve pra isso). Não tem dinheiro pra pagar hotel? Não viaja.

Mas o lance é que eu meio que tinha que viajar. E, com a verba reduzida que a faculdade ia me fornecer (já que eles já tnham bancado outra viagem minha dois meses antes), só ia dar pra pagar duas noites de hotel 4 estrelas em Morélia. Hotel à la Hilton na Cidade do México não ia rolar. Mas era só uma noite, esperando o voo de volta para o JFK.

Fiz a reserva no Mexico City Hostel, que me foi recomendado por uma amiga que foi para lá depois que eu arrumei um trampo na ONU pra ela. A minha condição é que eles tivessem quartos individuais. Tinham. Fiz a a reserva. Uma noite ia me custar algo em torno de vinte doletas. Tudo certo.

De volta ao lance do táxi. O taxista não sabia onde ficava a rua do albergue. E eu tentando explicar (tinha visto o mapa). Depois de nos perdermos loucamente, ele perguntou se eu não podia telefonar para o albergue, pedindo informações de como chegar. "Ok, mas... veja bem: eu não tenho celular aqui." O taxista me olhou com cara de espanto: "Você não tem celular??"

**Pausa para conclusão sociológica: o fenômeno Casas Bahia deve ter chegado ao México. Taxista indignado porque passageiro não tem celular é um lance meio interessante...**

Hipótese sociológica acima não confirmada, porque o taxista não tinha celular. Maldito. Parou perto de um orelhão, para eu telefonar para o albergue. VAI VENDO!

Preciso de moedas. Ok. Mas eu só tenho notas de 100 pesos (que equivalem - vejam! - a 8 dólares). Quando notas de cem valem 8, quem é que vai carregar moedas???

Consegui achar uma nota de 20 pesos no fundo da carteira. Tentei trocar com o cara que vendia milho (!!) em uma barraquinha ao lado. Nada. Tentei outro. Ele me trocou por 2 moedas de 10 pesos ou algo assim. Liguei pro albergue e pedi pro taxista falar com a pessoa, para eles se entenderem.

A essa altura, caía uma chuva de monção na cidade, e a última coisa que eu queria era servir de intérprete portunhola para a conversa entre dois mexicanos.

Chegamos, finalmente, ao albergue. Bonitinho, limpinho, organizado, sem presença aparente de americanos baderneiros. Fui fazer o check-in (ou o equivalente). A mocinha da recepção então me informou que o quarto individual que eu tinha reservado estava ocupado por alguém que tinha ficado doente e tinha prorrogado a estada lá. Como estava doente, não poderia dividir o quarto com outros. E esse era o único quarto individual do albergue. Ai, Jesus...

Mas aí, vem a salvação: como a reserva estava feita, ela me deu a opção de me colocar em um quarto compartilhado, e eu pagaria o preço da cama, normalmente, ou manteria o preço do quarto individual, mas me daria um quarto grande, com oito camas, só para mim.

Me senti meio que tendo um blonde moment quando escolhi o quarto grande só para mim. Mas, pessoal, vamos entender a situação: albergue. Cidade do México.

E assim foi.

Achei que o resto da viagem seria sossegada, já que me restavam apenas 20 horas e já tinha passado por intervenções demoníacas suficientes. Pois é: santa ingenuidade Bátiman. (Mais por vir...)

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