Friday, February 12, 2010

I was high, but she was the sky

Ainda sobre o México:

Depois que me instalei direitinho no albergue, criei coragem pra encarar a chuva (obviamente, sem guarda-chuva), e fui fazer um pouquinho de turismo (e procurar uma boa garrafa de tequila para trazer pra NY, a pedido do Respectivo).

Depois de ter passado por quase todos os lugares turísticos do centro da cidade (com exceção do Templo Maior, que eu deixei para a manhã seguinte), fui jantar (no Café de Tacuba, fantástico) e fui me preparar para dormir. Estava exausta. Tinha andado uns bons 6Km pela cidade (depois de duas noites de tempo de sono reduzido), então, até a caminha do albergue estava parecendo ótima.

Peguei no sono em menos de dez minutos. Só que... acordei às 4 horas da manhã em um desespero surreal. Eu acordei com uma mistura de sensação de apnéia com estrangulamento. Levantei, fui para a janela e respirei fundo. Nada.

Aí, me caiu a ficha: Cubatão. Sim, estava me sentindo em Cubatão. Só que pior. A Cidade do México tem uma poluição absurda. O ar é crocante. Como esses dias estavam particularmente nublados, a densidade do ar parecia estar consideravelmente alta. Tinha que mastigar bem antes de inspirar. Mas eu não sabia bem como.

Além disso, notemos: a Cidade do México fica a 2235m do nível do mar. Só para comparar, São Paulo fica a 792m do nível do mar, Nova York, a 27m, e La Paz a 3640m (!!).

Basicamente, a sensação que eu estava tendo era a de que tinham me levado pra Cubatão (que, aliás, fica praticamente no nível do mar) e começado a arrastar Bolívia acima.

Quando me dei conta de qual era a origem do problema, vi que não dava pra fazer muita coisa a respeito. Tentei voltar a dormir para acordar em um horário mais humano. E fui imaginando que delícia seria escalar ruínas pré-colombianas nessa altidude, com esse nível de poluição, num calor brutal de 25C com umidade relativa do ar em torno de 95%.

Nessas horas, até simpatizei um pouco com os jogadores brasileiros, que reclamam quando têm que jogar em La Paz. Mas logo passou. Porque eles são patrocinaodos pela exploradora de criancinhas Nike e viajam com despesas 120% pagas (tem brinde, tal). E eu não.

4 comments:

Paulo Tiago said...

Pensei em te zoar por achar 6 km muito depois dos 20 km que eu andei no sol escaldante do Uruguay no verão, de Havaianas, mas uma coisa que me pegou... WTPorra de título de post é esse?

E ainda tem garrafa de tequila?

Aline said...

Foram 6 km de caminhada depois de 8 horas de vôo e 13 horas viajando de ônibus. 6 km é o que eu geralmente corro diariamente, mas sob essas condições, andar isso aí foi bem uma tarefa hercúlea. E para entender o título do post, use a cabeça e o Google! ;)

E é claro que ainda tem garrafa de tequila. Duas. :)

Paulo Tiago said...

Eu ainda preciso ir ver essa peça. Tá na PUC, a R$30, e eu não fui. Shame on me! Mas agora eu vou!

Aline said...

Que peça???? Oi, você sabe usar o Google??

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