Saturday, July 17, 2010

A track and a train (or, Eastern Europe)

Como eu comentei no post anterior, fomos de Zagreb para Budapeste de trem. Uma loooonga viagem. O trem sairia de Zagreb às 9h00, e chegaria em Budapeste às 16h20. Delícia.

Aí, estávamos esperando o trem na plataforma, tal. E eis que para um trem com uma placa que diz "Rijeka". O meu palpite foi que o trem vinha de Rijeka e iria para Budapeste. Mas vai saber. Aí, perguntei pra um cara, no melhor do meu croata: "Budapest?" Ao que ele respondeu uma enorme conjunção de vogais e consoantes com tils (tis?) ao contrário. Ok, resolvi entender aquilo como um sim.

Entramos no trem. Na segunda classe (nosso bilhetes eram, obviamente, de segunda classe), estava a maior muvuca, à la ônibus de viagem do Nordeste (não é preconceito! Já peguei ônibus de Recife a João Pessoa, e tem galinha. Juro!). Aí, resolvemos ir pro vagão da primeira classe, até nos expulsarem.

Logo que deixamos o terminal de trem, veio aquela mocinha conferir os bilhetes. Estávamos no vagão errado. Mas não porque estávamos na primeira classe, mas sim porque aquele vagão não iria até Budapeste. Explico: o trem ia largando os vagões pelo caminho, e só o da frente faria a viagem completa até a capital húngara.

Ok, mudamos de vagão e pegamos uma cabine. E tudo iria dar certo agora, certo?

É, não.

Na parada que fizemos na fronteira da Croácia com a Hungria, os agentes de imigração entraram no trem para conferir os passaportes, tal. (Eles têm que fazer isso porque a Croácia não faz parte da União Europeia, mas a Hungria faz.) De repente, na cabine ao lado, a maior gritaria. O trem ficou parado lá um tempão, com os agentes da imigração gritando com uma mulher.

Pelo que eu entendi, ela era ucraniana, e não tinha visto para a Hungria (ou para a União Europeia, for that matter). Ela não falava húngaro, e os oficiais fingiam que não falavam inglês. Ela gritava, naquele broken English digno do Eugene Hütz (ou Alex, if you will). Os caras queriam mandar a mulher de volta pra Zagreb, pra ela poder tirar um visto, e ela alegava que ia entrar na Hungria como "cidadã em trânsito", a caminho da Ucrânia, e não precisava de visto. Depois, a conversa mudou. Ela começou a perguntar pros caras se podia comprar o visto deles. O maior rolo.

Por fim, eles arrancaram a pobre do trem e ficaram discutindo com ela do lado de fora. E foram chegando mais oficiais. Até que eram uns vinte, acho, para lidar com a situação. Muito barulho por nada, porque eles deixaram ela voltar pro trem depois de mais uns gritos.

Resultado: vinte e cinco minutos de atraso na viagem, e aquela sensação genuína de que você está no leste europeu.

Wednesday, July 14, 2010

Too late, too slow (or, I'm not from around here, you see?)


O pessoal na Croácia não trabalha muito com inglês. O que nos salvou em Lovran, Rijeka e Dubrovnik foi o alemão.

E Dubrovnik pode até ser uma cidade linda, mas não sei se vale o stress. Stress porque é praticamente impossível viajar de e para lá sem carro. E, mesmo de carro, é ultra-complicado porque só tem uma estradinha costeira, que tem um trânsito demoníaco.

Optei por fazer o trajeto Rijeka-Dubrovnik (que é de mais ou menos 420Km) de navio. Tem um tipo de mini-cruzeiro da Jadrolinija que faz o trajeto em mais ou menos 20 horas. Sai de Rijeka às 20h, e chega em Dubrovnik às 16h do dia seguinte. O Respectivo e eu reservamos uma cabine (pequena mas decente, com banheirinho completo e tudo) e fizemos a viagem, que tem paisagens lindíssimas, como a parada em Korčula (ilha na costa croata), que é um dos lugares mais bonitos do mundo.

Saindo de Dubrovnik, nosso destino era Budapeste. O ônibus que iria direto de Dubrovnik para Budapeste só funciona na alta temporada, e só começaria a rodar na semana seguinte à nossa viagem. Assim, tivemos que pegar um ônibus de Dubrovnik a Zagreb, pra depois irmos pra Budapeste.

Até aí, tudo bem. Comprei os bilhetes de ônibus e tudo certo. O ônibus sairia de Dubrovnik às 21h, e chegaria em Zagreb às 7h do dia seguinte (obviamente). Os bilhetes de ônibus foram bem carinhos (várias centenas de Kuna, o equivalente a US$25 cada, mais um Euro a mais por cada mala que foi no bagageiro). Pelo preço, imaginei que a viagem ia ser boa, apesar de ser durante a noite.

Aí entramos no ônibus, que era um ônibus de viagem comum, bem furreco, sem cortinas na janelas, nem banheiro!! Sublinho (not really): não tinha banheiro no ônibus. E a viagem duraria nove horas!!

Fiquei em choque, especialmente depois de já ter viajado de ônibus no México e ter tido uma surpresa agradabilíssima lá.

E também não tinha aquelas paradas clássicas, com um tempinho pro pessoal ir ao banheiro e comprar um lanchinho. O ônibus fazia umas paradas bem ad hoc para pegar umas pessoas pela estrada e, quando alguém queria ir ao banheiro, tinha que correr e avisar o motorista (em alemão, porque, como eu disse, eles não trabalham com inglês e eu não trabalho com croata), para que ele não fosse embora e nos largasse para trás. Porque ele não estava nem aí. O pessoal que trabalha com serviços a turistas na costa da Dalmácia é completamente incompetente e mal-educado com turistas. A definição de stress.

Noite muito mal dormida (despertei às 6 da manhã, com o sol na minha cara, já que não havia cortinas), e chegando em Zagreb, mais uma rodada de alemão misturado com croata para descobrirmos como iríamos do terminal de ônibus para a estação de trem.

Feito. Pegar o trem foi outro processo burocrático, pois nem todos os carros iriam até Budapeste (eles vão desmantelando o trem durante as oito horas de viagem). E ninguém conseguia nos dar a informação de em qual dos carros deveríamos ficar em nenhuma das sete línguas que eu falo.

Ótimo. E ainda teríamos, como eu disse, oito horas de viagem pela frente...

Saturday, July 10, 2010

Cut here (or, Budapest)

Budapeste... Ah, Budapeste! Tudo o que Paris poderia ser e não é. Ha!

Depois do calor infernal da Eslovênia e, principalmente, da Croácia, chegamos em Budapeste (depois de nove horas de ônibus de Dubrovnik para Zagreb, e mais sete horas e meia de trem de Zagreb para Budapeste) e nos hospedamos em um dos lugares mais legais do mundo: um apartamento super legal e super barato bem no centrinho de Pest (lembrando que Budapeste era, originalmente, duas cidades, Buda e Pest divididas pelo rio, tal), que lembra um pouco o baixo Augusta, só que mais legal.

Choveu bastante. E a chuva foi o máximo. Tudo o que nós queríamos depois do calor dos infernos. E também queríamos uma viagem diferente. Por isso, depois de visitar uma dúzia de museus, o Respectivo e eu cabulamos um dos museus e resolvemor ir... cortar os cabelos!!

Explico: Budapeste é conhecida por ser um lugar de cabelos super trendy, e os salões mais legais da cidade estavam todos a um raio de dois quarteirões do nosso apartamento. Um dos mais legais, inclusive, era colado no apartamento. Fomos lá e... milhões de forints depois (o equivalente a poucas dezenas de dólares): cabelo novos!

O detalhe é que o pessoal na Hungria não trabalha muito com inglês. Então, não deu pra explicar o que eu queria ou não queria. Nem pra dar muito uma idéia, tal. Uma mocinha que trabalhava no salão meio que ajudou na comunicação básica, mas, de resto, só pedi pra cabeleireira fazer o que ela bem entendesse, com a esperança de que fosse que nem mandar o Roberto Cavalli pegar um tecido e uma máquina de costura e fazer o que ele bem entender... E foi!

Confesso que, no começo, não gostei muito do meu (o do Respectivo ficou ótimo!). Achei meio esquisito e curto demais (se é que isso existe). Mas eu nunca gosto de corte de cabelo nenhum (nem meu, nem de ninguém): sou chata pra caramba com cortes e penteados. Só não ligo muito porque chorar por conta de cabelo é so fifteen years ago, e cabelo (especialmente o meu) cresce, e muito!

Mas agora que já se passaram umas boas duas semanas e meia, tenho que admitir que esse foi um dos melhores cortes ever, perdendo apenas para duas outras vezes que cortei o cabelo em SP (uma com um cabeleireiro italiano, que só veio passar um fim de semana em SP - e depois, never more, e a outra com um cabeleireiro argentino, nesse mesmo esquema de final de semana).

Espero que o corte dure, porque não vou voltar para Budapeste tão cedo... não a cada três meses!

Pois é, cabelo... we'll always have Budapest!

Monday, July 5, 2010

So much to live for (or, Slovenia)

Um apanhado de todas as coisas eslovenas.

Lugares para ficar:

Em Bled: Penzion Mlinar. Preço muito bom, localizacão excelente. O dono, Bojan, é ótimo e, além de ter ido me buscar na estação de trem (e o Respectivo no aeroporto), ele também nos deu carona várias outras vezes para restaurantes e outros lugares próximos. O café da manhã lá também foi uma delícia, e, como ficamos lá várias noites, eles compraram várias coisas que nós gostávamos (coisas sem glúten, kefir etc.).

Em Ljubljana: Penzion Pod Lipo. Não é tão barata quanto a de Bled, mas a localização é ideal, e os quartos são sensacionais, nível hotel cinco estrelas. O café da manhã não está incluído -e não vale a pena tomar o café da manhã lá (não tem tantas coisas gostosas e não é muito barato).

Lugares para comer:

Em Bled:

Ostarija Peglez'n - só não se pode pedir os peixes inteiros, que são cobrados pelo quilo (os olhos da cara, by the way). De resto, é tudo ótimo (mas a especialidade deles são os peixes e frutos do mar) e affordable, e a vista para o lago é linda.

Okarina - tem pratos indianos, mas também tem pratos tradicionais eslovenos. Uma das melhores opções para culinária vegetariana em Bled. Comparado aos outros restaurantes de lá, não é particularmente barato, mas vale a pena conhecer.

Penzion Mayer - de longe, a melhor comida de Bled. Não é barata, mas vale cada centavo. E tinha até pão sem glúten para o Respectivo. Excelente! E o lugar, apesar de meio escondido, é bem bonitinho!

Gostilna Pri Planincu - para quem gosta de muita comida. Não é nada muito especial, mas vale pelas carnes, bem ao estilo tradicional esloveno, a preços bons.


Nos arredores de Bled:

Don Andro - em Bohinj. Uma pizzaria/espagueteria. Aí, vocês me perguntam: e o Respectivo e sua intolerância a glúten? Pois é. Esse lugar escondidinho tinha massas e pizza sem glúten. Comemos a pizza, que estava ótima, e uma salada maravilhosa!

Gostilna Augustin - em Radovljica. O restaurante com uma das vistas mais bonitas do mundo. A comida tem preço bom, mas o dono é uma figura bem interessante... porque ele meio que está sempre bêbado e esquece os pratos dos clientes... Enfim, uma história para contar.


Na lista "don't even bother" entram: Gostilna Lectar, em Radlovljica (por ser caríssimo e por colocarem glútem am absolutamente tudo na cozinha, incluindo o chucrute!), Mlino, em Bled, que é caro, com comida e serviço ruins... comida pouca, tal. O Labod, também em Bled, é ok, mas nada tudo isso.

Jumping someone else's train (or, getting to Slovenia)

Hoje acabou a preguiça e vou começar um briefing rápido da minha última viagem. O destino principal da viagem foi Bled, na Eslovênia. Mas, e aí, Bóris, como faz pra chegar na Eslovênia, a partir de São Paulo?

É aí que Veneza entra na história. O ponto mais próximo de Bled na Europa, com voos do Brasil é Veneza. Doze horas de voo, escala rápida em Roma e... tah!dah! Chego em Veneza. Veneza é o inferno na terra. Caos. Dante, quando escreveu o Inferno, deve ter morado em Veneza. Calor, malas e pontes. Muitas pontes. O pessoal só esqueceu de me avisar que as pontes (milhões delas! milhões!) são estilo "escada": degraus para subir e degraus para descer. Nada de rampinha. E eu, com malas. Foi lindo!

Aí, só passei uma noite lá e, no dia seguinte, fui pegar meu trem para a Áustria (o trajeto mais rápido para Bled envolvia uma baldeação em Villach, uma cidadezinha muito bonitinha, na Áustria). Mas na hora em que eu comprei o bilhete do trem, o cara me avisou: "olha, eu estou te dando um bilhete de trem, tal... ma questo non è un treno. È un autobús. Capisca?"

Ahn. Ok.

Fui eu pegar o tal ônibus, que estava marcado para sair às 11h20 da manhã. Cheguei lá às 10h30 e esperei. 11h, e nada. 11h10 - nada. 11h20 - nada. 11h30 - nada. Pânico. E se o cara me enganou? (sei lá, né, estava na Itália, tal - mas, por outro lado, é a Itália, as coisas atrasam...). 11h40 - nada. 11h50 - nada. Quando deu meio-dia, eu já estava tramando voltar lá onde eu comprei o bilhete, pra xingar o cara. Mas eis que: o ônibus chega. Com quase uma hora de atraso!

Mas tudo bem. E vambora pra Áustria, onde as pessoas falam alemão, e as coisas são pontuais. Tipo o céu.

Chego em Villach e, em vez das duas horas que eu teria para a baldeação, tive uma hora só (por conta do atraso do ônibus). Chegando na estação de trem, fui comprar um bilhete para Bled. E o cara me avisa: "olha, eu estou te dando um bilhete de trem, tal... aber dies ist kein Bahn. Sie müssen denn ein Bus aussen nehmen. Verstehen Sie?"

Você está de brincadeira, né? Tipo, acabaram com os trens na Europa e substituíram TODOS por ônibus? HOJE. É isso?

E lá fui eu pegar o tal ônibus. Esse foi até Rosenbach, uma micro-cidade já bem pertinho da fronteira com a Eslovênia. Lá, todo o pessoal desceu do ônibus e pegou o trem que fazia o resto do trajeto, passando por toda a Eslovênia e indo até Zagreb, na Croácia. Meia horinha a partir de Rosenbach e finalmente cheguei em Lesce, na Eslovênia, onde o dono da Penzion onde o Respectivo e eu ficamos já estava me esperando, de carro.

Ou seja, a idéia de ir para Veneza e, de lá, para Bled até que foi boa, já que eu dispunha de seis horas para ficar em trânsito para rodar míseros 173Km! Esperto foi o Respectivo, que voou para Londres e, de lá, pegou um EasyJet direto para Ljubljana!

O tempo total de viagem dele foi de umas 8 horas. O meu? Dois dias!
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