Saturday, February 6, 2010

Oh baby, I was bound for Mexico

Bom, já que eu mencionei minhas aventuras mexicanas no post anterior, vamos aos contos mexicanos...

É. Lá pro final de setembro de 2009, fui-me para o México. Fui apresentar um trabalho no V Coloquio Latinoamericano de Fenomenología.

O evento era em Morélia, que é uma cidade histórica, meio à la Paraty. Voo para Morélia? US$750. Voo para Cidade do México? US$300. Ser uma estudante com verba limitada? Sem escolha.

O plano: voo JFK-MEX, saindo de NY às 9h da manhã (i.e. saindo de casa às 5h da manhã eu teria uma boa margem de erro com o metrô e tal). Chegada na Cidade do México por volta de uma da tarde (horário local). Táxi para a rodoviária (meia hora). Ônibus para Morélia (aproximadamente 5 horas). Tempo total estimado de viagem: 11 horas. E viva!

O melhor de tudo é que parte do plano incuía uma viagem de ônibus de 5 horas. No México. Está imaginando o problema?

Minha imaginação foi às tampas da hipérbole. Logo imaginei aquele esquema ônibus intermunicipal no Nordeste: galerinha viajando com fogão, geladeira, galinha, porquinho da Índia e afins. Pâ-ni-co. Mas como a conferência era importante, o negócio era encarar com aventura. À la Bear Grylls.

Detalhes? O voo para a Cidade do México (voei de AirMexico) foi bem decente. Não é à toa que a AirMexico é considerada uma das melhores companhias aéreas da América Latina. Lembra como era o serviço de bordo da Varig nos anos 80-90? Mais ou menos isso. Comidinhas, bebidinhas, aeromoças simpáticas. De verdade. O único problema do México, de fato, é estar cheio de Mexicanos. Porque, de resto, o país surpreende.

Bom, o voo chegou no horário. Peguei um táxi para a rodoviária. Eu já tinha recebido informações bem específicas de que táxi pegar. E também para pedir ao taxista que me deixasse em uma certa entrada da rodoviária, para evitar pedintes, trombadinhas etc. Imagine minha cara de pânico lendo o e-mail do cara com essas instruções.

Está certo que eu morei em SP minha vida toda, então não deveria ter medo. Mas atentemos a um detalhe: eu nunca trabalhei com transporte público em SP (com exceção da linha rica nova - amarela? - do metrô). Só peguei ônibus no terminal Tietê umas 2 vezes: para ir a Paraty e Campos do Jordão devido a incidentes de falta temporária de motorista carro. Sim, me julgue: sou esse tipo de pessoa.

Mas, voltando ao México: cheguei na rodoviária e fui comprar o bilhete para Morélia. O organizador da conferência também tinha especificado que eu viajasse apenas com uma certa empresa de ônibus. E só se fosse em primeira classe. Lá fui eu para o resto da aventura. Consegui comprar passagem para o ônibus que sairia dentro de 20 minutos, às 2 da tarde, e que chegaria em Morélia por volta das 7 da noite. Vambora. (*medo*) As passagens de ônibus, ida e volta, custaram algo como US$ 50 (o que, em pesos mexicanos, fica na casa do milhar).

A rodoviária da Cidade do México (essa em que eu estava, porque eu sei que há mais uma, pelo menos), Terminal Poniente, é uma coisa meio surreal. É bem pequena, se compararmos ao Terminal Tietê, ou ao Terminal Barra Funda. Tem uns lugares para comer, mas todos lembram aquelas banquinhas de churrasquinho de gato grego do centro de São Paulo. E eu, morrendo de fome. Tomei um picolé da Nestlé. Não rolou uma coragem para comer uma torta de carnitas.

Depois do lanchinho (e a fome persistia...) fui para a "sala de embarque". Pois é. A empresa de ônibus com a qual eu iria viajar tinha sala de embarque própria, com banheiro próprio (não queiram imaginar o que é o banheiro de uma rodoviária na Cidade do México), ar condicionado (notem: era setembro, fazia um calor dos infernos!) e água potável (i.e., água mineral engarrafada).

Aliás, para quem não sabe, no México só se pode tomar água mineral. Nem gelo genérico é recomendável aceitar, nos restaurantes. Nível Bolívia, Índia, tal. Porque até aí no Congo a gente pode arriscar um gelinho na barraca do peixe vez ou outra. Mas no México, isso só garante a vingança de Montezuma.

Por enquanto, a impressão (fora o lance da água) era até que boa: luxo.

Chegou a hora de embarcar. Entreguei minha mala pro mocinho colocar no bagageiro e fui subindo no ônibus. Na porta, tinha uma mocinha, náipe aeromoça (auto-moça?, rodo-moça?), distribuindo lanchinhos. Pois é, esse lance do ônibus era VIP mesmo. Recebi um sanduíche, batatas chips, e ainda tive opções de bebida (água mineral, suco, refri).

Entrei no ônibus. Meu assento era o de número 5, logo atrás do motorista. Ao meu lado, ninguém. Porque essa empresa de ônibus tinha seus assentos configurados num esquema um-dois. Um de um lado, e dois do outro. E mais: ônibus leito. Com televisão. E com wi-fi!

Tá, por enquanto a coisa estava indo bem:
Expectativas 0 x 1 México.

Mas calma que tem mais. Mas olha a pegadinha: to be continued... (porque tem um monte de bobo que acompanha Lost há uns 28 anos. Que mal tem acompanhar uma série de 3 ou 4 posts?É só porque tem que ler, é? Quanta preguiça, bátiman!)

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