Sunday, April 18, 2010

Through the side streets and the alleyway (or, Harlem)

E só para acabar com essa fantasia que as pessoas têm (se é que elas ainda têm alguma fantasia desse tipo depois de ler alguns dos meus posts mau-humorados) de que morar em NY é essa coisa tão 'glamour':

Três anos morando no Bronx e, apesar das estatísticas apontarem para possibilidades catastróficas, nunca me aconteceu nada de violento por aqui, exceto quando as pessoas me irritam e eu ameaço atacá-las.

Mas aí o Harlem aconteceu. Todo mundo fala que o Harlem é legal, que é o novo hype e tal. Principalmente desde que o Bill Clinton instalou seu escritório lá. É, mas a coisa não é bem assim.

Voltando da minha ótima (embora congelada) viagem a Chicago, peguei o ônibus M60 do La Guardia até a 125th St./Harlem, de onde eu tomaria o trem para a faculdade, onde tinha que estar, prontamente, às 17h15. Do ponto do ônibus até a estação de trem é mais ou menos meio quarteirão. Pertinho mesmo. E eu só tinha uma malinha de mão, portanto, o trajeto seria tranquilo, certo? Seria, se não fosse a chuva torrencial que caía na hora em que eu saltei do ônibus. Mas tudo bem. Simplesmente me conformei com o fato de que eu ia chegar pingando, congelando. E vambora!

Fui andando, passei em frente a uma deli, ao Popeye's e - bam! - levei uma cotovelada master no braço! E, olha, tem muita coisa que eu não sei na vida, mas isso eu sei: foi de propósito. O cara passou, me deu uma cotovelada-monstro à la jogo de futebol americano, e continuou andando, como se nada tivesse acontecido!

É claro que eu xinguei de volta. Muito.

Aí, chegando na estação de trem, tinha um posto da polícia. Entrei lá só para deixar o recado: "Então, pessoal, eu sei que está quentinho e seco aqui dentro - e que lá fora está frio e molhado - mas, sabe... tem um pessoal aí fora dando socos gratuitos nas pessoas, tal. Eu sei que vocês são policiais e que devem ter outras coisas hiper importantes para fazer (tipo jogar gamão - que eu pensei, mas não falei), mas tem violência aí na rua, tal."

Bom, como a polícia é americana, não a PM do Rio, eles ofereceram me levar ao hospital, me dar água, e o escambau. Obrigada, mas não é para tanto... Está certo que não foi culpa da polícia, mas rolou um momento descontrole por conta, talvez, de eu estar ensopada e carregando uma mala!

No final das contas, o policial me disse que aquela região é assim mesmo (como se eu não soubesse!) e tem vários casos de coisas do tipo porque tem uma clínica para recuperação de viciados em metadona ali ao lado, e vez ou outra sai um de lá com crise de abstinência. ("Ah, então tudo bem, né?!")

Mas esse cara que resolveu brincar de futebol americano comigo não estava com a menor pinta de viciado em metadona (sem estereotipar, mas acho que eu saberia distinguir um cidadão pseudo-inocente de um viciado em metadona!). Acho que era só o costumeiro New York way: para lembrar que a gente voltou para "casa".

Thank you, New York! Surely feels like home.

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